domingo, 16 de agosto de 2015

"Jovem Guarda" comemora 50 anos. Mas apenas cinco anos depois da estreia do programa da TV Record, que consolidou o sucesso do iê-iê-iê, a Fatos & Fotos já duvidava do futuro de Roberto Carlos. E o próprio cantor achava que faria carreira no cinema e se dedicaria a estudar música e orquestração.

Na capa da Fatos & Fotos, em 1969, dúvidas sobre o futuro de Roberto Carlos.




Em 1969, RC tinha 26 anos. A Fatos&Fotos pediu à pintora Marília Brito que mostrasse como ficaria o rosto do cantor ao 40 anos, em 1984. A artista plástica o desenhou mais gordo, com rugas e pés-de-galinha e uma peruca para esconder a calvície.




por José Esmeraldo Gonçalves
O programa "Jovem Guarda", da TV Record, entrou no ar em 1965, há 50 anos. Embora Roberto Carlos e sua turma já frequentassem algumas paradas de sucesso, a data marcou o começo do movimento musical que "traduzia" o rock para a juventude brasileira. O programa estreou no dia 22 de agosto  e ficou no ar até 1968. Com a ditadura já evoluindo no palco político, as músicas de protesto ou "engajadas", como se rotulava, ganhavam mais espaço. Em 1969, o programa "Jovem Guarda" era passado e o cast do iê-iê-iê continuava rebolando mas, no caso, em busca de novos caminhos. Muitos, como o próprio Roberto, trocaram a irreverência pelo romantismo. Por isso, a Fatos & Fotos, em dezembro de 1969, edição 462, fez uma matéria de capa com o cantor. Na chamada, lançou uma questão: Quanto vai durar Roberto Carlos? A repórter Margarida Autran entrevistou o "rei da Jovem Guarda" e, logo na abertura do texto, constatou: "Ele mudou. Parece mais tranquilo, mais maduro. Embora esconda seus 26 anos sob um ar de 22, assim como disfarça um princípio de careca com a franja puxada sobre a testa (...) Fala quase sem gírias - passou o tempo da brasa, mora. De rei da jovem Guarda restam apenas dois anelões na mão direita e a pulseira de corrente com o seu nome: Roberto Carlos". 
Na entrevista, o próprio Roberto falava, ainda, sobre novos rumos. "Vou me dedicar ao estudo da música de uma forma mais profunda. Talvez até fazer orquestrações". Na época, ele filmava "Diamante Cor-de-Rosa" (seu segundo filme, após "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura'. Talvez seduzido pelas câmeras, achava que faria carreira no cinema. O diretor Roberto Farias arriscava dizer que, de um cantor que fazia cinema, RC se tornaria uma ator que cantava. E revelou o tema do seu próximo filme: "Será uma história real, acontecida no Rio de Janeiro há dez anos, de um professor de violino que se apaixona pela aluna. Os dois se matam e seu enterro é acompanhado por uma multidão". O filme não foi feito, Roberto não se tornou um maestro e, ao contrário da chamada de capa, que lançava dúvida sobre seu futuro, permaneceu no cenário musical. Dali pra frente, parodiando uma das suas canções, tudo foi diferente: a revista não acertou suas previsões e Roberto, muito menos, cravou seus projetos de estudar orquestração e fazer carreira no cinema. Mas, ironicamente, sobreviveu à Fatos & Fotos, que deixou de circular regularmente em 1984.



sábado, 15 de agosto de 2015

O visual da vizinha: bate-volta em Niterói

Ilha Fiscal e...

... Ponte Rio-Niterói.

O Rio visto da baía.

Caminho Niemeyer
Ilha e Igreja de N.S da Boa Viagem, de 1650.

Fortaleza de Santa Cruz
O visual a partir do pátio da Igreja de São Francisco Xavier

Outro ângulo da vista do outeiro da igreja de São Francisco

Forte Gragoatá

MAC, Niterói
Rio no horizonte...




Igreja de São Francisco Xavier



Campanário da Igreja de São Francisco Xavier

Ponte-Aérea sobre o Pão de Açúcar


e o pouso no Santos Dumont. Fotos J.E.Gonçalves

Antologia reunirá crônicas de Rubem Braga publicadas na Manchete

Coluna de Ancelmo Góes, Globo, hoje. Reprodução
Em 25/1/1958, a edição 301 da  Revista Manchete publicou a até então inédita crônica "Ai de ti, Copacabana!", de Rubem Braga, que tornou-se uma das mais famosas criações do cronista. A página acima foi reproduzida da edição especial "Manchete 45 anos".

Deu no Ancelmo, de hoje: crônicas de Rubem Braga publicadas na Manchete e na Revista Nacional vão virar livro. Ao lado de Nelson Rodrigues, Fernando Sabino, Sérgio Porto, Henrique Pongetti, Antonio Maria e muitos outros, Rubem Braga foi cronista da revista. Em Manchete, ele publicou, pela primeira vez (em 25/1/1958), uma das suas mais famosas crônicas: "Ai de ti, Copacabana", acima reproduzida da edição especial "Manchete, 45 anos", que circulou em 1997.

Da Vinci em Recife

A exposição "Da Vinci, a Exibição", que percorre o mundo, está em Recife montada em um espaço do Shopping RioMar. É um sucesso de público. Uma das características da mostra é a interatividade: o público pode acionar os mecanismos das incríveis invenções de um dos maiores gênios da humanidade. Fica em cartaz na cidade até 30 de agosto.
Entre as criações exibidas, o "parafuso aéreo" considerado um protótipo de "helicóptero". 

Máquina de guerra projetada por Da Vinci: canhões em torre giratória. Fotos de Jussara Razzé

Recife: de um pendrive de viagem...

Ponte Princesa Isabel. Foto Jussara Razzé


Iate Clube visto do pier da Casa dos Banhos. Foto Jussara Razzé.

Praia de Boa Viagem. Foto Jussara Razzé

Rua da Aurora. Foto Jussara Razzé

Bairro do Recife Antigo, Marco Zero. Foto Jussara Razzé

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Campo das Princesas, Palácio da Justiça. Foto de Jussara Razzé.

O antigo porto agora revitalizado. Foto Jussara Razzé

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Revista Estilo: capa com recurso interativo e parceria com blogueira. É a dura luta pela sobrevivência

A blogueira Camila Coutinho mostra
o recurso interativo da capa da Estilo.
por Clara S. Britto
Haja criatividade para garantir um espaço. Acossadas pela internet, as revistas dão asas à imaginação. A Estilo, edição de agosto, vem com uma capa interativa. As leitoras que baixarem o app Tv Estilo poderão ver e ouvir a imagem em movimento. No miolo da publicação, outras matérias também poderão se acessadas. Para isso, o smartphone ou o tablet deverá ser posicionado na capa. Aliás, na capa da Estilo está a blogueira Camila Coutinho. É outro detalhe a comentar. As blogueiras com grande audiência em blogs e no You Tube são fortes concorrentes das revistas femininas no importante quesito comercial. Grandes marcas de cosméticos, principalmente, incluindo uma das maiores em atuação no Brasil, além de redes de lojas, cortaram verbas para impresso nos últimos anos e direcionaram publicidade para as principais blogueiras. Daí, promovê-las, embora elas nem precisem disso, pode ser um tiro a mais no pé, segundo um especialista de um departamento comercial de uma grande editora. Provavelmente a Estilo está buscando um tipo de parceria com base no ditado "se não pode com a 'inimiga', junte-se a ela". A conferir. O fato é que algumas blogueiras de moda somam enorme audiência, na casa dos milhões de visitas e de pageviews. Daí, aproximar-se desse público - a revista Glamour também quer ser "amiguinha" das blogueiras e já ilustrou capa com a espécie -, pode ser positivo para uma revista impressa. Esse tipo de recurso se soma - e não só no Brasil - a um zilhão de ideias dos revisteiros para sair da crise ou para respirar por mais alguns anos. A maioria dessas "ferramentas" são engraçadinhas mas não costumam resultar em aumento real de circulação e de publicidade que é o nó que os editores do meio impresso tentam desfazer. E vão continuar tentando.
Veja no You Tube: Camila Coutinho ensina as leitoras da Estilo a interagir com a capa. Clique AQUI 

Novo satélite meteorológico francês pode antecipar em seis horas alertas de tempestades e, por tabela, mostrou a poluição da Baía da Guanabara

Rio de Janeiro fotografado pelo MSG-4. Foto Eumetsat
Lançado há poucos dias, o satélite meteorológico MSG-4, da série Meteosat de segunda geração, só ficará completamente operacional no fim do ano, mas já capturou as primeiras fotos da Terra. O novo satélite é europeu e poderá antecipar em até seis horas os alertas sobre tempestades, furacões, tornados. A Agência Espacial Europeia (ESA) e o EUMETSAT lançaram o satélite MSG-4 no dia 15 de julho a bordo de um foguete Ariane 5 da base de Kuru, na Guiana Francesa. Ainda em testes, o equipamento fotografou várias capitais, incluindo o Rio de Janeiro. Involuntariamente, o MSG-4 vai fazer esquentar a polêmica sobre a poluição da Baía da Guanabara. O satélite mostra perfeitamente as manchas causadas por derramamento de esgoto e óleo nas imediações da Ponte Rio-Niteroi, Galeão e Ilha do governador, na parte de cima da foto, mas não exatamente na área, que não aparece na imagem, onde serão disputadas provas olímpicas de iatismo.

Londres. Foto Eumetsat


Nova York. Foto Eumetsat

Artista holandês cria uma nova "igreja". McDonald's nosso que estás no céu...


McDonald's: embalado com fé. Foto Divulgação

McFritas que levam ao paraíso. Foto Divulgação

O personagem Ronald McDonald's ganhou figurino divino. Foto Divulgação
por Clara S. Britto
Uma instalação provocativa do artista plástico holandês Casper Braat dá o que falar. Ele transformou os elementos do Mc Donald's em adereços "religiosos". Trata-se de uma  alegoria ao conceito fast food popularizado pelae rede e levado à prática por certos setores da sedutora e lucrativa indústria da fé em muitos países, especialmente os mais pobres. Braat incorpora as críticas à mega-franchise de comida rápida desde a suspeita quanto à qualidade dos ingredientes às denúncias de problemas trabalhistas envolvendo emprego de menores.A exposição está em cartaz na Gerrit Rietveld Academie, em Amsterdam e foi notícia no site PSKF. Leia mais, clique AQUI. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

ONU convida para evento no Rio para discutir regulação da mídia e liberdade de expressão


Mesa-redonda acontece na quinta-feira, 6 de agosto, às 19h00, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro e contará com a presença do relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Edison Lanza.
O Centro de Informação da ONU (UNIC Rio), em parceira com o Coletivo Intervozes e o Instituto de Estudos Socais e Políticos (IESP) da UERJ e apoio do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, convidam para a mesa-redonda “O papel da regulação da mídia na liberdade de expressão”.
O evento acontece na quinta-feira, 6 de agosto, às 19h00, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro (Rua Evaristo da Veiga, 16 – Centro).
A mesa-redonda contará com a participação do relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Edison Lanza. Também farão parte da mesa a deputada federal Jandira Feghali e a professora Suzy dos Santos, da Escola de Comunicação da UFRJ.
O objetivo do encontro é conhecer a experiência latino-americana e internacional de regulação da mídia e seus impactos na liberdade de expressão e discutir a implementação destas políticas no Brasil.
Serviço
Mesa-redonda: O papel da regulação da mídia na liberdade de expressão
Local: Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro – Rua Evaristo da Veiga, 16 – Centro
Data: 6 de agosto – 19 horas (Atenção: a entrada do prédio do Sindicato fecha às 20h)
(Fonte)
Informações para a imprensa
Valéria Schilling e Gustavo Barreto
Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio)
(21) 2253-2211 e (21) 98202-0171 | (21) 98185-0582
valeria.schilling@unic.org | barretog@un.org

Do Facebook de Romário (a polêmica do extrato falso...)

por Omelete
Romário era imbatível na pequena área. E o baixinho demonstra, agora, que é carne de pescoço também ao reagir contra a mídia em razão do que mostrou ser uma mentira. Ao ser acusado de ter conta milionária no exterior, ele inicialmente achou ótimo, agradeceu, disse que se a conta existisse seria, com certeza, dinheiro que ganhou trabalhando na Europa, e se mandou para a Suiça para conferir o fato. O banco comprovou que o tal extrato era falso. Quer dizer que alguém entrega um papelucho qualquer em uma redação e neguinho publica sem sequer apurar? O Peixe o o banco vão exigir retratação nos tribunais. E Romário tem sacaneado no Face, com o apoio da maioria dos internautas, os tais responsáveis pela notícia. Entre outras coisas, ele pede que digam como obtiveram o extrato, já que a preservação de fontes jornalísticas não é feita para proteger falsificações. Leia um dos posts de Romário:
Galera, 
Estou até agora aguardando uma resposta dos repórteres, editores e da revista Veja sobre o extrato falso de banco que eles usaram para divulgar que eu tinha uma conta milionária na Suíça. Avisei aos repórteres Thiago Prado e Leslei Leitão que era mentira, mas mesmo assim eles levaram a matéria adiante, assumindo a responsabilidade da publicação. Então, eles devem responder agora. De onde veio o documento? Está mais que na hora dos veículos de imprensa, tão essenciais para nossa democracia, assumirem a responsabilidade pelas informações publicadas. Neste caso, sendo um documento falso, o sigilo da fonte não é garantido. Eles têm que revelar qual a origem do documento.
E LEIA MAIS NO TIJOLAÇO, CLIQUE AQUI

DESDOBRAMENTO DO CASO: EM 5/8/2015, A VEJA RECONHECEU O ERRO E PEDIU DESCULPAS A ROMÁRIO DEPOIS QUE O JOGADOR PUBLICOU NA SUA PÁGINA NO FACEBOOK DOCUMENTO DO BANCO SUIÇO QUE ATESTA QUE O EXTRATO USADO  NA MATÉRIA"INVESTIGATIVA" DA REVISTA É FALSO.  O JOGADOR CONFIRMOU QUE VAI PROCESSAR A PUBLICAÇÃO E PEDIR À JUSTIÇA QUE OBRIGUE OS JORNALISTAS ENVOLVIDOS A REVELAREM COMO OBTIVERAM O EXTRATO FALSO. 
PARA FALSIFICAÇÃO E USO DE DOCUMENTO LIGADO A ESTELIONATO OU CAPAZ DE INDUZIR ALGUÉM A UMA FALSA CONCEPÇÃO, O SIGILO DA FONTE NÃO SE ENQUADRA. MONSIEUR ROMÁRIO FEZ O BÁSICO, QUE OS REPÓRTERES DEVERIAM TER FEITO: CHECAR JUNTO AO BANCO.  ISSO APESAR DE O BAIXINHO TER, SEGUNDO INFORMA, ALERTADO À REVISTA, ANTES DA PUBLICAÇÃO DA MATÉRIA, QUE NÃO ERA TITULAR DA CONTA MENCIONADA. OS JORNALISTAS, SEGUNDO ELE, INSISTIRAM NA VERACIDADE DO DOCUMENTO. O JOGADOR VAI PEDIR UMA INDENIZAÇÃO DE SETE VEZES O VALOR "DENUNCIADO" NA CONTA FALSA. O BANCO TAMBÉM ABRIU PROCEDIMENTO JURÍDICO.  SE FOSSE UMA DECISÃO DE CAMPEONATO , OS LOCUTORES REGISTRARIAM QUE O BAIXINHO DRIBLOU NA PEQUENA ÁREA, DEU UM CHAPÉU, METEU POR BAIXO DAS PERNAS, DEIXOU OS ADVERSÁRIOS SENTADOS NA GRAMA E FEZ UM GOL DE PLACA. MAS FALANDO-SE DA PERFORMANCE DO OUTRO TIME, UMA BOLA QUADRADA DIGNA DE PERNAS DE PAU.  




UFC: Ronda Rousey não perdoa. Brasileira Bethe Correa é "atropelada" por "carreta desgovernada" e não pega nem a placa...



A "bomba atômica" fatal. Foto Alexandre Loureiro/Inovafoto/UFC

Dormindo com a inimiga... Foto de Alexandre Loureiro/UFC


Ronda Rousey comemora a vitória-relâmpago. Foto de Alexandre Loureiro/UFC
por Omelete
A verdade é que alguns lutadores brasileiros ultimamente estão apanhando mais do que massa de pizza prensada pelo incrível Hulk. UFC e MMA viraram, aparentemente, parque de diversões pros gringos e o jogo da hora é botar brazuka pra dormir. A última a desabar no ringue foi Bethe Correa. A americana Ronda Rousey precisou de apenas 34 segundos para socar pro espaço a brasileira que mostrou que foi melhor na hora de fazer as encaradas feias e supostamente ameaçadoras antes da luta do que propriamente na hora do vamos ver. Algumas avaliações de "especialistas" também foram pro buraco. Na véspera da luta, eles falavam que bastava a Bethe não cair no "único golpe" da americana - medalhista olímpica em judô - a famosa chave de braço. Falaram que se ficasse em pé e lutasse boxe, Bethe apagaria Ronda. Não rolou. Ronda detonou a brasileira em pé mesmo. Quando Bethe foi ao chão já estava dormindo. E quando voltou a ficar de pé já nem sabia onde estava, se na Lua ou em Marte. Bethe, involuntariamente, botou uma gás extra em Ronda Rousey. Entre as provocações, falou era melhor a americana "não se matar" após perder a luta. Pegou mal: na vida real, o pai de Rhonda se suicidou quando ela ainda era criança. Daí a frase da vencedora, após a vitória, ao dizer que esperava que ninguém nunca mais falasse da sua família. Bethe pediu desculpas, falou que não sabia do fato, mas já era tarde. Ronda, que teria chorado ao saber da declaração, já estava invocada e o soco demolidor já pronto. Mas a verdade é que nem precisava do "incentivo". A americana, com um histórico arrasador, está muito acima das suas atuais desafiantes.
Na véspera da luta, duranrte a pesagem, a encarada que não assustou Ronda Rousey. Foto Alexandre Loureiro/UFC

sábado, 1 de agosto de 2015

1° de agosto, 15 anos de desgosto e de pequenas vitórias

Por ROBERTO MUGGIATI

No dia 1º de agosto de 2000, com a falência de Bloch Editores, foram sumariamente fechadas as portas do majestoso complexo arquitetônico da Praia do Flamengo que durante três décadas abrigou o império de comunicações da Manchete, que abrangia revistas, serviços gráficos, emissoras de rádio e uma rede nacional de televisão. Numa operação rápida e cirúrgica, oficiais de justiça lacraram as entradas dos três prédios desenhados por Oscar Niemeyer, depois de evacuarem os funcionários que ainda se encontravam no seu local de trabalho. Num procedimento de cruel frieza, os novos desempregados sofreram ainda a humilhação de serem minuciosamente revistados antes de chegarem ao “olho da rua...”
Muita coisa ficou para trás nas redações, além das memórias. Pertences pessoais nas gavetas, agasalhos para proteger do ar refrigerado excessivo (nos bons tempos em que o ar ainda era ligado), livros, cadernos de anotações e agendas, e outros itens que variavam de funcionário a funcionário. Os mais antigos, tinham o privilégio de possuir armários trancados a chave onde guardavam até ternos, camisas sociais e gravatas para ocasiões mais festivas. Nos computadores, ficaram também para sempre pedaços da vida de cada um: e-mails íntimos, textos mais pessoais, até algum romance destinado a publicação que tiraria o seu autor do obscuro papel de escriba utilitário, alçando- à fama e fortuna.
Em depoimento no livro Aconteceu na Manchete (Desiderata, 2008), o coordenador de reportagem José Carlos Jesus lembrou aquela terça-feira sombria:

“Quando o telefone da minha mesa tocou, me veio um estranho pressentimento. Tive a certeza de que aquela ligação estava me trazendo alguma coisa de muito grave. Do outro lado da linha, a voz, um tanto autoritária, logo confirmou. A ordem era que juntássemos todos os nossos pertences e nos retirássemos da sala e deixássemos o prédio o mais rápido possível. Só nos restava obedecer. Foi o que fizemos. A Bloch acabava ali. Para aqueles profissionais, uns, como eu, com trinta anos de trabalho, outros com quarenta, era o ponto final de um longo tempo de dedicação a uma empresa que já fazia parte da nossa vida, do nosso corpo e da nossa alma. Levei algum tempo para administrar o choque. ‘E agora? ’, perguntávamos a nós mesmos, entre lágrimas e perplexidade.”


Na foto, de 2012, Jileno Dias, José Carlos
e Nilton Rechtman na coordenação de uma das assembleias
do auditório do sindicato. Ao longo de 15 anos,
foram dezenas de reuniões que orientaram e reforçaram
as reivindicações dos ex-funcionários da Bloch junto à
Massa Falida da empresa.
O choque levou alguns anos para ser absorvido. E foi o mesmo José Carlos Jesus o primeiro a sair do estado de catatonia e inércia – e a propor ações concretas que garantissem os direitos dos ex-funcionários e os levassem a receber o que lhes era licitamente devido como credores da Massa Falida de Bloch Editores.
Foi uma longa luta, iniciada em 2004, durante a qual José Carlos sacrificou sua vida pessoal em função do trabalho pela causa comum. Designado presidente da Comissão dos Ex-Empregados de Bloch Editores, ele enfrentou as piores vicissitudes, entre elas o afastamento de sua família, que foi para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida. Aos poucos, com sua inteligência e espírito de solidariedade, familiarizou-se com os meandros do labirinto jurídico e, com rara diplomacia, costurou todas as alianças possíveis (entre Justiça, Ministério Público e Massa Falida) que pudessem beneficiar a causa dos ex-funcionários e de suas famílias – uma comunidade de 2.500 pessoas que passou por terríveis momentos de crise que incluíram casos de doença, alcoolismo, morte e até fome e suicídio.
A liderança de José Carlos resultou em vitórias: o recebimento do valor “principal” da dívida, em 2009, três rateios da correção monetária, em 2012, 2013, 2014 e agora um quarto rateio prestes a ser iniciado. Ele pagou um alto preço: as pressões psicológicas que sofreu causaram danos à sua saúde e comprometeram seu coração. Felizmente, uma intervenção cirúrgica de quase oito horas, há poucos meses, o brindou com um coração novo. Vamos à luta, companheiros!

Ontem, no Auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, os ex-funcionários da Bloch se reuniram para mais uma assembleia. Uma década e meia após a falência da Bloch, a mobilização continua.



MEMÓRIAS DE UMA LUTA
por José Carlos Jesus

Nesta sexta-feira, 31, julho de 2015, foi realizada mais uma assembleia dos Ex-Empregados de Bloch Editores no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Após passar a limpo todas as etapas dos processos da Massa Falida, uma data foi lembrada e vários ex-empregados chegaram a se emocionar. Este dia 1° de agosto marca os 15 anos da falência da Editora que outrora foi uma das maiores da América Latina, um complexo conhecido como o Império Bloch.
Fundamental foi e continua sendo neste processo, a atuação da Excelentíssima Senhora Doutora Juíza Titular da 5ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, Maria da Penha Nobre Mauro, que não poupa esforços para atender as solicitações compatíveis com a lei dos credores trabalhistas da Massa Falida. Ao longo destes 15 anos, muitos obstáculos foram vencidos com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, em particular, os ex-presidentes que se sucederam durante esse período e, em especial ao advogado Dr. Walter Monteiro.




A foto acima é de 2012. Registra um encontro cordial entre ex-funcionários da Bloch com a Juíza da 5ª Vara Empresarial, dra. Maria da Penha Nobre Mauro, o representante do Ministério Público, dr. Luiz Roldão de Freitas. Particularmente importante foi a atuação da juíza da 5ª Vara Empresarial, não só agilizando o processo, mas imprimindo a ele uma sensibilidade humanista rara na chamada "máquina da Justiça."  
Entre outros, estiveram presentes Murilo Melo Filho, José Carlos Jesus, José Alan Leo Caruso, Roberto Muggiati,  Jileno Dias, Arminda de Oliveira Faria, Zilda Ferreira, Genilda Tuppini, e o presidente do Sindicato dos Gráficos do Rio de Janeiro, Jurandi Calixto Gomes. Na ocasião, a juíza revelou o segredo do seu sucesso: "Por trás dessa montanha de papeis eu vejo apenas o ser humano. Poderosos ou pobres, cada um deles é uma pessoa, um indivíduo sedento de justiça."
Este foi mais um momento relevante entre tantos em meio à luta que a Comissão dos Ex-Empregados da Bloch Editores desenvolve há anos.