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| Reprodução Twitter https://twitter.com/flertefatale/status/1666980051672334337?t=CKQSNHAqCekeno0YizAP3w |
Em 1972, Astrud voltou ao Brasil. O fotógrafo Luis Alberto e a repórter Tânia Carvalho a levaram ao Parque da Cidade, na Gávea, que ela costumava frequentar quando morava no Rio de Janeiro. Foi em 1972. Na foto menor, a cantora posou com o filho Gregory.
por José Esmeraldo Gonçalves
A nova realidade do mercado para jogadores passou a incluir a Arábia Saudita. A grana que bancou CR7. Há alguns anos, a China foi um destino promissor, chegou a pagar bem, mas regridiu. O soccer norte-americano levou Pelé e Carlos Alberto, em antigas eras do Cosmos e, há alguns anos, contratou a estrela David Beckham. Acontece que o soccer nos Estados Unidos parece ter um teto. Faz grandes contratações mas não consegue ultrapassar a bolha do público hispânico. Não se imagina o futebol como o conhecemos competindo lá com o basebol e o futebol americano. Alguns críticos dizem que os Estados Unidos são o mais luxuoso cemitério do futebol. Agora Messi anuncia que vai jogar no Inter de Miami, seja lá o que for isso. Um dos sócios do time e Beckham, o que não quer dizer muito: Ronaldo Fenômeno já foi dono de um time lá e não decolou. O craque Messi já vislumbra a aposentadoria. A Flórida é destino dos ricos aposentados. Tudo a ver, ele admite que passar mais tempo com a família é sua prioridade. Mas o momento é bom. Estados Unidos, Canadá e México sediarão a próxima Copa do Mundo e isso deve impulsionar algum interesse em direção à clássica bola redonda em um país habituado a uma estranha bola oval. Neymar já demonstrou interesse em se mandar para a liga norte-americano. O momento é de impasse entre ele e o PSG e grandes times europeus relutam em investir no brasileiro, pelo menos não surgiu proposta sólida até o momento. A festiva Miami pode, quem sabe, atrair Neymar para a sua fase de aposentado. O futuro da carreira do brasileiro é uma incógnita, até mesmo fisicamente. Mesmo que permaneça no PSG, a volta aos gramados no começo da temporada europeia é improvável. Fotos recentes exibidas no programa do Craque Neto denunciam um Neymar com quilos a mais e difíceis de serem carregados em campo. Já para o nível do futebol em Miami isso não seria tanto problema assim.
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| Sociedade secreta em festa. Cena meramente ilustrativa, do filme "De olhos bem fechados". |
Estive fora do Brasil por uns dias. Foi como se perdesse capítulos de um seriado instigante. Só se fala na Festa da Cueca. Que diabos foi isso? Tive que investigar, perguntar na vizinhança e na fila do pão. Soube que um ex-delator da Lava Jato que prestava serviço de espionagem para o "papa" e os "cardeais" da operação teria gravado um vídeo de uma noitada sexo-jurídica realizada em uma suíte de um hotel de luxo. Data vênia, a jornada noturna entrou e saiu, muito apropriadamente, para os anais do Direito. Dizem que o vídeo foi surrupiado por uma dos magistrados e cremado durante uma sessão de livramento evangélico.
Sabe-se que os togados botaram pra quebrar mas, sejamos justos, mantiveram o notório saber jurídico. No meio da suruba desembestada era comum uma autoridade dirigir-se a um colega e respeitosamente.
- Requeiro a minha vez com a postulante, estou aqui em estado de privação.
- Pois não, excelência, minha audiência com a jovem está terminando E quid pro quo a fila anda.
Em determinado momento um procurador desavisado entrou com um processo na vara errada e perdeu a causa. Aparentemente criou jurisprudência porque a dita instância passou a ser o foro privilegiado para um colegiado descontraído. Na ofurô, eu disse ofurô, uma jovem prestava queixa de um magistrado que não conseguia concluir a coisa julgada. A jovem pedia uma arbitragem sobre a indenização devida.
Por decurso de prazo, a suruba acabou antes do dia amanhecer. Os togados providenciaram a anulação processual. Por isso, a gravação foi destruída. In verbis.
Usada nas manifestações de 2013, a camisa da seleção se transformaria
nos anos seguintes em uniforme da direita radical. Coincidência? Foto Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
por Flávio Sépia
Provavelmente, havia os bem-intencionados, mas os manifestantes de 2013 não contavam com a história.
Se havia democratas entre as pessoas que foram às ruas, o tempo, essa divindade cruel, os consagrou dez anos depois como os maiores otários do século.
O que as manifestações de 2013 produziram?
O golpe contra Dilma Roussef, a ascensão de Eduardo Cunha e Temer, a corrupção e os desmandos jurídicos da Lava Jato e a onda de colunistas da ultra direita que ocupou os princpais veículos. As "jornadas" de 2013, que a mídia conservadora exaltou nos últimos dias, levou para as ruas uma horda de preconceitos, racismo e agressividade, "valores" que, em seguida, foram colados nas urnas e elegeram políticos fascistas. O pior: transformaram um sujeito do baixo clero em presidente.
Não se pode dizer que os manifestantes de 2013 não mudaram o Brasil. Mudaram muito e para pior.
O manifestantes de 2013 deram sua contribuição para que Bolsonaro e suas gangues políticas desmontassem a fiscalização do meio ambiente, botassem armas nas mãos de assassinos e atravessadores de fuzis para o crime organizado, matassem Marielle e Anderson, Dom e Bruno, Luiz Carlos Cancelier, Marcelo Arruda, além de líderes ambientais e rurais e indígenas, produzissem na legislatura passada e repetssem em 2022 dois dos piores Congressos da história política do Brasil, anulassem leis trabalhistas e previdenciarias, transformassem a "rachadinha" em fonte de enriquecimento, destruissem empregos, tentassem normalizar o trabalho escravo e, finalmente, levassem o Brasil a ser top five global em números de mortos durante a Covid.
O país tenta agora se recuperar disso tudo. Conseguirá? Há dúvidas. O processo político que as manifestações de 2013 despertou também resultou em um Congresso com maioria da direita que, 10 anos depois, tenta paralisar o governo.
A inspiração fascista que saiu das ruas não foi embora. Os ataques terroristas em dezembro e janeiro últimos são o mais recente troféu que ainda traz digitais das "jornadas" de 2013. As mesmas forças continuam aí.
Estranhamente, sumiram apenas os jovens que pediam passagens de ônibus a 20 centavos. Os preços aumentaram acima das inflação nos anos seguintes e eles nunca mais deram as caras. Desapareceram os black blocs, que tinham a missão de acender o gatilho da violência nas passeatas e justificar a repressão policial. Os manifestantes de 2013 protagonizaram na verdade uma versão tosta, mas efetiva, da Marcha sobre Roma de 1922. A mão que os levou às ruas pode voltar, a qualque momento, a ameaçar a democracia. Alguém duvida?
por Ed Sá
Na sua coluna de hoje, no Globo, Washington Olivetto compara os desfiles dos Windsor às escolas de samba cariocas. Em solenidades como coroação, enterros etc, The Mall vira Sapucaí. Pensando bem, como se viu na recente sagração do Rei Charles, Londres emula o sambódromo. Tem comissão de frente, tem destaque e alegorias vivas, tem o homenageado, tem enredo, o carnavalesco é o responsável pelo cerimonial, tem os baluartes, que são os demais membros da família real e a bateria personificada pela banda da guarda real. A praça da apoteose, tal qual Darcy Ribeiro imaginou para o final dos desfiles das escolas de samba, é o largo diante do Palácio de Buckingham.
Era uma data festiva. Sabe-se lá qual. Pode ser de um almoço de fim de ano, com alguns colegas usando o branco de lei. Vamos aos nomes: em pé, esq. para dir., Hélio Carneiro, dona Bella, Haroldo Jacques, Adolpho Bloch, Carlos Heitor Cony, Roberto Muggiati, Janir de Hollanda, Pedro Jacques Kapeller, Claudia Richer, Roberto Barreira, Lena Muggiati e Tarlis Batista; e, sentados, a partir da esquerda, Vera Mendonça, Marilda Varejão, Celso Arnaldo Araújo, Ateneia Feijó, José Esmeraldo Gonçalves, Lincoln Martins, Sylvia de Castro e Silvia Leal Fernandes. (José Esmeraldo Gonçalves)
1958: Brasil vence a Copa do Mundo, na
Suécia, e revela um jogador de 17 anos que viria a ser, logo depois,
considerado Rei de Futebol. Edson Arantes do Nascimento, ou melhor, Pelé, fazia
sua estreia no mundo.
por J.A. Barros
Naquele ano,1958, eu trabalhava no Departamento de Arte da revista O Cruzeiro. A seleção, na Suécia, acabava de conquistar a Copa do Mundo e, ao voltar ao Brasil, desembarcou no aeroporto do Galeão. Os campeões, a bordo de um carro de bombeiros, desfilaram pela cidade até o Palácio do Catete, onde o presidente Juscelino Kubitschek os homenageou.
Pois bem, diante desse fato, a direção de O
Cruzeiro, também resolveu receber os jogadores no salão da sua sede, projetada
por Oscar Niemeyer, na Rua do Livramento, Gamboa, no Centro do Rio de Janeiro.
No espaço nobre, no oitavo andar, decorado com 12 obras em grandes formatos assinadas
por Portinari (em cada quadro, um aspecto histórico do Brasil era contado pelo
pincel desse grande artista). No salão, montaram mesas de finos salgados,
champanhe, de batatas fritas a caviar, enfim, um bufê servido pela Confeitaria
Colombo. Mas o problema era como conseguir sequestrar a Seleção, desviando o
comboio do seu trajeto e conduzindo-o para o prédio da revista. Estava previsto
que o cortejo passaria na Av. Rodrigues Alves, nas proximidades da Livramento.
Rodolfo Brandt, que fazia parte do grupo de jornalistas da revista Cruzeiro,
pilotava uma motocicleta. Assim que a comitiva saiu do Galeão, Rodolfo se
posicionou à frente do carro dos bombeiros e passou a liderar a comitiva. O
jornalista entrou na Rodrigues Alves e, na rua onde arqueólogos descobriram antigo
cais do porto de desembarque dos escravizados, conduziu a moto em direção à sede
da revista. Atrás dele vieram os bombeiros e os craques em caminhão aberto. Daí
em diante foi fácil. Rodolfo pegou a Sacadura Cabral e, em seguida, a Rua
do Livramento. Em poucos minutos, a seleção
entrou no salão de O Cruzeiro. Em princípio, o grupo de jogadores não entendeu
muito o que estava acontecendo, mas resolveu relaxar e aproveitar o
momento. Nós, do Departamento de Arte, que estávamos trabalhando,
corremos para o salão para conhecer os campeões Garricha, Newton Santos, Vavá,
Orlando e todos os outros jogadores. Mas nos detivemos em um garoto que, um
pouco tímido, passou a conversar com a gente e contou os gols que fez na Copa e
lembrou das lindas moças de cabelos louros e olhos azuis. O garoto modesto nos
disse o seu nome. Pelé. Ora, mal sabíamos que aquele menino seria o melhor
jogador de futebol do Brasil e do Mundo. A seguir, a seleção retomou seu
roteiro, afinal, um Presidente da República estava aguardando os campeões do
mundo havia algumas horas.
O "sequestro" não resultou apenas em
comemorações: repórteres e fotógrafos da revista fizeram matérias exclusivas
com os heróis do primeiro título mundial
da seleção brasileira. Além disso, fomos os primeiros a ver de perto a Taça
Jules Rimet. Em certo momento, o goleiro Gilmar foi para a rua e posou beijando
a taça com a sede de O Cruzeiro ao fundo.

Samuel Beckett: cabeça de bala de fuzil
Foi
na última vez que vi Orly, voltando definitivamente para o Brasil, depois de
dois anos de Paris e três de Londres. Na antessala de embarque do aeroporto, vi
de repente aquela cabeça única, inconfundível. Samuel Beckett, no bar, tomava
cerveja (nada mais dublinense) descontraidamente – logo ele? – com três
rapazes, pinta de irlandeses. Beckett tinha 59 anos, parecia sem idade,
imortal. Daí a quatro anos ganharia o Nobel. Atrás de uma coluna, num canto,
Godot espreitava. Ao ver aquela cabeça incrível, bala de fuzil, congelei. Seis
anos antes, em Curitiba, eu tinha lido o livro-fetiche do Luiz Carlos Maciel, Samuel Beckett e a solidão humana. O
homem era um monumento. Foi a única ocasião na vida em que eu – anarquista e
ateu – quase acreditei ter visto Deus de perto. Em tempo: Godot é um trocadilho bilíngue de Beckett juntando God – Deus em inglês – com o sufixo
diminutivo francês ot (inho)...
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| Reprodução Twitter |
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| Recorte reproduzido do Globo 27-09-2023 |
por José Esmeraldo Gonçalves
Houve uma época que a Revista do Rádio publicava uma coluna de fofocas chamada Mexericos da Candinha. A maioria das "notícias" saía da imaginação dos colunistas costurada com algum falatório quase sempre de origem também não comprovada. As "fontes" nunca eram identificadas. Os mexeriqueiros davam "exclusivas" sobre celebridades traídas atribuindo os flagras a "um porteiro de uma 'boite' em Copacabana", "o chauffer do Oldsmobile do cantor", "um famoso prod seutor do teatro- revista nos segredou que viu um ator de radionovelas cortejando uma menina de 13 anos na Rua Duvivier". Na época, tais colunistas também frequentavam os corredores da Rádio Nacional onde "ouviam" camareiras, técnicos do estúdio e contra-regras para saber dos mexericos.
Atualmente, o tema dos fofoqueiros é a política, o território é Brasília e as "fontes" jamais identificadas são "o entorno de Lula", "assessores" etc. Às vezes, Candinha manda lá um "ouvido no Planalto". Dizem que quem inaugurou esse estilo na política e em Brasília foi o falecido colunista Jorge Bastos Moreno que cultivava a intimidade com os poderes e recheava seus textos com "clima" leve e "informal".
Jornalistas foram muitas vezes cruéis com Dilma Rousseff. A maioria, engajada na campanha do golpe, pegava pesado. Os vestidos de Dilma, o jeito de andar e falar, a alegada "grosseria", tudo era motivo de pesadas críticas.
Já que não houve crime, vai ver que Dilma foi derrubada por usar um vestido supostamente "deselegante".
Agora, as e os Candinhas atacam Janja. Segundo Malu Gaspar "apurou", ela é a grande responsavel pela falta de uma base governista no Congresso. E por que? As "fontes" confidenciaram que Janja quer que na hora do almoço Lula...almoce. Aparentemente, a julgar pela nota, Lula deveria usar esse horário para se reunir com politicos e construir a base entre um bife a milanesa e uma goiabada com queijo.
Geralmente nesses almoços reservados são servidas armadilhas ao ponto. O sujeito convidado sai da mesa e liga pra Candinha e passa a sua versão do encontro. É assim que funciona. Claro que Candinha iria adorar. A "fonte" garçom poderia fantasiar que Lula bebeu o uísque mais caro, pediu caviar, arroz com açafrão iraniano e, durante o almoço, fez uma chamada de grupo para Putin, Maduro, Ortega e Kim Jong-un. Isso segundo o garçom. E a Candinha ainda avisaria que havia outra testemunha confiável: o cumim do restaurante.
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| No twitter, o prefeito do Rio Eduardo Paes reagiu à altura contra o presidenta da La Liga que tenta culpar Vini Jr, a vítima, pelas agressões racistas que sofreu em campo. |
De certa forma, a Espanha fascista venceu a Segunda Guerra Mundial apoiada primeiro pela Alemanha e depois pelos Estados Unidos. A ditadura nazi-fascista de Franco sobreviveu incólume por décadas. Claro que a história deixou raízes profundas no país. Grupos fascistas e nazistas atuam lá até hoje. O racismo exacerbado em muitos setores na Espanha é uma dessas heranças malditas. O futebol não escapa da militância de ultra direita. Há torcidas organizadas que se fantasiam com símbolos nazistas e frequentam estádios livremente. O craque Vini tornou-se alvo preferencial dos marginais pela coragem de opor-se à turba e reagir a cada ofensa. É preciso mais: que patrocinadores democráticos cancelem seus contratos com La Liga, que nada faz para coibir agressões racistas; que os jogadores se unam e parem os jogos ou façam greves até que racistas sejam presos; que sejam instituídas multas altas e suspensões para clubes que toleram e não combatem o racismo no futebol. E que as instituições e os cidadãos espanhóis que respeitam todas as raças se pronunciem e partam para a ação. Notas de repúdio não são suficientes.
Não será fácil. Nove entre os onze patrocinadores da La Liga contaminada pelo fascismo ficaram em silêncio diante das ofensas e agressões ofridas por Vini Jr. São essas marcas: EA Sports, Microsoft, Cervezas San Miguel, Sorare, BKT, Socios.com, Gol-Ball, Golazos e Panini. Apenas duas divulgaram notas condenando o triste episódio no jogo Valência e Real Madrid. São elas: Santander e Puma.