![]() |
| Charge de Jaguar, junho de 1963. Reprodução Acervo Última Hora |
![]() |
| Charge de Jaguar, junho de 1963. Reprodução Acervo Última Hora |
Com a Copa do Catar, a FIFA pensou muito mais nos dólares dos sheiks do que no futebol e criou o desastre perfeito.
O Catar é um Estado fundamentalista e autoritário. Uma ditadura que desrespeita direitos humanos e oprime muitos dos seus habitantes, principalmente as mulheres. Cada estádio construído para a Copa, assim como cada um dos suntuosos edifícios de Doha e de outras localidades têm as marcas do sangue derramado por imigrantes que os construíram em condições de trabalho escravo. O país já foi denunciado por isso em instâncias internacionais inúmeras vezes. Calcula-se que centenas desses morreram nos últimos anos. O clima festivo em torno da Copa ficará restrito praticamente aos torcedores estrangeiros e, mesmo assim, contidos pelas rigorosas leis islâmicas. Fora das quatro linhas, tudo parece falso nessa Copa feita como se fosse um reality show a ser visto pela TV e gerado em um estúdio.
Claro que, no gramado, quando a bola rolar, o fascínio do futebol vai prevalecer. Brasil, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Inglaterra e outras potências do futebol vão garantir o espetáculo. A Copa terá uma identidade triste apesar da alegria que os craques vão proporcionar. A FIFA merece cartão vermelho e nem precisa chamar o VAR. (José Esmeraldo Gonçalves).
A matéria é da BBC Brasil. Folha, Globo e Estadão evitam fazer essa conta. Os jornalistas de mercado (a mídia brasileira não tem mais jornalistas de economia) não fazem essa soma. Bolsonaro e Paulo Guedes estupraram o teto de gasto, a divindade desses jornais e jornalistas, mas o mercado só sente a dor da gonorréia financeira quando Lula propõe um gasto planejado para atender ao drama e à fome de milhões de brasileiros. O nome disso é canalhice.
Ontem, 15 de novembro de 2022, a Terra atingiu a cota populacional de 8 bilhões de habitantes. Em 14 de julho passado, escrevi aqui algumas considerações a respeito do que batizei de “poluição demográfica”.
As discussões da COP27 no Egito só confirmam que as nações do mundo não estão conseguindo reverter o cenário de catástrofe gerados pelo aquecimento global. Seremos cada vez mais longevos até o belo dia em que pudermos afirmar: “Somos todos dinossauros...” – ou, corrigindo o tempo verbal: “Fomos todos dinossauros...”
LAMENTO NO TWITTER
| Reprodução Twitter |
"PERDEU, MANÉ, NÃO AMOLA"
(Ministro Luis Roberto Barroso, do STF, em resposta a um bolsofascista fanático que enchia o seu saco em Nova York, ontem)
| Imagem ilustrativa |
Em junho de 1985 Carlos Heitor Cony, então diretor da revista Fatos, me pediu para fazer um box para uma matéria do repórter Luiz Carlos Sarmento sobre o rumoroso Caso Baumgarten. Cony recebera informações sobre uma operação do SNI destinada a apagar determinados arquivos e registros nos órgãos de segurança. A tarefa era gigantesca. Havia anotações que a ditadura considerava "comprometedoras" não apenas no SNI, mas nas Assessorias de Segurança e Informação dos ministérios, nos Dops estaduais e nos terríveis "centros de segurança" das Forças Armadas. Através de um contato que o próprio Cony me passou, além de um nome indicado por Sarmento, obtive a confirmação de que a limpeza dos porões estava em curso desde que a Nova República se anunciara.
Em 2012, Cony me lembrou em telefonema que um livro recém-lançado, "Memórias de um Guerra Suja", do ex-delegado do DOPS Claudio Guerra, confirmava a reportagem de Sarmento, 25 anos depois. Fiz então um registro no blog. (https://paniscumovum.blogspot.com/search?q=Claudio+Guerra)
Nos últimos dias, lembrei-me dessa operação de queima de arquivos ao ler no Metrópoles, em matéria do jornalista Rodrigo Rangel, que o Palácio do Planalto havia formatado todos os seus computadores. "Formatar", no caso, igual a apagar inteiramente os conteúdos das máquinas. O processo exclui o sistema operacional dos computadores, o que significa que deverá ser reinstalado do "zero". Não restando nem backup. O Planalto, cuja credibilidade também é zero, afirmou que um "vírus" havia atacado a rede de dados da Presidência.
Em 1985, um militar definiu a operação 'abafa' dos remanescentes da ditadura, em 1985, como "frenética".
Imagino como deve estar vertiginosa nas sombras do Planalto a "higienização" do governo Bolsonaro, uma espécie de "solução final" para mensagens, vídeos, documentos, recadinhos, gravações, anotações de conversa de fim de tarde, boletos, memórias de celulares, sites pesquisados, históricos, Google Maps, agendas e registros não republicanos acumulados nos últimos quatro anos. Por enquanto, não há informação se, como o seu mentor Donald Trump, Bolsonaro levará pilhas de documentos secretos para o seu condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
| A Alegoria da República segundo o brasileiro Manoel Lopes Rodrigues. A representação é tão caricata e feia quanto a representada. |
| A Efígie da República do Brasil: um toque romano na terra do pau-brasil |
![]() |
| O pintor Roque Carneiro retrtatou a República portuguesa de topless. Belos seios, pelo menos. Não por acaso, reúne uma multidão de admiradores. |
| A "mãe guerreira" Marianne representa a República Francesa na visão de Delacroix na tela "A Liberdade guiando o Povo". |
Tivemos então 31 anos de altos e baixos, marcados pelo impeachment (mais que justificado) de Collor e pelo impeachment (injustificado) de Dilma, na verdade o mal dissimulado Golpe de 2016.
A partir de 2018, o sofrido povo brasileiro foi brindado com quatro anos de negacionismo e neonazismo.
Um novo período começa em 1º de janeiro de 2023 e está a pedir uma nova denominação. O blog Panis Cum Ovum – que já se aproxima do seu Ano XV – pede a seus leitores que contribuam com sugestões. Um veterano jornalista da revista Manchete já arriscou o seu palpite: Terceira República, inspirado pelo fato de que Luiz Inácio Lula da Silva é o único Presidente da história eleito para um terceiro mandato.
Por enquanto, si non è vero è ben trovato...
| Janja no palanque. Foto de Ricardo Stuckert |
por José Esmeraldo Gonçalves
Ontem a Rede Globo exibiu no Fantástico uma entrevista com Rosângela da Silva, a Janja, casada com o presidente Lula e com participação destacada na campanha presidencial.
Provavelmente, a entrevista foi gravada antes dos comentários machistas e preconceituosos que Eliane Cantanhêde lançou contra a socióloga. O protagonismo de Janja incomoda a jornalista. Autêntica, simples, sem a afetação que, aliás, a Cantanhêde transmite nas suas intervenções na TV, a entrevista de Janja foi uma resposta elegante ao ataque em estilo Século 19 que recebeu na Globo News.
No fim quem restou exposta e obsoleta - e tem recebido milhares de críticas nas redes sociais - foi a jornalista.
Afinal, o que a Cantanhêde quer para as mulheres brasileiras? Que vivam em "prisão domiciliar" enquanto os maridos não chegam do trabalho? Que usem uma tornozeleira afetiva?
O humorista Chico Anysio interpretava um personagem, o Nazareno, casado com a coitada da Sofia. Cada vez que ela interferia em uma conversa, o marido disparava o bordão "caaaaalada!".
"Ela não é presidente do PT, não é líder política”, disse a Cantanhêde. Para a jornalista, a socióloga "ocupa excesso de espaço". No mesmo comentário, ela definiu os únicos metros cúbicos nos quais Janja pode se manifestar: o quarto do casal.
A Cantanhêde imita a famosa frase que Ciro Gomes disse sobre a função de Patricia Pilar, com quem estava casado: dormir com ele.
Ciro se deculpou. A Cantanhede ainda não.
Durante a campanha Janja recebeu muitas ofensas e foi vítima de fake news nas redes sociais. Ela verá, ao longo do mandato de Lula, que será um alvo de parte da mídia. Não falha. Dilma foi capa de revista por ser "nervosa", foi criticada até pelo "jeito de andar". A jovem Tereza Goulart, que fugia ao figurino conservador de "primeira-dama" (título deplorável, a propósito) era caluniada pelas "senhoras de Santana".
Já Iolanda Costa e Silva, Scyla Médici, Lucy Geisel e Dulce Figueiredo só recebiam elogios.
Em todo caso, democracia é melhor. Na sala, no quarto, no trabalho, nas ruas, na estrada, no morro, no asfalto...
![]() |
| Reproduções Twitter |
![]() |
| Reprodução de charge de MOR publicada hoje na Folha. |
O chargista MOR, da Folha de São Paulo, deu a melhor e genial resposta ao "relatório" do Ministério da Defesa. Tenho dúvida se o tal "documento" passaria numa prova do Enem pela inconsistência das frases, pela dissolução embriagada e vacilante e evasiva da ideia central da redação. Além disso, sujeitos e predicados estão corrompidos pelo bolsonarismo mentiroso. E usa subterfúgios para sustentar a mentira. O tosco relatório admite que não encontrou indícios de fraude nas eleições, mas diz que "não exclui essa possibilidade" . A assertiva pode ser usada para tudo. "Meu avô acaba de morrer, mas não excluo a possibilidade de estar vivo". "Não roubei verba do orçamento secreto, mas não excluo essa possibilidade". "Não comprei Viagra superfaturado, mas não excluo essa possibilidade". "Não sabia que o avião da comitiva presidencial levava cocaína, mas não excluo essa possibilidade". |
Parece claro que o "relatório" foi escrito pelo "patriota do caminhão enquanto fazia sua viagem para o nada grudado como um marisco na boleia da carreta".
Uma perguntinha: quando gastaram para gestar o rato que a montanha verde-oliva pariu.
“É preciso estar atento e forte/ Não temos tempo de temer a morte!”
GAL COSTA, cantando Divino Maravilhoso.
Dita hoje na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas - COP-27
“Estamos numa estrada para o inferno climático, com o pé no acelerador.”
ANTÓNIO GUTERRES, Secretário Geral da ONU na COP27
Em 2021, apenas Estados Unidos e Ucrânia votaram contra resolução da ONU que condena o nazismo, racismo e a xenofobia. Em 2022, 52 países rejeitaram a mesma resolução. Isso quer dizer que o fascismo e o nazismo estão em processo de reabilitação no mundo. Os Estados Unidos alegam que votaram contra em nome da "liberdade de expressão". A resolução foi aprovada por 105 votos a favor, 52 contra e 15 abstenções.
No Brasil, que votou a favor da resolução, ocorre um grave fenômeno. Células nazistas se espalham principalmente no Sul do país e são naturalizadas em muitos grupos nas redes sociais e pela impunidade, mesmo quando flagradas. Em 2023, o Senado e Câmara receberão políticos com ideário fascista levados a Brasília pelas últimas eleições.
![]() |
| Fascista que não sabe que é fascista tenta deter carreta. Dizem que o "herói" bolsonarista vai receber de Bolsonaro a Ordem do Cruzeiro do Sul. Reprodução Twitter |
![]() |
| Reprodução Twitter |
![]() |
| Nazismo assumido. |
![]() |
| 1968: Vanja Orico se ajoelha pela liberdade.Fotos de Gervásio Baptista/Manchete |
| |
| 2022: De joelhos, Cássia Kiss reza pela volta da ditadura. Imagem reproduzida do You Tube |
por José Esmeraldo Gonçalves
Ontem, bolsonaristas foram à sede do Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro, para pedir que as Forças Armadas promovam um golpe e reinstalem uma ditadura do Brasil.
Em meio à gangue golpista uma figura patética se destacou: a atriz Cássia Kiss ajoelhou-se para fazer uma "oração contra o comunismo". Na prática, ela estava lá para atacar a democracia. Na ação política, a atriz sequestrou o espírito cristão e rezou uma Ave Maria, que é uma oração na qual o fiel se admite como pecador. Faz sentido. Cassia Kiss está em Travessia, na Globo, novela da também bolsonarista Glória Perez, e desfruta momento de alta exposição. É possível que ela tenha feito um combo e rezado para a novela decolar, o que está difícil segundo os colunistas de TV.
A imagem da Kiss devota do golpe lembrou outra atriz, Vanja Orico, que em cicurstâncias opostas se ajoelhou para defender a democacia e a liberdade.
Em outubro de 1968, uma manifestação de estudantes contra a ditadura militar foi reprimida à bala. O ataque matou o estudante Luiz Carlos da Cruz e feriu outros seis jovens. No dia seguinte, uma multidão se dirigia para o enterro do estudante assassinado, no Cemitério do Caju, quando ocorreu um novo ataque. Mais dois jovens foram mortos.
Entre outros artistas, Vanja Orico participava da passeata. Em certo momento, para tentar deter a brutalidade, ela se ajoelhou diante das viaturas policiais. A atriz foi presa. Liberada três dias depois, Vanja passou a receber ameaças de morte. A decretação do AI-5 - que tornou a tortura política de Estado e sequestrou e assassinou brasileiros, Vanja foi obrigada a deixar o Brasil dois meses depois.
Foi graças à luta de pessoas como Vanja Orico que a democracia renasceu no Brasil após uma longa noite. É por isso que tristes figuras como Cássia Kiss podem se postar diante de um quartel para pedir livre embora ilegalmente que os militares lancem os tanques contra a Constitução.
| Reprodução Vídeo Instagram de Jamil Chade |
DIRETO DE GENEBRA:
"FOI MUITO LINDO SER PARABENIZADO PELO RESULTADO DA ELEIÇÃO NO BRASIL"
CLIQUE AQUI
por Ed Sá
Veja o vídeo acima postado no Instagram pelo jornalista e colunista Jamil Chade. A imagem do Brasil no mundo já está em recuperação. Um fato que simboliza a reaproximação com o mundo democrático é o convite que presidente Lula e Marina Silva receberam para participar - antes mesmo da posse da pçosse do governo democrático - da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022 (COP-27), que acontecerá entre os dias 6 e 18 de novembro em Sharm El Sheikh, no Egito
As eleições resgataram a democracia e a dignidade do país. É reconfortante, mas fiquemos atentos: o Brasil que pensa venceu a gangue fascista, mas haverá muita luta pela frente. A arma dos bolsonaristas contra a democracia, como demonstraram nos últimos dias, é e será o terror.