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| A falta violenta do Messi, não punida. Foto: Reprodução FIFA/Epandy |
por José Esmeraldo Gonçalves
A bola todo mundo viu. E o que aconteceu de extraordinário acima e fora da grama? Carlos Heitor Cony, com quem dividi redações - uma delas a da revista Fatos, de informação e análise - costumava usar a expressão "algo há" diante de uma pauta ainda obscura. Também dizem que "algo há" é a senha dos filósofos para abrir a caixa de reflexões. No nosso caso, era apenas uma pergunta jornalística inicial que, às vezes, dava mesmo em "algo", às vezes dava em nada.
Coberturas de Copas do Mundo por grandes veículos comerciais são quase sempre festivas. O evento é o que importa, a paixão, também. Só quando a derrota do Brasil se configurou, entendemos que "algo houve". O trabalho dos repórteres, editores e comentaristas é hoje muito influenciado pela linguagem leve das redes sociais descontraídas e cômicas, a informação recebe tratamento até teatral com repórteres interpretando, muitas vezes, jovens personagens "doidinhos", com irreverência forçada. Faz parte. Os chefões da TV tradicional tentaram convencer os comentaristas mais antigos ou os ex-jogadores analistas a vestir o figurino "moderno". Felizmente vários deles resistiram. O Maestro Júnior, o comentarista mais preciso e lúcido, resistiu à new wave que a Rede Globo tentou impor ao emular a concorrente CazéTV. Fez bem.
Infelizmente, a alguns acontecimentos em torno da Copa não cabia humor. Donald Trump, por exemplo, mostrou que não tinha limites. Em alguns momentos deixava a cadeira apocalíptica de "Dr. Fantástico", de onde incendeia o mundo, para agir como um árbitro. Se alguém pensava que o oligarca da Casa Branca mantinha o foco de trabalho no Irã, Venezuela, Cuba, Brasil, China, Rússia, Europa, tarifas e sanções, estava enganado. Trump surpreendeu ao ligar para o presidente da Fifa, o submisso Gianni Infantino, para pedir o cancelamento do cartão vermelho aplicado a Folarin Balogun. Durante o jogo da ridícula seleção dos Estados Unidos, o árbitro brasileiro Raphael Claus expulsou o atacante estadunidense. Infantino atendeu prontamente ao pedido de Trump (na verdade foi uma ordem). O presidente da Fifa, sendo quem é, não quis um confronto. A jogada que provocou a expulsão ocorreu durante o jogo dos Estados Unidos contra a Bósnia e Herzegovina. O atacante norte-americano Folarin Balogun havia sido expulso após dar um pisão na panturrilha do zagueiro Tarik Muharemovic. Após revisão do VAR, Claus concluiu que foi falta grave, impedindo Tarik de prosseguir a jogada. Trump com toda sua arrogância e "conhecimento" de arbitragem, mandou anular o cartão e a suspensão, para que Balogun pudesse jogar a partida seguinte. O golpe não funcionou porque a fraca seleção dos Estados Unidos foi abatida da Copa ao sofrer goleada da Bélgica. A decisão da Fifa foi o maior escândalo de arbitragem na atual Copa. Trump, na verdade, não entende nada de futebol. A implicância dele, no momento em que tem o Brasil no alvo, como já declarou, foi com o brasileiro Raphael Claus.
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| O jogo do suborno |
Autoridade de um país interferir em uma Copa não é fato inédito. Em 1978, a ditadura argentina botou os coturnos na Copa; Em 1970, a ditadura brasileira mandava na seleção brasileira. Os generais demitiram João Saldanha e controlaram através de terceiros a nomeação de Zagalo e Claudio Coutinho, muitos outros militares assumiram cargos na equipe. No período em que assassinatos de opositores do governo militar "manchava" imagem da ditadura, os controladores da comunicação na ditadura viam na seleção um instrumento para neutralizar as denúncias de torturas em massa nos quartéis. A Argentina, em 1978, também se preparou para usar a Copa como vitrine positiva do país. E, para isso, foi ao extremo. A conspiração futebolística envolveu o Brasil, no caso, como vítima. Os dois países tinham um jogo decisivo pela frente. Inicialmente estava previsto que as partidas seriam disputadas no mesmo horário. Contudo, o jogo Brasil x Polônia foi marcado para a tarde; o da Argentina, contra o Peru, à noite. A seleção brasileira ganhou de 3x1. Com isso, por questões de saldo de gols, os hermanos precisavam ganhar pelo menos por 4x1. A Argentina entrou em campo já sabendo que precisava vencer por tal placar. Ganhou por 6x0 e cravou a classificação. Mais adiante foi campeã do mundo.
A imprensa não era livre na América Latina dominada por ditaduras cruéis. Havia suspeitas de manipulação da Copa de 1978, mas não foram apuradas na época. Anos depois, o jornalista investigativo Ricardo Gotta lançou o livro "Fuimos campeones: la dictadura, el mundial 78 y el mistério del 6 a 0 a Peru". E o sociólogo Juan José Sebreli escreveu "La Era Del Fútbol". A verdade, enfim, foi revelada. Donald Trump, portanto, não inovou. O primeiro americano a interferir em uma partida de futebol foi Henry Kissinger. Horas antes do fatídico jogo Argentina 6x0 Peru, ele e o ditador Videla foram ao vestiário do Peru. Uma visita de "cortesia", mas os jogadores entenderam o significado. Longe dali, outra ditadura havia preparado o terreno do suborno. O então integrante da Junta Militar do Peru, o general Francisco Morales Bermúdez, era aliado das demais ditaduras da América do Sul, criadas e manobradas pelo Departamento de Estado. Kissinger deixara o cargo de Secretário de Estado em 1977 e assumira a presidência do conselho de uma obscura entidade, a North American Soccer League (NASL). Com esse crachá, o americano circulava nos bastidores de Copa ao lado de Videla. Estima-se que a delegação do Peru recebeu carregamentos de trigo além de "grãos" verdes de dólares. Houve suspeitas em cima, principalmente, do goleiro do Peru, Queiroga, um argentino naturalizado peruano. Toda a história foi apagada durante décadas, mas graças a Gorra e Sebrelli não ficou esquecida.
Nesta Copa 2026, há digitais na CBF de pelo menos uma pessoa com ligações políticas. Trata-se de Francisco Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes. Segundo a colunista do UOL Thais Bilenky, Francisco é o cartola mais poderoso da CBF. É vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol, tem direito a voto na assembleia da CBF e é o único brasileiro membro do comitê disciplinar da FIFA. O colunista Lauro Jardim, do Globo, revelou que Francisco Mendes teria dito a diversos interlocutores durante o Gilmarpalooza, como é ironicamente apelidado o evento jurídico tradicionalmente promovido por Gilmar Mendes, em Lisboa, a frase nem um pouco enigmática: "Quem convocou Neymar fui eu". Com a derrota para a Noruega e o vexame da escalação de Neymar no bota-fora da seleção de uma Copa para esquecer, é provável que o Mendes "junior" não queira o seu nome associado ao desastre de Nova York/Nova Jersey.


Argentina tem três copas. Só a de 2922 não foi polemica. Em 78 houve esse suborno . Em 82 A Argentina só foi à final graças ao famoso e não marcado gol.de não de Maradona.
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