quinta-feira, 18 de setembro de 2025

PEC da Bandidagem e farra das emendas: a corrupção institucionalizada

 

Charge de Mariano originalmente publicada na Revista Fatos (1985)

Esta charge do Mariano foi publicada na Revista Fatos em 1985. Na época, a compra de votos rolava solta na campanha para eleições de prefeitos e vereadores. Agora, em tempos de emendas parlamentares e PEC da Bandidagem, é mais atual do que nunca. Eh Brasilzão, terra em que a maioria dos eleitores pobres ou remediados vota em em ricos corruptos ou líderes "religiosos" bilionários. Como resultado, formam um Congresso controlado por bandidos. Boa sorte pra vocês.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

O recado de Lula para Donald Trump

 


Artigo de Lula, dirigido ao Presidente Trump, publicado ontem, 14 de setembro, no New York Times.

𝗔 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗰𝗿𝗮𝗰𝗶𝗮 𝗲 𝗮 𝘀𝗼𝗯𝗲𝗿𝗮𝗻𝗶𝗮 𝗯𝗿𝗮𝘀𝗶𝗹𝗲𝗶𝗿𝗮𝘀 𝘀ã𝗼 𝗶𝗻𝗲𝗴𝗼𝗰𝗶á𝘃𝗲𝗶𝘀

Decidi escrever este ensaio para estabelecer um diálogo aberto e franco com o presidente dos Estados Unidos. Ao longo de décadas de negociação, primeiro como líder sindical e depois como presidente, aprendi a ouvir todos os lados e a levar em conta todos os interesses em jogo. Por isso, examinei cuidadosamente os argumentos apresentados pelo governo Trump para impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

A recuperação dos empregos americanos e a reindustrialização são motivações legítimas. Quando, no passado, os Estados Unidos levantaram a bandeira do neoliberalismo, o Brasil alertou para seus efeitos nocivos. Ver a Casa Branca finalmente reconhecer os limites do chamado Consenso de Washington, uma prescrição política de proteção social mínima, liberalização comercial irrestrita e desregulamentação generalizada, dominante desde a década de 1990, justificou a posição brasileira.
Mas recorrer a ações unilaterais contra Estados individuais é prescrever o remédio errado. O multilateralismo oferece soluções mais justas e equilibradas. O aumento tarifário imposto ao Brasil neste verão não é apenas equivocado, mas também ilógico. Os Estados Unidos não têm déficit comercial com o nosso país, nem estão sujeitos a tarifas elevadas. Nos últimos 15 anos, acumularam um superávit de US$ 410 bilhões no comércio bilateral de bens e serviços. Quase 75% das exportações dos EUA para o Brasil entram isentas de impostos. Pelos nossos cálculos, a tarifa média efetiva sobre produtos americanos é de apenas 2,7%. Oito dos 10 principais itens têm tarifa zero, incluindo petróleo, aeronaves, gás natural e carvão.

A falta de justificativa econômica por trás dessas medidas deixa claro que a motivação da Casa Branca é política. O vice-secretário de Estado, Christopher Landau, teria dito isso no início deste mês a um grupo de líderes empresariais brasileiros que trabalhavam para abrir canais de negociação. O governo americano está usando tarifas e a Lei Magnitsky para buscar impunidade para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que orquestrou uma tentativa fracassada de golpe em 8 de janeiro de 2023, em um esforço para subverter a vontade popular expressa nas urnas.

Tenho orgulho do Supremo Tribunal Federal (STF) por sua decisão histórica na quinta-feira, que salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito. Não se tratou de uma “caça às bruxas”. A decisão foi resultado de procedimentos conduzidos em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar. A decisão foi resultado de meses de investigações que revelaram planos para assassinar a mim, ao vice-presidente e a um ministro do STF. As autoridades também descobriram um projeto de decreto que teria efetivamente anulado os resultados das eleições de 2022.
O governo Trump acusou ainda o sistema judiciário brasileiro de perseguir e censurar empresas de tecnologia americanas. Essas alegações são falsas. Todas as plataformas digitais, nacionais ou estrangeiras, estão sujeitas às mesmas leis no Brasil. É desonesto chamar regulamentação de censura, especialmente quando o que está em jogo é a proteção de nossas famílias contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. A internet não pode ser uma terra de ilegalidade, onde pedófilos e abusadores têm liberdade para atacar nossas crianças e adolescentes.

Igualmente infundadas são as alegações do governo sobre práticas desleais do Brasil no comércio digital e nos serviços de pagamento eletrônico, bem como sua suposta falha em aplicar as leis ambientais. Ao contrário de ser injusto com os operadores financeiros dos EUA, o sistema de pagamento digital brasileiro, conhecido como PIX, possibilitou a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas. Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro que facilita as transações e estimula a economia.

Nos últimos dois anos, reduzimos a taxa de desmatamento na Amazônia pela metade. Só em 2024, a polícia brasileira apreendeu centenas de milhões de dólares em ativos usados em crimes ambientais. Mas a Amazônia ainda estará em perigo se outros países não fizerem a sua parte na redução das emissões de gases de efeito estufa. O aumento das temperaturas globais pode transformar a floresta tropical em uma savana, interrompendo os padrões de precipitação em todo o hemisfério, incluindo o Centro-Oeste americano.

Quando os Estados Unidos viram as costas para uma relação de mais de 200 anos, como a que mantêm com o Brasil, todos perdem. Não há diferenças ideológicas que impeçam dois governos de trabalharem juntos em áreas nas quais têm objetivos comuns.

Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão na mesa. Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2017, o senhor afirmou que “nações fortes e soberanas permitem que países diversos, com valores, culturas e sonhos diferentes, não apenas coexistam, mas trabalhem lado a lado com base no respeito mútuo”. É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos.

sábado, 13 de setembro de 2025

Minha dosimetria e breves sugestões penais

por O. V. Pochê 

Não vou abusar do espaço. Não sou o Fux que torturou os brasileiros com 12 horas de implantes jurídicos pescados na IA para defender Bolsonaro e comparsas. 

Os brasileiros deveriam agora ser consultados em votação eletrônica para sugerir dosimetrias e instituições penais para cumprimento das sentenças.  A seguir faço minha parte.

* Bolsonaro vai para a Ilha da Trindade. Lá pode ficar em regime aberto. Heleno pirado o acompanhará. 

* Braga Neto será extraditado para a Coreia do Norte onde verá comunistas até debaixo da cama. Terá o benefício de ficar livre durante o dia e apenas dormir na prisão. O único incoveniente será o uso de uma tornozeleira modelo antigo. Devido a dificuldades tecnológicas o equipamento coreano é uma bola de ferro de 20 quilos analógicos.

* O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, um doidão radical, deverá ser guardado no Forte da Laje, desativado nos anos 1990 e que reencontrará nova função patriótica. Observação: o lugar não precisará passar por reforma, está adequado ao "hóspede". Ele deverá passar os dias escrevendo nas paredes da prisão: "sou um fascista maluco e irrecuperável". 

* O deputado federal Alexandre Ramagem, embora beneficiado pelo foro especial já está castigado: será obrigado a conviver com seu pares bolsonaristas na Câmara.  

* Anderson Torres cumprirá sua pena com direito a saída semanal para trabalhar como mordomo de Damares e de Michelle, fazer a faxina das residências de Nikolas e Malafaia e lavar e passar as roupas de Marco Feliciano e Magno Malta . 

* Todos serão obrigados a receber a visita mensal do Mauro Cid. Só para bater papo mesmo. 


Bolsonaro condenado. Capa do jornal O Povo resume a História


 A primeira página do jornal O Povo repercute nas redes sociais, entre tantas que noticiaram a condenação de Jair Bolsonaro. O ex-presidente e sua organização criminosa levaram o Brasil à beira de uma nova ditadura com todas as implicações que o país infelizmente já conhece: liberdade ameaçada, violência política e, principalmente, corrupção tal qual aconteceu durante o regime de 1964 em uma sucessão de escândalos que a censura impediu à mídia de levar a público. Democracia também significa liberdade de expressão. A mensagem da capa do jornal O Povo, do Ceará, traduz em design as dimensões dos valores que o STF defendeu é a insignificância do verme que tentou que roubar os direitos do povo brasileiro.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

A caravana dos otários e o tarifaço dos Bolsonaros


Otários desfilaram no Sete de Setembro para homenagear não a Independência do Brasil, mas exatamente o oposto a desejada (por eles) submissão do país a Trump. Muitos entre aqueles que carregaram a bandeira dos Estados Unidos poderão perder empregos, se é que entre aquela gangue de vagabundos alguém trabalha. Setores da economia  brasileira sofrem com o efeitos do tarifaço dos bolsonaros. Os a facção  criminosa de traidores que os sem cérebros foram bajular nas ruas.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Mino Carta, o revisteiro diz adeus

 

Mino Carta. Foto de Ricardo Stuckert/Presidência da República/Agência Brasil/EBC

Aos poucos, os grandes revisteiros assinam seus layouts finais. Com eles, vai-se uma era. Mino Carta, o jornalista que modernizou a imprensa brasileira, morreu na última terça-feira, 2, aos 91 anos. Mino foi da equipe que criou Jornal da Tarde, Quatro Rodas, Veja, Istoé, Jornal da República e Carta Capital. Em todas as publicações, até mesmo no Jornal da República, uma tentativa de vida curta, deixou sua marca. 

Em 1967, ele aceitou o desafio de criar uma revista que destacava a cobertura política em plena ditadura. Segundo a Carta Capital, seu último veículo, Mino impôs uma condição. "Só aceitaria o convite se os donos da Abril, uma vez definida a fórmula da publicação, se portassem como leitores a cada edição, passível de discussão, mas a posteriori, quer dizer, quando já nas bancas". O acordo, ainda segundo a Carta Capital, durou até a sua demissão, em 1976. 

Memórias da redação - "Mamonas, a tragédia que chocou o Brasil" - A edição da Manchete que não deveria ter sido feita • Por Roberto Muggiati


Por mais de cinco anos a banda de Guarulhos chamada Utopia não passou disso: uma utopia. Sua música, rotulada como “rock cômico”, misturava o imisturável: pagode romântico (!), sertanejo, brega, vira, música mexicana e heavy metal. Bastou mudar o nome para Mamonas Assassinas e lançar o único álbum de estúdio, gravado em Los Angeles, Mamonas Assassinas, em junho de 1995, para estourar nas paradas, vendendo quase dois milhões de cópias. A origem do nome não é clara, mas Mamonas se referia não à planta, mas aos seios fartos de uma musa desconhecida. Seu cachê subiu em pouco tempo de oito mil para setenta mil reais O sucesso instantâneo levou a banda a trocar o seu veículo-fetiche, a Brasília amarela, por jatos fretados. A partir do momento em que literalmente decolaram, os Mamonas fizeram 190 shows em 180 dias por todo o país (só não estiveram no Acre, Roraima e Tocantins). Segundo o Centro de Investigações e Prevenções de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), a causa final do desastre foi fadiga de voo, após uma longa escala pelas cidades onde a banda se apresentava, imperícia do copiloto – que não tinha horas de voo suficientes para aquele modelo de aeronave e não era contratado pela empresa de táxi aéreo – falha de comunicação entre a torre de controle e os pilotos, cotejamento e fraseologia incorretos das informações prestadas pela torre. O Learjet 25D caiu na Serra da Cantareira, às 23:16 do sábado 2 de março de 1996, matando os sete passageiros e dois tripulantes. Ironicamente, o prefixo do jatinho era PT-LSD.

Como editor, participei ativamente do fechamento antecipado da Manchete no domingo. Soube do acidente pelo jornaleiro da minha banca na manhã de domingo. As equipes da sucursal de São Paulo partiram cedo para a região de mata cerrada da Cantareira à altitude de 1006 metros.

Devido a um excelente relacionamento com a assessora de comunicação da EMI, Marília Van Boekel Cheola, a revista dispunha de fotos fabulosas e exclusivas dos Mamonas. Pressentindo o sucesso da banda, Marília praticamente sequestrara os meninos durante um dia inteiro e os fizera fotografar com os figurinos mais coloridos e extravagantes. Quanto à cobertura no local do acidente, nossos fotógrafos não chegavam a ser alpinistas e tivemos de recorrer também a fotos da Agência Estado assinadas pelo fotógrafo Vito Fernandes. Aí ocorreu um terrível equívoco de tecnologia, que quase nos custou a apreensão da revista. No calor do fechamento, madrugada de domingo para segunda, recebemos algumas radiofotos em cores. Na redação, não tínhamos recursos para visualizar a imagem. Quem faria o acoplamento das três radiofotos separadas nas cores básicas era a gráfica em Parada de Lucas, que imprimiu a imagem conforme paginada, sem entrar no mérito do seu conteúdo. Publicamos assim, involuntariamente, uma foto mostrando os corpos dilacerados dos Mamonas, o que causaria não só o protesto dos fãs como a quase-censura das autoridades. No meio de toda aquela confusão do fechamento, recebemos de São Paulo um envelope enviado pelo fotógrafo Vic Parisi com um pedaço do avião dos Mamonas. Pedi a um fotógrafo, dentre os muitos que cercavam a mesa de edição, que fizesse uma reprodução caprichada do “troféu”. O pedaço de metal amarelo cheirando a querosene do jatinho PT-LSD sumiu naquela noite – e para sempre na noite dos tempos. Nos meses e anos que se seguiram, Vic Parisi – com sua perseverança de pastor evangélico – me atormentou com cobranças para que lhe devolvesse a peça. Acho que deve estar pensando até hoje que lhe surrupiei aquela “relíquia macabra”...

domingo, 31 de agosto de 2025

Luís Fernando Verissimo (1936-2025) - Ele psicanalisou o Brasil. Botou deitado no sofá esplêndido o país do coqueiro que dá coco




por José Esmeraldo Gonçalves

Érico Verissimo e Luís Fernando Verissimo foram próximos à Manchete, de certa forma. Érico era cunhado de Justino Martins, diretor da revista do final dos anos 1950 até 1983, quando faleceu. Talvez Verissimo, o filho, tenha herdado essa afinidade. Costumava atender os repórteres da Manchete, para a qual escreveu vários depoimentos e pelo menos duas grandes matérias: uma intitulada "Os Gaúchos", outra, "Minha Vida com Papai". 

Verissimo parecia sempre manso e discreto, mas era capaz de se multiplicar em tantas e intensas versões. Uma divisão celular talvez tenha criado os Verissimos escritor, cartunista, humorista, tradutor, roteirista, dramaturgo, publicitário e saxofonista. Não é exagero dizer que Verissimo psicanalisou o Brasil deitado no sofá esplêndido.  

Não era homem de buscar conflitos. A ironia que os alvos mal percebiam era a sua arma mais poderosa. Um diálogo das Cobras de Verissimo, nos anos 1970, talvez tivesse um poder de fogo maior do que todos os artigos do irado Paulo Francis. As cobras eram um alter ego divertido e venenoso do escritor. Verissimo fará falta, aliás faz falta desde que um AVC o afastou da escrita. 

Neste registro, recordamos alguns textos de Verissimo na antiga revista Manchete

Você pode acessá-los nos links abaixo.

Um Gaúcho em Manhattan

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=004120&pesq=Lu%C3%ADs%20Fernando%20Ver%C3%ADssimo&pagfis=196651



Os Gaúchos

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=004120&pesq=Lu%C3%ADs%20Fernando%20Ver%C3%ADssimo&pagfis=225908




Luís Fernando Verissimo - Minha Vida com Papai

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=004120&pesq=Lu%C3%ADs%20Fernando%20Ver%C3%ADssimo&pagfis=227058

 

sábado, 30 de agosto de 2025

Na capa da Fórum: a esquina do pecado


Comentário do blog  - Se o mercado fosse uma religião, a rua Faria Lima seria o Vaticano da especulação financeira. O mercado é uma espécie de divindade para os comentaristas de economia da midia neoliberal e para os próprios economistas. 

Sempre que o governo toma uma medida pensando no país e não apenas na banca, todos correm para ouvir o mercado. Seja lá o que for, a mídia propaga no dia seguinte: "o mercado reagiu mal". Sabe-se agora que a Faria Lima reagia bem era ao PCC.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Na capa da Carta Capital: o novo figurino do golpe

 



Comentário do blog  - Dilma foi golpeada por um conluio jurídico, legislativo e empresarial. Bolsonaro e os kids pretos, com apoio do agronegócio e dos neopentecostais tentaram o golpe após o primeiro turno das eleições, recrutaram terroristas para explodir o aeroporto de Brasília, planejaram assassinatos e criaram o túmulto do 8 de janeiro como a última chance de atrair a ala fascista das Forças Armadas. Foram barrados por militares que não aceitaram participar do golpe..Agora tentam outros caminhos. A "ajuda" da extrema direita trumpista, o impacto financeiro do tarifaço provocado pelos Estados Unidos, uma tentativa de criar uma crise no Banco do Brasil através de fake news e da recusa do agro em pagar os empréstimos do banco que tradicionalmente financia o agronegócio. Essa é a nova rota para implodir a democracia brasileira. O que choca os brasileiros democratas é a insistência da mídia em dar espaço para os golpistas e tratar como iguais tanto que defende quanto quem ataca os valores democráticos. Se a mídia não entender o que está acontecendo vai repetir o seu papel sujo de 1964.


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

" A lei nóis mesmo faz"

Se uma PEC pretende "legalizar" crimes deve ser chamada de PEC da Blindagem ou PEC da Bandidagem? 


Revista The Economist pega Bolsonaro pelos chifres

 


Na capa da revista britânica The Economist, edição atual, Bolsonaro aparece com o figurino do extremista "viking" que invadiu o Capitólio incentivado por Trump quando perdeu a eleição para Joe Biden. 

Foi o "8 de janeiro" deles. 

Trump saiu impune, foi reeleito depois e deu no que deu. 

"O que o Brasil pode ensinar à América" , é isso que a revista compara. Bolsonaro vai a julgamento. Pode ser condenado. Mas a extrema direita pretende melar a possível condenação. E tem muitas chances com o projeto de anistia e outras medidas. A interpretação da Economist é válida por destacar a democracia brasileira - resistente a cada ameaça - e classificar Bolsonaro, definitivamente, como um extremista da direita enlouquecida. 

Sim, o Brasil é uma democracia, apesar das mentiras dos bolsonaristas. Trump acredita neles. O que perde credibilidade no mundo é a democracia americana. Fora do gado trumpísta, uma parcela considerável da opinião pública estadunidense acredita que Trump faz o impensável: coloca em risco instituições seculares.  

A capa da Economist circula nas redes sociais. Bolsonaro talvez lute contra os neurônios para entender a mensagem. Oficialmente, não pode se conectar à internet, mas algum amigo sempre lhe empresta o wifi. 

O que a revista britânica jamais imaginaria é que a rapaziada da web dá interpretação livre para o par de chifres. E isso também é Brasil.      

Bozobet - faça sua aposta - O que vai acontecer com Bolsonaro...

por O.V.Pochê 

A Polícia Federal teme que Bolsonaro deixe a casa escondido em mala de carro. Já as redes sociais comentam que ele pode pedir emprestado o disfarce do pastor peguette e se mandar de peruca loura e fio dental. Veja as demais hipóteses da bolsa de apostas.

- Trump vai enviar marines para resgatar o seu parça. 

- Com tochas fumegantes, como nas manifestações nazistas, o gado insone vai ocupar a esplanada até a conclusão do julgamento de Bolsonaro. 

- As igrejas de Silas Malacraia estarão em virgília permanente e em greve de fome. 

-  As bancadas bolasonaristas no Congresso vão anistiar o passado, o presente e o futuro de Bolsonaro.

- Se inocentado, Bolsonaro vai subir de joelho as escadas que levam à suíte de Trump na Casa Branca. Logo atrás, Valdemar Costa Neto e Tarcísio de Freitas levarão almofadas para as devidas pausas para o descanso do "mito" no sacrifício.

- Bolsonaro será condenado a 12 anos de cadeia em regime fechado, dividindo a cela com Carla Zambelli e Michelle. 

- Bolsonaro será condenado mas terá a pena convertida para  prestação de servioos domésticos na mansão de Trump em Mar-a-Lago, Flórida.

- Bolsonaro será condenado a ler todos os livros de Olavo de Carvalho. 

- Se anistiado e eleito ano que vem, o primeiro ato de Bolsonaro será extraditar Alexandre de Moraes para os Estados Unidos sob custódia de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. 

Mídia - o caso do gari assassinado e a campanha para "humanizar" o assassino confesso

Um famoso advogado carioca muito atuante dos anos 1970 em casos de homicídio de grande repercussão costumava dizer que os primeiris dias após o crime era a hora da defesa ganhar a hora de ganhar ma causa. Ele enumerava várias estratégias. Algumas: ficar atento às possíveis falhas da perícia;  pinçar as contradições das testemunhas: alimentar e confundir a opinião pública com as várias versões do assassino; e, por fim, mostrar o "lado humano" do criminoso arrependido. Coincidência ou não essas lições são usadas no caso do assassinato do gari em BH. O crime foi tão gratuito e covarde, que logo impactou a opinião pública. O assassino, que já trocou de advogados três vezes, desfila uma série de versões.

- Inicialmente falou que não havia passado pela rua onde se deu o crime, que o carro visto no vídeo não era o dele.

-- Alegou que o GPS do seu carro estava à disposição para confirmar trajeto e horários.

- Revelou que ao chegar em casa ligou para a mulher, delegada, " para pedir orientação".

- Essas alegações foram, aos poucos, ladeira abaixo.

- As principais testemunhas deram relatos coerentes e seguros. Não tiveram dúvidas em reconhecer o criminoso.

- A placa do carro vista no vídeo levou ao endereço e nome da proprietária, a mulher do assassino confesso. 

- As câmeras do prédio onde mora o assassino confesso mostraram o momento em que ele guarda a arma do crime em uma mochila.

- A polícia confirma que a arma que o assassino confesso portava estava registrada em nome da delegada e a perícia confirmou que foi a arma usada no crime.

- O assassino confessou o crime e, em seguida, enumerou remédios que tomava para conter a ansiedade ou algo assim. 

- A última justificativa para o ato covarde foi dizer que tudo não passou de um lamentável acidente. 

- Outros ezemplos de humanização certamente virão ao longo do pocesso.

Mídia: a "arte" de surfar na pauta alheia

por Ed Sá

Um fenômeno que piora quando as redações estão tensas e sob voos de passaralhos. A Globo, por exemplo, tem dois conhecidos apresentadores que cultivam o mau hábito de surfar na prancha, digo, pauta alheia. 

Observem. Uma determinada reportagem levanta um assunto exclusivo e forte. O apresentador ou a apresentadora cumpre a função de chamar o repórter e conduzir o roteiro da edição e, em certo momento, anuncia: "liguei para uma fonte" e blá blá blá", tenta acrescentar algo à noticia. Geralmente nada que adicione uma "bomba* ao que o repórter ou a repórter trazem. Dá a impressão de que o impulso é apenas vaidade ou é um recurso pouco ético para impressionas as chefias.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Netanyahu acaba de alcançar um recorde: é o líder cujas bombas já mataram mais jornalistas do que a Primeira e Segunda Guerras e o conflito do Vietnã




por José Esmeraldo Gonçalves

Benjamin Netanyahu já está na galeria dos mais brutais criminosos de guerra desde que as Convenções de Genebra tentaram ordenar os excessos nos campos de batalha. Em 1929, chocados com as atrocidades cometidas na Primeira Guerra Mundial, os líderes ocidentais assinaram compromissos e normas para a defesa de prisioneiros de guerras, feridos, doentes e civis. Aos primeiros documentos seguiram-se vários acordos adicionais para proteger não combatentes, náufragos e proibir o uso de gases venenosos. Ao longo de décadas, a evolução tecnológica das máquinas de guerra foi objeto de outros protocolos. 

A guerra em Gaza praticamente rasga essas posturas. 

A reação aos atentados realizados pelo grupo terrorista Hamas foi legítima na origem, mas ultrapassa todos os limites e provoca reação mundial. A guerra também é alvo de protestos de muitos israelenses e condenada por judeus em vários países. O poderoso governo de extrema direita que comanda Israel ignora essas reações. Uma consequência dos ataques à população civil de Gaza (estima-se em mais de 60 mil o número de mortos) são os lamentáveis episódios de antisemitismo que ocorrem principalmente nas cidades da Europa. 

Netanyahu e seus comparsas viram na ação terrrorista do Hamas uma oportunidade para varrer a Palestina no mapa. Um símbolo cruel da estratégia rumo a esse objetivo são as cenas que mostram soldados israelenses metralhando multidões famintas que disputam os alimentos que eventualmente chegam a Gaza.  Essas imagens atravessam o cinturão militar e chegam ao mundo graças a repórteres, fotojornalistas e cinegrafistas que registram a barbárie. Esses profissionais são alvo da ira de Netanyahu que se incomoda com a divulgação das atrocidades. Os números em escalada mostram que 194 jornalistas foram mortos em Gaza desde 2023 (o Sindicato de Jornalistas Palestinos estima em 246 os profissionais da mídia assassinados em menos de dois anos e  a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) estima que  mais de 200 profissionais de imprensa que foram mortos desde o início da guerra entre Israel e o Hamas). São cifras que ultrapassam os da Primeira e Segunda Guerras somados (69 vítimas) mais os jornalistas mortos na guerra do Vietnã (71). Na guerra da Ucrânia, até agora, 19 profissionais foram assassinados.

O último ataque de Israel ao hospital onde estavam os jornalistas emula uma terrível tática aplicada durante a Segunda Guerra Mundial e replicada nas décadas seguintes por grupos terroristas. Trata-se do ataque da "segunda bomba". A primeira devasta o alvo, deixa mortos e feridos; a segunda visa arrasar os sobreviventes e, principalmente, as brigadas e voluntários que socorrem os feridos. Foi essa segunda bomba que ampliou o rio de sangue no hospital bombardeado. Os ataques teria sido efetuados por drones cujas câmeras visualizam e confirmam detalhes do alvo, o que reduz a hipótese de erro 

Netanyahu sempre justifica as mortes com o argumento de que terroristas do Hamas estão infiltrados entre os correspondentes de guerra da AFP, Reuters, Al Jazeera, New York Times. O ataque ao hospital visava, segundo ele, um repórter que supostamente foi ligado ao Hamas. Provas? Netanyahu nunca precisa de provas para lançar bombas onde quer que seja sobre não combatentes, incluindo crianças.                        

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Jaguar (1932-2025) - Em 1957, o cartunista que seria um dos fundadores do Pasquim publicou sua primeira página exclusiva na antiga revista Manchete, da qual foi colaborador



 

Em 1957, Jaguar dangou uma página na Revista Manchete. Reprodução da edição


por José Esmeraldo Gonçalves  

A edição 271 da antiga Manchete trazia uma página assinada por Jaguar. Ele já havia colaborado com a revista que chegara às bancas em 1952.  A novidade oferecida ao leitores era a página exclusiva do cartunista que faria história a partir de junho de 1969, quando foi um dos fundadores do Pasquim e deu traços ao Sig, o rato implacável e inesquecível.  O jornal foi um fenômeno de vendas, soube fazer a hora e, usando o humor como arma, tornou-se um símbolo da luta contra a ditadura. Os gorilas entendiam de pau de arara e não sabiam lidar com humor. Chegaram a prender toda a redação invocando as mais variadas desrazões. No caso do Jaguar, o "crime" foi uma charge que parodiava o grito da Independência e botava D. Pedro pedindo mocotó às margens do Ipiranga. Odiaram a piada. 
Em cada uma das milhares de charges que criou Jaguar imprimia seu estilo único e certeiro. Difícil escolher a melhor. Entre aquelas que mais gosto e que resume humor com gotas precisas de acidez e bouquet de ironia vai essa abaixo reproduzida do Pasquim. 


    

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

O material de divulgação do novo álbum de Taylor Swift The Life of a Showgirl) remete a Nicole Kidman no filme Moulin Rouge


Taylor Swift como uma deslubrante showgirl europeia. Reprodução Instagram



O novo álbum dsa cantora ("The Life of a Showgirl" tem um certo clima que lembra 
Nicole Kidmann filme "Moulin Rouge". Foto Divulgação



por Ed Sá

Durante sua última turnê na Europa, Taylor Swift criou "The Life of a Showgirl", produzido na Suécia. Segundo a cantora, o novo álbum se inspira no que aconteceu nos bastidores da turnê "The Eras Tour". Musicalmente, é um retorno ao pop. O que não se sabe é se "The Life of a Showgirl" fará referência a um acontecimento trágico que marcou sua passagem pelo Rio de Janeiro quando uma fã não resistiu ao calor e sofreu uma parada respiratória fatal no Engenhão, palco da apresentação carioca da turnê Eras Tour.  

Mistério na Glicério - Sexto Capítulo - "Uma casa de bonecas" - Um folhetim noir escrito por Roberto Muggiati

 

O blog Panis Cum Ovum publica o folhetim Mistério na Glicério, de Roberto Muggiati, originalmente lançado no República, voz não-oficial da República Independente de Laranjeiras, editado quinzenalmente por Ricardo Linck, do Maya Café.