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quinta-feira, 25 de junho de 2026

A TV e as bets batem bola na cobertura da Copa do Mundo. E o jogo é bruto.

por José Esmeraldo Gonçalbes

A CazéTV está no centro de polêmicas. Uma é a divulgação em massa de jogos de azar, as famigeradas bets indutoras de endividamento e da falência pessoal de milhares de brasileiros. Outra é a avaliação por parte da FIFA da possibilidade de negar ao canal a compra de direitos televisivos da Copa do Mundo de Futebol de 2030 com sede em Portugal, Espanha e Marrocos. 

A entidade considera problemático o fato de a LiveMode, proprietária da Cazé TV, ser ao mesmo tempo compradora, revendedora e exibidora dos direitos televisivos do torneio. Segundo publicou o portal Notícias na TV, a FIFA vê conflitos de interesses no modelo de negócios da LiveMode. Além disso, a Live Mode compartilharia investidores com a FFU (Liga Forte União) uma das associações que reúne os principais clube do futebol brasileiro. Tudo indica, no caso, que a FIFA vai jogar no contra ataque quando sentar à mesa de negociação dos direitos de transmissão do próximo Mundial de futebol masculino.  

Outro problema para a CazéTV é a enorme divulgação das bets de apostas na forma de merchandising ao longo da cobertura da Copa. A audiência do canal atrai muitos jovens e frases do tipo "jogue com moderação" não são suficiente para afastar esse público sensível da jogatina desvairada. A sociedade civil já se organiza para combater as bets, campanha que não será facil. As empresas que administram tal jogo de azar atuam com poderoso lobby junto ao Congresso e são grandes anunciantes da mídia em geral e dos canais de TV e patrocinadoras master de campeonatos e de clubes de futebol. Celebridades como Neymar e Galvão Bueno, além de dezenas de influencers fazem propaganda da jogatina. Do outro lado, um grupo de artistas está em campanha contra as bets e os danos que causam à sociedade especialmente faixas de baixa renda. A Polícia Federal teria identificado que as algumas empresas que exploram o jogo chegariam a pagar uma espécie de bônus pelo lucro em cima de perdedores que os influenciadores atraem com seus prestígio . Indagado sobre a sua associação com as bets, Cazé limitou-se a uma resposta cínica: "é do modelo de negócios". 

De fato, é um "modelo de negócios" sombrio que atrai gigantes da comunicação como o grupo Globo que é sócio da MGM em uma operadora de apostas. 

Desde 2023, uma lei federal regulamenta a atuação das empresas de apostas on line. O lobby das bets influenciou o teor da lei e o documento acabou deixando brechas para a operação de apostas ilegais.  Durante as coberturas jornalísticas da Copa em curso a publicidade da jogatina é intensa. E tem irregularidades. O Código de Defesa do Consumidor determina que a propaganda de um produto que só fala das qualidades e não relata o risco é abusiva. 

É precisamente o que a TV faz o dia inteiro.