domingo, 5 de janeiro de 2020

Com o fim da marca Beatle, o Fusca vira memória e se despede definitivamente. Veja o vídeo que celebra o adeus do mito sobre rodas


por José Bálsamo

O Fusca já se despediu várias vezes na última década. Brasil e México foram os últimos países a dar adeus ao Fusca.
No Brasil, registre-se, saiu de cena duas vezes: em 1986 e 1996 (depois de por intervenção do então presidente Itamar Franco o Fusca voltar a ser fabricado a partir de 1993)
Agora, nos Estados Unidos, acontece o fim da marca Beatle, que não será mais utilizada em nenhum lançamento. O Volkwagen Beetle saiu de linha em 2019 e levou junto um mito do automobilismo.
Para marcar a despedida definitiva, a Volkswagen USA divulgou há poucos dias um vídeo especial chamado "A última milha".
Observe bem que no meio da multidão que aplaude o Fusca aparecem Kevin Bacon, Andy Warhol e Andy Cohen, um conhecido apresentador da TV americana. A trilha sonora Let it Be, dos Beatles, acompanha a última jornada do Fusca que é pontuada por uma frase: "quando uma estrada acaba, outra começa".

VEJA O ADEUS DEFINITIVO DO FUSCA, CLIQUE AQUI 

A loucademia da Inteligência Artificial

por Flávio Sépia
A inteligência artificial está avançando quase na velocidade de um Fórmula 1. A coisa está tão acelerada que começa ficar fora de controle. Com a velocidade de conexão 5G batendo à porta, a cada dia aparece um robô superdotado para ocupar uma atividade antes reservada a humanos. Já existem robôs-jornalistas, robôs-pilotos, robôs-médicos, robôs-faxineiros, robôs-operário, robôs-barmen etc.
A novidade mais recente da dupla inteligência artificial+robô é um sofisticado equipamento para fazer pízzas. Você digita o tipo e tamanho que você quer e a máquina entrega a massa em minutos. A geringonça é capaz de fazer 300 pizzas por hora. O pizzaiolo dança.
A robótica também chega à religião e pastores, padres, rabinos, pais de santo e gurus em geral  etc também correm risco. Em troca de uma moeda e com o simples apertar de um botão o pecador poderá ouvir orações, salmos, pregações a gosto e fala direto com o santo ou com os búzios. Poderá criar, por exemplo, um avatar e levá-lo a visitar um paraíso virtual. Poderá fazer selfies em 3D com a divindade de sua preferência.
O problema vai ser o que fazer com os milhões de desempregados pela tecnologia. O mercado de entrega e comida por aplicativo não vai absorver tanta gente.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Drones de guerra: a morte voa em silêncio

O drone MQ-9 Reaper do tipo que explodiu o general iraniano. Reprodução Twitter.


No filme Good Kill, a rotina dos pilotos de drone a milhares de quilômetros do alvo. Na foto,o ator Ethan Hawke, que faz o papel do piloto e a co-piloto interpretada por Zoe Kravitz. Foto: Divulgação

A morte de Qassem Soleimani, o líder da Força Quds, a tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irá, é a notícia que abre o ano no planeta. No caso, como diria McLuhan, o meio foi a mensagem. O drone. O auge da guerra tecnológica.

Esqueça Patton e seus tanques e a lama dos campos de batalha. As armas do século 21 são profiláticas.

Assim como fez de Patton um herói, Hollywood mostrou em Good Kill, filme de 2014, a rotina dos operadores do drones que a milhares de quilômetros do alvo cumprem missões como a que explodiu o general iraniano.

Dizem que Soleimani era um estrategista. Se era, esqueceu de olhar pra cima. Não que ele pudesse enxergar o inimigo que voa a mais de 10 mil metros de altura, mas deveria contar com essa possibilidade. Esse tipo de guerra está no Afeganistão, no Iraque, na Síria, no Iémen...

Mas Good Kill (em tradução livre, Morte Limpa) não apenas celebra a tecnologia. Mostra uma  espécie de angustia que acomete os pilotos de drones. Eles são como funcionários que cumprem expediente, vão à guerra em turnos, no conforto do ar condicionado e, após as missões, voltam para casa e para mulheres e filhos em típicos  subúrbios americanos  O filme dirigido por Andrew Niccol vai muito além do ufanismo e capta os efeitos psicológicos dos top guns da poltrona. O protagonista, um major vivido por Ethan Hawke, passa 12 horas por dia lutando contra o Talibã de um bunker nas imediações de Las Vegas. Na mão, o joystick que comanda drones do outro lado do mundo. O drama existencial do major que o filme focaliza não é inteiramente fictício. A Newsweek fez há algum tempo uma matéria com um ex-operador de drones que viveu o impacto psicológico da função de matar pessoas por controle remoto. A era do guerreiro de home office. Depois de seis anos na Força Aérea, o entrevistado da Newseek voltou à vida civil com estresse pós-traumático e se surpreendeu ao ver que sua ficha registrava participação em 1.626 mortes. Impossível garantir que todos eram terroristas. Quase invariavelmente, inocentes entram na cota do "dano colateral". O que, independentemente da ação comandada por Donald Trump ser mais um ato eleitoral para tirar atenção de um processo de impeachment, está longe de transformar Soleimani em vítima colateral. Ao contrário, ele era o cruel gauleiter de uma ditadura religiosa e fundamentalista como muitas, de vários credos, que ameaçam democracias e que, no Irã, provocou milhares de mortes durante recente onda de protestos.

Fotografia: imagem planejada pinta cena com luz e técnica


Foto planejada por Johnson Barros, fotógrafo e sargento da Força Aérea Brasileira, está entre as tr~es melhores do mundo no ranking da revista especializada Aviation Week.
Veja no site Aeroflat como foi feita essa imagem, AQUI

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O que os Novos Anos 20 terão a ver com os Loucos Anos 20...



por José Esmeraldo Gonçalves

A edição de janeiro da revista britânica Tatler convidou Nicole Kidman para ilustrar uma capa temática sobre os Novos Anos 20.

A ilação remete a uma era do século passado quando o mundo desbundou de vez. A gíria não existia, mas serve para definir o período entre 1919 e 1929, os Loucos Anos Vinte, quando o planeta parecia girar mais rápido e acelerar mudanças sociais, industriais e culturais.

Depois da tragédia e do sofrimento provocados pela Primeira Guerra, a Europa mandava a mensagem dos seus Années Folles: cair de boca na vida antes que outra guerra acabe com a festa. E o mundo entendeu o recado. Os Estados Unidos embarcaram nos Roaring Twenties e até o Rio de Janeiro, como conta o novo livro de Ruy Castro - Metrópole à Beira-Mar - o Rio Moderno dos Anos 20 - também pirou na modernidade. Que não se entenda mal, aquelas gerações bebiam, dançavam, amavam as drogas e o sexo e com o mesmo dinamismo faziam a literatura, a arte, a música, a arquitetura, o comportamento, os direitos sociais, as indústrias cinematográfica e automobilística, a telefonia, o rádio e o jornalismo avançarem anos-luz. Eram os tempos de Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e Gertrude Stein. Sinclair Lewis, art déco, expressionismo, surrealismo, jazz, Bauhaus, Henry Ford, Man Ray, Max Ernst, Pablo Picasso, André Breton, Joan Miró, Marcel Duchamp e Salvador Dali, entre tantos outros. Aqui, o agito cultural era ditado por nomes como João do Rio, Lima Barreto, Gilka Machado, Álvaro e Eugenia Moreyra, Bidu Sayão, Vila-Lobos, Agripino Grieco, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Sinhô e Pixinguinha. O Rio, como conta Ruy Castro, fazia sua parte e tocava o Brasil para a frente.

Os Loucos Anos 20 chegaram ao fim em uma data precisa: 29 de outubro de 1929, a Terça-Feira Negra que quebrou a Bolsa de Valores de Nova York e espalhou pelo mundo um rastilho que transformou economias em cinzas e desempregou milhões de pessoas.

Não se sabe como serão nem como terminarão os New Twenties que a Tatler anuncia. Aqueles, os do século passado, acabaram em ditaduras e guerras das quais o mundo precisou novamente se recuperar nos anos 1950. Esses que agora começam estão sob a sombra dos avanços da direita, do fundamentalismo religioso, da intolerância e de uma economia que nega prosperidade para bilhões de pessoas,  concentra riquezas em pequeno percentual de bolsos e cofres e, por último mas não menos importante, despreza os impactos do aquecimento global. Mas aí é outro capítulo. 

Impostos-fantasia: a nova criação do governo para 2020...

Parece, mas não é piada. Até porque vai doer no bolso de muitos brasileiros. O governo Bolsonaro-Paulo Guedes extrapola na imaginação e agora cria impostos-fantasia.

Explica-se: a dupla que governa o Brasil decretou que os bancos podem cobrar uma taxa sobre o limite do cheque especial. Ou seja, sobre aquele valor que oferecem em tese ao cliente e que este nem sempre usa ou, em alguns casos, de reserva mais alta, nunca usam.

O outro imposto-fantasia é sobre o sol. Depois de, nos últimos anos, em razão de políticas de incentivo às energias renováveis, propagar o uso da energia solar,  o governo resolveu agora taxar o astro-rei. Na prática, os citados presidente e ministro   consideram que o sol é uma estatal ou um serviço público ao qual o usuário deve remunerar.

2020: a internet vibrou com essas mãos desgovernadas...

Papa Francisco: mão de barra-brava. Reprodução Twitter


Grazi: mão comemorativa... Reprodução Instagram

por Pedro Juan Bettencourt

Dois assuntos são campeões de cliques na internet neste começo de ano. Por acaso, os dois envolvem... mãos.

O primeiro a viralizar foi a cena da mão do papa Francisco que deu uma de barra-brava argentino e mandou um duplo tapa na igualmente mão da devota que lhe deu uns puxões na Praça São Pedro.

Já a mão de Grazi Massafera parece ganhar vida própria em uma foto de amigos em confraternização na Praia do Carneiros, em Pernambuco. Atentas, as redes sociais perceberam que assim como quem não quer nada a 'mão boba' alvejou em ponto estratégico o namorado da atriz, o ator Caio Castro.

Na mídia e nas redes sociais, a onda das fake news chega às estatísticas?

Os primeiros dias de 2020 jogam na praia da mídia e das redes sociais uma nova polêmica: a das estatísticas possivelmente fakes.

Inicialmente, uma suposta pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop) trombeteou que as vendas de fim de ano tiveram um acréscimo de mais de nove por cento. Lojistas de uma entidade dissidente, a Associação Brasileira dos Lojistas Satélites, contestaram os números (70% dos seus filiados afirmaram que as vendas foram iguais ou inferiores às do ano passado) e o Ibope, a quem a Alshop atribuiu a confirmação das informações, publicou nota afirmando que não repassou dado algum para o tal levantamento.

O número de pessoas em Copacabana também levanta dúvidas. Segundo veículos da grande mídia, cerca de 3 milhões de pessoas assistiram nas areias de Copacabana à tradicional queima de fogos. O cálculo seria da PM. Nas redes sociais, moradores de Copacabana falam sobre impressão contrária: a de mais espaços vazios do que no ano passado. Já a prefeitura do Rio de Janeiro divulgou que a cidade recebeu exatos 1 milhão e 700 mil turistas, mas não informa como chegou a esse número.  Em réveillons anteriores, a mídia deu destaque às ocorrências de violência ou arrastões e, principalmente, roubos de celulares. A PM não divulgou ainda o balanço total de ocorrências, mas informa que deteve apenas dez pessoas, número considerado bem baixo já em em 2015, 2017 e 2018 as cenas de delegacia lotada de turistas vítimas de roubo foram recorrentes.

Embora não tenha divulgado os números oficiais finais, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) esperava alcançar 100% das vagas ocupadas no Rio de Janeiro. A conferir.

No ano das fake news, em que o governo federal foi várias vezes flagrado divulgando números falsos, as estatísticas oficiais saem abaladas e entram em 2020 sob fortes dúvidas.

Em geral, a mídia divulga os números tal como os recebe. Na prática, deveriam ser checados por agências especializadas ou correm o risco de se transformarem em instrumentos de propaganda política ao gosto do freguês.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

2020: Rio de luz e cor...

Que venha 2020. Foto Fernando Maia/Riotur/Divulgação

Copacabana: a porta de entrada do Ano Novo. Foto de Alex Ferro/Riotur/Divulgação

O amanhecer de 2020. Foto de Alex Ferro/Riotur/Divulgação

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Mídia: a diferença entre jornalismo e cinismo

Reprodução El País

Os oligarcas da mídia brasileira são tão fanáticos pelo neoliberalismo que não conseguem nem mais pautar a realidade. Ao contrário, deturpam.
Está no ar no site do El País um tipo de jornalismo que os editores dos veículos conservadores são incapazes de ver ou são obrigados a fechar os olhos para os fatos.  E olha que El Pais não é exatamente um canal revolucionário ou de esquerda. Apenas, parece bem mais honesto.
EL Pais fala sobre um aspecto da precariedade do emprego: o dos entregadores de aplicativos que trabalham 16 horas por dia sem qualquer direito ou garantia.

Reprodução O Globo

A reportagem do site está no ar no mesmo dia em que o Globo, em acesso de cinismo, comemora outra evidência da degradação do trabalho: o crescimento do número de "trabalhadores intermitentes". Trata-se de uma nova geração de boias-frias agora legalizados pela reforma trabalhista, sem direitos nem segurança, que o jornal festeja como "retomada" da economia.

Informe-se, leia a reportagem do El Pais AQUI

Paolla Oliveira: a virada do ano

Reprodução Instagram
por Ed Sá

Já houve um passado recente em que revistas impressas de celebridades brigariam por uma foto dessas. Uma página inteira, uma capa. O conteúdo provocante que mantinha tais publicações hoje vai direto para as redes sociais.

Constantemente, celebridades satisfazem a curiosidade de milhões de leitores e fãs e postam rotinas, opiniões e curvas. E que curvas!


A foto acima, do Instagram de Paola Oliveira, recebeu em pouco tempo mais de um milhão de curtidas que dispensam os antigos intermediários: as revistas, as colunas de jornais impressos.

Sem saudosismo. A internet está aí para facilitar essa ligação direta. Nunca esse tipo de comunicação foi tão expresso.

São novos e mais ágeis dias. No caso da foto, mais democráticos, mais generosos e compartilhados tempos. Salve, Paolla!

domingo, 29 de dezembro de 2019

Adeus, Lolita

Sue Lyon em Lolita. 
E Humbert (James Mason) encantado.  


Em 1961, antes da estréia, Manchete antecipou detalhes das filmagens da "heroína mais escandalosa
do século". Reprodução Manchete

por Ed Sá

Sue Lyon em foto recente.publicada
no site Star Station
Sue Lyon, a Lolita do filme homônimo de Stanley Kubrick, baseado no romance de Vladimir Nabokov, morreu aos 73 anos em Los Angeles, distante da fama, pelo menos para as novas gerações.
Mas se houvesse internet em 1962, quando o filme foi lançado, Lyon, então com 14 anos, seria recordista dos trend topics por meses. A imagem da adolescente de biquíni, no filme Dolores Haze,  que se relaciona com Humbert Humbert, de meia-idade, interpretado por James Mason, agitou a mídia, provocou ligas de moralistas e encheu as salas de cinema.

O papel foi sucesso e fardo na carreira da atriz. Virou um rótulo. Dois anos depois ela filmou "A Noite do Iguana", quando seduz um homem mais velho, dessa vez interpretado por Richard Burton.

Até a vida real imitou a arte, de certa forma: ela se casou em 1964, aos 16 anos, com um roteirista dez anos mais velho.

Lolita ganhou o carimbo de cult e entrou para a história do cinema. Tanto que é um dos filmes que mais geraram trívias, as historinhas de bastidores das filmagens que fazem a cabeça de nerds e cinéfilos e que circulam até hoje em dezenas de sites.

Conheça algumas dessas revelações of câmeras:

* Stanley Kubrick viu Sue Lyon em um programa de TV onde ela "seduzia" um professor. Um detalhe o convenceu a contratar a atriz: o tamanho dos seios, que eram avantajados para a idade dela na época (13).


* Uma das imagens mais icônicas de Sue Lyon como Lolita é a que mostra a atriz de óculos em forma de coração e chupando um pirulito. É uma criação do fotógrafo Bert Stern, foi usada para divulgação e a cena não aparece no filme.


* O escritor Vladimir Nabokov teria preferido que Lolita fosse interpretada pela atrizinha francesa Catherine Demongeot vista em "Zazie dans le metro". Stanley Kubrick também. Mas o diretor optou por uma atriz um pouco mais velha e que aparentava ainda mais idade. Preferiu evitar problemas ainda maiores com a censura e "envelheceu" a ninfeta que no livro tem 12 anos.

* O livro, de 1955, foi proibido em vários países. Por isso, o roteiro do filme se afasta da trama original. Além disso, Kubrick preferiu filmá-lo secretamente em Londres.

* Sue Lyon não foi à estréia em Nova York em junho de 1962. Nos Estados Unidos, o filme foi proibido para menores de 18 anos. Mas ela compareceu à estréia de Londres, dois meses depois.

* Cary Grant foi convidado para fazer o papel do Humbert. Recusou por achar o filme imoral.

* O desempenho de Sue Lyon lhe valeu o prêmio de revelação do ano no Globo de Ouro de 1963.

* Lolita é morena no livro e loura no filme.

* No começo do filme, Stanley Kubrick aparece rapidamente, saindo da cena, no momento em que Humbert abre a porta.

* Caso a censura fosse intransigente, Kubrick tinha uma carta na manga: fazer com que Humbert e Lolita se casassem em um estado onde isso não fosse ilegal.


*Em 1997, Dominique Swain, então com 16 anos, protagonizou o remake de Lolita, dirigido por Adrian Lyne, com Jerymi Irons e  Melanie Griffith. Essa versão é mais fiel ao romance de Nabokov. 

Antonio Guerreiro (1947-2019): para sempre entre estrelas

Antonio Guerreiro no seus estúdio no Catete. Foto Manchete/Reprodução

E na Adega Pérola, em Copacabana, saboreando tapas. Foto Daniella Dacorso/Reprodução Manchete

A beleza de Sônia Braga...

...segundo Antonio Guerreiro. Reprodução Manchete

Antonio Guerreiro começou a se destacar como fotógrafo no Correio da Manha. Em dupla com o colunista Daniel Más, ilustrava uma página com personagens da cidade no fim dos anos 1960.

Mas foi o seu trabalho na revista Setenta, da Abril, que chamou a atenção de Justino Martins e Adolpho Bloch. A Setenta durou pouco e deixou como marcas o talento e o bom gosto de Guerreiro ao fotografar moda, o que lhe rendeu um convite para ser correspondente da Manchete em Paris.

Foram dois anos de matérias variadas. Ele não apenas cobriu os principais desfiles da Europa, como fotografou atrizes, festivais e personalidades que eram entrevistadas pela revista.

Após a temporada em Paris, Guerreiro voltou para o Brasil, montou seu estúdio, mas jamais rompeu o vínculo com a Manchete. Tornou-se um colaborador assíduo da revista, principalmente nos anos 1980, quando assinou dezenas de capas.

Suas lentes registraram a beleza de Sônia Braga, Sandra Brea, Bruna Lombardi, Claudia Ohana, Vera Fisher, Luíza Brunet e Luma de Oliveira, entre tantas outras modelos e atrizes.

Antonio Guerreiro morreu ontem, no Rio. Deixa no seu acervo as estrelas da cidade que amou e da qual ele próprio foi um personagem.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Fotomemória do Rio: estrelas de luz no Natal e Réveillon


Muito antes da Árvore da Lagoa,  Rio se iluminava para o Natal e o Ano Novo.

A foto é da Manchete, de 1953.

Uma empresa, a Predial Corcovado, gastou 50 mil cruzeiros para instalar milhares de lâmpadas em vários pontos da cidade. E olha que, na época, o patrocinador não tinha direito a abater dos impostos o valor investido - generosa colher-de-chá que os empresários atuais ganham dos governos -, e ainda teve que alugar geradores, já que a Light, então pertencente a canadenses, era pouco confiável.

O destaque da decoração foram as estrelas ao pé do Redentor, no Corcovado.

O Rio ficou assim brilhante e conduzido por estrelas de luz, como canta o célebre samba da Mocidade, até o dia 6 de janeiro.

Aquela decoração foi única, não se repetiu nos anos seguintes. O mais próximo das luzes natalinas e de Ano Novo que o Rio voltou a ver foi a Árvore da Lagoa, que foi montada pela primeira vez em 1996.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Mídia: jornalistas brasileiros têm hora marcada para sofrer assédio moral. Todo dia, na "coletiva" do escracho.

Foi cena recorrente em 2019. É uma espécie de calvário.

Jornalistas que são escalados para cobrir aquela paradinha abjeta em forma de "coletiva" que Bolsonaro oferece à nação todo dia, no portão do Alvorada, já saem das redações sabendo que vão para um cercadinho ser xingados, que as mães serão ofendidas, que ouvirão gritos, palavões e grosserias.

E, por tabela, também serão moralmente agredidos e ameaçados pela claque que é incentivada a aplaudir cada xingamento como se estivesse no auditório do Ratinho, do Datena ou do Sílvio Santos.

A culpa é do Bolsonaro? Claro, essa é a política oficial de comunicação. Mas o capitão inativo não é o único responsável pela cena deplorável de todas as manhãs. Os principais veículos têm coparticipação no espetáculo de assédio moral diário. Editores de fino trato continuam enviando os jornalistas para o curral da vergonha, com se mandassem gado para o abate.

Se fossem solidários, coleguinhas mais empoderados, como colunistas políticos e de mercado, articulistas fixos e convidados, editorialistas, âncoras de telejornais etc deveriam se voluntariar para substituir os pobres repórteres na "coletiva" do escracho, pelo menos durante um ou dois dias na semana.

Já tem plantonista apelando para o espírito cristão.

Afinal, tem mãe de jornalista que não aguenta mais ser esculhambada pelo presidente. 

Futebol: vivendo e aprendendo a perder

por Niko Bolontrin

Um dos destaques da mídia esportiva em 2019 foi certamente a cobertura da participação do Flamengo no Mundial de Clubes. Mas o espírito da coisa causou alguma perplexidade.

Boa parte dos jornalistas foi acometida da síndrome do elogio à derrota, algo que pode fazer o esporte perder o sentido e tornar os pódios alegorias desimportantes. No caso do Flamengo, a opção preferencial dos cronistas pela derrota agride até o hino histórico que a torcida canta nos estádios: "vencer, vencer, vencer"...

O Flamengo tem milhões de torcedores e isso impacta naturalmente as editorias esportivas dos jornais, TV e internet. É histórico o puxa saquismo editorial, menos por clubismo e mais por interesses econômicos nas respectivas audiências.

Mas não precisavam exagerar.  Um jornalista chegou a escrever que espera que a vitória do Liverpool em Doha ensine o Brasil a saber perder. Caramba! Em matéria de futebol, o Brasil já é pós-graduado em perder. A última Copa, por exemplo, foi a de 2002, que comemorará 20 anos no próximo mundial. Pouco países no mundo ostentam uma derrota tão acachapante quanto os 7 x 1 diante da Alemanha. Se aquilo não ensinou a perder, chamem a Alemanha de volta.

As torcidas andam tão carentes que, não é de hoje, supervalorizam o mundial de clubes. O que é compreensível: trata-se da única oportunidade de teoricamente medir forças com clubes europeus. Ao longo da história desse torneio, vários clubes brasileiros foram campeões, outros tantos foram derrotados e alguns venderam caro a derrota para gigantes da UEFA. Mas nenhuma dessas conquistas ou derrotas, principalmente, foi tão saudada quanto o fiasco do Flamengo no Catar.

É simples. O futebol desde sempre só oferece três resultados: vitória, empate ou derrota que, no caso, é fiasco. Não é exagero: o dicionário diz que fiasco é simplesmente qualquer insucesso, tipo o do Flamengo em Doha. Passes, posse de bola, boa "transição" e "marcação alta", para usar o jargão atual, não ganham jogo se aqueles três paus na linha de fundo não receberam a bola no filó.

Quem fizer mais gols, beleza, ganha a partida. Quem não fizer isso, um abraço, valeu, fica pra próxima.

Imagino o João Saldanha montando aquele time de feras e, no papo do vestiário, 'incentivando' os seus jogadores:

- "Não se preocupem, se não der pra ganhar o importante é jogar de igual pra igual".

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Papai Noel ganha companhia da "Santa Sexy". Duendes perderam o emprego...

por O.V.Pochê

A imagem do Papai Noel solitário que uma vez por ano deixa o frio da Lapônia e se multiplica pelo mundo já era.
O site eBay pôs à venda este ano fantasias de "Santa Sexy" para acompanhantes do Bom Velhinho.
Duendes perderam espaço em eventos e festas.


Na calçada do Ópera de Paris, bailarinas em greve fazem do protesto um espetáculo

Reprodução Twitter

Na véspera de Natal, temperatura a menos de 10°C, bailarinas e músicos da Ópera de Paris, em greve contra a reforma da Previdência, protestaram levando à calçada do teatro trechos do balé "O Lago dos Cisnes". Turistas que desafiavam o frio nas ruas aplaudiram a manifestação.

Então é Natal! Terrorismo religioso ataca Porta dos Fundos

O terrorismo religioso avança no Brasil. Já são numerosos os casos de terreiros de umbanda e candomblé atacados pelo braço armado do fundamentalismo, os chamados "traficantes bíblia". Não faz muito tempo, terroristas lançaram uma bomba incendiária contra um centro espírita do Humaitá, no Rio de Janeiro. Na madrugada de ontem, no mesmo bairro, pelo menos três pessoas atacaram a sede do grupo humorístico do Porta dos Fundos. O comando, que incluía uma camionete e um motocicleta, lançou coquetéis molotov que deram início um incêndio. Um segurança de plantão no prédio agiu rápido para conter as chamas. A ação foi filmada por câmeras e a polícia investiga a autoria do atentado. O ato terrorista foi uma represália à exibição pela Netflix do especial do Porta dos Fundos, "A Primeira Tentação de Cristo". O programa é uma sátira, ironiza costumes a a forma como figuras bíblicas são usadas para legitimar preconceitos e intolerâncias atuais. É humor e dá o que pensar.
O ataque à sede do Porta dos Fundos repercute internacionalmente. O jornal britânico Daily Mail publicou uma matéria sobre um campanha de bolsões de fanáticos contra o especial e o site Time24News relata o ataque incendiário. A Netflix se manifestou: "Valorizamos a liberdade artística e o humor por meio da sátira nos mais diversos temas culturais da nossa sociedade e acreditamos que a liberdade de expressão é uma construção essencial para um país democrático". E o Porta dos Fundos divulgou uma nota: "Na madrugada do dia 24 de dezembro, véspera de Natal, a sede do Porta dos Fundos foi vítima de um atentado. Foram atirados coquetéis molotov contra nosso edifício. Um dos seguranças conseguiu controlar o princípio de incêndio e não houve feridos apesar da ação ter colocado em risco várias vidas inocentes na empresa e na rua. O Porta dos Fundos condena qualquer ato de violência e, por isso, já disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para as autoridades, para o Secretário de Segurança e espera que os responsáveis pelos ataques sejam encontrados e punidos. Contudo, nossa prioridade, neste momento, é a segurança de toda a equipe que trabalha conosco. Assim que tivermos mai detalhes, voltaremos a nos manifestar. Mas, por enquanto, adiantamos que seguiremos em frente, mais unidos, mais fortes, mais inspirados e confiantes que o país sobreviverá a essa tormenta de ódio e o amor prevalecerá junto com a liberdade de expressão".

ATUALIZAÇÃO em 26/12/2019 - Ontem mesmo passou a circular nas redes sociais um vídeo em que mascarados assumem a autoria do atentado contra o Porta dos Fundos. Nele, os supostos terroristas se declaram da tropa de choque do Integralismo, movimento político católico que surgiu no Brasil nos anos 1930 e tentou emular aqui uma espécie de nazismo tropical. Os criminosos assinam como do " Comando de Insurgência Popular Nacionalista, da Família Integralista Brasileira” e demonstram a inspiração religiosa do crime.  “O Brasil foi fundado sob a cruz de Cristo e é Cristo a única solução para os problemas do Brasil”, declaram no vídeo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Para Jorge Jesus, Copa do Mundo no Catar não faz sentido



Jorge Jesus, técnico do Flamengo, já em Portugal após a conquista do vice em Doha, criticou a realização da Copa do Mundo no Catar. "Uma Copa do Mundo tem que ser disputada em um país que ama futebol", disse o treinador ao Mundo da Bola, em frase que The Sun repercutiu no Reino Unido..
Jesus está mais do que certo. Nem a torcida do Flamengo conseguiu animar as frias (não no sentido da temperatura, mas com relação à vibração), ruas de Doha.
Não apenas a cultura e os rigores do fundamentalismo religioso afastam torcedores e torcedoras locais: o próprio futebol é algo ainda exótico para a maioria da população. O Catar tem apenas 12 clubes que participam de um campeonato que realiza um jogo por semana com média de público de 500 pessoas. Jamais se classificou para uma Copa e entrará em campo em 2022 por ser o país anfitrião. Logicamente, durante o Mundial, o público será majoritariamente de ocidentais. Assim como acontece com muitos eventos esportivos patrocinados pelas ricas nações do Golfo. Funcionam mais como apelo turístico e de imagem. De Fórmula 1 a torneios de tênis, de futebol, de natação e de atletismo etc, a maior presença de europeus é visível nas arquibancadas.
Pode esquecer o clima de festa nas ruas durante a Copa, tal como acontece no Brasil, na França, na Rússia, na Espanha, Alemanha, Argentina ou Itália, que têm o futebol no DNA e não apenas como item promocional de uma monarquia absolutista. 

Sem vale-transporte para o Natal...

Na capa do Charlie Hebdo: greve de trens e metrô na França não poupa ninguém. 

Especial de Natal: VIRALATA NO FUTEBOL, CAMPEÃO MUNDIAL NO HOT DOG!

por Niko Bolontrin

A criatividade anda solta nos becos e botecos. Uma das palavras mais ouvidas em 2019 foi "empreendedorismo". Todo mundo só fala nisso: "empreender". "Reinventar', também. Com 12 milhões de desempregados ao redor, o brasilino tem mais é que buscar esses sinônimos bestas de "se virar". O Flamengo, por exemplo, tentou as duas coisas, se reinventar e empreender. Conseguiu realizar o primeiro verbo, mas não foi capaz de "empreender" o Mundial de Clubes.

Acontece.

Já Ruan de Freitas, um ex-motorista de Uber que abriu um boteco na Tijuca, acertou nesse palpite duplo. Posso garantir, pois fui ver o jogo no Pão de Alho do Gordo, o nome do lugar, e digo que o melhor da tarde não estava na distante Doha, mas logo ali na mesa. Trata-se de um sanduba que por si só é praticamente um startup de tanto sucesso que faz. Leva coração de galinha e queijo no pão de alho. Esses são os ingredientes. O modo de fazer é segredo da casa.  Comi três.

Só digo o seguinte: se Arrascaeta e Everton Ribeiro levassem para o Catar o sandubão do Gordo não precisariam ter saído de campo por cansaço.

Ou, ainda, se forrassem o estômago com outro sucesso gastronômico da temporada - este criado por Francisco Fonseca, nada menos que um cachorro-quente que vem com oito salsichas, vinagrete, maionese, mostarda, batata palha, milho, ervilha e queijo ralado - teriam enquadrado o fish and chips do Liverpool.

O Flamengo também poderia ter levado para Doha uma joia gastronômica criada por Roberto Muggiati. Gentilmente, o autor da iguaria oferece aqui a sua receita exclusiva para a mesa de Natal dos leitores do blog. Jesus, não o aniversariante da data, mas o técnico do Flamengo, não sabe o que perdeu.

Pullum et coturnix super panis cum ovum

CHICKEN AND QUAIL SPECIAL 
PANIS BURGER

Um pão árabe recheado com ovo frito de galinha à la façon fechamento Manchete/Fatos&Fotos, meia dúzia de ovos de codorna fatiados, um hambúrguer de peru, uma pitada de batata palha extrafina e folhas de rúcula, azeite extravirgem, se é que está disponível na praça....
Ideologicamente corretíssimo, com abertura para o Islã e o vegano. Em ampla sintonia com a tendência gourmet-comportamental que nosso Alan Richard Way, do alto da sua sapiência, endossado por Enrique Renteria, indicaria ao Prêmio Nobel de Gastronomia (já é hora, acadêmicos de Estocolmo, de dar ouvidos ao ronco dos estômagos globais e – pasmem – isso vai acontecer logo logo, e este é mais um insight do nosso espertíssimo Panis cum ovum...

domingo, 22 de dezembro de 2019

Rua e prédios fantasmas: os "ativos financeiros" que prejudicam Rio

Rua da Carioca: quase sem vida após virar "ativo financeiro". Foto J.E.Gonçalves
A Rua da Carioca já foi uma das mais movimentadas do Rio. Suas lojas, várias com mais de um século de existência, eram a alma viva da cidade. Hoje, percorrer a via é como passar por um cenário de filme abandonado. A Carioca virou um cemitério de negócios. Em 2012, o Grupo Opportunity comprou 18 imóveis na rua. Desde então, aumentos dos aluguéis foram afastando inquilinos e cerrando portas. A crise econômica se encarregou de fechar outros pontos de venda e impor ao local um certo ar fantasmagórico.

Reproduzido do Globo - 22/12/2019
A Rua da Carioca chama atenção por reunir dezenas de prédios desativados. Mas há outros pontos icônicos do Rio que são vítimas da especulação financeira. O antigo Hotel Serrador, ali perto, e o ex-Hotel Glória, um pouco mais distante, também sucumbiram ao baixo jogo financeiro e se transformaram em meros "ativos" nas mãos de instituições do mercado ou de manipuladores individuais. Para estes, não é essencial transformar os imóveis em algo produtivo. Como "ativos" são o negócio em si que a aposta financeira movimenta. O Glória já virou moeda de troca de fundos financeiros. Foi do Mubadala e agora o Globo noticia que passará para o portfólio do Brookfield. De mão em mão, o prédio, do qual só restou a fachada, continua no modo ocioso. Houve várias promessas de reconstrução que não vingaram. Um grupo até plantou notinhas do tipo "balão de ensaio" acenando com a demolição do que restou e a construção de um prédio moderno para condomínio residencial. Surgiram protestos na mídia por descaracterizar o imóvel e o suposto projeto não decolou. O prédio que é uma referência carioca permanece como "ativo" financeiro fantasma.

Reproduzido do Globo - 22,12,2019. 
O Serrador também tem história. Era um hotel conceituado, referência da antiga Cinelândia. Ali funcionaram um teatro e a famosa boate Night and Day, palcos de peças e shows memoráveis.

Mais recentemente, o Serrador teve destinação pouco nobre ou ética. Virou o mega suspeito bunker de Eike Batista, empresário já condenado por manipulação do mercado, pagamento de propinas, corrupção e lavagem de dinheiro. O Globo informa hoje que o prédio acaba de ser adquirido por um "investidor argentino".

Há outros casos semelhantes no Centro do Rio. Em levantamento de 2017, a prefeitura calculou em apenas um trecho da região central cerca de 600 edificações estavam fechadas e algumas com sinais de abandono. Cerca de 85% das construções sem uso são privadas. Muitas certamente nem alugadas são por desinteresse dos "investidores". Permanecem na função de "ativo financeiro", isso apesar da Constituição Federal, de 1988, estabelecer que esse tipo de propriedade privada no Brasil precisa ter uso. Em países desenvolvidos há mecanismos, como impostos progressivos, para evitar o abandono de imóveis sejam históricos ou não. Aqui, tais prédios são apenas um item a mais no portfólio dos fundos. Dane-se o destino deles, desde que a especulação os valorize como "ativos" do jogo financeiro.


Diz aí, Flamengo! Podia dar certo???

Reprodução O Globo

Liverpool campeão mundial e o dia em que o Rio se transformou em uma imensa secadeira...

A comemoração. Foto Liverpool website.

Firmino e Alisson:a taça na mão. Foto; Liverpool website

Kloop vencedor. Foto Liverpool website

A vibração. Foto Livepool website


Firmino: O gol que derrotou o sonho rubronegro. Foto Mike Hewitt/Fifa

por Niko Bolontrin

A umidade do ar, ontem, no Rio esteve entre 40% e 55% dependendo do bairro. Isso na meteorologia. Para as torcidas de Vasco, Botafogo e Fluminense a cidade era, na verdade, uma imensa secadeira.

Para cada torcedor do Flamengo uniformizado nos bares, três, em casa, diante da TV, eram Liverpool desde criancinha. A seca pimenteira massiva funcionou e aos oito minutos da prorrogação Roberto Firmino deu um fim ao sonho rubro-negro.

A mídia bem que tentou construir para a torcida uma versão meio autoajuda de "cabeça erguida", "superação" etc. De fato, o Flamengo lutou. Mas, à saída dos bares e botecos de onde esperavam bridar ao título de campeão, o clima era de frustração.

Diante de um ano excepcional onde não teve adversário, a torcida confiava que Doha 2019 repetiria Tóquio 1981. Não deu. O Liverpool de Klopp e Firmino encharcou de água o chope do Flamengo.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Fotomemória: em 1981, Flamengo campeão mundial nas páginas da Manchete






por Niko Bolontrin 

13 de dezembro de 1981, Estádio Nacional, Tóquio. Diante de um público de mais de 70 mil pessoas, o Flamengo venceu o Liverpool por 3 X 0 e sagrou-se campeão da Toyota Cup, então uma disputa intercontinental entre os campeões da Libertadores e da Taça dos Clubes Campeões Europeus. em 2017, a Fifa reconheceu a Toyota Cup como um mundial interclubes. Nunes recebeu de Zico e abriu o placar aos 13 minutos; aos 34, Zico cobrou falta, o goleiro Grobbelaar rebateu, o zagueiro cortou chute de Lico e a bola sobrou para Adílio, que fez o segundo; e aos 41 do primeiro tempo, Zico fez um lançamento para Nunes que fez o terceiro.
A revista Manchete não mandou equipe para Tóquio como normalmente faria. Um sinal de que os investimentos em compra de equipamentos e construção de prédios para a Rede Manchete, que seria inaugurada em 1983, já consumiam recursos da editora. Mas publicou uma grande matéria com fotos exclusivas de um certo Mayger, frila contratado em Tóquio, que registrou toda a epopeia e a magistral atuação de Zico, eleito o melhor jogador em campo.