(da Redação)
O jornalista e escritor Roberto Muggiati, que dirigiu a
Manchete por mais de duas décadas, costuma dizer que se impressiona com o fato de a revista, embora extinta, não sair da memória dos brasileiros. Fotos e textos da Manchete ganham referências frequentes na mídia, no cinema, na TV, no teatro e em livros. É compreensível: a revista testemunhou em quase meio século os fatos, as transformações e a vida cultural e comportamental do Brasil. Diz Muggiati ao blog:
"Manchete continua referência da História do Brasil. A Piauí, de março, publica dez páginas de uma história em quadrinhos, do Caeto, "Peixes de Aquário". Lá aparece "a melhor das galáxias", no dizer "severiano" de JK".
Para quem não frequentou as redações da
Manchete no Russell, vale a explicação de bastidores: "quiça a melhor da galáxia" foi como JK, exagerando na oratória, definiu a revista, certa vez, durante um discurso em homenagem a Adolpho Bloch, que aniversariava. Naquele dia, JK adotou um estilo "severiano", como diz Muggiati. Severino Silva era o chef de cozinha da
Manchete. Em ocasiões festivas era dublê de orador, com estilo gongórico, e também caprichava nos elogios ao velho Adolpho Bloch.
ATUALIZAÇÃO: Roberto Muggiati envia algumas precisas correções de rumo no texto acima. O blog agradece.
"A partir daquele dia (do discurso de JK), quando esperávamos quarta-feira de manhã a nova edição da Manchete, o Alberto (Carvalho, secretário de redação da revista) perguntava: 'Já chegou a melhor da galáxia?' Lembra a palavra que o Severino inventou num discurso de aniversário do Adolpho?
'Essa figura inevolúvel de Adolpho Blochi' (ele pronunciava assim). Apenas um reparo histórico: o discurso do JK foi na famosa feijoada (de consolação) que o Adolpho ofereceu ao Justino quando o tirou da Manchete, em 1975, e me colocou no seu lugar. A partir daí, oferecer uma feijoada a alguém na Bloch virou sinônimo de destituir alguém de um cargo importante. Tinha também aquela de quando o sujeito ia sair do prédio talvez para nunca mais voltar, 'dê o melhor carro a ele', também adolphiana,
Dava até para fazer um glossário da Bloch, de tanta palavra inventada lá para se aplicar a situações e métodos peculiares da firma... O nome da peça é SEVERINO ANANIAS DIAS (não é rima, nem solução, pois devia se chamar Raimundo, vasto mundo...). É isso aí, Um abraço, Muggiati.