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| Com Celso Blues Boy, comentado no capítulo sobre o blues no Brasil. |
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| Os dois livros lançados na Argumento |
À noite passada sonhei
que voltava à Argumento. Foi na livraria do Leblon que tive os dois lançamentos
mais felizes da minha vida.
O primeiro, em 20 de
setembro de 1995, desafiou (e venceu) a fúria dos elementos numa quarta-feira
de tempestade implacável. Na sala lotada, a fila de autógrafos de Blues: da lama à fama escoava lentamente ao longo de
três horas ao som de uma banda de jovens, Os McKays. Ilhado em São Paulo, meu
amigo Ruy Castro se fez representar pela mulher, Heloisa Seixas. Pessoas de um
passado remoto apareciam diante de mim. Regina, ex-namorada de um sobrinho que foi
morar do outro lado do mundo casado com uma australiana, era agora uma
arquiteta de sucesso. A carioca Tânia, um crush
da adolescência na praia paranaense de Guaratuba, se tornara uma psicanalista, casada,
com quatro filhos. O guitarrista Celso Blues Boy, autor de Aumenta que isso
aí é roquenrol e personagem do meu livro, levou-me um abraço caloroso.
O
outro livro, lançado na Argumento em 1997, foi A
Revolução dos Beatles. Em 11 de setembro de 1962 eu morava em Londres,
mas passei anos ignorando solenemente que naquele dia os Beatles faziam sua
primeira gravação em Abbey Road. Eu estava tão perdido como Fabrizio Del Dongo
em A Cartuxa de Parma: atordoado no fragor de uma batalha, desconhecia
que era a de Waterloo. Esse meu texto está conscientemente eivado(!) de clichês
e citações literárias, por conta da emoção. Alain Robbe-Grillet, adepto
ferrenho da escrita objetiva e enxuta, lambuzou-se em adjetivos ao narrar um
acidente de avião do qual escapara milagrosamente. Penitenciei-me de minha
falha jornalística descrevendo meticulosamente aquele dia na vida dos Beatles:
“Naquela
terça-feira, 11 de setembro de 1962, Ringo Starr saiu cedo do hotel em Londres.
Saiu sem guarda-chuva, nem tinha um. Como não lia o Times, ignorou a
previsão de tempo nublado, com períodos de sol, chuvas esparsas durante a
tarde, ventos moderados, temperatura máxima de 20 graus. O inglês acreditava no
Times e na meteorologia. Ringo achava tudo aquilo uma bobagem: afinal,
não chovia todo dia naquele maldito país? ”
O
sonho de ontem tem uma explicação: volto hoje mais uma vez à Argumento para um
lançamento histórico: a biografia do fundador da livraria, Fernando Gasparian,
pelo jornalista Márcio Pinheiro, livro inspirado pela presença de Gasparian no
filme Ainda Estou aqui. Graças a defensores da
democracia como o “homem de opinião”, todos os brasileiros de caráter podem
dizer hoje: “Ainda estamos aqui. ”

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