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| Na capa da Carta Capital. Fim de festa ou paranóia? |
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| Lembra do filme A Bolha Assassina? É dos anos 1980. Vem aí uma bolha ainda mais aterrorizante. |
por José Esmeraldo Gonçalves
A capa da Carta Capital dessa semana mexe indiretamente com um antigo drama do mercado jornalístico que vitimou muitos profissionais cariocas e paulistanos.
Entre 1994 e 2000, os jornalistas do Brasil (na verdade do mundo, mas vamos ficar na nossa paróquia) embarcaram em uma nave tecnológica que parecia abrir novo e bem remunerado mercado.
No nível de editores, redatores e repórteres, o chamado chão da fábrica, o efeito visivel era o de melhores salários e criação de novas empresas além do tradicional mercado de jornalões e revistas impressas. No Rio, muitos colegas trocaram empregos que pareciam estáveis, apesar da remuneração mediana, por postos na "nova mídia". Para muitos e em curto prazo o salto trouxe bons salários seguidos de uma frustrada esperança. Houve injeção inicial de capital, surgiram veículos como o jornalístico N.O, sites importados, os primeiros portais de e-commerce, o feminino Obsidiana, por exemplo, se instalaram no Brasil. Vieram sites de busca, quem lembra do Aonde? E do Bookmarks?
Em cerca de dois anos ou um pouco mais, o retorno do capital frustrou especuladores. No nível dos investidores, deu-se a fuga.
Naquele tempo o público não interagia intensamente com as redes sociais. A palavra influenciador não tinha ainda o sentido digital avassalador que viria a incorporar. Os algoritmos, essa poderosa mira telescópica que localiza e seleciona leitores e clientes, ainda não estava efetivamente à disposição da publicidade. Os smart phones só ganharam recursos práticos e massificados após a bolha das empresas ponto com como eram então chamadas.
A briga pelo novo mercado era de cachorros grandes. O problema: o otimismo estava à frente do tempo real do digital. Ninguém imaginava que só em poucos anos, talvez cinco ou seis, a realidade acelerada abriria de fato mercados mais consistentes. Mas o capital queria resultados imediatos e tirou o time de campo. A bolha se esvaziou e levou pequenas e grandes empresas. No mundo, trilhões foram pelo ralo. Houve quem tomasse decisões certas em meio ao caos financeiro. O Google, por exemplo, só colocou suas ações na Nasdaq, a bolsa das novas tecnologias, em 2004 quando já era possível ler as lições da tempestade.
A nova e possível bolha é diferente. Provavelmente não atingirá de médias empresas para baixo. O impacto virá de cima. Um míssel financeiro que alguns economistas definem como devastador. A Inteligência Artificial é cara e voraz em energia e água para manter enormes bancos de dados. Ao fazer uma busca simples, você movimenta uma quantidade de eletricidade e água potável suficiente para neutralizar muito do esforço do planeta feito até agora para diminuir o consumo de combustíveis fósseis. Tudo isso custa dinheiro.
E que vai pagar a conta? Analistas dizem que os cobradores já estão batendo na porta. O problema da IA é equacionar a enorme despesa com o retorno dos trilhões de dólares investidos. Como e quando a IA vai se pagar se as cotações estão super dimensionadas? Nem a IA é capaz de responder. Pense bem: quem paga toda a movimentação quando você faz um meme engraçadinho ou manipula fotos, áudios e vídeos usando a IA? Tem certeza que apenas a mensalidade de um aplicativo qualquer paga toda a conta?
A Carta Capital, assim como vários veículos de economia, levantam a questão. Procure ler sobre isso. Vai reduzir a voltagem do susto quando o susto vier.


Essa e uma preocupação de economistas conceituados. Os investimentos na IA são especulação. A crise terá impacto no economia mas os de sempre ganharam bilhões
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