por Gonça
Vai como curiosidade. A coluna "50 Anos", do Globo de hoje, focaliza um dos tradicionais almoços que Adolpho Bloch promovia em Lucas, na Frei Caneca e no Russell. Em 1960, os Marinho foram homenageados pelos 35 anos do jornal O Globo. Visitaram a gráfica e viram em funcionamento as modernas máquinas que naquele momento rodavam a Manchete e as demais revistas da Bloch. "Adolpho conduzia o enorme grupo e dava explicações", diz O Globo. Em 1960, a Manchete impulsionava um processo de modernização que a levaria, em cerca de quatro anos, a superar O Cruzeiro, então a maior revista semanal em circulação no Brasil.
O lado anftirião de almoços e jantares do Adolpho atravessou décadas como uma espécie de marca registrada da Bloch. O prédio do Russell, por exemplo, tinha três grandes restaurantes. O exagero motivou a piada, da época: "a Manchete é um restaurante que faz revistas". Mesmo o almoço diário para os funcionários caprichava na variedade da oferta. Comandado pelo chef Severino, era point de bicões famosos, como conta o livro "Aconteceu na Manchete - as histórias que ninguém contou" (Desiderata). Escritores editados ou não editados, cineastas sem filme, pintores sem tinta, atores, atrizes desempregadas, muitos bem conhecidos, visitavam algum amigo nas redações e, assim como quem não quer nada, e por já estar ali na hora do rango, descolavam um empadão de camarão, uma rabada, a feijoada das sextas, macarrão al dente com porpetas...
Durante anos, as refeições foram 0800 para os empregados. Acho que lá pelo final dos anos 70, a gratuidade acabou. Começou a era dos tiquetes que eram adquiridos no DP. Foi assim, sem querer querendo, e bom enquanto durou, que a Manchete se tornou uma espécie de bandejão pioneiro da intelectualidade duranga carioca.