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domingo, 11 de janeiro de 2026

Já ouviram falar em “poluição demográfica”? • Por Roberto Muggiati


A explosão demográfica do verão carioca.
Foto: Agência Brasil

A Terra tinha 2 bilhões de habitantes quando eu nasci em 1937. Quando eu fizer 90 anos, terá 8,4 bilhões – ou seja, estará a caminho de um crescimento de quatro vezes e meia. Não é um dado alarmante, mas otimista: esta bolinha de gude abarrotada de formiguinhas navegando pelo espaço sideral ainda funciona... Mal, mas funciona!

Orgulha-me ter formulado o conceito (“poluição demográfica”), se fosse sociólogo estaria consagrado, mas sou apenas um jornalista, um mero curioso profissional. Atrevo-me a ir além, fundindo as teorias de Thomas Robert Malthus (1766-1834) e Charles Robert Darwin (1809-1882) – meus dois semixarás! 

Sim, as teorias do aumento exponencial da população e da seleção natural das espécies continuam de pé. Já vimos ingerindo há décadas raspas metálicas e micropartículas de plástico que nosso organismo se habituou a eles, às custas do câncer de alguns ancestrais. 

Diante disso, seguiremos enchendo o planeta de filhos e de lixo, perpetuando a espécie até que alguma catástrofe natural nos varra da galáxia honrando-nos com um destino digno igual ao dos irmãos dinossauros.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Poluição demográfica: “Eu sou um de oito bilhões! ” • Por Roberto Muggiati

 

Aglomeração distópica no lazer. Reprodução Instagram 


Deu no jornal na última terça-feira que em novembro a população do planeta ultrapassará os 8 bilhões. Em novembro estarei com 85 anos de idade. Portanto, só no meu modesto tempo de vida, este pequeno geoide teve sua população aumentada quase quatro vezes! 

Há algum tempo criei um conceito que, se não repercutiu nos meios acadêmicos, deve ter sido por causa do Efeito Groucho Marx (“Eu jamais entraria para um clube que me aceitasse como sócio...”) Tenho a certeza de que é um conceito sólido que tem tudo a ver com as mazelas sócio-políticas do nosso tempo: a “poluição demográfica”. 

Considero-me até um otimista, acho um milagre que a nave Terra ainda não tenha explodido. O excesso de gente se acotovelando pelas ruas – por necessidade de sobrevivência correndo atrás do leite das crianças, ou pela busca insana do prazer nas baladas da noite – é um espetáculo atroz. 

A esta altura me vem à cabeça aquela fala esperta e urgente: “Parem o mundo, eu quero saltar fora!” Muitos já a ouviram, poucos sabem a origem. É o título de um musical de sucesso dos autores ingleses Leslie Bricusse e Anthony Newley, Stop the World – I Want to Get Off, lançado em Londres em 1961 e que depois fez sucesso na Broadway. Segundo o pianista Oscar Levant, o título foi inspirado num grafito. Ah, a sabedoria dos anônimos.

O lado bom da pesquisa da ONU que anunciou os 8 bilhões para novembro é que, pela primeira vez em meio século, graças à Covid, a expectativa de vida no mundo caiu de 72,8 anos para 71 anos. No Brasil a queda foi ainda maior, de 75,3 para 72,8 anos. Segundo esses critérios, estou com o saldo devedor, melhor ficar quietinho no meu canto...