quarta-feira, 22 de abril de 2026

O origem e a evolução das 7 pragas lançadas sobre o Rio de Janeiro

 


A nova edição da Carta Capital analisa a catástrofre política do Rio de Janeiro. Por mais que se ame o Rio não há como negar.

Observação: o ranking abaixo é um mero exercício elaborado pelo blog, sem relação com a revista Carta Capital. São muitos os marcos desastrados que ao longo de décadas sitiaram o Rio de Janeiro.  

por Flávio Sépia 

1 - A mudança da capital para Brasília (1960). Historiacamente. a antiga Manchete sempre exaltou a iniciativa de JK. O tempo mostrou que o mineiro concebeu um desastre para o Rio. Pior: a história provou que Brasília - e não falo do povo trabalhador, mas de um contexto institucional -, construiu duas vocações: uma tendência sazonal de golpear a democracia; e um apego à corrupção endêmica. Com uma canetada, o Rio perdeu relevância, sedes de instituições e de estatais e verbas. É impossível calcular o custo da transferência incluindo as mordomias cuja prática surgiu com Brasília. O pagamento de viagens aéreas Rio-Brasília-Rio para deputados, ministros , senadores e tribunais. A  prática predatória de oferecer apartamentos a custo público para políticos e milhares de servidores surgiu com a nova capital; Ali criou-se a cultura de transferir para os cofres públicos despesas pessoais dos privilegiados.  Ao longo do tempo o custo dessa orgia tornou-se pornográfico.

2- A fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro foi obra da ditadura (1975). O general-ditador Ernesto Geisel comandou esse crime contra o Rio, além de outras violências do seu . prontuário. Motivos políticos, ideológicos e de favorecimentos à margem da lei a grotões de clientelismo comandados por aliados e centuriões do regime alimentaram a praga autoritária. O objetivo era reduzir a força oposicionista que a cidade manteve após o golpe de 1964. Em consequência, o Rio perdeu relevância e o antigo Estado do Rio impôs ao novo estado rateado por "coronéis" os corruptos a serviço  da ditadura. O Rio paga até hoje o preço de um brutal desgaste econômico fruto da militarização que se transformou em plataforma de tutores despreparados e desonestos.  

3- A garfada nos royalties do petróleo do pré-sal e de campos anteriores na Bacia de Campos. Além disso, com a privatização da exploração, a responsabilidade de contabilizar os royalties é das concessionárias que foram beneficiadas com a privatização. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) não tem estrutura para fazer a fiscalização correta dessa contabilidade. Então a raposa cuida do galinheiro. 

Além disso, o Rio perde cerca de R$ 90 bilhões por ano em favor de outros estados na tributação do petróleo, segundo estimativa da Firjan.

4) A praga mais atual? É a brutal a queda de qualidade do voto popular no Rio de Janeiro pós-fusão. O nível dos eleitos era melhor quando a cidade era Distrito Federal e Estado da Guanabara. Lembra disso? Com a fusão, essa consciência despencou graças ao clientelismo disseminado. O golpe seguinte foi o peso do voto religioso com as igrejas se transformando em palanques políticos à margem da lei e em desafio ao Estado laico. O controle do voto popular mudou para pior as instituições democráticas que representam os cidadãos. É o que a história escrita no dia a dia tem mostrado fartamente. O poço sem fundo parou de afundar? Nada disso. O caos acima descrito pariu o bolsonarismo. O Rio entrou em um atoleiro surreal difícil de atravessar.

5) As perdas administrativas e econômicas impactaram a origem urbana. As favelas cresceram e se transformaram em fortalezas que abrigam organizações criminosas e oprimem os trabalhadores e suas famílias que ali residem. Atualmente, tais organizações conquistaram enorme força eleitoral. Daí, como a mídia registra frequência, a promiscuidade do crime com a política desonesta, longe dos interesses reais da população.

7) As pragas acima formaram o caldo de cultura para a corrupção desenfreada no Rio de Janeiro. onde governadores fazem rodízio para ver que é mais corrupto. A verdade é que no Rio rouba-se e furta- se tudo, independentemente da classe social.No alto da pirâmide, a corrupção macro que desvia bilhões de recursos públicos; nas faixas intermediárias as infinitas formas de estelionato impulsionadas pela internet. No segmento barra pesada, assaltos a mão armada a qualquer momento e lugar. Existe ainda a folclórica mas nem por isso menos danosa corrupção popular. São os roubos de cabos elétricos de cobre, estátuas e peças de bronze e alumínio, tampas de bueiro, portas de ferro e alumínio dos condomínios. O Rio é uma cidade impedida de ter e manter equipamento urbano. Núcleos de recreação infantil e de lazer instalados em praças duram pouco, desde que tenham peças de valor para os ferro- velhos ilegais que proliferam na capital. Talvez a culpa, além dos quesitos conhecidos, seja do governante que construiu a sede do Congresso e, depois, a sede a Assembléia Legislativa do RJ no lugar onde existiu a Cadeia Velha. A julgar pelos últimos acontecimentos, os fantasmas contra-atacam. Quero dizer, os da velha cadeia.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário