sexta-feira, 1 de abril de 2022
Copa: a bolinha do sorteio foi amiga do Brasil?
Não parece muito amiga. Podia ser melhor. O sorteio para o Catar acabou sem formar um "grupo da morte". Embora a chave do Brasil apresente adversários que podem complicar. Suíça costuma endurecer, Sérvia tem técnica e Camarões pode ser carne de pescoço. Com certeza não é um passeio. Ou seja: Brasil não pode achar que está de bola cheia e vai passar fácil. Outro complicador é o fato de a seleção brasileira não ter jogado e nem vai jogar ao longo do ano com forças europeias. O desempenho do time do Tite e uma incógnita no caso desses adversários. Resumindo: o melhor que o Brasil pode fazer é calçar as sandálias da humildade. Não somos favoritos, temos jogado apenas na América do Sul e isso atualmente não prova nada. O próprio Tite, entrevistado após o sorteio, já parece mais tenso. Ficou ligeiramente irritado com as perguntas mais objetivas e menos oba-oba do grande ex-lateral Júnior. Tite confessou que não tem "parâmetro" para avaliar os primeiros adversários. É bom que se ligue nisso. Até porque os jogadores serão liberados para se incorporar à seleção muito em cima da estreia na Copa. Como diz o Galvão, haja coração.
Frase do Dia: Marcuse falou há quase 60 anos (e o filósofo nem sonhava com o poder controlador dos algorítmos
"A tecnologia também garante a grande racionalização da não-liberdade do homem e demonstra a impossibilidade 'técnica' de a criatura ser autônoma, de determinar sua própria vida"
Herbert Marcuse (do livro Ideologia da Sociedaede Industrial lançado em 1964)
Tite quer levar 26 jogadores para o Catar. Vão ter que usar crachá pra ele saber quem é tanta gente
Se a FIFA atender Tite o banco de reservas da seleção brasileira vai ficar parecendo um BRT lotado Reprodução Twitter.
quinta-feira, 31 de março de 2022
Brasil na Copa: "a hora é Hexa" ? Jura?
O Estádio de Lusail, a cidade especialmente construida próximo a Doha, receberá o jogo final da Copa do Catar. O Brasil vai chegar lá? Foto Divulgação/FIFA
por Niko Bolontrin
Amanhã a seleção brasileira saberá dos primeiros adversários na Copa do Mundo 2022. Alemanha e Holanda poderão estar no caminho. Se a bolinha do sorteio não favorecer, o time de Tite cairá no "grupo da morte". Melhor, não.
O certo é que o Brasil, que voltou a liderar o ranking da FIFA, chegará ao Catar no escuro. Longe de saber se o seu futebol que foi exageradamente exaltado durante a mediocridade da Eliminatórias será suficiente para enfrentar as principais seleções europeias. Vai descobrir em campo, assim como se surpreendeu com a Bélgica na Copa de 2018. A Bélgica, aliás, é a segunda colocada no mesmo ranking.
Nos últimos anos a Europa se fechou para amistosos contra seleções de outros continentes. Tem bastado aos países da comunidade um calendáro pra valer e de alto nível técnico: a dureza das Eliminatórias regionais sem "galinha morta", a poderosa Copa da UEFA e a Liga das Nações:
Parece-me que Tite terá cinco amistosos preparatórios até embarcar para Doha. No roteiro, jogos contra seleçoes da Ásia, África, da Concacaf. Resta um amistoso válido contra a Argentina. Da Concacaf só vale como treino se o adversário for o México.
Em 2022 a seleção brasileira comemora 20 anos do Penta, a épica jornada de 2002. Se não trouxer o caneco vai igualar em 2026 o maior intervalo entre seus títulos de campeã (de 1970 a 1994 = 24 anos).
Volta o slogan: "a hora é Hexa".
31 de março: o dia dos degenerados
por José Esmeraldo Gonçalves
Por não ter punidos torturadores e assassinos da ditadura, como fizeram Argentina e Chile, o Brasil jamais fechará as cicatrizes de um dos períodos mais trágicos da sua história, mas não deve esquecê-lo nunca.
Há poucos dias, Christiane Pelajo, âncora da Globo News, ao comentar a morte do ilustrador Elifas Andreato disse, de passagem, que Vladimir Herzog sofreu "maus tratos" na ditadura. O vídeo com a fala circula nas redes sociais. Saiba a jornalista que Herzog, também jornalista, foi torturado e assassinado nas dependências da máquina dos horrores que era o DOI CODI em São Paulo. Transformar um crime político brutal em "maus tratos" é agredir a história, é desprezar o drama de uma família, é desonesto. É tentar apagar a verdade.
Assim como desonesta e mentirosa é a nota divulgada ontem pelo Ministério da Defesa saudando a ditadura assassina e corrupta, tantas foram as mortes e os escândalos que a censura impedia de se tornarem públicos e dos quais o aparelhamento da justiça vetava a apuração isenta. A nota grotesca dos generais fala também em êxito econômico da ditadura. Outra mentira. A fachada "desenvolvimentista" dos militares tornou empreiteiros milionários e seus benefícios não chegaram à população. Em 21 anos de autoritarismo a distribuição de renda caiu a níveis críticos, bem piores do que os índices do fim da década de 1950 e começo dos anos 1960. A partir de 1980, ao sair pela porta dos fundos do Planalto, em 1985, o último ditador de plantão deixou uma dívida externa monumental, uma explosão inflacionária e uma crise econômica e social galopantes. Sob o tapete do palácio ficaram os famosos escândalos de corrupção engavetados sob os rótulos Lutfallla, Delfin, GE, Capemi, Coroa Brastel...
Cinquenta anos depois, os militares voltaram ao poder no embalo de outro golpe, o que tirou do governo sem qualquer motivo legal uma presidente democraticamente eleita. A conspiração resultou na eleição de Jair Bolsonaro que se cercou de generais e distribuiu cargos e "boquinhas" a milhares de outros militares. Não por acaso, tornaram-se frequentes as ameaças à democracia, com acenos de novo golpe, agressões ao Supremo Trubunal Federal, a ocupação de instituições vitais, o desprezo às ações contra a pandemia, a omissão e o incentivo à destruição da Amazônia, entre outros desmontes do Estado em nome de interesses privados.
Bolsonaro postula a reeleição e anuncia como seu vice precisamente o general linha-dura (esse termo também está de volta) que divulgou a nota-exaltação da ditadura. Não há nada a comemorar no dia dos degenerados.
Frase do Dia: George Orwell e as eleições
“Um povo que elege políticos corruptos, impostores, ladrões e traidores não é uma vítima, mas um cúmplice.”
George Orwell, o escritor que inventou a entidade do Big Brother, em sua distopia “1984”, publicada em 1948.
quarta-feira, 30 de março de 2022
Frase do Dia (de um poeta e dramaturgo vítima de difamação)
" A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre"
Oscar Wilde (1854-1900)
A agonia do Pantanal
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| Reprodução Twitter |
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| Reprodução Twitter |
por Ed Sá
As redes sociais se dividem em elogios ao remake de Pantanal - novela que fez sucesso histórico na Rede Manchete há pouco mais de 30 anos - e a alertas quanto à realidade do universo rural que mudou para pior. A exuberância da natureza não é mais a mesma.
Há quem veja no cenário romântico da ficção da Globo marcas da destruição progressiva de um bioma de valor incalculável para o planeta. Talvez por isso, há excesso de closes.
A pergunta é: o desenrolar da novela vai ignorar isso? A composição dos personagens passará ao largo da triste realidade? A arte prestará um serviço ao denunciar a hecatombe ecológica.
De resto, uma constatação: se algum canal de streaming quiser fazer novo remake de Pantanal daqui a dez anos terá de usar recursos digitais e técnicas computacionais. O Pantanal como o conhecemos só existirá em pixels.
terça-feira, 29 de março de 2022
Alain Delon decide morrer • Por Roberto Muggiati
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| Alain Delon em cena de "O Sol por Testemunha |
Durante a pandemia tenho visto muito filme de Alain Delon. Uma beleza de ator, em todos os sentidos. Estrela da série de DVDs Filme Noir Francês, ele brilha em “Borsalino”, sobre a Máfia de Marselha – que antecipou em dois anos “O poderoso chefão” – , num noir político atualíssimo, “A morte de um corrupto”, e em Os sicilianos”, com Jean Gabin e Lino Ventura. Revi também sua interpretação magistral em “O sol por testemunha”, fazendo o melhor Tom Ripley de toda a saga do herói amoral de Patricia Highsmith. E não há como esquecer a figura solitária do assassino de aluguel em “O samurai”, no clássico dirigido por Jean-Pierre Melville. E, ainda há poucos dias, topei no YouTube com um thriller sobre a Guerra da Argélia, com Lea Massari, e um título que define Delon, “O insubmisso”.
Fui surpreendido agora pelo anúncio que Delon, 86 anos, acaba de fazer pública sua decisão de morrer por suicídio assistido na Suíça, país onde mora e do qual tem a nacionalidade. Disse ele: “Minha vida tem sido linda, mas também muito difícil. E, a partir de certa idade, temos o direito de ir embora tranquilamente”. Há poucos dias, o filho de Alain, Anthony Delon, disse à imprensa que acompanharia o procedimento quando o pai marcasse uma data.
Alain Delon já tinha manifestado sua “ânsia de morrer” em 2017, depois da morte de sua ex-mulher Mireille Darc: “Hoje, prefiro ter 81 anos a 40. Não terei muitos anos mais para viver sem ela, não há muito tempo para sofrer. Sem ela, também posso partir”.
Outra história de eutanásia: a cantora Françoise Hardy, 78 anos, ícone da jovem guarda francesa, disse recentemente que se sente "perto do fim da vida" e é a favor do suicídio assistido. Diagnosticada com câncer linfático em meados dos anos 2000, descobriu um tumor no ouvido em 2018. Ela já havia sido colocada em coma induzido em 2015. Em entrevista por e-mail, pois tem muita dificuldade em falar e ouvir, Françoise disse que os anos de radiação e quimioterapia causaram uma dor imensa. "Cabe aos médicos abreviar o sofrimento desnecessário de uma doença incurável a partir do momento em que ela se torna insuportável”.Não conheci Delon em pessoa, mas tive a sorte de compartilhar alguns momentos na mesma sala com Françoise Hardy, uma graça, em 1970, no Hotel Glória. Ejetado da chefia de Fatos&Fotos – graças-a-deus! – eu me vi sem rumo certo como repórter especial da Manchete. No Glória, tomei um chá de cadeira à espera de ser recebido por Paul Simon, que era o presidente do Festival Internacional da Canção daquele ano. Havia uma seção na revista chamada Fulano no Paredão – pequena contribuição da revolução de Fidel para o jornalismo brasileiro e ainda hoje vigente no BBB – pessoas famosas do mesmo ramo do entrevistado faziam perguntas para ele. Ignoro até hoje o que prendeu a famosíssima Françoise Hardy por dez ou quinze minutos naquela saleta apertada. Na época, me permiti até dar asas a uma fantasia insana: seria pelo prazer da minha companhia?
Frase do Dia: sobre apalpar a vida
“Se a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela.”
(Do livro “Flor de obsessão: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues - Companhia das Letras)
Quem você mandaria a Hollywood para fazer piada com a mulher de Will Smith?
por O.V.Pochê
Está aberta a campanha para enviar a Beverly Hills brasileiros selecionados para ficar em frente à casa de Will Smith fazendo graça com a alopecia da Sra. Jada Smith e cantando que Chris Rock é um bom companheiro. Talvez seja necessário fretar um Airbus 380. Veja os candidatos ao tour do Will.
* Bolsonaro "da Val do Açaí"
* Milton Ribeiro "Quilo de Ouro"
* Os pastores corruptos
* Damares "Goiabeira"
* Paulo Guedes "Palestrante"
* Regina Duarte "Cinemateca"
* Arthur "Bolsonaro" Lira
* Rodrigo "Bolsonaro" Pacheco
* O mímico de libras da Presidência
* A ruiva "photoshopada" do comercial do Safra
* "Ciroliro" Gomes
* Arthur "Mamãe Falei" do Val
* Autores de podcasts sobre como fazer podcasts
* O ônibus lotado de candidatos da terceira via
* A SAF do Cruzeiro
* A JP "Heil" News
* Raul "Lollapalooza do TSE" Araújo"
As caras de quem reagiu ao tapa de Will Smith em Chris Rock
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| Oscar 2022: prêmio de melhor tapa. Reprodução TNT. |
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| O tapa na cara que ofuscou na mídia a guerra da Ucrânia. Reprodução |
segunda-feira, 28 de março de 2022
Frase do dia: Anitta, oferecendo-se para pagar a multa do TSE aos artistas do Lollapalooza dispostos a desafiar censura autoritária e inconstitucional a manifestações políticas (*)
| Anitta no clipe Envolver/Divulgação |
“50 mil? Poxa… menos que uma bolsa”.
(*) Liminar do ministro Raul Araújo, do TSE, proibiu atos políticos no festival em apoio a Lula e manifestações do tipo "Fora Bolsonaro". A decisão foi ignorada no pálco e na plateia"
domingo, 27 de março de 2022
"Muito prazer, Silva, Thiago Silva"; "Jesus, Gabriel Jesus"; "Coutinho, Philippe Coutinho"...
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| Ruy Castro na Folha de São Paulo, hoje: futebol com nome e sobrenome |
sábado, 26 de março de 2022
Aposta furada
Veja a nota acima publicada hoje na coluna de Ascânio Seleme no Globo. Não faz muito tempo Rodrigo Pacheco, que Bolsonaro escalou para presidir o Senado, tornou-se queridinho de comentaristas políticos de plantão em Brasília. Ele tanto acreditou nos elogios que se apresentou como presidenciável. Não deu. O povo foi mais sábio e lhe cravou nas pesquisas em torno de 1% das intenções de votos. Com margem de erro para o nada. Desde que elegeu Collor de Mello, a mídia neoliberal busca o "Collor de Mello" perdido. Um coleguinha mais empolgado sonhou que o mineiro que também seria o JK reencarnado. Não rolou, o homem era um peixe vivo fora da bacia. Fica na história por frases como essa aí destacada. Na roubalheira pastoral montada por Bolsonaro, flagrada no Ministério da Educação e audível em gravações, o maleável Pacheco viu apenas "frase infeliz". Então, tá.
Frase do Dia: poeminha do contra
"Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!"
Mário Quintana
( 1906-1994)












