domingo, 11 de outubro de 2026

2027: o futuro já terminou?

O primeiro clipe da virada do ano da Globo


por Ed Sá

O ano não acabou mas o jornalismo do Grupo Globo já sabe que 2026 é  coisa pra esquecer. A manipulação política de um tosco powerpoint foi um desastre para a reputação de Andréa Sadi, uma âncora que tem sido a maior aposta da Globo News. O ano também foi marcado, e não por acaso, pela decadência e perda de audiência do canal de notícias. As entrevistas dos candidatos a presidente conduzidas por Cesar Trali e Renata Vasconcelos foram em geral medíocres. O jornalismo passou longe daquilo lá. A direção da Globo foi obrigada a intervir para controlar os danos. As redes sociais arrasaram com o desempenho do Tralli. O âncora do JN dividiu com Renata Lo Prete a apresentação das apurações eleitorais. De novo, Tralli foi criticado nas redes sociais Dessa vez, os telespectadores estranharam os risos constantes do âncora. Tudo ele achava engraçado enquanto passeava pelol cenário. Não arriscou análises, ainda bem porque não é sua praia. A audiência achou que ele mal conteve a satisfação pela vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno A cobertura da apuração foi salva pela sobriedade e profissionalismo o da Lo Prete que não embarcou na comédia do Trali. Nos bastidores os comentários indicam que  a Globo cansou de apanhar da CNN e  do UOL, onde aliás brilha  Daniela Lima que foi demitida da Globo após ser criticada no ar pelas crias da casa. 

Fora da política, a Globo também não foi bem na cobertura da Copa do Mundo. Por conta de falha na negociaçãodos direitos de transmissão abriu mão de partidas importantes e acabou cedendo espaço para a Cazé TV, que deitou e rolou. E ainda vive o impacto da revelação da conexão de um dos seus apresentadores, Luciano Huck, com o notório Daniel Vorcaro.  

2027 também ameaça ser um ano para esquecer. Mais do que nunca, a Globo vai precisar cantar na virada do ano a canção "Novo Tempo", de Paulo Sérgio Valle, Marcos Valle e Nelson Mota. O primeiro clipe (o termo não era usual) foi lançado em fins de 1971. Teria sido encomendado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Na época, a esquerda, então encurralada e torturada, tentou timidamente "cancelar" (o termo também não existia então) a canção sob a alegação de que era exaltação à ditadura. Não colou. A música se consagrou e é executada há 56 anos. Apesar da letra do tipo exaltação da felicidade, o Brasil vivia os Anos de Chumbo, o oposto do que a letra cantava. Agora praticamente às vésperas dos Anos de Chumbo Parte II, a musiquinha da Globo pode mostrar de novo um Brasil que não combina com a realidade: "Hoje é um novo dia/De um novo tempo/Que começou/Nesses nossos dias/As alegrias/Serão de todos/É só querer!/Todos nossos sonhos serão verdade!/O futuro já começou!/ Hoje a festa é sua,a festa é nossa"... 

É isso mesmo? E se os eleitores escolherem o Chumbo?

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