sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Da Manchete para a Lava Jato: quando o inimigo morava ao lado...

Quando ainda não era vilão e o presídio de Benfica não fazia parte do seu currículo, o ex-presidente do TCE-RJ, Aloysio Alves, o primeiro a partir da esquerda, participa de uma comemoração na Manchete ao lado de Wilson Cunha, Roberto Muggiati, Lairton Cabral e Marechal. Este, na ponta direita, apesar de mais distante do personagem que hoje é alvo
da Operação Quinto do Ouro, protege o bolso: coincidência ou premonição?   

por Flávio Sépia

No ano passado, a Polícia Federal atirou no que viu - a Operação Quinto do Ouro, desdobramento da Lava Jato que atingiu figuras do Tribunal de Contas, Assembléia do Rio de Janeiro e da Fetranspor - e acertou no que não viu: um antigo personagem da Manchete.

Como então presidente do TCE-RJ, Aloysio Neves foi conduzido ao presídio de Benfica para cumprir prisão temporária. Antes jornalista, o conselheiro agora atrapalhado passou pelo Jornal do Commercio, foi colaborador da coluna Carlos Swann no Globo e, de 1970 a 1978, trabalhou na Bloch Editores. Começou como uma espécie de relações-públicas que evoluía no foyer do Teatro Adolpho Bloch, logo passou a colaborar com as revistas Domingo Ilustrado, Fatos & Fotos e Manchete.

Neves acalentava objetivos mais altos: tornou-se Assessor Especial da Presidência do Grupo Bloch Editores e Diretor Administrativo do Teatro Adolpho Bloch. Logo depois ingressou no serviço público e nos gabinetes de secretários e governadores até chegar a consultor de Neuzinha Brizola para amenidades, assessor legislativo de Sérgio Cabral, ao TCE-RJ e, finalmente, às grades.

Aloysio Neves ao receber a Medalha do Mérito
 Legislativo da Câmara dos Deputados.
Reprodução/TCE-RJ

O currículo de Aloysio Neves registra condecorações como o Colar do Mérito Judiciário, Comendador da Ordem do Mérito do Trabalho e uma "Medalha Avante Bombeiro". A Associação Brasileira dos Colunistas de Marketing e Propaganda lhe concedeu o prestigiado Diploma do Destaque do Ano de 2009 do Prêmio Colunistas de Publicidade. Não só os pares nacionais reconheceram as "subidas honras' do atual investigado na Operação Quinto do Ouro: a Rainha Elizabeth também foi enrolada e deu ao intrépido Aloysio a Medalha da Ordem Royal Victorian. É mole? E Marcelo Caetano, ex-Primeiro Ministro de Portugal pregou na lapela do brasileiro a insígnia de Oficial da Ordem Militar de Cristo.


A revista Veja Rio colocou na capa, na primeira edição de 2018, o endereço carioca mais badalado do momento: o presídio de Benfica, que entra para a história como o "resort" compulsório e oficial de 2017 para várias ex-autoridades e empresários. A matéria feita pelo repórter Rafael Sento Sé tem momentos revista "Caras" e revela a intimidade das "celebridades" do "castelo" de Benfica. Uma dessas inconfidências envolve Aloysio Neves.


A Veja Rio relata:"um escândalo de corrupção que veio à tona em meio à Operação Asfalto Sujo 2 acabou expondo um relacionamento que não seria da conta de ninguém não fosse o teor das conversas gravadas na investigação".

Pelo jeito, as histórias secretas de operações como Quinto do Ouro, Irmandade, Cui Bono, Leviatã, Tesouro Perdido, Lava Jato, Recebedor, Gotham City, Unfair Play, Descontrole, Senhor dos Anéis, Carne Fraca, Good Vibes e Saia Justa ainda vão fazer a alegria dos cineastas que investem no filão de longas e séries sobre delatados, delatores, justiceiros, heróis e vilões do novelão brasileiro.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A foto que virou o ano...

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Lucas Landau fez a foto mais comentada do Réveillon de Copacabana. Um menino negro assiste à queima de fotos e, ao fundo, a multidão vestida de branco comemora a chegada de 2018. A imagem viralizou nas redes sociais. O Réveillon passou, mas a repercussão da foto virou o ano. Na sua página, o fotógrafo comentou:

- "Como a foto está sendo bem divulgada, acho válido contextualizar: eu estava a trabalho fotografando as pessoas assistindo aos fogos em Copacabana. ele estava lá, como outras pessoas, encantado. perguntei a idade (9) e o nome, mas não ouvi por causa do barulho. como ele estava dentro mar (que estava gelado), acabou ficando distante das pessoas. não sei se estava sozinho ou com família. Essa fotografia abre margem para várias interpretações; todas legítimas, ao meu ver. existe uma verdade, mas nem eu sei qual é. me avisem se descobrirem quem é o menino, por favor".

Posto de Escuta: Sarney é a rainha-mãe, Folha comemora pipi presidencial, Garotinho "atira" na Globo, Trump e Kim Jong-un disputam quem tem "botão nuclear" maior...

* Netiflixi - O Brasil é um mix de seriado Dê Crau maranhense com Rause ófe Cardis de Brasília. E Sarney uma mistura de Rainha-Mãe com Francis Underwood.

* Enquadrou - O Ribamar de São Luís usou dos seus poderes reais, botou o cuxá na mesa e obrigou Michel Temer a desnomear um futuro ministro do Trabalho. Deve ser o semi-presidencialismo já em vigor, com Temer de  primeiro-ministro.

* Replay - Temer continua Temer nesse 2018. Sofre com a suposta infecção urinária que virou o ano, além dos efeitos colaterais da interferência da Rainha-Mãe, e viu mais um dos seus ex-ministros (Omar Serraglio (PMDB), da Justiça)  ser acusado de receber propina de frigoríficos. E o "filé" vinha bem passado em forma de dinheiro vivo.

* Jornal elogia pipi presidencial - Do DCM on Line: "Temer urina bem, diz Folha. Imagina o que o jornal escreveria se o problema fosse intestinal".

* Personal trainer - Luciano "Bodytech" Huck dá sinais de que ainda pode voltar a malhar para ser presidente da República.

* Drible do money -  Há algo de muito errado no futebol brasileiro quando dois jogadores que se destacaram aqui neste ano - Fernandinho, no Grêmio, e Jô, no Corinthians - deixam o Brasil para jogar na China e no Japão, respectivamente. Não demora muito, estarão preferindo jogar soccer nos arremedos de estádios em Orlando do que no Maracanã, Mineirão, Morumbi ou nas arenas pós-Copa de 2014.


* Acelera! - Apreensão de fuzis no Rio de Janeiro é coisa nossa. O Globo noticia que a PM recolheu ontem a primeira arma desse tipo em 2018. Quase não é notícia. O detalhe visível na foto, é a inusitada "homenagem" no objeto de estimação do bandido: o nome e o logotipo de Ayrton Senna.


* Snipper dos Goytacazes - Por falar em "fuzil", o Blog do Garotinho está atirando. A matéria de destaque (foto) é uma rajada de alto calibre.

* California Dreamin' - a fila para a compra de maconha recreativa em Oakland, (CA) aberta ontem, estava maior do que as nossas filas para seguro-desemprego e SUS, as de empresários sonegadores aguardando vez no Refis e de delatores esperando premiação gorda.

* Deu nos búzios - A previsão mais fácil de acertar para 2018: Crivella vai fazer várias viagens e vai tentar nomear mais parentes e colegas da Universal para cargos públicos.

* Acabou em sexo - Trump desafia Kim Jong-un e diz que seu "botão nuclear" é maior...

* Não deu no Jornal Nacional - Fátima Bernardes admite que réveillon com Túlio Gadelha, seu novo namorado, foi a "melhor virada".


* Mas deu no New York Times - jornal americano aponta Gretchen como "rainha dos memes brasileiros". Nem tudo está perdido.


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Em mensagem para 2018, Secretário-Geral da ONU lança um alerta ao mundo

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, 
“Queridos amigos em todo o mundo, Feliz Ano Novo!

Há um ano, quando iniciei o meu mandato, lancei um apelo à paz para 2017. Infelizmente o mundo seguiu, em grande medida, o caminho inverso. No primeiro dia do ano de 2018 não vou lançar um novo apelo. Vou emitir um alerta ao mundo.

Os conflitos aprofundaram-se e novos perigos emergiram. A ansiedade global relacionada com as armas nucleares atingiu o seu pico desde a guerra fria. As mudanças climáticas avançam mais rapidamente do que os nossos esforços para as enfrentar.

As desigualdades acentuam-se. Assistimos a violações horríveis de direitos humanos. Os nacionalismos e a xenofobia estão aumentando. Ao começarmos 2018, apelo à união. Acredito verdadeiramente que podemos tornar o mundo mais seguro.

Podemos solucionar os conflitos, superar os ódios e defender os valores que temos em comum. Mas só poderemos fazê-lo em conjunto.

Apelo aos líderes em todo o mundo para o seguinte compromisso de Ano Novo: Estreitem laços. Lancem pontes. Reconstruam a confiança reunindo as pessoas em torno de objetivos comuns.

A união é o caminho. O nosso futuro depende dela. Desejo a todos paz e saúde em 2018.

Thank you. Shokran. Xie Xie. Merci. Spasiba. Gracias. Obrigado.”

VEJA AQUI

Fonte: Nações Unidas no Brasil

A revista Paris Match quer saber: quem é Bruna Marquezine, amiga de Neymar?



Com Neymar ganhando o posto de ídolo do PSG, a vida pessoal do brasileiro passou a interessar à mídia francesa. A Paris Match publica hoje um pequeno perfil de Bruna Marquezine e uma galeria de fotos após notícias de fim de ano registrarem que o jogador e a atriz reataram o namoro pela quarta vez.
"Bruna Marquezine, cujo nome real é Bruna Reis Maia, tem 22 anos. Ela é brasileira, como Neymar. E é uma atriz. Fez sua primeira aparição na televisão aos 4 anos, atuou em 13 telenovelas (...)
também participou da versão brasileira de "Dance with the stars". A jovem é uma estrela no Brasil e tem quase 25 milhões de seguidores no Instagram", descreve Paris Match.

Livro "Biografia da televisão brasileira" tem capítulo sobre a construção e a desconstrução da Rede Manchete

"Biografia da televisão brasileira’’ (Matrix Editora), de Flávio Ricco e José Armando Vannucci, lançado em fins do ano passado, é a mais completa história da "máquina de fazer doidos", como apelidava Stanislaw Ponte Preta. São dois volumes e 54 capítulos contando o que foi ao ar e o que ficou nos bastidores de 1950 até 2017. Só de entrevistados os autores reuniram 250 pessoas.

A Rede Manchete está lá, no capítulo 37: "Manchete, um TV de primeira classe". As novelas que produziu, o jornalismo que praticou, os programas de entretenimento, a ousadia de colocar no ar, em TV aberta, programas classe A e os bastidores da crise que que devastou a rede.


Um dos estúdios da Rede Manchete.
Foto: Reprodução 
Segundo os autores, os fechamentos das TVs Tupi, Excelsior e Manchete "até hoje são lamentados por tudo o que cada uma representou na vida de quem passou por elas. 
A televisão do Brasil, com toda certeza, não estaria no estágio em que está, reconhecida por seus trabalho em diferentes pontos do mundo, se ao menos uma entre as três, não tivesse existido. 
Todas, isoladamente, prestaram sua contribuição de forma decisiva".  

A outra lata do Verão dá um banho de marketing...

Divulgação/Itaipava
No ano passado, a Itaipava montou duas latas-chuveiro nas areias da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Neste 2018 a cerveja repete a ação em Florianópolis e São Vicente. Ainda não foi divulgado se os novos modelos dos chuveiros - com o "copa" da Itaipava funcionando como boxe em nome da privacidade - voltarão ao Rio.  

A lata do Verão: "Tem que manter isso, viu?"


A Coca Cola lançou em dezembro uma série de latinhas de Verão com artistas como Anitta, Ludmilla, Pablo Vittar, Simone e Simaria e outros. As brigadas da direita ensandecida se manifestaram nas redes para protestar especialmente contra a liberdade e protagonismo de Anitta e a diversidade de Pablo Vittas. Rapazes e moças do neo nazismo ao neopentecostalismo e ao neofaltadoquefazer
ficaram incomodados (as) com alguns dos rótulos do refrigerante. A melhor resposta veio da Naty Entediada, no Twitter, que listou os personagens que a direita ama e que talvez prefira ver nas latinhas (acima). E veja abaixo a série original de artistas da Coca Cola.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

No ano da Copa da Rússia, Gabriel Jesus deixa Tite sem dormir

Tite: preocupação na virada do ano. Foto de Lucas Figueredo/CBF
O drama de Gabriel. Reprodução Evening Post


Gabriel Jesus, o camisa nove no topo da "pirâmide, comemora um dos seus gols
na vitória contra o Chile, no último jogo das Eliminatórias. Foto de Lucas Figueredo/CBF

por Niko Bolontrin

Depois de um início arrasador no Manchester City, Gabriel Jesus sofreu duas contusões sérias e foi afastado por 60 e 20 dias, respectivamente. No último jogo do ano, ontem, contra o Chrystal Palace, caiu desequilibrado e torceu o joelho. Fará exames na próxima terça-feira para diagnosticar a extensão do problema. Poderá ficar sem jogar durante dois meses. Caso seja constatada ruptura dos ligamentos precisará de até seis meses para se recuperar. O primeiro jogo do Brasil será no dia 17 de junho. O ano começa com essa preocupação para Tite, que deverá pensar em esquemas alternativos para dois importantes jogadores brasileiros: Gabriel Jesus, com a torcida para que a contusão não se mostre tão grave, e Neymar. Esse, que se expõe ao zagueiros por seu futebol de qualidade e pela característica de furar defesas com variadas técnicas de dribles e controle de bola e, por isso, costuma perder a calma por tanto apanhar em campo, corre o risco de contusões, toc, toc, toc, ou cartões, sai pra lá, juiz. O lado positivo é que Tite terá tempo para se preparar para as eventuais ausências das duas importantes peças.

Ranking mundial dos 100 melhores jogadores de futebol de 2017 tem 10 brasileiros



por Niko Bolontrin

The Guardian divulga a tradicional lista dos 100 melhores jogadores de futebol do mundo em 2017.

A relação tem 10 brasileiros: Neymar (PSG, 3°), Marcelo (Real Madrid, 19°), Philippe Coutinho (Liverpool, 24°), Daniel Alves (PSG, 26°), Casemiro (Real Madrid, 28°), Gabriel Jesus (Manchester City, 39°), Thiago Silva (PSG,76°), David Luís (Chelsea, 83°), Alex Sandro (Juventus, 90°) e Fabinho (Monaco, 91°). E mais um ítalo brasileiro, Thiago Alcântara, do Bayern de Munique, 49°, e Diego Costa, naturalizado espanhol e que volta a ser jogador do Atlético de Madri, em 68°.

O inconsciente coletivo nas primeiras páginas...



Cada um com seus motivos e suas polarizações, o fato é que 2017 vai pro divã. Foi mal-humorado aqui e no mundo. Trump, Kim Jong-un, guerras, a tragédia dos imigrantes, Daesh, o terrorismo dos fanáticos lobos solitários...
As edições do Globo e do Estado de Minas estampam o mesmo sentimento: a hora de refazer o Brasil. O ano é de eleições e a hora é de botar na urna um voto cidadão. A bola estará com o eleitor. Ou em 2019 os jornais terão que reimprimir as capas de hoje.

Rio 2018: vai malandro

Que o Rio reaja em 2018. O Redentor está convidado a ajudar. Foto de Fernando Maia/Riotur

Foto de Gabriel Monteiro/Riotur

Foto de Fernando Maia/Riotur

Anitta brilhou. Foto de Gabriel Monteiro/Riotur

A cantora Ana Petkovik, filha do craque que foi ídolo no Flamengo. Foto de Alexandre Macieira/Riotur

Mocidade Independente de Padre Miguel no palco. Foto de Alexandre Macieira/Riotur
Copacabana, o entardecer antes da virada. Foto de Fernando Maia/Riotur


2018: Salve, Iemanjá. Fotos de Alexandre Macieira/Riotur

domingo, 31 de dezembro de 2017

Mr. Trumpinóquio...

De Carl Bernstein, repórter que ao lado de Bob Woodward apurou o Caso Watergate e implodiu Nixon, à CNN:

- "Não há motivo para acreditar em quase tudo o que Donald Trump diz, porque o que sabemos é que o presidente dos Estados Unidos e sua Presidência se caracterizam acima de tudo pela mentira". 

Agora vai! Segundo a Piauí, a Nasa vai levantar a imagem do picolé de chuchu


por Ed Sá 

Brizola faz falta. O gaúcho era bom em cravar apelidos nos políticos. E apelidos que levavam uma mensagem.

Entre outros, Gato Angorá (Moreira Franco), Sapo Barbudo (Lula), Rui Barbosa em Compotas (Paulo Brossard). Picolé de Chuchu para Alkmin, mas acho que é obra de José Simão. Marco Maciel ganhou de João Saldanha a alcunha de Mapa do Chile.  Golbery do Couto e Silva, com conhecimento de causa dos serviços de informação da ditadura, apelidou ACM de Toninho Malvadeza.

Geralmente, esses apelidos "pegavam".

A Lava Jato revelou muitas alcunhas em listas de empreiteiras, mas ficaram registradas nas fichas policiais e não caíram na boca do povo. Apareceram nas delações Anão (ACM Neto), Amigo (Lula), Fodão (Eliseu Padilha), Boca Mole (Heráclito Fortes), Bolinha ou Pescador (Anthony Garotinho), Kibe (Gilberto Kassab) etc.

Faltou Brizola em 2017: Luciano Huck, Gilmar Mendes, Bolsonaro, Carmen Lúcia, Henrique Meireles, Moro, Bretas, João Doria, Dodge, Barbosa, Geddel, Cunha e Aécio, para citar alguns,  estão à espera de apelidos "super bonder", aquele que cola na currículo das figuras e até na urna de votação.

Na última edição do ano, La Nacion revela que Argentina copia o "Modo Temer" de comprar votos


As últimas primeiras páginas de 2017...


BRASIL 





PORTUGAL


 ITÁLIA


ESPANHA


ESTADOS UNIDOS 





FRANÇA


VENEZUELA


Austrália abre as comemorações de 2018 e Donald Trump quer saber porque não "America First"


Donald Trump não entende de clima, não acredita em aquecimento global e decreta que o inverno rigoroso e nevascas provam que o planeta não está esquentando e ambientalistas mentem. O empresário-presidente confessou aos seus assessores que sempre achou que o Ano Novo começava na Times Square, em Nova York, e não entendia porque os australianos "se antecipam".
VEJA SYDNEY, AUSTRÁLIA, "ANTECIPANDO" A CHEGADA DE 2018, CLIQUE AQUI

sábado, 30 de dezembro de 2017

José Louzeiro, o jornalista e escritor que investigava crimes e descobria a vida que as tragédias escondiam

por José Esmeraldo Gonçalves

A Globo News noticia que José Louzeiro morreu dormindo, aos 85 anos. Um fim típico do maranhense generoso e sereno e com jeitão de poeta da sua terra.

Como jornalista, o material de trabalho do Louzeiro foi o drama humano, através de incontáveis reportagens policiais. Eu o conheci em 1976, na Fatos & Fotos. Louzeiro estava lançando o livro "Lúcio Flávio, o passageiro da agonia". No ano anterior, fiz para a F&F a cobertura do assassinato do então mais famoso bandido do Brasil, morto na prisão, e, logo depois, uma matéria exclusiva com a sua família, que me mostrou quadros que ele pintou na cela durante os últimos meses de vida.

Lúcio Flávio foi o assunto da nossa primeira conversa. Voltei a encontrar Louzeiro em outras redações, na Manchete, na Fatos e em vários veículos pelos quais passei em mais de 45 anos de carreira.

Louzeiro costumava dizer que o livro sobre Lúcio Flávio era um romance, embora tudo o que o leitor encontrasse na suas páginas fosse absolutamente autêntico.

Era sua marca contar o crime com estilo e extrair a vida que a repercussão e o sensacionalismo escondiam em casos como o da menina Aracelli, estuprada e morta por grã-finos de Vitória (ES), a tragédia de Claudia Lessin Rodrigues e o drama do menino Pixote e tantos outros.


A Fatos & Fotos publicava em 1976 o encarte semanal "um best seller em meia hora de leitura". Era um resumo dos últimos lançamentos. Louzeiro pensou mais como jornalista do que como escritor e autorizou sem problemas a condensação do seu próprio e recém-lançado romance, isso por achar que alcançaria ainda mais leitores, aqueles que não tinham tempo para ler o livro inteiro.

Por ser um repórter investigativo, quando o rótulo não era exceção e estava naturalmente implícito ao bom jornalismo, foi vítima da censura ao longo da ditadura. O livro "Aracelli, meu amor" sofreu com a tesoura do regime a pedido dos advogados das famílias influentes dos acusados. O crime - a menina foi drogada, estuprada e carbonizada - está impune até hoje. Os réus foram condenados em primeira instância, posteriormente a sentença foi anulada e, por fim, foram absolvidos. O desfecho surpreendente deve ter sido uma frustração para o jornalista e escritor que transmitiu em suas reportagens e em  livro toda a sua indignação sobre o bárbaro crime.

Na abertura da censurada  "O Marajá", da Rede Manchete, o...

...crédito dos autores e a referência aos caras-pintadas. As fitas da novela jamais exibida sumiram. A abertura
e algumas cenas podem ser vistas no You Tube. 

José Louzeiro talvez não imaginasse que a censura ainda o perseguiria mesmo após o fim da ditadura. Depois de escrever para a Rede Manchete, as novelas "Corpo Santo" e "Guerra sem Fim", ele criou com Eloy Santos "O Marajá" baseado no folhetim burlesco que foram os acontecimentos que levaram ao afastamento de Collor de Mello e seus saltimbancos. A minissérie iria ao ar em 1993 e já estava divulgando chamadas quando foi vetada pela Justiça a pedido do ex-presidente. Em um primeiro momento, as fitas gravadas teriam sido guardadas no cofre do próprio Adolpho Bloch. Após a morte do dono da Rede Manchete, em 1995, "O Marajá" foi dado como desaparecido.

Se existe vida após a morte, é capaz de o amigo Louzeiro investigar esse mistério lá de cima, agora sob o ângulo de quem tudo vê e ao lado de fontes que tudo sabem.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

ÁLBUM DA MANCHETE • Dez anos separam as duas Santas Ceias


Por Roberto Muggiati



• 1977 – Da esquerda: Alberto de Carvalho, Ivan Alves (o Pato Rouco), Wilson Cunha, Flávio de Aquino, Sammy Davis Jr (papagaio-de-pirata, ao fundo), Roberto Muggiati (a caráter), Heloneida Studart, R. Magalhães Jr., Wilson Passos, Argemiro Ferreira, Pedro Guimarães, Ney Bianchi de Almeida, Carlos Heitor Cony, Irineu Guimarães.


• 1987 – Da esquerda: Lorem Falcão, Murilo Melo Filho, Nelson Gonçalves, Raul Giudicelli, George Gurjan, Eduardo Francisco Alves, Roberto Muggiati, José Egberto, Alberto de Carvalho, João Américo Barros, Wilson Passos, Sérgio Gonçalves. Na extrema esquerda, ao fundo, David Klajmic e Ney Bianchi em altos conchavos. Atrás do Wilson Passos, na divisória de vidro da redação, dá para ver o nome da Manchete em letras de ouro a que me referi em matéria recente, 1968-2000 – A Manchete no Russell.


Algumas analogias e contrastes. A primeira foto foi feita no 804, a segunda no prédio novo, o 766. Da primeira, restam quatro sobreviventes: Wilson Cunha, eu, Argemiro e Cony; o Sammy, talvez. Da segunda sobraram o Murilo, eu, o Egberto, o Barros e o Serginho.

Na primeira foto, eram treze à frente da mesa, mas não havia nenhum Judas. Já na segunda havia um Judas, vocês sabem a quem me refiro, e o seu assecla, acumpliciados talvez pelo fato de não terem coragem de sair do armário. Ambos já pegaram a barca do Estige e foram direto para o canto mais aquecido do Hades.

Em 1997, quando editei o número comemorativo dos 45 anos da Manchete, não houve foto da Santa Ceia, provavelmente porque não existia mais uma figura central na direção da revista. O que havia era uma troika paulista, que não deixou saudades. 

E, àquela altura, a Bloch já havia iniciado sua descida sem retorno, que culminaria no pedido de falência em 1º de agosto de 2000.


Bye, bye 2017...

Do site da Federação Nacional dos  Jornalistas

Deu no New York Times: Temer queria abrir as portas da cadeia, Dodge tomou a chave.