quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Questão de mídia...

por Gonça
O  Superior Tribunal de Justiça acaba de condenar a revista Flash News a indenizar o ator Pedro Neschling em R$26 mil por publicar uma declaração supostamente feita em off. A frase teria sido dita depois de uma entrevista e nela o ator teria criticado o desempenho artístico do colega Gustavo Leão. O STJ julgou que independentemente de a frase ser verdadeira ou não, a revista comprometeu a boa-fé e a ética. A matéria analisada pelo tribunal é de entretenimento mas o fato levanta uma questão séria. Conceitualmente, a prática do off, que deve ter uso sempre comedido, destina-se a fornecer ao repórter pistas ou evidências que o ajudem a esclarecer determinado assunto. É uma dica. Cabe ao jornalista, a partir do off, apurar e comprovar a informação. Hoje, até em grandes veículos e em matérias ditas investigativas, é comum o repórter comodamente lançar no texto da reportagem o off pelo off transferindo ao leitor a conclusão. É usual a publicação de matérias inteiras baseadas em "fontes próximas", "amigos que frequentam o grupo tal", ou pior, há os que adotam liguagem de literatura infantil e mandam lá um suspeitíssimo "uma raposa felpuda ouviu"...
Como diria o comentarista Arnaldo Cesar Coelho, "a regra é clara": off é para ser apurado com duas ou mais fontes e não publicado tal qual recebido. Dá nisso: o jornalista cai em armadilhas ou pode virar peça de jogo de interesses. E nesse caso, corre o risco de virar marionete. 

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