quinta-feira, 10 de maio de 2012
Treinando nas Malvinas: o clipe argentino que abala a Olimpíada de Londres
por JJcomunic
Os mais idealistas defendem a "pureza" da Olimpíada e que os Jogos não sejam contaminados pela política. Mesmo assim, nos tempos da Guerra Fria, os Estados Unidos boicotaram a Olimpíada de Moscou e os soviéticos não foram a Los Angeles. Agora, a polêmica é entre a Argentina e a Inglaterra, países cujas relaçõe são são críticas desde a Guerra das Malvinas, em 1982. Agora, o atleta "hermano" Fernando Zylberberg gravou um comercial que mostra seu treinamento... nas Malvinas. O filme destaca a frase: "Para competir em solo inglês, treinamos em solo argentino". Foi o que bastou para incendiar mentes e corações em Londres. Como consequência, Fernando foi cortado da seleção de hóquei na grama da Argentina, mas virou uma espécie de herói no pais. Embora o técnico do seu time tenha dito que o corte não foi motivado pelo filme muito bem feito, aliás.
Veja o filme. Clique AQUI
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Mari Paraiba, a musa "medalha de ouro" da Superliga
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| Maria Paraiba. Seção Happy Hour/Playboy. Fotos: Divulgação |
A nova musa do vôlei, Mari Paraíba, está na seção Happy Hour, da Playboy de maio. Ela diz que está ainda estudando proposta para ser a capa da publicação. O vôlei feminino ainda luta no pré-olímpico para ira a Londres. Mas a Maria sem nem precisar chegar lá já é medalha de outro. i
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Pisou na bola: Messi é acusado de racismo
Pica-Pau vence a corrida de audiência contra a Stock Car
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Renato Sérgio, eu conheci
Década de 70 e acabava de conhecer Renato Sérgio. Já o conhecia de nome. Raul Giudicelli e Roberto Mota repetiam o seu nome a todo o momento. Trabalhava na Revista O Cruzeiro quando vim a conhecer esse jornalista. Sorte minha, porque ele me ajudou e muito a continuar na profissão de chefe de Arte, apelido de diagramador de jornal, revista e livros.
De tradicional família paulista, ostentando barba e cabelo manchados de branco, me lembrava as figuras desbravadoras do selvagem oeste do sertão de São Paulo. Mas Renato Sérgio era o intelectual mais intelectual que conheci. Redator no Jornal do Brasil, na época o melhor jornal do país, e, durante o dia, redator na revista Manchete, ao lado de Carlos Heitor Cony, Paulo Mendes Campos, Roberto Muggiati, Justino Martins; e, na revista Manchete Esportiva, com os editores Zelvi Ghivelder e Ney Bianchi. Vim a trabalhar com essa grande figura como chefe de arte da revista.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Renato Sérgio, lembranças...
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| Renato Sérgio autografa seu livro "Bráulio Pedroso - Audácia Inovadora" para Mauro Mendonça e Rosamaria Murtinho, em 2011 |
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| Manoel Carlos e Renato Sérgio. Arquivo Pessoal |
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| Com os fotógrafos Indalecio Wanderley e Gervásio Baptista. Arquivo Pessoal Renato Sérgio |
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| Com Justino Martins, diretor da Manchete. Arquivo Pessoal de Renato Sérgio |
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| Com Djavan. Arquivo Pessoal de Renato Sérgio |
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| Com Hermeto Pascoal. Arquivo Pessoal de Renato Sérgio |
O humor era preciso, o texto era elegante, o amigo era do peito. Ao longo da sua trajetória em redações como a do Jornal do Brasil, da TV Rio, Tupi, Globo, da Manchete, da Fatos & Fotos, EleEla e outros dos principais veículos do Brasil, o paulistano Renato Sérgio deve ter ouvido muitas vezes que tinha "o texto mais carioca do jornalismo". Não era um chavão, era um elogio. De fato, o texto do nosso querido Renato tinha mesmo essa marca. Digamos, um certo e saboroso jeito carioca de ver a vida. Mas que ia muito além daquele foco singular de quem viveu com intensidade boêmia a Ipanema dos anos 60 e 70. Aí por volta de 1977, trabalhamos juntos na extinta Bloch. Houve um tempo em que a Fatos & Fotos publicava a cada edição uma grande entrevista. Era uma seção especial, como as "páginas amarelas" da Veja. Acho que aquela série de entrevistas deve ter durado uns dois ou três anos. Renato conversava com os principais nomes da cultura. Duvido que tenha ficado alguém de fora. Lembro-me que o texto - de leitura obrigatória para os jovens repórteres da equipe da Fatos & Fotos - parecia um papo entre amigos. Na verdade, o entrevistador era mesmo amigo pessoal de muitos dos seus entrevistados, Tom, Vinicius, Bôscoli, Elis, Boni, Walter Clark, Jô, Nara... Mas só parecia uma conversa entre amigos. Com certeira habilidade, Renato deixava que seus personagens se revelassem. Transformava o entrevistado em um parceiro e o levava a contar aos leitores tudo aquilo e muito mais do que só diria a um amigo muito íntimo. Anos depois, Renato deixou a revista e foi trabalhar na Rede Manchete. Tornou-se roteirista de vários programas. Mas um deles, em especial, me lembrava aquela fase das entrevistas da Fatos & Fotos. Era o "Bar Academia", onde entre canções e diálogos, ele promovia encontros memoráveis e reveladores de gigantes da MPB como Caetano, Gil, Chico Buarque e tantos outros. Em recente conversa, nós nos perguntávamos onde estariam aquelas fitas, foram destruídas, perdidas? Havia alguns tesouros da MPB naquele acervo. Renato falava com saudade do programa. E lamentava que o país e as instituições cuidassem tão mal da nossa memória cultural.
Na última década, o jornalista deixou as redações e se transformou em escritor. Com a mesma criatividade e um texto onde cada frase parecia se encaixar como uma peça de "lego", Renato Sérgio escreveu, entre outras, as biografias de Sérgio Porto, Bráulio Pedroso, Mauro Mendonça e até a do Maracanã. Isso mesmo, uma "biografia", já que a mística do estádio - hoje demolido - nunca esteve tão viva quanto no seu livro "Maracanã, 50 Anos de Glória".
Em 2005, junto com outros colegas da Manchete, tocamos o projeto de um coletânea. A ideia era contar não a história oficial das revistas da extinta Bloch, mas relatar a vida e as vidas que ali passaram, incluindo as nossas. Foram três anos de reuniões, depoimentos, pesquisas em sebos e muita conversa jogada fora até o lançamento do livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou", em 2008. A pretexto de discutir novos projetos, o grupo de autores - eram 16 - tornou aquelas reuniões uma agradável rotina.
Tenho certeza de que todos nós não esqueceremos a sorte que tivemos ao prolongar nesses encontros marcados a convivência com Renato Sérgio.
Até um dia, amigo.
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segunda-feira, 7 de maio de 2012
Ainda falta público para o cinema brasileiro. Vamos prestigiar
Naomi Campbell estréia na TV em cópia de programa famoso
O sertão em tempos modernos
Internet não pode ser utilizada como arma.
por Eli Halfoun
Agora os jornais noticiam que Carolina Dickman, que está sendo agredida como cidadã e como profissional, quer processar todos os sites que incluíram as fotos de sua nudez entre o material (bastante material) disponibilizado diariamente para informação e pesquisa. Entende-se a revolta da atriz, mas ela precisa saber que os sites não são responsáveis pelo vazamento de suas fotos e de sua intimidade: os sites apenas cumpriram o papel jornalístico de utilizar uma informação que nem precisava de apuração porque nada tem de mentira: fotos não mentem mesmo nessa falsificada era do photoshop. É importante (importantíssimo) que Carolina Dickman descubra legalmente como sua intimidade foi invadida e que os responsáveis por esse ataque sejam descobertos e punidos. Nesse caso a punição, qualquer que venha a ser, servirá acima de tudo como um alerta para os que ainda utilizam as maravilhas da informática apenas para ofender e praticar crimes. A internet está aí para nos auxiliar e acima de tudo prestar excelentes serviços. Sua criminosa utilização (como é o casso em questão) é andar com uma poderosa arma na cintura para cometer crimes. Estamos diante de um novo "mãos ao alto" que não nos deixa protegidos nem dentro de casa. (Eli Halfoun)
domingo, 6 de maio de 2012
Em 1985, o repórter Luiz Carlos Sarmento revelou na Fatos a “metodologia” da ditadura: injeções de arsênico, corpos lançados em fornos, “queima de arquivo”... Tudo o que o ex-delegado Cláudio Guerra confirma agora no seu livro “Memórias de Uma Guerra Suja”
por José Esmeraldo Gonçalves
Um agente da ditadura, o ex-delegado do Dops Claudio Guerra, acaba de lançar o livro “Memórias de uma Guerra Suja” (Topbooks). Em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, Guerra, hoje com 71 anos, conta que pelo menos dez opositores do regime militar foram executados e tiveram seus corpos incinerados no forno de uma usina de açúcar no Estado do Rio. Entre outras revelações, garante que o delegado Sérgio Fleury, uma espécie de “muso” dos generais da ditadura, foi assassinado, assim como o jornalista Alexandre Von Baumgarten, como queima de arquivo, a mando dos militares. Guerra joga alguma luz nos porões da ditadura e também na memória de quem conviveu com o repórter Luiz Carlos Sarmento, que morreu em 2005, aos 55 anos.
Em 1985, trabalhei com o Sarmento na Fatos, revista dirigida por Carlos Heitor Cony. A Fatos era um projeto ousado. Tentava dar à Bloch, naquele ano em que se instalava a Nova República, uma moderna publicação de informação, crítica e análise. Algo que não combinava com a “cultura” da casa. Problemas políticos, editoriais e um visível boicote interno abateram a revista em plena decolagem. Foi um cometa jornalístico que durou apenas um ano e meio, como revela o livro “Aconteceu na Manchete – as histórias que ninguém contou”. Mas deixou algumas marcas. Uma delas, a atuação do repórter Luiz Carlos Sarmento, que cobriu o Caso Baumgarten. O jornalista Alexandre Von Baumgarten, que era um colaborador do regime, foi encontrado morto na Praia da Macumba, no Rio, alguns dias depois de ter saído para uma pescaria. Baumgarten chegou a dirigir a revista O Cruzeiro em uma fase de “parceria” com a ditadura, um projeto editorial destinado a “melhorar a imagem do governo”. Para isso, recebeu verbas gordas direto do cofre da viúva federal. A investigação da morte do jornalista se arrastava a cargo do delegado Ivan Vasques. No início, a polícia até localizou e ouviu testemunhas que apontaram para uma linha de investigação que conduzia ao SNI. A reportagem de Sarmento informava que “depois de um início promissor, sob a direção do delegado Ivan Vasques, as diligências começam a esbarrar num labirinto de pistas e suspeitos. O certo é que três pessoas foram mortas por agentes ligados ao sistema de informação e repressão”. O título da reportagem era: “Baumgarten: Entre Verdades e Mentiras, o Caso Ameaça Dar em Nada”. Se a polícia não avançava, entrou em cena Sarmento, que propôs a Cony partir para sua própria investigação. Dizia que tinha boas fontes que o levariam a novos fatos. Cony topou e Sarmento foi a campo. Como trabalharia em várias frentes e teria pouco mais de uma semana para entregar a matéria, dividiu a tarefa com os repórteres Carlos Augusto Pinto, Maria Alice Mariano e Carter Anderson, o fotógrafo Roberto Amorim e os ilustradores Haroldo Zaluar e Paulo Melo.
Os fornos crematórios da ditadura
Coube a ele, Sarmento, percorrer o “roteiro da morte”, onde levantou a “metodologia” da repressão. A mesma que o ex-delegado do Dops, Claudio Guerra, confirma no “Memórias de Uma Guerra Suja”, que fala em corpos incinerados em fornos industriais. Guerra cita uma usina de açúcar. Sarmento descobriu – e Roberto Amorim fotografou – uma fábrica de processamento de farinha de peixe na foz no Rio Suruí, nos fundos da Baía de Guanabara. Ali havia fornos que transformavam peixes em farelo. Os donos das instalações eram militares da reserva. O “marketing” da morte nos anos de chumbo incluiu injeções mortais de morfina e arsênico, atentados que simulavam acidentes etc. A Fatos publicou tudo isso em junho de 1985. Foram dez páginas de fotos e textos que um agitado Sarmento batucou na madrugada do fechamento na velha Remington que tremia a cada ponto e vírgula. O repórter só parava de teclar para morder um pão francês com ovo frito, o hoje mítico sanduíche de pão com ovo, iguaria servida nos fechamentos que inspirou o nome deste blog. A reportagem repercutiu, principalmente entre colegas de outras redações, mas não se pode dizer que foi bem recebida em bolsões de direita na própria Bloch. Ao contrário, a Fatos cavava ali mais um palmo da sua cova. Mas a nossa “popularidade” interna despencou na mesma proporção em que cresceu a nossa admiração pelo saudoso Luiz Carlos Sarmento.
Caso Baumgarten: Código 12, a sigla fatal
Como editor-executivo da Fatos, eu recebia de Luiz Carlos Sarmento relatos diários sobre o andamento da matéria que ele apurava em junho de 1985. A empolgação do repórter contagiava a equipe. Na reta final, com a matéria quase pronta, Cony me pediu que fizesse um complemento sobre a atuação do SNI naqueles primeiros meses da Nova República. Para “contextualizar”, como se diz hoje. Consegui alguns contatos - uma dessas fontes foi passada pelo próprio Sarmento – para reconstituir uma operação em curso, na época. Revelava-se que pouco depois da eleição de Tancredo Neves, agentes do SNI passaram a cruzar o país com o objetivo de recolher documentos arquivados nas assessorias de Segurança e Informação e nos Dops. Eram comandos de “queima de arquivo”. Literal e simbolicamente. Havia pistas a apagar e pessoas a tirar do caminho, eram antigos colaboradores que, por um motivo ou outro, se tornaram “inconvenientes”. Era a hora, por exemplo, de passar borracha ou chumbo sobre traços da Operação Código 12, a famosa aliança entre a Dina chilena, o SNI e serviços argentinos e uruguaios que implantou o terror no Cone Sul em meados dos anos 70. A repressão pretendia afastar até mesmo suspeitas ou indícios correntes de que as mortes de JK, Jango, Lacerda estariam ligadas ao atentado que vitimou o chileno Orlando Letelier. Noutras circunstâncias, suspeitava-se que o Código 12 teria sido aplicado contra a figurinista Zuzu Angel e o delegado Sergio Fleury. Foi essa onda que fez marola nos anos 70, voltou a rolar a partir de 1982, ano da bomba do Riocentro, e se intensificou em janeiro de 1985, que levou o corpo de Baumgarten a uma praia deserta. Se o livro ”Memórias de uma Guerra Suja” traz detalhes que referendam o modus operandi da ditadura, a Fatos, graças a Sarmento, saiu na frente. Vinte e sete anos na frente. Foi o que Carlos Heitor Cony me lembrou em telefonema, ontem. Por isso, o registro neste blog. No mínimo, fica a nossa homenagem a um grande repórter: Luiz Carlos Sarmento, o caçador de notícias.









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