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segunda-feira, 31 de março de 2025

Pela primeira vez, a seleção brasileira vai precisar de um milagre de Jesus

por Niko Bolontrin

A seleção brasileira já foi o paraíso dos técnicos de futebol. Todos sonhavam em comandar o escrete, como a crônica esportiva chamava então. Houve uma época que era o melhor emprego do mundo. Dizem que Fiola dormia enquanto Pelé, Nilton Santos e Didi comandavam o jogo. Foi acordado para receber a Jules Rimet em 1958. Aimoré Moreira não dormia na beira do campo mas herdou o timaço que trouxe o bi em 1962. Foi ao Chile só distribuir as camisas. Aqueles times não precisavam de "professor" nem de "mister". Havia um mestre em cada posição .  

Falando sério: Zagallo teve pouco a ver com o Tri de 70. Foi escalado pela ditadura e ganhou o salário fazendo quase nada. Não havia necessidade. As feras do Saldanha se reuniam no hotel na véspera e determinavam o jogo, enquanto capitães e almirantes da delegação curtiam tequilas patrióticas. Em 1994, Romário, Bebeto e Tafarel garantiram o título para Carlos Alberto Parreira.    

Em 1998, faltou união e reunião dos jogadores para barrar Ronaldo Fenômeno, um convalescente recém-saído de um hospital francês. Difícil: naquele vestiário não havia jogador com voz e personalidade para fazer o treinador tremer e decidir pelo óbvio: Ronaldo estava incapacitado. E Zagallo não teve coragem de barrar o número um da patrocinadora Brahma. Em 2002, Luiz Felipe Scolari, o Felipão, tirou a sorte grande: Ronaldo em mega forma, Rivaldo, Ronaldinho... 

A partir de 2006, com Parreira todo enrolado na Alemanha e os jogadores esbanjando dias de folgas,  a seleção tornou-se um fardo difícil de carregar. Dunga fracassou na África do Sul em 2010. Em 2014, o vexame dos 7x1 com aassinatura do Felipão; 2018, desastre teu nome é Tite; em 2022 Tite (o popular Adenor Bachi) era verborágico nas coletivas, parecia o Einstein explicando a Teoria da Relatividade, e confuso na beira do gramado. O novo futebol passou na janela e Adenor não viu. Mas era o queridinho dos jornalistas da Globo. 

Na semana passada, a propósito do vexame da seleção diante da Argentina, um jornalista do UOL, ex-Globo, ao analisar a falta de comando do treinador Dorival Junior, citou Tite como um "injustiçado". Leva pra casa, mano.  Tite não foi injustiçado, Tite teve chances mas não passou no Enem do futebol por duas vezes. Simples assim. 

Ano que vem tem Copa. Por enquanto o Brasil está uma tremenda bolinha e sem treinador. Dorival Júnior se manteve por apenas 445 dias e uma noite de pesadelo ao sofrer goleada (4x1) da Argentina. 

A CBF tenta agora trazer Jorge Jesus.  O português terá a difícil missão de pausar os 23 anos em que o Brasil sofre um duro jejum de título de campeão de Copa do Mundo. Só Jesus para a seleção evitar quebrar o recorde negativo anterior: os 24 anos entre 1970 e 1994 sem botar a mão na taça..    

 

domingo, 26 de dezembro de 2021

Jorge Jesus é o D. Sebastião do Flamengo

D. Sebastião, quem diria, inspira
a frustração do Flamengo 
por Niko Bolontrin 

O Flamengo virou "ovelha" eterna do "pastor" Jorge Jesus. A relação entre o treinador e o time carioca é religião. Jesus é o guru, o "pai" Jesus. 

A Gávea disparou emissários  à Europa para convencer o português a inflar as velas da sua caravela e cruzar os mares até o Ninho do Urubu. Apesar da santa cruzada, o Flamengo não encontrou Jesus.

Curiosamenrte, a atual saga flamenguista lembra um fato histórico. Assim como Jorge Jesus, D.Sebastião, Rei de Portugal e Algarve, era conhecido como "O Desejado". Os portugueses o amavam. Se pudessem cobririam as ruas de toucinho do céu para vê-lo passar. Mas D.,Sebastião pisou foi num bacalhau vencido. Promoveu uma Cruzada fracassada pras bandas do Marrocos e morreu na batalha de Alcácer Quibir. 

O povo tanto o venerava que durante séculos se recusou a acreditar na sua morte. Criiu-se uma seita, o Sebastianismo, que defendia piamente que um dia o rei voltaria a Portugal. 

Assim é o Flamengo com Jorge Jesus, que também conheceu seu fracasso, o Benfica.  Tal qual o Sebastianismo, a Gávea jamais acreditou que o treinador que lhe deu títulos foi embora. 

Apesar da jornada mística dos diretores do Flamengo, Jorge Jesus não vem. Mas o sonho da torcida permanece vivo mesmo morto. 

O Flamengo vai de Paulo Sousa e ainda acredita que um dia Jorge Jesus caminhará sobre as águas de uma banheira nas brumas do vestiário e anunciará: "Rejubilem-se, o Míster voltou".

O problema é que daqui pra frente e nos próximos séculos, qualquer treinador que o Flamengo contrate estará apenas esquentando o trono enquanto D. Sebastião, digo, Jorge Jesus, não vem.