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| Ônibus sequestrados em Salvador com o objetivo de impedir eleitores de chegar à urnas. Operação foi orquestrada por autoridades aliadas de Flávio Bolsonaro. Imagem Reproduzida da TV Aratu |
por José Esmeraldo Gonçalves
O ministro Nunes Marques não pode ser responsabilizado por esconder suas intenções golpistas. Suas decisões como presidente do TSE foram transparentes, deram todas as pistas. Há meses tornou-se público que o PL apostaria no caos jurídico. O bolsonarismo estava instruído para praticar litigância de má fé. O objetivo era um ganha-ganha para tumultuar trâmites legais. Ou seja: se vencesse ou perdesse suas ações, o PL e a mídia tradicional aliada à direita, tirariam proveito. Quaisquer decisões dos tribunais seriam apontadas como "perseguição" jurídica à candidatura de Flávio Bolsonaro. A tática era levantar dúvidas quanto às instâncias da "ditadura" brasileira segundo o rótulo que a família Bolsonaro leva a Donald Trump. A estratégia golpista da extrema direita brasileira englobava uma ofensiva nacional na logística de transporte e na violência generalizada contra adeptos da canditadura de Lula. Em alguns casos o estilo miliciano se revelou como um "aperfeiçoamento' da atuação da Polícia Rodoviária Federal nas as eleições de 2022 quando foram instaladas barreiras rodoviárias para impedir a chegada dos eleitores não bolsonaristas às urnas. Dessa vez pararam a frota de ônibus na origem, as garagens de algumas cidades. Ficou claro que a estratégia da candidatura da família era o golpe sob novo figurino Tudo iria bem para Flávio antes de multidões de brasileiros tomarem as ruas. Quando detectou o risco da derrota, a milícia bolsonarista acionou o golpe sujo. Houve casos de interrupção de transporte aéreo e rodoviário com o objetivo de manter certo tipo de eleitor, o do PT, longe da urna. O TSE ignorou ou foi cúmplice dessas vergonhosas etapas. Omisso, em parte, porque Nunes Marques, nomeado por Jair Bolsonaro, tomou decisões selecionadas e escandalosas como tentar fechar canais como o do Exército de Lula, poderoso vetor de comunicação da campanha petista. Uma coisa é certa: a extrema direita revisou sua estratégia de golpe e tentou lançar o respeitado sistema eleitoral brasileiro caos. Nos últimos meses, infelizmente, a República Miliciana mostrou suas armas e seus poderes. O que vai acontecer no novo governo Lula dependerá mais do que nunca do povo. Lula deve essa vitória ao povo, não às composições e alianças políticas, nem à nomeação de ministros em troca de apoio no Congresso. O perigo miliciano- bolsonarista não desaparecerá. A extrema direita tem maioria legislativa. Lula vai precisar ser autêntico e forte como diz a canção Divino Maravilhoso de Caetano e Gil. O presidente deve parar de se submeter ao baixo jogo político e voltar à sua biografia de líder popular. Essa foi a menagem das ruas. A reaproximação com o povo é a chave e a segurança do seu quarto governo. E que o povo volte às ruas sempre que os bolsonaristas retomarem tentativas golpistas.
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| Na Cinelândia, palco histórico da política, os cariocas festejaram a vitória de Lula que livrou o Brasil da "República Miliciana". |

