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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O repórter da Manchete que tirou a roupa do Brasil

A edição de Manchete com matéria de Tarlis Batista sobre naturismo em Camboriú.A chamada de capa assinalada. Em tempo: Malu Mader, na mesma revista, enfrentava o desafio da nudez no teatro, nada a ver com naturismo.. 

por Ed Sá

Recentemente, vereadores do Balneário Camboriú, proibiram a prática de naturismo na Praia do Pinho. A notícia remete ao trabalho de Tarlis Batista, o repórter da antiga Manchete que ajudou a divulgar o nudismo e legalizar a prática em pelo menos duas praias: a citada Pinho, em Santa Catarina  e a Praia de Tambaba, próxima da João Pessoa, na Paraíba. Nos anos 1980, Tarlis fez uma série de matérias sobre o assunto. Emplacou sucessivas capas da antiga Manchete e da Fatos & Fotos. Mais do que divulgar a prática nascente, ele impulsionou um fenômeno comportamental. Até então, nudismo no Brasil era associado à vedete Luz del Fuego que ficava pelada na Ilha do Sol, na Baía de Guanabara. O local era discreto, mas a imprensa da época publicava matérias sensacionalistas sobre a vedete. Luz del Fuego chegou a ser presa. O naturismo não se tornou prática coletiva. Coube a Tarlis e suas reportagens divulgar o naturismo sem preconceito. Amplamente ilustradas suas matérias estimularam o naturismo praticado timidamente e apenas por pequenos grupo. Os vereadores catarinenses geraram polêmica, entidades naturistas recorreram à justiça e conseguiram liminar que, por enquanto, cancela o decreto legislativo. A essa altura, o falecido Tarlis Batista certamente já estaria se deslocando para a Praia do Pinho em busca de mais uma capa solidária ao naturismo.