domingo, 1 de fevereiro de 2026

Bolsonaro e o novo escritório do golpe

O novo gabinete do golpe. Reprodução STF

por José Esmeraldo Gonçalves 

Alexandre de Moraes está vacilando. Na cadeia mais socializada do mundo, Bolsonaro  deve estar precisando até de uma secretária tão movimentada é a agenda de visitas. Por enquanto essa agenda  é organizada e liberada pelo ministro do STF. Moraes chega ao seu gabinete e, antes de abrir a pasta de um dos milhares de processos que cuida, deve verificar se há algum pedido do preso para receber alguém. 

E sempre há. 

Carente, o condenado tem mandado listinha de convidados. Quer ver amigos do peito. É a tal da saudade. Em mal traçadas linhas, os bilhetinhos são escritos no verso de cópias da minuta do golpe que Bolsonaro ainda tem esperança de usar. O homem está animado. Outro dia caiu da cama porque sonhou que estava subindo a rampa.

Dá pra imaginar o teor dos bilhetinhos.

 "Nikolas, meu pimpolho, vem me ver, tenho uma coisa pra te contar, Você tem futuro. Vai ser ministro em 2027. Michelle gostou de você". "Tarcísio, dá uma passadinha aqui, vâmo comer um leite condensado juntos". "Roberto Jefferson, pede ao Moraes pra deixar você vir aqui, traz o trabuco, vâmo dar uns tiros  no pátio". "Regina Duarte, quero te abraçar. Me conta das fofocas antigas da Globo. Você vai cuidar do cineminha do Alvorada". "Veio da Havan querido do paletó verde, estou cheio de melancolia. Vâmo montar uma loja no lugar do prédio do STF, é um bom ponto que vai ficar vago".  "Moro, não tenho mágoas, vem despachar aqui. Quero ouvir tua voz de pato, não liga, me faz falta". 

O meliante não tem tempo nem de cuidar das perebas diante do congestionamento de cúmplices à porta da Papudinha. Aliás, entendi a razão do apelido carinhoso: é devido à boa vida que privilegiado leva lá dentro. 

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