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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

À moda Trump extrema direita brasileira tentou abordar um "perigoso" navio-hospital chinês. A batalha naval dos médicos

O navio-hospital chinês que a extrema direita brasileira queria "atacar". Foto: Divulgação 

Tal qual a jabuticaba há coisas que só acontecem no Brasil, como diz a antiga expressão muito usada nos meios políticos.  Pois só aqui conselhos de medicina são infiltrados pela extrema direita. O fenômeno se acirrou com o lançamento do programa Mais Médicos quando profissionais cubanos foram agredidos em ações organizadas por profissionais bolsonaristas. A extrema direita brasileira é a única do mundo que ainda vive na guerra fria. 

Em 1964, nove chineses em visita oficial ao Brasil foram presos e torturados. Para os serviços  de segurança da recém-instalada ditadura militar os chineses eram "perigosos espiões". Na verdade, tratava-se de uma missão comercial interessada em produtos brasileiros. A comitiva incluía jornalistas e técnicos que analisariam algodão com vistas à importação por Pequim. Certamente eles tinham curiosidades suspeitas como conhecer Ipanema a "capital" da bossa nova, visitar o Corcovado, assistir a um jogo no Maracanã, ir à praia, experimentar caipirinha, brigadeiro outros segredos nacionais. Os gorilas da ditadura torturaram o grupo para saber porque um deles portava agulhas e logo desenvolverá uma teoria: eles se preparavam para envenenar Castelo Branco, Carlos Lacerda e Amaury Cruel, a troika que implantava a ditadura que duraria 21 anos. Sim, as agulhas eram simples instrumentos para acupuntura.

Você acha que isso é coisa do passado? Não para o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro. A diretoria da instituição ficou nervosa diante da presença de um navio-hospital chinês no porto da cidade. Os doutores se agitaram, alegaram que os chineses estariam realizando procedimentos  médicos com brasileiros. Provavelmente roubando rins e fígados. Tudo fantasia. A visita do navio era oficial, amistosa, com procedimentos diplomáticos formais. O navio-hospital recebeu autoridades dos governos federal e estadual que comprovaram não haver qualquer procedimento médico efetuado pela missão. Ainda alarmados os doutores alegaram até a soberania nacional. Curiosamente, já que fazem ações políticas e ideológicas os doutores não protestaram contra interferências do Donald Trump, como taxação unilateral de exportações e ameaças de ocupação militar da América do Sul. Também não é comum o empenho dos conselheiros nos numerosas casos de exercício irregular de medicina levantados pela polícia do RJ. O conselho que quer fiscalizar navio não deveria fiscalizar os falsos médicos? Por enquanto, os doutores só conseguiram entrar para o Febeapá (o Festival de Besteiras que Assola o País). Assim como O Stanislaw Ponte Preta incluiu nessa rubrica dos tolos os imbecis que prenderam os chineses nos anos 1960.