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| Em vez do ridículo Vai, Brasa, melhor torcer por um Vai, Bola. É vó que a seleção precisa. |
Muito antes das redes sociais, o futebol da seleção brasileira ocupava as páginas esportivas e também batia uma bola com as colunas de fofoca. Nos anos 1950, estrelas da Rádio Nacional eram vistas nas imediações da concentração. A "Candinha" se encarregada de divulgar. Uma dessas colunas vazou a informação de que, em 1959, durante uma excursão do Botafogo, conheceu melhor uma sueca. O tempo se encarregou de confirmar: a loura engravidou do ponta direita. Outra grande bomba, também envolvendo o genial Garrincha, surgiu começo da década de 1960, quando o Brasil se preparava para a Copa do Chile. Dessa vez, a fofoca mobilizou toda a imprensa. Garrincha se separou da esposa para viver um romance tórrido com a cantora Elza Soares. O"caso" resultou no segundo casamento do jogador.
No anos 1970, a seleção foi militarizada pela ditadura. Mesmo assim, os craques davam um jeito de escapar para festas mexicanas. Mal não fez, o time trouxe o Tri. Em 1998, na Copa da França, o charme da romântica Paris aqueceu corações. Alguns jogadores alugaram casas para mulheres e namoradas. O problema é que não dispunham de muito tempo para acompanhá-las. Daí surgiram especulações sobre supostos acompanhantes não futebolísticos. A fofoca chegou à imprensa.
A Copa de 2006, na Alemanha, foi a primeira com a presença embora ainda restrita das redes sociais e sites jornalísticos. A informação passou a circular com maior rapidez, incluindo fotos de baladas quentíssimas em boites na Suiça, onde a seleção fez uma preparação antes de ir para a Alemanha e, depois, durante as folgas generosas que os treinadores concederam, a turma se mandava para Dusseldorf para confraternização com louras da Baviera.
Essa Copa dos Estados Unidos, México e Canadá promete. O treinador Ancelotti vai precisar de toda a autoridade para lidar com um fator externo difícil de controlar.
Se há uma coisa que as redes sociais gostam é de polêmicas, quaisquer polêmicas, as falsas e verdadeiras. A seleção já convive com uma poderosa chatice: a pressão para levar Neymar.
Há um lobby poderoso que tenta impor a convocação de um jogador fora de forma física e técnica. Alguns jornalistas defendem uma tese esdrúxula. A de que Neymar deve ser convocado nem que seja para jogar 30 ou 40 minutos e "resolver" uma partida. Isso é desprezar a potência de seleções como as da França, Croácia, Espanha, Marrocos, Senegal e Inglaterra. Achar que o Brasil pode se dar ao luxo de levar um Neymar para jogar minutos é irresponsabilidade ou motivação impulsionada, muito impulsionada. A campanha por Neymar só traz instabilidade à seleção. Ainda por cima apareceu a polêmica do slogan idiota, a tal do Vai, Brasa.
Ancelotti não esperava que o principal adversário a enfrentar nesse período final de preparação seria um fantasma, Neymar, que não atua em sequência profissional de alto nível há cerca de três anos. O jogador é apoiado por uma tropa de bajuladores montados em uma campanha pesada nas redes sociais. Triste ver que há ex-jogadores torcendo pela desgraça, algo como a seleção voltar cedo para casa. É uma tremenda falta de respeito com os atletas que se preparam para a Copa. Copa, aliás, onde Neymar, em três edições, ainda não foi capaz de "resolver" em minutos como prometem seus defensores. Em 2014 jogou cinco partidas, em 2018 outras cinco, em 2022, apenas três. Lesionou-se durante os três mundiais.

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