segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cartões (não) postais

Para comemorar seus 90 anos, a revista Vogue francesa promoveu uma exposição de 122 capas espalhadas no Champs-Elysées...
...há exemplares de 1920 a 2009 que retratam estilo e design de cada época...



...entre os fotógrafos, nomes como Richard Avedon, Helmut Newton, Andy Warhol e mesmo um "frila" inesperado de Salvador Dalí (outras imagens podem ser vistas no site www.vogue.fr.




Em Giverny, o lago das Nympheas no jardim impressionista de Claude Monet guarda a mesma paz...





...que se vê no túmulo do roqueiro Jim Morrison, do conjunto The Doors, no cemitério do Père Lachaise, em Paris.




Em Londres, protestos diante do Parlamento ainda contam os mortos no Iraque...






...e denunciam os campos de concentração do Sri Lanka.








Praga, como revela o livro Gomorra, comentado neste blog, já é alvo do crime organizado. Alguém escreveu sobre o quadro do cardápio de um restaurante italiano o nome da ameaça silenciosa.







Às margens do Sena, um exposição de fotos, a 2ª Biennale des Images du Monde. Fotógrafos de vários países traduziram em um click seu sentimento sobre a terra natal. A foto acima, do brasileiro Julio Bittencourt, capta moradores de rua nas janelas do prédio em ruína que invadiram no centro de São Paulo.









Entre os túmulos famosos no Père Lachaise, uma inusitada sepultura dedicada ao célebre jornal comunista L'Humanité. Não há qualquer outra indicação na pedra. Especulação dos visitantes: destina-se a receber ilustres redatores ou a guardar para a posteridade exemplares encalhados da combativa publicação.









No Père Lachaise, o comunismo ganha tumba, nas ruas de Praga é tema de espetáculo político-pornô anunciado em cartazes explícitos.











domingo, 11 de outubro de 2009

Por dentro do crime, a saga de um repórter

Este livro aí ao lado já está na sexta edição em português (Editora Bertrand Brasil) mas só o li agora. Talvez muitos de vocês já o conheçam. Gomorra é uma impressionante reportagem sobre o crime organizado, as diversas facções de máfias que agem em Nápoles. Um jornalista, o napolitano Roberto Saviano, se infiltrou na Camorra, a mais violenta máfia italiana, e produziu um relato chocante sobre a maneira de operar, e de fazer negócios, da poderosa organização criminosa. O New York Times definiu Gomorra como "o livro mais importante publicado na Itália em anos". Ao ler no Globo de hoje uma grande reportagem sobre o crescimento do fascismo na Itália, sob a benção do folclórico mas perigoso Berlusconi, recordo a ligação íntima e histórica entre o fascismo e a máfia, de resto, uma coligaçao de conservadores+conservadores, traço comum que se afirmou nos tempos do Mussolini como a história registra. Juntos, são a pólvora e o fogo. O livro de Roberto Saviano revela que a Camorra, neste novo e "favorável" clima político, somou aos "negócios" tradicionais - a venda de drogas, de proteção, a extorsão, prostituição e contrabando - braços industriais, empreiteiras, confecções, aterros sanitários, pirataria e clonagem de produtos. Como consequência da acelerada diversificação das atividades criminosas, cresceu a violência. Para defender território, intimidar e conquistar novas áreas, a Camorra mata. E mata cada vez mais. Foram milhares de execuções nos últimos anos. Mas além dessa face de sangue, os criminosos agem também em salões políticos. O livro mostra que a Camorra, através de empresas de fachada, contou com a "ajuda" de funcionários públicos para vencer recentes licitações para construções de estradas, linhas ferroviárias e outras obras de grande porte. Escutas telefônicas mostram, segundo Saviano, que em certas operações comerciais os mafiosos são parceiros de marcas famosas que estão nas vitrines de shoppings e supermercados de todo o mundo. Gamorra deveria ser o livro de cabeceira de políticos e juízes brasileiros. Aparentemente, o crime organizado, no Brasil, está em estágio anterior à fase atual e ao modus operandi comercial-industrial das gangues napolitanas. Mas pode chegar lá. É o próximo capitulo. Vale lembrar que por aqui também já foram denunciadas ligações perigosas entre autoridades e traficantes. E já há incipientes incursões do crime organizado em negócios como venda de gás, transporte pirata, sinal de TV a cabo, pirataria etc.
O Brasil vai sediar um Copa e o Rio, em seguida, uma Olimpíada. São duas importantes conquistas e devem ser celebradas. Que os políticos e administradores tenham em mente que não só as obras físicas e estruturais farão o sucesso dos dois grandes eventos. A cidadania também deve entrar em campo. E ser cidadão inclui direitos, como o de ir, vir e chegar vivo. Coisa que nós, brasileiros comuns, os sem-carro blindado e sem-segurança particular ou funcional, não temos. Que, além da construção de estádios, se pense em uma operação nacional de proporções olímpicas que reúna políticos, juízes e instituições policiais, que se atualize o código penal e que se combata a impunidade. Ou o Brasil faz esse gol de placa ou não teremos motivos para comemorar taças e medalhas. E só ler trechos (abaixo) do Gamorra e verificar que não moramos em Nápoles mas já dá para fazer uma idéia do que Roberto Saviano está falando:
"Nasci na terra da Camorra, no lugar com o maior número de assassinatos da Europa, no território onde a violência está ligada aos negócios, onde nada tem valor se não gera poder (...) Na terra da Camorra, combater os clãs não é luta de classe, afirmação de direitos, reapropriação da cidadania. Não é tomada de consciência da própria honra, tutela do próprio orgulho. É algo mais essencial, mais visceral (...) Posicionar-se contra os clãs se torna uma guerra pela sobrevivência, como se a própria existência, a comida que você come, os lábios que você beija, a música que você escuta, as páginas que você lê não lhe dessem o sentido da vida, mas somente o da sobrevivência."

Corrida sem ouro

Por Eli Halfoun
Em sua coluna de O Globo o bem informado Ancelmo Góis revela que o setor de penhores da Caixa Econômica teve esse ano aumento de 4,6% em relação ao mesmo período (janeiro a setembro) do ano passado. A Caixa penhorou 6.542.891 de jóias, o que equivale a “empréstimos” R$ 4,05 bilhões. Como se anuncia que a pobreza do país diminuiu e que a população está até comendo mais, mas não melhor, algum outro motivo, que não apenas a necessidade de pagar dívidas anda levando mais usuários ao setor de penhores da Nossa (Deles) Caixa. Como ter jóias não é luxo de pobre, mas sim das classes média (que também é pobre) e alta, não é preciso nenhum estudo aprofundado para concluir que essa corrida aos cofres da Caixa está sendo motivada por medo: na verdade ninguém mais tem coragem de sair desfilando por aí exibindo jóias verdadeiras e diante do aumento de assaltos em residências, nem de deixá-las guardadas em casa. Ou seja: no cofre da Caixa as jóias estão mais bem guardadas e supostamente garantidas. Pelo menos por enquanto. Até que os assaltantes também cheguem lá.
Chegarão se a segurança não for mais competente do que se tem mostrado até agora.

Velhos ou experientes?

Por Eli Halfoun
A notícia de que nos próximos anos (e não tantos assim) o Brasil terá uma população de idosos maior do que a de crianças até 14 anos, impõe uma importante questão: será que estamos preparados para cuidar e principalmente conviver com nossos velhos?
Mais do que uma questão os números revelam a imediata necessidade da criação de programas sociais que permitam aos idosos uma melhor qualidade de vida. Envelhecer é sem dúvida uma vitória, mas envelhecer com saúde e dignidade é um direito – um direito conquistado não só por conta dos avanços da ciência, mas também e especialmente porque os quase sempre rejeitados velhos de hoje ajudaram a construir essa velhice e a juventude ainda saudável do Brasil.
Aliás, uma das primeiras medidas a serem adotadas é a de ensinar aos jovens a conviver respeitosamente com seus idosos – o que um dia eles, os jovens de hoje também serão. Graças aos velhos de agora. A juventude (não toda, é verdade) costuma desprezar os idosos, geralmente considerados superados, repetitivos, enfim, uns chatos. Não pode e não deve ser assim: afinal é experiência dos velhos que pode melhorar o futuro dos jovens que precisam aprender definitivamente as respeitar a sabedoria daqueles que hoje podem caminhar exibindo com orgulho os cabelos brancos, símbolo de luta e de vida vivida.
O aumento da população de idosos deixa outra certeza: a de que a população brasileira irá fatalmente diminuir. Velhos não querem mais ter filhos e por mais que os avanços da ciência lhes permita viver por muitos anos um dia partirão. Deixando uma saudade ainda maior se não aprendermos com urgência a usufruir das experiências de vida que esses doces velhos ainda podem ensinar. E ensinam.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sejam bem-vindos!




Depois de curtirem merecidas férias se deliciando com outono de Praga ou passeando nos famosos jardins da casa de Monet, em Giverny ou bebendo aquele vinho delicioso as margens do Sena ou no grande Ben em Londres, que tal voltar para a cidade mais linda e maravilhosa do mundo, escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016?
Meus queridos e amados amigos o Rio de Janeiro e Eu lhe desejamos boas-vindas!
Cliquei um dos momentos mais emocionantes da festa para comemorarmos juntos no Chico & Alaíde. Foto/Reprodução do JN/TV Globo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

No The Times o assunto Nelsinho Piquet ainda vale página dupla

E o piloto brasileiro continua sem noção, acha que prestou um grande serviço ao esporte mas acabou como a "maior vítima". Como se ele não tivesse sido o autor da batida.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A "Casinha"

A "Casinha"tem um capitulo à parte na história do homem na sociedade em que vive. Primeiro precisamos saber o que é a "Casinha". Nós aqui no Novo Mundo, herdamos do Velho Mundo, trazidos pelos portugueses, nossos conquistadores, todas as suas tradições, modismos e manias de sua milenar civilização. Por explicada razão, o homem tinha o maior desprezo e nojo de suas necessidades fisiológicas. Em razão dessa repulssa natural, procurava sempre se manter longe do local onde se desfazia delas e para tal, escolheu o quintal de sua casa, quando não havia um matagal por perto. Para isso, construiu no quintal um pequeno comodo, em principio de madeira, onde só cabia uma pessoa e lá dentro abriu um pequeno buraco – bem fundo – onde o seu emprestável material orgânico era despejado. Mais tarde, com o aparecimento do vaso sanitário, que veio substituir o buraco, essa construção assumiu ares mais importante e passou a ser identificado como a "Casinha".
Na Idade Média, as famílias usavam palhas no chão de suas casas para ocultar e diminuir o mau cheiro decorrente dessas necessidades. No final do século XIX e no ínicio do século XX, nos sobrados de beira-de-rua, como não tinham quintal o uso urinol era largamente explorado e quando estavam cheios o seu conteudo era imediatamente jogado, a qualquer hora do dia ou da noite, pela janela de suas casas, indo cair no meio da rua, não raro atingindo algumas pessoas, que por falta de sorte, passavam pela rua naquele trecho e naquela hora, deixando-as emprequetadas dos pés à cabeça.
Com o tempo, a modernização dos costumes e da arquitetura levou para dentro das casas a famosa "Casinha". Sim, foi para dentro das casas mas, como o seu último cômodo, em compensação ganhou um elegante vaso sanitário no lugar do primitivo buraco. Os banhos de corpo inteiro continuaram a ser tomados em elegantes bacias dentro dos quartos de dormir. Mais tarde vieram as banheiras, com pinturas agrestes nos seus lados, que pudemoa apreciar nos filmes de "far west" americanos, onde os mocinhos se lavavam apreciando um charuto, acompanhado de doses de uísque e o inseparável "Colt 45" pendurado em uma cadeira ao alcance de sua mão.
Mas, o mundo caminha a passos muito largos. Diante da modernidade que velozmente modificava o comportamento da sociedade, o homem entendeu, que a "Casinha" – agora com um novo nome, passou a ser chamada de "Banheiro" – deveria não só estar dentro de casa como o seu lugar certo seria dentro do quarto de dormir. E assim foi e hoje temos banheiro em todos os quartos de dormir.
Dessa maneira o homem se vingava do castigo de por séculos se ver obrigado a usar um buraco dentro de uma "casinha", fora do abrigo de sua casa, enfrentando um sol abrasador ou temporais diluvianos para satisfazer as suas necessidades fisiológicas.

O grande Ben

O Panis continua rodando por aí...

sábado, 3 de outubro de 2009

Praga pós-comunismo: prédio apelidado de Ginger e Fred, dois blocos que imitariam passo de dança.na verdade é brega, com estátua da Liberdade na Barra

Capitalismo em Praga

Anti-semitismo em Praga

Pichação na vitrine de uma loja de artigos judaicos, em frente à sinagoga. O Panis fez o registro minutos antes de ser apagado.

Heróis da Primavera de Praga

Ainda cultuados, quarenta anos depois, no local onde Jan Palach se imolou.

Mega churrasquinho

Este pernil de porco, servido com pão preto fatiado, é vendido aos montes em uma barraca na praça da Cidade Velha. Deve ser o recordista em calorias e colesterol. Haja coração!

Por aqui na Tv só dá RIo 2016...e os cariocas merecem a festa

Álbum de noiva em Praga

Cena urbana

Em Praga, na Praça da Prefeitura da Cidade Velha, noivos posam para o tradicional e universal 'album de fotos do casamento. A câmera paparazzo à direita e' da J.Razze

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Carteiro

Essa última greve dos Correios me fez lembrar os meus anos de infância e juventude, lá pros idos de 30 e 40 quando a vida era mais tranquila e sem muitos problemas, apesar da segunda guerra mundial, que se travava em terras européias. Naquela época, existiam os entregadores de pão, de leite, de legumes e os Carteiros. Muito cedo, esses entregadores deixavam nas portas de nossas casas o pão e o leite para tomarmos o café da manhã e os legumes para o almoço.
Dentre eles, destacava-se o Carteiro. Uma figura muito importante nas nossas vidas porque era ele que fazia o elo entre os parentes e amigos em terras distantes com a cartas, que era talvez, o único meio e o mais certo de comunicação entre as pessoas naquela época. O telefone era muito mais que luxo. Praticamente não existia. O Carteiro existia. Depositário fiel das cartas que traziam as confidências da mulher amada, do choro do amante saudoso, da saudade do amigo correndo o mundo, das lágrimas de dor do filho ausente. Enfim, as cartas que encerravam todas as dores e todas as alegrias do mundo eram confiadas a ele para entregar a uma mãe saudosa as palavras de amor do filho longe, do noivo em serviço militar, da declaração de amor do jovem apaixonado e por isso era, ansiosamente, aguardado nos portões de nossas residências.
Assim, se tornou o Carteiro uma figura tradicional e respeitado na sociedade de então.
O Correio foi a instituição mais consagrada e respeitada em todo o mundo pela importância de seu serviço e ele, o Carteiro, passou a ser a figura heróica e representativa desse trabalho.
Nos Estados Unidos da América, William Cody, mais conhecido por Buffalo Bill, o herói do Oeste Selvagem foi o primeiro carteiro, montado à cavalo, entregando cartas, em todo Oeste, fugindo dos Índios selvagens para cumprir a sua tarefa.
No Brasil tivemos o CAN, Correio Aéreo Nacional, que sem cavalos, mas com aviões cumpria a tarefa de distribuir a correspondêcnia em todo território nacional
Esses pilotos também se sacrificavam, porque era um trabalho sem muito apoio técnico, com pistas de pouso improvisadas, arriscavam as suas vidas para cumprir a missão de entregar a correspondência a tempo e a hora em povoados distantes.
Saknt-Exuperry, além de escritor também foi piloto de Correios. Conta ele em seus livros a aventura que era atravessar os Andes para entregar correspondência no Chile.
A figura do Carteiro hoje, faz parte da história do homem e da humanidade.
A imagem do Carteiro daqueles tempos estava sempre associada à imagem do cão correndo atrás dele, quando fazia a entrega das cartas nas residências. Por uma razão qualquer, os cães odiavam os Carteiros. Talvez Freud explique esse comportameneto canino.
Os Carteiros daqueles tempos eram tão folclóricos, que contavam casos deles com respeitáveis senhoras, que tinham sucumbido aos encantos pessoais desses galantes funcionários da mala postal. Não raro alguns desses casos os amantes eram flagrados em plena cama conjugal pelo marido ultrajado em sua honra.
Hoje, esse encanto, essa saga de um profissional entregador de cartas não existe mais. O mundo moderno acabou com as casas, seus portões de ferro trabalhados, suas varandas e seu jardins, os cães de guarda e o Carteiro daqueles tempos cedeu lugar a uma criatura fria, sem nenhuma poesia e romantismo que quer mais é entregar a correspondência aos porteiros de prédios sem varandas, sem jardins, livres dos cães de guarda, que ameaçaam morder as suas pernas e sair correndo para ir para casa e não perder a novela das 8.
Primavera de 2009
deBarros