sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Festival de Berlim homenageia sua gente

por Eli Halfoun
Enquanto por aqui ainda se discute o rescaldo do último carnaval, os alemães vivem em ritmo de cinema com a realização da 60ª edição do Festival de Cinema de Berlim, que se estende (começou no último dia 11) até o próximo dia 21. Uma das novas atrações do Festival foi a inauguração da Calçada da Fama alemã que teve como primeira homenageada a atriz Marlene Dietrich, agora imortalizada em sua terra natal. A alemã Marlene era naturalizada americana e foi a diva de Hollywood na década de 30. Cinco membros das instituições cinematográficas alemãs foram os responsáveis pela indicação de Marlene Dietrich como primeira homenageada na calçada que celebrará também, entre outros, os cineastas Fritz Lang, e Billy Wilder, as atrizes Hanna Schyghulla e Romy Schneider e o ator Arnold Swarzenneger.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ato falho?

O Globo fez tantas matérias sobre banheiros químicos que ficou com o tema na cabeça e mandou na primeira página um "Unidos da Tiju...caganha...

Mole lex, sed lex

Deu no G1: a Justiça do Rio liberou um dos quatro acusados pelo assassinato do menino João Daniel, que foi cruelmente arrastado por 7km durante um assalto. O menor agora solto ao completar a maioridade cumpriu três anos de uma "medida socioeducativa". Parece mais um prêmio. Para a família de João Daniel, a dor não prescreve. As leis não apenas favorecem a impunidade mas fazem a apologia do crime. É a mole lex sed lex.

Unidos da Tijuca: uma vitória incontestável


por Eli Halfoun
A essa altura do campeonato tem muita gente dizendo que tinha certeza da vitória da Unidos da Tijuca no carnaval 2010. A Unidos da Tijuca sempre esteve entre as favoritas, mas em um título que é decidido por décimos é impossível apostar em uma única favorita. Não foi a primeira vez que a Unidos da Tijuca terminou o desfile como favorita: nos últimos anos a escola da Tijuca (a outra é o Salgueiro) tem feito desfiles deslumbrantes, mas só agora público, jornais (incluindo o Estandarte de Ouro de O Globo) tiveram enfim a mesma opinião. A vitória da Unidos da Tijuca é sem dúvida o reconhecimento maior à coragem de propor e experimentar o novo, de ousar e de acreditar no projeto que o renovador carnavalesco Paulo Barros tem mostrado todos os anos. Além de um merecido campeonato, a Unidos da Tijuca deixa para a história do carnaval a magia de sua comissão de frente que surpreendeu o púbico de todo o mundo, críticos e também os carnavalescos. A conquista da Unidos da Tijuca foi tão justa e merecida que ao contrário do que costuma acontecer nenhuma escola reclamou de nada. A Unidos da Tijuca foi aclamada pelo povo e pelo samba. Foi uma vitória incontestável.

Arnaud: a cidade certa até na hora do adeus

por Eli Halfoun
Meu amigo Esmeraldo, sempre atento, foi rápido no gatilho e homenageou Arnaud Rodrigues com um belo texto. Confesso que esperei passar o impacto que tive ao dar de cara com a notícia do adeus de Arnaud Rodrigues. Arnaud era uma pessoa humilde e simples. Jamais falava de si para reconhecer o valor de seu trabalho. Talvez não tivesse consciência de sua grandeza artística. Arnaud era um artista versátil e brilhante em tudo que se propunha fazer. Sua intenção maior era sempre a de criar textos e espetáculos com os quais pudesse ajudar os colegas. Lembro que uma noite em minha casa ele me falou, como sempre com humildade, de muitos planos artísticos, todos com a finalidade maior de agrupar artistas e amigos. Um dia cansou do Rio e mudou-se para Palmas, Tocantins. Até para viver (e morrer) teve o talento de escolher a cidade com o nome certo: Palmas que era como o público reconhecia seu talento. E é o que ele recebeu e mereceu. Continuará recebendo as palmas sempre.

Números mostram que carnaval do Rio foi um sucesso

por Eli Halfoun
A procura de ingressos para o desfile (sábado, 20) das Campeãs (Rio) no Sambódromo é a maior dos últimos quinze anos, segundo a Riotur. Reflexo daquele que também foi um dos maiores, mais animados e tranquilos carnavais dos últimos anos. Alguns dados confirmam isso:
1) a Unidos da Tijuca teve uma vitória incontestável conquistando o título que não ganhava desde 1936;
2) foi o ano da explosão dos blocos e mais de 500 fizeram o carnaval de rua mais carioca e mais alegre dos últimos anos;
3) o tradicional Cordão do Bola Preta contabilizou mais de 1,5 milhões de foliões, ao contrário do que ocorria há dez anos quando apenas 100 mil foliões saíam com o bloco;
4) a ocupação dos hotéis foi de 94% (mais de 730 mil hospedes), dez por cento a mais do que em 2009;
5) a campanha contra os mijões para manter as ruas limpas foi quase bem sucedida: mais de 200 pessoas foram presas em flagrante urinando pelas ruas e só faltou manter mais limpos os banheiros químicos instalados em vários pontos da cidade;
5) Mais de 3 milhões de pessoas participaram do maior carnaval de rua da história do Rio. Esse número ultrapassou muito a previsão da Riotur. Agora é torcer para que os problemas constatados esse ano sejam corrigidos (o que não será difícil) para que 2011 ofereça ao povo uma festa ainda maior.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Depois do carnaval, Mangueira em sexto, Joel Ferreira no sax (Arpoador)

Arnaud Rodrigues fez rir um Brasil triste


por José Esmeraldo Gonçalves
Deu nos jornais: Arnaud Rodrigues morreu ontem, aos 67 anos, em um acidente de barco em Tocantins. Conheci o Arnaud no fim dos anos 70. Depois de se desentender com Chico Anysio, com quem tinha feito o programa Chico City e criado o antológico Baiano e os Novos Caetanos, o comediante buscava outros caminhos. Na época dirigindo a Fatos & Fotos, Zevi Ghivelder o convidou para ser um dos cronistas da revista. Arnaud aceitou e a F&F, onde eu era editor, ganhou um implacável observador do cotidiano. Escrevia como se fosse um caricaturista, no sentido de captar aquele pequeno detalhe que faz o todo. Entrevistado hoje sobre a morte do parceiro, Chico Anysio, com quem Arnaud se reconciliou e voltou a trabalhar anos depois, reconhece: "Era o melhor redator de comédia do Brasil". Toda semana, geralmente às terças-feiras à tarde, Arnaud ia ao Russell entregar seu texto. Passava algumas horas na redação, contava histórias, divertia a turma. Elogiava o Crato (CE), onde nasci, falava da beleza da Chapada do Araripe, mas dizia que Serra Talhada (PE), onde ele e Lampião nasceram, era terra muito mais bonita tanto que antigamente, dizia, era chamada de Vila Bela.
Depois da temporada como cronista da F&F, o pernambucano reencontrou o sucesso na TV. Atuou nas novelas "Roque Santeiro" (1985), "Partido Alto" (1984), "Pão Pão, Beijo Beijo" (1983) e em alguns filmes ("A filha dos Trapalhões" (1984), "Os Trapalhões e o Mágico de Oroz" (1984). Recentemente, esteve no humorístico "A praça é nossa". Eu o reencontrei algumas vezes geralmente nos corredores da TV Globo. Ele fazia questão de agradecer sempre a acolhida que teve na revista. Naquele breve período de, digamos, vacas magras, Arnaud precisava ganhar dinheiro, claro, passou a fazer shows em qualquer cidade que o convocasse e lançou um LP solo no qual levava muita fé. Era o "Arnaud Rodrigues, o Descobrimento". Na capa, em lay-out de Mello Menezes, ilustrador que fez muitos trabalhos para a EleEla, lá estava ele de Pero Vaz de Caminha com um volante da loteria esportiva nas mãos. Enquanto escrevo, vejo este velho LP na estante aqui ao lado entre uma pilha de vinis sobreviventes. Quando lançou o disco, em 1980, ele foi à redação da F&F e me deu um exemplar com uma dedicatória: "Esmeraldo, por tudo que você tem feito por mim. Muito obrigado. E tente curtir este som". Bobagem, não fizemos nada pelo Arnaud. Vá em paz, amigo. Obrigado a você, que levou humor à revista e, mais do que isso, fez rir um Brasil triste naqueles pesados anos da ditadura.

A magia do Carnaval


por José Esmeraldo Gonçalves
A história do Carnaval carioca é rica e fascinante. Do entrudo às Grandes Sociedades, dos Clóvis aos bailes e aos banhos de mar à fantasia, dos blocos às Escolas de Samba, todas as autênticas manifestações de alegria na data ganharam forte cobertura das revistas movidas pelo apelo popular e interesse dos leitores. O Cruzeiro e, especialmente, a Manchete foram insuperáveis nesse quesito. Estava tudo lá: a grandiosidade das Escolas, a alegria dos blocos, a sofisticação dos bailes e a beleza incomum das cariocas. Quem, um dia, quiser ver a completa história visual do Carnaval do Rio de Janeiro nos últimos 58 anos pode ir ao arquivo fotográfico da extinta Bloch Editores. Ninguém cobriu com tanta precisão a evolução e as mudanças da maior festa popular do mundo (Alô, governador Sérgio Cabral, por falar nisso, que tal tentar adquirir em próximo leilão o extraordinário arquivo fotográfico da Bloch para o novo Museu da Imagem e do Som? E ainda leva o acervo do antigo Departamento de Pesquisa das revistas. A cidade agradece. Mas tem que ser logo, antes que cromos e negativos valiosíssimos para a história do Rio e do Brasil sejam corroídos pela umidade. Um alerta: nada contra, mas o acervo corre o risco de ir parar em São Paulo)..
Mas o recado deste post é outro: estão excelentes os dois cadernos especiais publicados ontem e hoje pelo O Globo, com a cobertura dos desfiles das Escolas. Ótimos textos, fotos expressivas, boas sacadas e análises precisas. Até os anos 70 e começo dos 80, coberturas de Carnaval como essas, assim com tanto espaço e mobilização de grandes equipes era coisa de revistas. Os jornais meio que torciam o nariz para a festa e reservavam ao tema uma edição quase formal. Havia até um certo preconceito contra as revistas, que vendiam milhares de exemplares e se esgotavam rapidamente nas bancas mas eram consideradas "apelativas" por "intelectuais" e editores de jornais "sérios". Mas esse tempo passou. Os jornalões há muito deixaram de remar contra a maré do povo e caíram no samba. Reproduzo aqui as duas páginas finais dos cadernos do Globo. Já viu tudo isso em algum lugar? Provavelmente, sim. A Fatos & Fotos era especialista nessas eternas e imbatíveis curvas das cariocas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mangueira

A bateria da Mangueira em "cana"

Estas destaques da Mangueira não são o máximo?

Cadeira de boteco

Anjos da Vila

Os Franks

Bonde do boulevard

Vila

Dança de salão

Malandros da Vila

Da terra do Noel

Vila Isabel

Mais Vila

Vila...

Martinho e Martinália

Vila Isabel

Vila Isabel

É a Vila!!! Comissão de Frente

A tal da ala da força, parecia, para mim, um monte de frango...

Grande Rio

Grande Rio