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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Em cartaz no Bananão, como dizia Ivan Lessa. Assalto a dados fiscais e paródia de Watergate. A palavra da semana é... Vazamento!.

 

Vazamento negociado? Quem é o "encanador"? Reprodução RS

por José Esmeraldo Gonçalves 

O Caso Watergate ensinou que vazamento você sabe como começa mas não como termina. Aliás, o grupo que invadiu um escritório do Partido Democrata em 1972 era autodenominado "encanadores". Os parças de Richard Nixon eram profissionais em espionagem, queriam canalizar para a Casa Branca o maior número de informações sobre a oposição e filtrar para uso político tudo o que fosse comprometedor. O objetivo era instalar grampos telefônicos, microfones ambientais e fotografar documentos. 

O comando da operação criminosa cometeu uma série de erros banais. Os aloprados de Nixon deixaram pistas. Esqueceram de tirar as fitas adesivas que usaram para impedir fechamento automático de portas; uma das entradas não abriu e acabaram quebrando uma janela; o encarregado de receber um aviso caso alguém desconfiasse do arrombamento e chamasse a polícia baixou o volume do walkie talkie e não percebeu o alerta. Resultado, os criminosos republicanos foram presos em flagrante.  

A palavra mais usada na mídia política brasileira nessa semana pós-carnaval é "vazamento". Há "encanadores" suspeitos  de acessarem dados fiscais de ministros do STF. O caso é investigado pela Polícia Federal a partir da Receita Federal. 

As semelhanças param aí. O escândalo estadunidense foi desvendado por Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas investigativos do jornal Washington Post após minuciosa apuração. A série de reportagens históricas levou à desmoralização e posterior renúncia de Nixon. 

Já na farsa brasileira  de espionagem política surge a suspeita de que jornalistas e veículos da imprensa corporativa estariam mais para "encanadores" do que para repórteres ou colunistas. Não há comprovação dessa suspeita que também é investigada. 

O assalto digital aos dados dos ministros é mais uma etapa de uma ofensiva aberta contra o STF nas sombras das medidas tomadas contra o ainda poderoso Banco Master, o liquidado mais ativo da paróquia. O ministro Toffoli foi obrigado a deixar a relatoria do caso após uma sucessão de trapalhadas e o ministro André Mendonça assumiu o cargo. 

Enquanto a investigação prossegue, a mídia não dá trégua aos ataques ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes, muitos deles baseados em fontes anônmas. Com o "encanadores" em ação, o "watergate" brasileiro, um afluente que deságua no pântano do Master, tem tudo para acabar em paródia de má qualidade.