O "benemérito" Daniel Vorcaro chefiou um sistema de distribuição de altos valores. Aparentemente, um tsunami de dinheiro sob rótulos de consultorias, eventos corporativos, publicidade, apoio de influenciadores e até pagamento por transmissão de jogos do campeonato Brasileirão Série D.
Curiosamente, o montante pago por tais serviços, foi sempre acima das tabelas de mercado usuais para os setores mencionados.
Depois de um período de quase silêncio em relação ao papel de jornais tradicionais, portais e colunistas ao abrigo direto ou indireto do guarda-chuva do Banco Master, o tema voltou ao palco dos horrores.
Nos últimos dias o Estadão publicou matérias sobre os "bolsistas" do Master. Trata-se de um tema sensível para a press. Já foi divulgado que influenciadores assinavam contratos de "publicidade" como fachada para atacar o Banco Central e o STF.
O portal Metrópole admite que recebeu mais de 20 milhões de Vorcaro. Oficialmente, afirma que o valor pagou transmissão de jogos da Série D do Brasileirão. Um canal de fofocas foi premiado com mais de 30 milhões e alega que, em troca, veiculou propaganda do Nu Bank. Houve casos de outros canais caracterizados como de fofocas que de repente começaram a falar de economia e criticar o BC. O Grupo Globo tinha fortes relações comerciais com o fraudador. Os alvos preferências da mídia corporativa pareciam tão ao gosto de Vorcaro que poderiam ter sido selecionados por ele. Com certeza, o fraudador, além da ligação pública com o principal suspeito de vazar informações para jornalistas, talvez até fizesse um power point mais sofisticado. Por uns tempos felizes pra ele, Vorcaro foi um comprador de algoritmos contra o BC e o STF. Se virar delator tem muito a entregar.
Atacar o BC era coincidentemente uma das estratégias de comunicação do Vorcaro para politizar o caso do Master e, quem sabe, criar um ambiente para reverter a liquidação do banco, desqualificar a investigação, tornar politicamente aceitável o salvamento do Master pelo BRB.
Só não está claro porque ele precisaria pagar influenciadores para encurralar o BC e o STF. A mídia corporativa já estava fazendo isso supostamente de graça ou em troca de contratos publicitários de fato existentes mas não formalmente vinculados aos objetivos do liquidado Master. Resta saber se a delação premiada do Vorcaro esclarecerá esta e outras pontas soltas de um caso de estelionato de proporções

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