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sábado, 31 de outubro de 2026

De Marighella a Janones • Por Roberto Muggiati



Nossas glórias nacionais não se limitam ao samba, ao futebol, à agropecuária e às terras raras. Somos também exportadores de táticas ideológicas. O sequestro de embaixadores no início dos Anos de Chumbo foi um soco no estômago da ditadura. Por trás das brilhantes operações havia o gênio de Carlos Lamarca e de Carlos Marighella e seu “Manual de Guerrilha Urbana”. Numa longa entrevista que fiz com o fotógrafo Sebastião Salgado, ele me contou que escapou de morrer no coração das selvas africanas nas mãos de guerreiros ultrarradicais avessos a qualquer intrusões em seu território. A caminho do pelotão de fuzilamento, Sebastião sacou do bolso traseiro da calça um exemplar surrado do Manual de Marighella e o brandiu aos berros: “Sou amigo do cara!” Foi liberado sob uma salva de palmas.

Cinquenta anos depois – com o planeta superpovoado e dominado pela alta tecnologia – os embates ideológicos assumiram novos contornos. Em meio aos choques violentos que vêm assolando a Europa, a Argentina e a Índia, surgiu – logo no Brasil – um movimento de persuasão calcado nas redes sociais e nas manifestações de rua pacíficas. Quem o criou, no calor da hora, sentindo a necessidade vital de os brasileiros virarem o jogo para Lula, foi o deputado Luís André Gaspar Janones. O “exército” que ele criou em poucos dias arrasou com os adversários atônitos. Seu exemplo está sendo adotado no mundo inteiro e já se fala numa nova técnica/doutrina, o “janonismo” Deu na Folha de S. Paulo: A catalã Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona, pediu aos presentes no comício da Frente Ampla, em Madri: 

“Vamos todos levantar o braço com o L de Lula”. O movimento na Espanha é um exemplo de como a reeleição de Lula deu novo fôlego à esquerda internacional. O premiê Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol parabenizou o petista pela vitória e afirmou que se inspirará nela para frear o avanço de partidos de direita nas eleições gerais do próximo mês. Claudia Sheinbaum, do México, convidou oficialmente Janones para uma visita visando a ações coordenadas para consolidar a esquerda. Na França, o canal L’Équipe de Mélanchon, da esquerda radical para o pleito de 2027, já reúne 50 mil pessoas. Os argentinos criaram o Exército do Peronismo, contra a reeleição de Milei. Nos Estados Unidos, ativistas têm espalhado o método do brasileiro para fortalecer o Partido Democrata.”

Modesto e equilibrado, Janones diz: “A minha trajetória foi de superação o tempo todo. Tive o privilégio de uma vida sem privilégios e a urgência foi a matéria prima da minha construção pessoal.