terça-feira, 5 de abril de 2022

Frase polêmica da cantora Anitta em revista americana incendeia as redes sociais

 

Anitta na capa e a...

... frase polêmica em destaque

por Ed Sá
A cantora Anitta está no alvo do bombardeio nas redes sociais. Em entrevista para a Nylon Magazine, que será distribuída durante o festival Coachella e da qual ela é capa, ela declarou que "no Brsil todo mundo quer se divertir e transar". Nada contra, mas muita gente não gostou. A frase - dizem - reforça o estereótipo que, no exterior, classifica o Brasil como paraíso da fudelança.  Anitta reagiu mas com um chavão muito usado por gente do governo Bolsonaro flagrada em declarações racistas, nazistas, machistas e preconceituosas em geral. Segundo a cantora, "a frase foi tirada do contexto".

Alô garotada. Faça seu título de eleitor e desafie a ultra direita que não quer que você vote


A capa da Carta Capital mostra o protesto dos jovens durante os shows do Lollapalooza. O governo Bolsonaro tentou censurar as manifestações, acionou seus currais e foi derrotado pela rebeldia democrática. A cena assustou os neofascistas, fez tremer a direita radical. Daí, a horda intensificou a campanha surda que é contra o título de eleitor para os brasileiros de 16 anos. Em canais bolsonaristas como a Jovem Pan jornalistas comprometidos com a ultra direita criticaram as redes sociais que estimulam os jovens a tirarem o título de eleitor. O voto jovem é cidadania. 

QUEM COMPLETAR 16 ANOS ATÉ A DATA DA PRÓXIMA ELEIÇÃO DEVE OBTER O TÍTULO ELEITORAL ATÉ O DIA 4 DE MAIO

Neymar na prateleira?

A mídia esportiva da Europa especula que Neymar pode deixar o PSG na próxima janela de transferência. Se confirmada, essa seria uma boa notícia para a seleção brasileira. Haveria um interesse da Juventus e do Manchester United.  Até no Barcelona tem diretor que gostaria de ver Neymar de volta. O PSG, por sua vez, desandou. Velórios são mais animados do que o vestiário do time que chegou no ponto de se refazer, recomeçar praticamente do zero. Messi também pode sair em julho. A chance de Neymar fazer as pazes com a bola não está mais no Parc des Princes. A seleção brasileira agradece se o atacante partir para novos ares motivacionais neste segundo semestre.

Exaltação à perversidade

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL) debochou da tortura sofrida por Miriam Leitão durante a ditadura. Em uma das sessões, a jornalista, grávida, foi deixada em uma cela escura onde os torturadores mantinham uma cobra. Assim como o pai - líder da facção familiar que há anos  ironiza episódios como esse e homenageia assassinos - Eduardo Bolsonaro vê comédia onde houve crueldade. Ele escreveu nas redes sociais, uma espécie de covil das baixarias do clã, que tinha pena da cobra. Na postagem, reproduziu uma das colunas onde Miriam Leitão definia como erro da chamada terceira via "tratar Lula e Bolsonaro como iguais", e alertava que Bolsonaro "é inimigo confesso da democracia". Ao lado da reprodução, o filho do presidente escreveu  a frase "ainda com pena da" e acrescentou um emoji de uma cobra. 

O debochado recebeu críticas de políticos, jornalistas, escritores e nas redes  sociais que reagiram chocadas com o nível do ataque à jornalista. Mais uma agressão que de fato confirma o que Miriam Leitão escreveu: a facção no poder é inimiga da democracia.


Deputados de oposição anunciam que recorrerão ao Conselho de Ética da Câmara contra ao ataque vil de Eduardo Bolsonaro.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Frase do Dia: o livre pensar do Millor Fernandes

 “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.”

MILLOR FERNANDES

"O Marajá": novela proibida reaparece misteriosamente no You Tube.

 

Na Folha de São Paulo, o místério da minissérie O Marajá.

por José Esmeraldo Gonçalves

A edição de ontem da Folha de São Paulo revela mais um mistério em torno da extinta Rede Manchete. Em 1993 a emissora gravou a minissérie O Marajá, com estreia prevista para 26 de julho daquele ano. A trama recriava os anos tumultuados do governo Collor de Mello. E, claro, o personagem principal, chamado "Elle", caricaturava o próprio político, que hoje é um apêndice do bolsonarismo. 

Escrita por José Louzeiro, Regina Braga, Eloy Santos e Alexandre Lidya, O Marajá foi censurado. O ex-presidente, cujo impeachment havia sido aprovado em setembro de 1992, entrou com uma ação na justiça impedindo a transmissão da minissérie. 

A partir daí, entra em cena o mistério da vida real. Adolpho Bloch acatou a decisão e pessoalmente mandou trancar todas as fitas em um cofre. Enquanto Collor permaneceu livre e solto, "Elle" passou anos aprisionado no tal cofre instalado em algum lugar do Edifício Manchete, na Rua do Russell. Em novembro de 1995, Adolpho Bloch faleceu. Cessava sua responsabilidade pessoal sobre o cofre blindado. A Rede Manchete, por sua vez, começava agonizar envolvida em dívidas e em operações sucessivas e mal sucedidas de tentativas de venda da rede. Ora era adquirida por empresários e até um  "bispo" evangélico, ora retornava aos Bloch por calote dos compradores. A crise desgastava a empresa, mas O Marajá, pelo que se sabia, repousava no escurinho do cofre, já quase esquecido, praticamente. Mas não por todo mundo. Alguém lembrou de  resgatar "Elle", que sumiu sem deixar pistas até reparecer agora no You Tube,  

A venda da Rede Manchete, afinal concretizada em 1999 e, no ano seguinte, a falência da Bloch Editores, colocaram um ponto final no que foi um importante conglomerado de comunicação.

Anos depois, algumas novelas da Rede Manchete reapareceram no SBT. Surgiram notícias de que parte do acervo estava com a TV Cultura, em São Paulo e haveria a intenção de levar ao ar alguns programas. Aparentemente, o temor de questões jurídicas ligadas a direitos autorais provocou o cancelamento do projeto.

 Recentemente, em leilão realizado pela Massa Falida de TV Manchete, sediada em São Paulo, um comprador não identificado, que teria sido representado por um procurador, adquiriu milhares de gravações de telejornais, programas especiais de jornalismo, shows, documentários, novelas, entrevistas, grandes eventos etc que pertenceram à Rede Manchete. Não se conhece o estado de conservação desse material. É certo, apenas, que é de grande valor para a memória da TV brasileira. 

Aliás, a Bloch não deu sorte com o seu legado jornalístico. Também mistério, como se sabe, é o destino do arquivo fotográfico que reunia décadas de produção fotográfica das revistas Manchete - que no dia 26 de abril comemoraria 70 anos, se viva fosse -, Fatos & Fotos, Fatos, Amiga, Desfile, Domingo Ilustrado, Mulher de Hoje, Ele Ela, Sétimo Céu, Joia, além de publicações dirigidas de economia, agricultura, medicina, informática e edições especiais sob os mais variados temas. O acervo foi leiloado, adquirido por um advogado, e sumiu como O Marajá. 

A minissérie, pelo menos, reaparece agora. O acervo das TV materializou-se no leilão em São Paulo. Já o arquivo fotográfico, com milhões de cromos, negativos e cópias, continua desaparecido. 

O que não desapareceu totalmente ainda foi a dívida da Massa Falida da Bloch Editores com seus ex-funcionários. A maioria recebeu os valores principais das indenizaçoes, mas não vê a cor da correção monetária devida (foram pagas apenas três parcelas). Há cinco anos esses pagamentos também viraram mistério. Além disso, há funcionários habilitados que ainda não receberam nem mesmo os tais valores prncipais das indenizações. 

Os ex-funcionários da TV Manchete - que não faliu, foi vendida - enfrentam uma luta também difícil. A venda da Rede Manchete foi uma operação que os lançou em um jogo de empura que se revelou uma armadilha. A TV Ômega, que adquiriu as concessões, conseguiu na justiça escapar da responsabilidade sobre as indenizações trabalhistas (chegou a pagar alguns processos de ex-funcionários da Bloch, mas foi ressarcida pela Massa Falida da Bloch Editores); uma segunda empresa envolvida na compra, denominada TV Manchete Ltda, foi adquirida por outro empresário que tomou um sumiço equivalente ao Marajá. A muito custo, ex-funcionários obtiveram a formação da Massa Falida de TV Manchete, essa que realizou o citado leilão de fitas de gravação e de um terreno com edificação em Campinas (SP), cujos resultados financeiros, não tão expressivos, seriam destinados a pagamentos aos credores trabalhistas.

O que preocupa os ex- funcionários da Bloch Editores é que massas falidas em geral costumam praticar autofagia aguda: quanto mais demoram mais consomem os bens garantidores das indenizações. Despesas judiciais, custos de administradores, advogados, seguros, manutenção, derrotas em processos etc pulverizam o patrimônio. Imagine isso ao longo do tempo: a Massa Falida da Bloch Editores apagará velinhas de 22 anos em agosto próximo.

Como se vê, não é apenas o mistério de O Marajá que assombra o desfecho da Bloch Editores e da Rede Manchete. 


sábado, 2 de abril de 2022

Frase do Dia: Freud duvida...

 "Nunca tenha certeza de nada. A sabedoria começa com a dúvida.”

Sigmund Freud

sexta-feira, 1 de abril de 2022

O golpe já está aí

 


Copa: a bolinha do sorteio foi amiga do Brasil?

Não parece muito amiga. Podia ser melhor. O sorteio para o Catar acabou sem formar um "grupo da morte". Embora a chave do Brasil apresente adversários que podem complicar. Suíça costuma endurecer, Sérvia tem técnica e Camarões pode ser carne de pescoço. Com certeza não é um passeio. Ou seja: Brasil não pode achar que está de bola cheia e vai passar fácil. Outro complicador é o fato de a seleção brasileira não ter jogado e nem vai jogar ao longo do ano com forças europeias. O desempenho do time do Tite e uma incógnita no caso desses adversários. Resumindo: o melhor que o Brasil pode fazer é calçar as sandálias da humildade. Não somos favoritos, temos jogado apenas na América do Sul e isso atualmente não prova nada. O próprio Tite, entrevistado após o sorteio, já parece mais tenso. Ficou ligeiramente irritado com as perguntas mais objetivas e menos oba-oba do grande ex-lateral Júnior. Tite confessou que não tem "parâmetro" para avaliar os primeiros adversários. É bom que se ligue nisso. Até porque os jogadores serão liberados para se incorporar à seleção muito em cima da estreia na Copa. Como diz o Galvão, haja coração.

Frase do Dia: Marcuse falou há quase 60 anos (e o filósofo nem sonhava com o poder controlador dos algorítmos

 "A tecnologia também garante a grande racionalização da não-liberdade do homem e demonstra a impossibilidade 'técnica' de a criatura ser autônoma, de determinar sua própria vida"

Herbert Marcuse (do livro Ideologia da Sociedaede Industrial lançado em 1964) 

Tite quer levar 26 jogadores para o Catar. Vão ter que usar crachá pra ele saber quem é tanta gente


Se a FIFA atender Tite o banco de reservas da seleção brasileira vai ficar parecendo um BRT lotado Reprodução Twitter.

quinta-feira, 31 de março de 2022

Brasil na Copa: "a hora é Hexa" ? Jura?

O Estádio de Lusail, a cidade especialmente construida próximo a Doha, receberá o jogo final da Copa do Catar. O Brasil vai chegar lá? Foto Divulgação/FIFA

por Niko Bolontrin

Amanhã a seleção brasileira saberá dos primeiros adversários na Copa do Mundo 2022. Alemanha e Holanda poderão estar no caminho. Se a bolinha do sorteio não favorecer, o time de Tite cairá no "grupo da morte".  Melhor, não. 

O certo é que o Brasil, que voltou a liderar o ranking da FIFA, chegará ao Catar no escuro. Longe de saber se o seu futebol que foi exageradamente exaltado durante a mediocridade da Eliminatórias será suficiente para enfrentar as principais seleções europeias. Vai descobrir em campo, assim como se surpreendeu com a Bélgica na Copa de 2018. A Bélgica, aliás, é a segunda colocada no mesmo ranking.

Nos últimos anos a Europa se fechou para amistosos contra seleções de outros continentes. Tem bastado aos países da comunidade um calendáro pra valer e de alto nível técnico: a dureza das Eliminatórias regionais sem "galinha morta", a poderosa Copa da UEFA e a Liga das Nações: 

Parece-me que Tite terá cinco amistosos preparatórios até embarcar para Doha. No roteiro, jogos contra seleçoes da Ásia, África, da Concacaf. Resta um amistoso válido contra a Argentina. Da Concacaf só vale como treino se o adversário for o México.  

Em 2022 a seleção brasileira comemora 20 anos do Penta, a épica jornada de 2002. Se não trouxer o caneco vai igualar em 2026 o maior intervalo entre seus títulos de campeã (de 1970 a 1994 = 24 anos).

Volta o slogan: "a hora é Hexa". 

31 de março: o dia dos degenerados

por José Esmeraldo Gonçalves

Por não ter punidos torturadores e assassinos da ditadura, como fizeram Argentina e Chile, o Brasil jamais fechará as cicatrizes de um dos períodos mais trágicos da sua história, mas não deve esquecê-lo nunca.

Há poucos dias, Christiane Pelajo, âncora da Globo News, ao comentar a morte do ilustrador Elifas Andreato disse, de passagem, que Vladimir Herzog sofreu "maus tratos" na ditadura. O vídeo com a fala circula nas redes sociais. Saiba a jornalista que Herzog, também jornalista, foi torturado e assassinado nas dependências da máquina dos horrores que era o DOI CODI em São Paulo. Transformar um crime político brutal em "maus tratos" é agredir a história, é desprezar o drama de uma família, é desonesto. É tentar apagar a verdade. 

Assim como desonesta e mentirosa é a nota divulgada ontem pelo Ministério da Defesa saudando a ditadura assassina e corrupta, tantas foram as mortes e os escândalos que a censura impedia de se tornarem públicos e dos quais o aparelhamento da justiça vetava a apuração isenta. A nota grotesca dos generais fala também em êxito econômico da ditadura. Outra mentira. A fachada "desenvolvimentista" dos militares tornou empreiteiros milionários e seus benefícios não chegaram à população. Em 21 anos de autoritarismo a distribuição de renda caiu a níveis críticos, bem piores do que os índices do fim da década de 1950 e começo dos anos 1960. A partir de 1980, ao sair pela porta dos fundos do Planalto, em 1985, o último ditador de plantão deixou uma dívida externa monumental, uma explosão inflacionária e uma crise econômica e social galopantes. Sob o tapete do palácio ficaram os famosos escândalos de  corrupção engavetados sob os rótulos Lutfallla, Delfin, GE, Capemi, Coroa Brastel...   

Cinquenta anos depois, os militares voltaram ao poder no embalo de outro golpe, o que tirou do governo sem qualquer motivo legal uma presidente democraticamente eleita. A conspiração resultou na eleição de Jair Bolsonaro que se cercou de generais e distribuiu cargos e "boquinhas" a  milhares de outros militares. Não por acaso, tornaram-se frequentes as ameaças à democracia, com acenos de novo golpe, agressões ao Supremo Trubunal Federal, a ocupação de instituições vitais, o desprezo às ações contra a pandemia, a omissão e o incentivo à destruição da Amazônia, entre outros desmontes do Estado em nome de interesses privados. 

Bolsonaro postula a reeleição e anuncia como seu vice precisamente o general linha-dura (esse termo também está de volta) que divulgou a nota-exaltação da ditadura.  Não há nada a comemorar no dia dos degenerados.

Frase do Dia: George Orwell e as eleições


Um povo que elege políticos corruptos, impostores, ladrões e traidores não é uma vítima, mas um cúmplice.”

                               

George Orwell, o escritor que inventou a entidade do Big Brother, em sua distopia “1984”, publicada em  1948.

 

 

quarta-feira, 30 de março de 2022

Cadeia legislativa

 


Frase do Dia (de um poeta e dramaturgo vítima de difamação)

 " A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre" 

Oscar Wilde  (1854-1900)

A agonia do Pantanal

 

Reprodução Twitter

Reprodução Twitter

por Ed Sá

As redes sociais se dividem em elogios ao remake de Pantanal - novela que fez sucesso histórico na Rede Manchete há pouco mais de 30 anos - e  a alertas quanto à realidade do universo rural que mudou para pior. A exuberância da natureza não é mais a mesma. 

Há quem veja no cenário romântico da ficção da Globo marcas da destruição progressiva de um bioma de valor incalculável para o planeta.  Talvez por isso, há excesso de closes. 

A pergunta é: o desenrolar da novela vai ignorar isso? A composição dos personagens passará ao largo da triste realidade? A arte prestará um serviço ao denunciar a hecatombe ecológica. 

De resto, uma constatação: se algum canal de streaming quiser fazer novo remake de Pantanal daqui a dez anos terá de usar recursos digitais e técnicas computacionais. O Pantanal como o conhecemos só existirá em pixels.

terça-feira, 29 de março de 2022

Na capa da IstoÉ: a corrupção vai na fé

 


Na capa da Carta Capital: a pátria enlameada

 


Alain Delon decide morrer • Por Roberto Muggiati

Alain Delon em cena de "O Sol por
Testemunha

Durante a pandemia tenho visto muito filme de Alain Delon. Uma beleza de ator, em todos os sentidos. Estrela da série de DVDs Filme Noir Francês, ele brilha em “Borsalino”, sobre a Máfia de Marselha – que antecipou em dois anos “O poderoso chefão” – , num noir político atualíssimo, “A morte de um corrupto”, e em Os sicilianos”, com Jean Gabin e Lino Ventura. Revi também sua interpretação magistral em “O sol por testemunha”, fazendo o melhor Tom Ripley de toda a saga do herói amoral de Patricia Highsmith. E não há como esquecer a figura solitária do assassino de aluguel em “O samurai”, no clássico dirigido por Jean-Pierre Melville. E, ainda há poucos dias, topei no YouTube com um thriller sobre a Guerra da Argélia, com Lea Massari, e um título que define Delon, “O insubmisso”.

Fui surpreendido agora pelo anúncio que Delon, 86 anos, acaba de fazer pública sua decisão de morrer por suicídio assistido na Suíça, país onde mora e do qual tem a nacionalidade. Disse ele: “Minha vida tem sido linda, mas também muito difícil. E, a partir de certa idade, temos o direito de ir embora tranquilamente”. Há poucos dias, o filho de Alain, Anthony Delon, disse à imprensa que acompanharia o procedimento quando o pai marcasse uma data. 

Alain Delon já tinha manifestado sua “ânsia de morrer” em 2017, depois da morte de sua ex-mulher Mireille Darc: “Hoje, prefiro ter 81 anos a 40. Não terei muitos anos mais para viver sem ela, não há muito tempo para sofrer. Sem ela, também posso partir”. 

Outra história de eutanásia: a cantora Françoise Hardy, 78 anos, ícone da jovem guarda francesa, disse recentemente que se sente "perto do fim da vida" e é a favor do suicídio assistido. Diagnosticada com câncer linfático em meados dos anos 2000, descobriu um tumor no ouvido em 2018. Ela já havia sido colocada em coma induzido em 2015. Em entrevista por e-mail, pois tem muita dificuldade em falar e ouvir, Françoise disse que os anos de radiação e quimioterapia causaram uma dor imensa. "Cabe aos médicos abreviar o sofrimento desnecessário de uma doença incurável a partir do momento em que ela se torna insuportável”.

Não conheci Delon em pessoa, mas tive a sorte de compartilhar alguns momentos na mesma sala com Françoise Hardy, uma graça, em 1970, no Hotel Glória. Ejetado da chefia de Fatos&Fotos – graças-a-deus! – eu me vi sem rumo certo como repórter especial da Manchete. No Glória, tomei um chá de cadeira à espera de ser recebido por Paul Simon, que era o presidente do Festival Internacional da Canção daquele ano. Havia uma seção na revista chamada Fulano no Paredão – pequena contribuição da revolução de Fidel para o jornalismo brasileiro e ainda hoje vigente no BBB – pessoas famosas do mesmo ramo do entrevistado faziam perguntas para ele. Ignoro até hoje o que prendeu a famosíssima Françoise Hardy por dez ou quinze minutos naquela saleta apertada. Na época, me permiti até dar asas a uma fantasia insana: seria pelo prazer da minha companhia?