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terça-feira, 24 de março de 2026

Mídia - A cartolina sem-vergonha

 

O powerpoint vergonhoso e...

...o pedido de desculpas que não corrige a grave
fake news de Andrea Sadi (Globo News).
Imagens Reprodução You Tube


por José Esmeraldo Gonçalves

O grupo Globo tem um histórico de manipulação dos fatos em interesse próprio e do seu espectro ideológico. Um padrão que se repete ao longo das tramas políticas do país. Apesar disso, há espaço para
 surpresas em nível ainda mais baixo. A desonestidade jornalística aparece nos momentos críticos e deixa marcos no caminho: participação em golpes, manipulação de debate presidencial, juiz de força-tarefa ilegal como pauteiro, abuso e uso dirigido de fontes anônimas...    

Nos últimos meses, a Globo News tem passado por aparentes reformulações e trocas de nomes orientadas por uma correção de rota ditada pelo horizonte eleitoral. A bússola corporativa aponta para clara trajetória à extrema direita. A Globo sinaliza proximidade com a direita bolsonarista radical. Com o avanço da campanha eleitoral a estratégia se tornará gradualmente mais evidente, assim como ficará provado que não existe a direita "moderada" que os comentaristas do canal evocam. Um deles já declarou que a "terceira via" não tem espaço.  

O tosco powerpoint apresentado pela âncora Andrea Sadi já se coloca como um dos mais baixos recursos da mídia hegemônica já levados a público e sem que ninguém ficasse ruborizado. A explicação: o jornalismo da Globo busca uma Lava Jato parte 2 para pontuar a campanha eleitoral. O escândalo do Banco Master é a oportunidade ideal. Mas há um problema, a direita está atolada até o pescoço no mega esquema de corrupção montado por Daniel Vorcaro. Perante a opinião pública, a Globo achou necessário lipoaspirar do escândalo os principais nomes do bolsonarismo e do Centrão. Todos os potenciais candidatos vistos com simpatia pelo canal surgem dessa mancha política. Daí o objetivo do grotesco powerpoint do programa Estúdio I. O troço é rudimentar, há trabalhos escolares de concepção bem mais elaborada, mas cumpriu a função de desenhar a mentira conveniente. 

Existe sala de "estado maior" na ABI para jornalistas que produzem fake news "investigativa" com objetivos eleitorais? Profissional que faz isso não deveria ser submetido a um controle de carga temporário para aprender a cumprir os princípios básicos do jornalismo? Deveria. Infelizmente, outras cartolinas surgirão no ano eleitoral atropelado por uma legislação fragilizada e lenta  
diante da voracidade dos canais e das redes sociais.

A decisão de expor o powerpoint não foi apenas da Sadi, ela não tem patente para tal, mas a Globo optou por retirar a escada e deixar a âncora pendurada na broxa do desmentido patético. Em todo caso, não demora muito alguém contribui com a memória jornalística e vaza as circunstâncias da construção eleitoreira da fake news da cartolina.