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quinta-feira, 23 de julho de 2026

FIFA abre investigação sobre a violência dos jogadores argentinos ao fim da vitória da Espanha e às agressões racistas da torcida nas arquibancadas e nas ruas do Estados Unidos durante a Copa. A única e justa sentença que a FIFA pode dar aos preconceituosos é proibir o país de disputar a Copa de Mundo de 2030

Torcedor argentino que se acha o ser humano mais perfeito da face da terra faz gestos racistas na arquibancada. Curiosamente, entre tantos lugares , ele escolheu ficar bem próximo à razão uniformizada do seu descontrole emocional. Freud explica?;
Foto Ishowspee/You Tube/Reprodução

por José Esmeraldo Gonçalves

Argentinos "festejaram" nas arquibancadas e nas ruas de várias cidades a escalada do racismo em gestos, gritos de guerra, agressões, violência e canções ofensivas. Houve brigas em Nova York, Rio, Búzios e Camboriú. A Copa do Mundo mostrou nos estádios que as medidas da FIFA são insuficientes ao ponto de um árbitro ignorar um gesto protocolar de um integrante da comissão técnica do Egito exatamente para denunciar episódio de intolerância. Desde sempre a Argentina é uma espécie de campo livre para o racismo. O país praticou uma política odiosa de extermínio da população de negros e praticou segregação de indígenas em regiões remotas. Mesmo assim e  miscigenação resistiu e é visível, principalmente fora de Buenos Aires, até em torcedores racistas. Em Mendonza, por exemplo, a apuração genética indica 46,80% de ancestralidade europeia, 31,60% indígena e 21,50% africana. Estatísticas de DNA da linhagem materna colhidas em 2004, apontaram, que 56% da população total da Argentina possui DNA ameríndio. O percentual de negros é de pouco menos de 5% em virtude do brutal assassinato em massa de pessoas de origem africana.   

Ao contrário do Brasil, exemplo para o mundo, a violência racial na Argentina, tanto verbal quanto física, não é criminalizada. Os seus torcedores consideram natural propagar o exemplo degradante do preconceito levado às ultimas consequências. 

Nas transmissões oficiais das partidas geradas pela FIFA as imagens de racismo foram cortadas. Assim como só a partir de gravações independentes captadas por espectadores circulam agora as imagens da barbárie argentina contra jogadores espanhóis ao fim do jogo. Alguns atletas mais tresloucados pareciam bandidos tentando linchar oponentes. Isso sem contar a violência durante a partida, caso do Paredes que tentou quebrar o espanhol Cucurella. A propósito, as atitudes de Paredes justificariam sua escolha para exame antidoping. Pelo que foi divulgado, houve exames em jogadores da Tunísia e verificação surpresa na seleção brasileira em pelo menos um atleta sorteado, sem registro de ocorrência. Não há informações oficiais sobre testes em jogadores argentinos ou de outras equipes. 

Não havia razão para a vice-campeã agredir a Espanha campeã. Só se o motivo foi a própria frustração após a seleção de Messi amarelar em campo no tempo regulamentar e na prorrogação.  

Os ataques racistas deixam claro que o futebol precisa de controles mais rígidos sobre a intolerância. Na América do Sul, a Comenbol tem que se mexer. Não cabem mais apenas "campanhas educativas".

 Pressionada e provavelmente envergonhada, a FIFA abriu uma investigação sobre as agressões racistas. Uma punição possível seria a exclusão de torcedores argentinos da Copa de 2030. Ou até cancelar a Argentina como uma das sedes sul-americanas de uma partida da Copa de 2030. Como se sabe, Espanha, Marrocos e PortugaL sediarão o mundial. Em comemoração aos 100 anos da Copa do Mundo da FIFA, Uruguai, que foi seleção campeã e sede do primeiro torneio em 1930 e a Argentina como vice- campeã na mesma edição terão uma partida cada um. O Paraguai, sede da Conmebol, concorreu a receber o próximo mundial, mas foi derrotado, terá um jogo como prêmio de consolação. 

Agora, imaginem o tamanho da encrenca: se a  FIFA e os respectivos governos não criarem leis, como Brasil já fez, para vencer a intolerância e levarem definitivamente a sério o combate ao racismo no futebol, o Cone Sul, por ocasião desses jogos, vai virar um imenso octógono de UFC.  

Em 1996, o jornal Olé usou apelido racista para ofender o Brasil e a Nigéria que disputavam vaga no torneio de futebol olímpico: um dos dois seria o adversário da Argentina. 

Se nos Estados Unidos adotaram comportamento aloprado, imaginem quando o palco de luta for em casa. Não basta a atuação da FIFA. A mídia esportiva  precisa se engajar na luta permanente contra o racismo. Os jogadores também. Se nem todos agem como marginais da "supremacia branca", não se ouviram vozes de jogadores criticando torcedores racistas. Messi, idolatrado pelos compatriotas, não usa sua influência nem mesmo para dizer que não concorda com o comportamento dos seus torcedores. Há casos de jornalistas portenhos que relativizam episódios de racismo. Alguns veículos até normalizam o racismo. Caso absurdo do tabloide Olé, que pertence ao grupo Clarín, o maior conglomerado de mídia do país. Em 1996, o jornal estampou na primeira página a palavra "macaco", principal slogan ofensivo usado pelos do argentinos racistas. Naquele momento, Brasil e Nigéria disputavam o direito de enfrentar a Argentina nas finais do torneio de futebol olímpico. O ataque do jornal racista foi inútil. A medalha de ouro foi conquistada pela Nigéria ao vencer o Argentina por 3x2. Quanto ao Brasil, derrotou Portugal por 5x0 e ganhou o bronze.