terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Prá não esquecer. Em 1986, Sarney proibiu o filme Je vous salue Marie e liberou o Plano Cruzado. Devia ter feito o contrário



Fevereiro de 1986: Sarney proíbe um sucesso.



Fevereiro de 1986: Sarney libera um fracasso.

por José Esmeraldo Gonçalves 

Foi há 40 anos. Tempos difíceis no começo de 1986 para a liberdade de expressão. A ditadura tinha acabado, mas não seus métodos, viúvos e viúvas. O presidente era José Sarney, um ex-aliado dos militares que se achava intelectual. Ele usou seus podres poderes para impedir a exibição do filme Je Vous Salue Marie, de Jean-Luc Godard, um sucesso mundial. Em Paris, Maurício Gomes Leite conseguiu para a Manchete uma entrevista exclusiva com Godard. Recordemos um diálogo do repórter com o diretor.

- O que você diria ao autor da proibição de Je Vous Salue Marie no Brasil, ou seja, o senhor Sarney?

- Eu responderia que se vosso presidente não gostou do meu filme é porque ele é incomodado por uma compreensão insuficiente do pecado".

No mesmo mês, Sarney voltaria a ser protagonista. Dessa vez, como pecador de um enorme fracasso nacional: o Plano Cruzado. Na verdade, Sarney estava cercado de pecadores originais. Os economistas Dilson Funaro, João Sayad, Edmar Bacha, André Resende e Pérsio Árida. Inicialmente o povo gostou do congelamento de preços. Criou-se figura do "fiscal de Sarney". Logo o plano desandou e a inflação voltou em cifras piores do que antes. A mídia teve um papel vergonhoso e mostrou que entendia bem as influências do poder, mas de economia não sabia nada. Bajulou os economistas e retratou Sarney como o Churchill de M,aranhão ao comandar a guerra contra o dragão da inflação. A Manchete botou Sarney na capa. Chamada: "A vitoria do Cruzado".

Goddard estava certo: Sarney não compreendeu o pecado da inflação. Teria sido melhor para o país se ele em vez de comandar a reunião que lançou o Plano Cruzado fosse ai cinema ver "Je Vous Salue Marie". 


Um comentário:

  1. Aquilo foi uma jogada de mercado, do dia Lara a noite grandes fortunas foram feitas . Deu certo para os corruptos..Não muito tempo depois veio o Collor com a cumplicidade de economistas roubando dinheiro da poupança e por trás fazendo novamente a alegria do mercado essa corrupção institucionalizada no Brasil.

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