por Eli Halfoun
Biografias de artistas e personalidades
são, assim como as caricaturas e as imitações, uma forma de homenagear ídolos
populares do país. Por isso mesmo soa estranho que alguns artistas tentem
aprovar um projeto que lhes permita proibir a circulação de uma biografia, se não
a tiver sido autorizada. Entendo que quando uma biografia denigre a imagem do
biografado e invada sua intimidade sem pudor, a biografia pode sim ser proibida,
embora nenhum tipo ditatorial de proibição tenha nada a ver com a democracia
que tentamos viver no país. Artistas alegam que os biógrafos querem ganhar
dinheiro e nesse caso os biografados também deveriam receber. Ganhar dinheiro
não é o principal objetivo dos biógrafos (geralmente excelentes jornalistas). É
claro que devem ser pagos por seu trabalho, mas o objetivo maior é homenagear o
biografado e se esse não gosta de homenagem já é outra história porque não deve
gostar de sua própria vida e carreira. Biografias escrevem a história cultural
de um país e impedi-las sem mais nem mesmo é simplesmente colocar uma mordaça na
história à qual o povo deve ter acesso. É proibido proibir disse Caetano Veloso
em música, mas ele parece não acreditar muito no que cantou já que é um dos mais
ferrenhos defensores da proibição de biografias. Muitas vezes os biógrafos não
ganham nada, trabalham muito e quando recebem é pouco. Já o lucro dos biografados
é imenso e eterno: com livros eles entram definitivamente para a história cultural
e política do país. Quem quer democracia não pode lutar por nenhum tipo de
proibição. Afinal, é ou não proibido proibir. (Eli Halfoun)














