domingo, 13 de setembro de 2026

O cinema costumava mostrar o Brasil como refúgio de bandidos internacionais. Hoje, na real, Estados Unidos é a terra prometida dos fugitivos

Estados Unidos: a terra prometida dos fugitivos brasileiros. Imagem criada por IA (ChatGpt)
segundo instruções do blog Panis cum ovum.

por José Esmeraldo Gonçalves

Houve época de um curioso lugar comum no cinema. Foragidos da justiça invariavelmente se refugiavam no Brasil. Bandidos da vida real, como o assaltante do trem pagador inglês Ronaldo Bigs e o mafioso Tommaso Buscetta deram uma força à criatividade do roteiristas. Na ausência de um desfecho mais original, criou-se o chavão: os protagonistas de roubos milionários no exterior vinham sempre para os trópicos, tal qual aqueles dois,  para usufruir do produto do assalto  

No imaginário de Hollywood e dos estúdios europeus, o destino dos ladrões bem-sucedidos era quase sempre o Rio de Janeiro. Hoje, não mais  Agora, os meliantes se mandam para os Estados Unidos  Na verdade, com Trump, ganham até proteção. Há anos o Brasil pede a extradição de um marginal que montou um "refinaria" cenográfica com o objetivo de lavar dinheiro e sonegar impostos. Permanece livre na Flórida. A investigação do suposto destino final de verbas de algumas emendas parlamentares  e dos muitos milhões de dólares que Daniel Vorcaro entregou ao pedinte Flávio Bolsonaro é dificultada pelas burocracia estadunidense. É difícil apurar se a grana foi parar no bolso de brasileiros homiziados  nos EUA . A PF pediu documentos à produção americana do filme Black Horse e recebeu uma negativa. Tais registros financeiros só serão entregues se a justiça estadunidense ordenar. O que é improvável. 

Por enquanto, então, os nossos bandidos estão sob proteção, tranquilos, confiantes e com a máquina de lavar dinheiro devidamente lubrificada. Se Trump ganhar lá e Flávio Bolsonaro vencer aqui é capaz de Black Horse ganhar até o Oscar.

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