sábado, 29 de janeiro de 2022

O provérbio que levou uma jornalista à cadeia

A jornalista turca Sedef Kabas foi presa por citar um provérbio que irritou o tirano Recep Erdogan .

Foto Reprodução Twitter

por Flávio Sépia

Pode ser a atmosfera saturada de dióxido de carbono, talvez seja um efeito perverso do aquecimento global que queima mufas ou a estupidez humana agora turbinada pelas redes sociais.

O fato é que vivemos uma era de prolifeação de tiranos assumidos ou autoriários boçais. Trump que ameaça voltar, Bolsonaro que tenta não sair,  Putin que não sai, o fascista Viktor Orban, Ortega, Maduro, Bin Salman, o "príncipe" de araque da Arábia Saudita, um ditador assassino que faz picadsinho de opositores e Recep Erdogan. Este, o aloprado da Turquia que mandou prender milhares de opositores e aparelhou a Justiça, mandou encarcerar a jornalista Sedef Kabaş. Presa desde a semana passada, seu "crime foi citar um ditado e um provérbio em alusão à atual conjuntura turca. Não falou o nome do presidente, mas este se identificou com o que considerou uma "grave ofensa". Durante uma entrevista à Tele1TV, e, depois, em post na rede social, Kabas disse: 

- “Há um famoso ditado, ‘uma cabeça coroada ficará mais sábia’. Mas vemos que essa não é a realidade. Há também um provérbio que é exatamente o oposto: 'Quando o boi chega ao palácio, ele não se torna rei. Mas o palácio se torna um estábulo'.

Erdogan é um notório perseguidor da imprensa. Sedef Kabas, que está na Prisão Feminina Bakırköy em Istambul, e mais uma jornalista, entre centenas que o atual governo mandou prender.

Armai-vos uns aos outros


Não deve estar fácil a vida de contrabandistas de armas na fronteira com Paraguai. A virtual liberação de registro de armas facilita a compra e legalização de pistolas e fuzis por aqui mesmo. 
 A nota reproduzida na imagem acima é do O Globo. 
Coluna Lauro Jardim 29-01-2022

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Mídia dobra aposta em novo lugar comum

Canção de Roberto e Erasmo Carlos, "Mesmo que seja eu" ajudou muitos editores a titular matérias. Era um tal de "um carro pra chamar de seu", um loft pra chamar de seu", "um refúgio pra chamar de seu", "um roteiro pra chamar de seu", "um time pra chamar de seu". O verso "chamar de seu" de RC e EC foi usado e abusado em jornais e revistas. 
Agora, os coleguinhas estão viciados em "dobrar a aposta". "Bolsonaro dobra a aposta contra a Covid", Igreja Universal dobra a aposta contra o PT", "Bolsonaro dobra a aposta em Carlos para chefiar campanha", "Bradesco dobra a aposta na Bitz".
Provavelmente um editor que passou as férias em Las Vegas gostou da fórmula, usou e foi copiado. Ou pode ser influência da volta dos cassinos - projeto que legaliza o jogo pode ser votado em fevereiro - ou ainda consequência da proliferação de sites de apostas na internet. O fato é que todas as fichas das redações estão nesse novo facilitador de títulos. É o dobro ou nada.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Elza Soares: a mulher do fim do mundo venceu

 

O jornalista Renato Sérgio fez a útima matéria com Elza Soares para a Manchete.
Foi em 1994. A foto é de Armando Borges.

Ronaldo Bôscoli assinou um perfil de Elza em 1960. Era a primeira matéria da cantora para a revista três anos após iniciar a carreira profissional. A foto é de Gil Pinheiro.

Um ano depois, em 1961, Elza era convidada para almoço festivo na gráfica da Manchete em Parada de Lucas, No foto, com Ismael Correia, o cantor Carlos José e Oswaldo Sargentelli. Foto Manchete

por José Esmeraldo Gonçalves

Cancelada. No começo dos anos 1960, a palavra que hoje define a fúria das redes sociais era, no máximo, carimbo de papelada de burocrata de repartição. Não existia como sentença digital. Mas existia, sim, o sentimento coletivo raivoso que não nasceu com a internet. 

Elza Soares foi "cancelada" por parte da opinião pública impulsionada pela imprensaa. O motivo? O caso de amor com Garrincha, então casado, com vários filhos e mais um a caminho. Um mix de moralismo e racismo condenou o jogador e a cantora "destruidora de lares". Onde o casal vivia uma paixão, a sociedade inquisitorial via a desonra, a desgraça. Elza superou isso e todas as outtras armadilhas que a vida pôs no seu caminho antes de depois da fama. 

A Manchete acompanhou a trajetória da cantora no Brasil e no exterior. A primeira matéria é do começo dos 1960; a última já na década de 1990, quando a revista se aproximava do fim. 

Elza e Louis Armstrong em Montevidéu, 1962, após show juntos.

Embora convidada para um show, Elza foi barrada na portaria do Flamengo. Ela denunciou que foi vítima de racismo. O então presidente do clube, Fadel Fadel, pediu desculpss. Manchete registrou.

Elza ditou uma biografia, que chamou de "diário". Um juiz proibiu o livro. Alegou que era pornográfico.

Garrincha e Elza: o começo da relação foi muito criticado pela imprensa. Momentos de paz, como esse, vieram depois.

Paris, 1971 Reprodução Manchete

Estão lá, registrados, o começo da fama, os dramas, episódios de racismo, a temporada na Itália, os vários encontros e reencontros com o sucesso, a biografia proibida por um juiz que leu pornografia onde ela contava drama, fome, violência na sua vida da menina que foi obrigada a se casar aos 13 anos. 
Elza e Garrincha em 1963. Foto de Gil Pinheiro-Manchete

Manchete também cobriu o folhetim da relação de Elza e Garrincha e não escapou, ao lado dos jornais, das rádios e TV de pontuar em algumas matérias o moralismo doentio que via em Elza a vilã de um romance. Ironias e insinuações, às vezes mal contidas, respingavem em textos sobre o assunto. Registre-se que o "caso" virou casamento e a revista foi mais isenta e respeitosa ao focalizar os dois em muitas reportagens posteriores à onda do cancelamento. E, diga-se também, que sempre valorizou nas suas páginas em entrevistas e incontáveis fotos a ascensão profissional da grande Elza Soares. 

A cantora morreu ontem, em casa, serena, em paz, aos 91 anos. Dizem que presentiu a morte e avisou a quem estava em volta do seu leito. Estava indo. Assim, sem medo, com foi sua vida de guerreira. Aquele cancelamento? Ficou no passado, passou. É grande a repercussão e a admiração que a mídiaem geral registra hoje sobre a vida, a luta e o talento de Elza.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Folha do Alabama

Reprodução Twitter

A resposta da Folha de São Paulo aos jornalistas que protestaram contra a pregação de "racismo reverso" feita pelo diretor-editor representante da família Frias foi cínica e autoritária. Sergio D'Ávila, o preposto da oligarquia Frias, foi, aliás, um ardoroso defensor do golpe contra Dilma Roussef. A queda da presidente eleita criou o caldo de cultura para o regime Bolsonaro e para artigos como o do Risério. D'Ávila, ao defender o "racismo reverso", parece bem à vontade nesse cenário que ajudou a criar. O Alabama é aqui.

Jornalistas protestam contra tese supremacista do "racismo reverso" na Folha de São Paulo

Poeta, romancista e antropólogo, Antonio Risério errou a rima ao escrever na Folha de São Paulo um artigo sobre a tese supremacista do "racismo reverso".  Racismo é crime, não pode ser abrigado sobre a liberdade de expressão. O artigo é ruim, mal escrito, um retalho de citações que abusa de fontes que os supremacistas norte-americanos adotam em argumentação semelhante. O racismo reverso by Folha repercutiu nas redes sociais e provocou protestos. Um deles, muito expressivo, foi dos próprios jornalistas da Folha. Leia a seguir: 

19 de janeiro de 2022

Carta aberta de jornalistas da Folha à direção do jornal

Caros membros da Secretaria de Redação e do Conselho Editorial da Folha,

Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa

preocupação com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal.

Sabemos ser incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da

chefia, mas, se o fazemos neste momento, é por entender que o tema tenha

repercussões importantes para funcionários e leitores do jornal e no intuito de contribuir

para uma Folha mais plural.

O episódio a motivar esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado “Racismo

de negros contra brancos ganha força com identitarismo” (Ilustrada Ilustríssima, 16/1),

em que Antonio Risério identifica supostos excessos das lutas identitárias, que

estariam levando a racismo reverso.

Para além de reafirmarmos a obviedade de que racismo reverso não existe, não

pretendemos aqui rebater o que afirma o autor —pessoas mais qualificadas do que nós

no tema já o fizeram, dentro e fora do jornal.

No entanto, manifestamos nosso descontentamento com o padrão que vem se

repetindo nos últimos meses.

Em mais de uma ocasião recente, a Folha publicou artigos de opinião ou colunas que,

amparados em falácias e distorções, negam ou relativizam o caráter estrutural do

racismo na sociedade brasileira. Esses textos incendeiam de imediato as redes sociais,

entrando para a lista de mais lidos no site. A seguir, réplicas e tréplicas surgem,

multiplicando a audiência. A controvérsia então se estanca e morre, até que um novo

episódio semelhante surja.

Antes do artigo em questão, colunas de Leandro Narloch e Demétrio Magnoli

cumpriram esse papel.

Acreditamos que esse padrão seja nocivo. O racismo é um fato concreto da realidade

brasileira, e a Folha contribui para a sua manutenção ao dar espaço e credibilidade a

discursos que minimizam sua importância. Dessa forma, vai na contramão de esforços

importantes para enfrentar o racismo institucional dentro do próprio jornal, como o

programa de treinamento exclusivo para negros.

Reconhecemos o pluralismo que está na base dos princípios editoriais da Folha e a

defesa que nela se faz da liberdade de expressão.

No entanto estes não se dissociam de outros valores que o jornalismo deve defender,

como a verdade e o respeito à dignidade humana. A Folha não costuma publicar

conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura,

terraplanistas e representantes do movimento antivacina.

Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil?

Se textos como o de Antonio Risério atraem audiência no curto prazo, sua

consequência seguinte é minar a credibilidade, que é, e deve ser, o pilar máximo de um

jornal como a Folha.

Por esses motivos, convidamos a uma reflexão e uma reavaliação sobre a forma como

o racismo tem sido abordado na Folha. Acreditamos que buscar audiência às expensas

da população negra seja incompatível com estar a serviço da democracia.

Assinam esta carta:, Adriana Mattos, Adriano Vizoni, Alfredo Henrique, Aline Mazzo, Amanda Lemos, Amon Borges, Ana Bottallo, Ana Luiza Albuquerque, Andre Marcondes, Andressa Motter, Anelise Gonçalves, Angela Boldrini, Angela Pinho, Anna Virginia Balloussier, Artur Rodrigues, Bárbara Blum, Beatriz Izumino, Bianka Vieira, Bruna Borges, Bruno B. Soraggi, Bruno Benevides, Bruno Molinero, Bruno Rodrigues, Camila Gambirasio, Carolina Daffara, Carolina Linhares, Carolina Moraes, Catarina Ferreira, Catarina Pignato, Clauber Larre, Clayton Castelani, Cristiane Gercina, Cristiano Martins, Cristina Camargo, Cristina Sano, Dani Avelar, Dani Braga, Daniel E. de Castro, Daniel Mariani, Daniel Mobilia, Daniela Arcanjo, Danielle Brant, Danilo Verpa, David Lucena, Débora Melo, Diana Yukari, Eduardo Marini, Eduardo Moura, Emannuel Gonçalves Gomes, Fábio Pupo, Fernanda Brigatti, Fernanda Giulietti, Fernanda Mena, Fernanda Perrin, Flávia Faria, Flávia Mantovani, Gabriel Cabral, Gabriela Bonin, Géssica Brandino, Giovanna Stael, Giuliana de Toledo, Giuliana Miranda, Guilherme Botacini, Guilherme Garcia,Guilherme Seto, Gustavo Fioratti, Gustavo Queirolo, Havolene Valinhos, Heloísa Lisboa, Henrique Santana, Irapuan Campos, Isabela Palhares, Isabella Menon, Jairo Malta, Jéssica Maes, João Gabriel, João Gabriel Telles, João Pedro Pitombo, João Perassolo, José Marques, Julia Chaib, Karime Xavier, Karina Matias, Kleber Bonjoan, Laíssa Barros, Laura Lewer, Leonardo Diegues, Leonardo Sanchez, Lucas Alonso, Lucas Brêda, Luís Curro, Luiz Antonio Del Tedesco, Maicon Silva, Manoella Smith, Marcelo Azevedo, Marcelo Rocha, Marciana de Barros, Maria Ap. Alves da Silva, Mariana Agunzi, Mariana Arrudas, Mariana Goulart, Mariana Zylberkan, Marília Miragaia, Marina Consiglio. Marina Lourenço, Marlene Bergamo, Mateus Bandeira Vargas, Matheus Moreira, Matheus Rocha, Matheus Teixeira, Mathilde Missioneiro, Maurício Meireles, Mayara Paixão, Melina Cardoso, Mônica Bento, Naná DeLuca, Natália Cancian, Natália Silva, Nathalia Durval, Nicollas Witzel, Otavio Valle, Paola Ferreira Rosa, Patricia Pamplona, Paula Soprana, Paulo Batistella, Paulo Saldaña, Pedro Ladeira, Pedro Lovisi, Phillippe Watanabe, Priscila Camazano, Ranier Bragon, Raphael Hernandes, Raquel Lopes, Rebeca Oliveira, Regiane Soares, Renan Marra, Renata Galf, Renato Machado, Ricardo Balthazar, Rivaldo Gomes, Rodrigo Sartori, Ronny Santos, Rubens Alencar, Salvador Nogueira, Samuel Fernandes, Sílvia Haidar, Silvia Rodrigues, Tatiana Harada, Tayguara Ribeiro, Thea Severino, Thiago Amâncio, Thiago Bethônico, Tiago Ribas, Victor Lacombe, Victoria Azevedo, Victoria Damasceno, Vitor Moreno, Vitória Macedo, Walter Porto, Washington Luiz, Wesley Faraó Klimpel, William Barros, William Cardoso, Zanone Fraissat E outros 22 jornalistas da Folha. Total de adesões: 186

Você pode ler o artigo de Antonio Risério em dobradinha racista com a Folha de São Paulo AQUI (mas não vomite na tela do celular ou no teclado do computador.


O advogado e colunista da Folha, Thiago Amparo, também reagiu no twitter:



quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Sobre Elis...

 


Reprodução via twitter Viramanchete


40 anos depois, o recado vivo de Elis: “Do Brasil, S.O.S. ao Brasil. O Brazil está matando o Brasil!”


19 de janeiro de 1982. Em 18 anos de regime militar  -  com o quinto ditador de plantão, o deplorável João Batista Figueiredo - acumulamos muitas perdas. 

Ninguém aguentava mais. 

Naquele dia, há 40 anos, o pais lamentava mais uma ausência: morria Elis Regina. 

Sua voz tornou-se eterna, seu talento inesquecível. 

Em outubro de 1980, um ano e três meses antes do fim, Elis cantou em um show da TV Globo a música 'Querelas do Brasil", de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. A canção registtrava o "Brazil matando o Brasil".  

A geração que vivia aquele momento e que ainda resiste por aí não imaginava que quatro décadas o escuro pudesse voltar, com a democracia sob ameaça, o obscurantismo em vigor, a intolerância como regime, a morte como política de Estado.  

O apelo principal da letra de "Querelas" é justamente um grito de socorro à vida que se esvai. Aldir e Tapajós eram mestres em captar sentimentos, A poesia da dupla ecoa no Brasil atual que trata como inimigos as florestas, os rios e o ar que respiramos, as pessoas. 

O projeto é de desrruição e a vida é o adversário a abater. Ouça os saudosos Elis, Aldir Blanc e Maurício Tapajos. Depende de nós atender ao S.O.S que eles lançaram e que volta ser atual.      

AQUI

"Querelas do Brasil"

 Brazil não conhece o Brasil

O Brasil nunca foi ao Brazil

Tapir, jabuti

Liana, alamanda, ali, alaúde

Piau, ururau, aki, ataúde

Piá carioca, porecramecrã

Jobim akarore, jobim açu

Uô, uô, uô

Pereê, camará, tororó, olerê

Piriri, ratatá, karatê, olará

Pereê camará tororó olerê

Piriri ratatá karatê olará

O Brazil não merece o Brasil

O Brazil tá matando o Brasil

Jereba, saci, caandrades, cunhãs, ariranha, aranha

Sertões, guimarães, bachianas, águas

Imarionaíma, ariraribóia

Na aura das mãos de jobim-açu

Uô, uô, uô

Jerê, sarará, cururu, olerê

Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará

Jerê, sarará, cururu, olerê

Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, s.o.s ao Brasil

Do Brasil, s.o.s ao Brasil

Do Brasil, s.o.s ao Brasil

Tinhorão, urutu, sucuri

Ujobim, sabiá, bem-te-vi

Cabuçu, cordovil, cachambi

Madureira, Olaria e Bangu

Cascadura, água santa acari, olerê

Ipanema e Nova Iguaçu, olará

Do Brasil, s.o.s ao Brasil

Do Brasil, s.o.s ao Brasil

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Carnaval sem Covid. O Rio tinha disso...

Fotomemória: equipe Manchete para cobertura do carnaval. Algumas identificações. Em primeiro plano, Luiz Alberto, Jussara Razzé, Enilson; acima, Angelica, Marcelo Horn, Egberto, Orestes Locatel, Alex Ferro, Ivan.  

Nem o mais pessimista dos cariocas, mesmo aqueles que trocariam o samba por um retiro em Mauá, imaginariam o Rio sem carnaval. A foto acima registra a equipe da Manchete pronta para cobrir um dos seus últimos carnavais. 
A revista, que completaria 70 anos neste 2022, faliu em 2000, mas ainda foram feitas algumas edições de carnaval sob a responsabilidade da Nova Bloch, uma cooperativa que reuniu ex-funcionários. Depois, Marcos Dvoskin, empresário que adquiriu em leilão o título Manchete, também lançou edições de carnaval. 
Não temos informações sobre a data da foto acima que passa o clima da equipe Manchete logo após uma reunião de pauta e pouco antes de ir para o sambódromo. 
A prefeitura do Rio ainda vai decidir, no próximo dia 24, se haverá ou não o desfile das escolas na Marquês de Sapucaí. A agitação dos blocos nas ruas da cidade - pelo menos a dos blocos tradicionais - está praticamente descartada. 
Resta essa "tbt" de segunda-feira, sem nostalgia, sem máscara, sem distanciamento. Vidas que seguiram... 

Em tempos digitais, a mídia se apropria de fotos das redes sociais. Mas já houve época em que pagava material amador

Anúncio publicado na revista Manchete em 1952: compra-se fotos feitas pelos leitores .

por José Esmeraldo Gonçalves

A era digital popularizou a parceria informal entre veículos jornalísticos e leitores, ouvintes, internautas e telespectadores. Emissoras de rádio, sites e TVs são frequentemente abastecidos por fotos, vídeos e informações via celulares particulares. Em dois casos recentes - o acidente que matou a cantora Marília e a queda de uma falésia no lago de Furnas ocorridos em locais de difícil acesso - a mídia utilizou maciçamente material de amadores muito antes das suas equipes chegarem aos locais.

Em 1952, nos primeiros meses de circulação da revista Manchete (que comemora em 2022  seus 70 anos de fundação), a equipe de repórteres e fotógrafos ainda era restrita e sem alcance para um cobertura jornalística nacional. Mal dava conta de Rio e São Paulo. Por isso a revista apelava para a colaboração dos leitores. Com um detalhe: prometia pagar por fotos que fossem publicadas. Alguns jornais, embora ainda não valorizassem tanto a foto, adotavam essa prática com menor assiduidade. Claro que amador andar na rua carregando máquina fotográfica não era coisa comum. Mas "populares", como se dizia na época, registraram eventos como um Congresso Eucarístico que aconteceu no Rio, festa da Primavera, desfile de Sete de Setembro, bailes de carnaval, enchentes ou cenas curiosas em praias e balneários de Minas Gerais. Atualmente, esse tipo de material amador é largamente "chupado" das redes sociais, não se fala em remuneração e muitas vezes nem crédito dão ao autor. É mais comum um singelo "foto do leitor" ou "foto do internauta". 

sábado, 15 de janeiro de 2022

Clubes de futebol estão passando o ponto para o mercado. Vai funcionar?

Matéria do Globo, hoje, confirma que prioridade de donos de times é vender jogador, não necessariamente ganhar títulos. Leia acima.


Já corriam rumores nas redes sociais: mercado da bola é o objetivo principal. Reprodução Twitter

O futebol brasileiro está em lua de mel com a transformação de clubes em sociedades anônimas. Torcedores do SAF Botafogo e SAF Cruzeiro, as primeiras transações, estão eufóricos. Grande parte da mídia esportiva, também. Em geral, por ser negócio privado, a compra de clubes tende a ser uma caixa preta. Não são divulgados muitos detalhes. Apenas o genérico chega à luz. 

Há alguns dias o Viramanchete, extensão deste blog no Twitter, recebeu uma informação sobre o interesse do mercado em fazer das SAF (Sociedade Anônima do Futebol) um lucrativo balcão de compra e venda de jogadores. Empresários de jogadores já mostram interesse em se aproximar dos novos donos dos times, tanto desses que já fecharam negócios quanto de outros que se preparam para passar o ponto, como o Vasco.

O Globo de hoje publica uma matéria sobre o assunto. E claramente coloca o balcão de compra e venda como um objetivos das SAF, muito mais do que buscar títulos.

A se confirmar, os torcedores vão ter que passar a vibrar com negociações milionárias. Já ouço o papo no boteco. 

- Viu, irmão, o Bota vendeu um moleque da base por 100 milhões de euro! Caraca! Que jogada! Não ganhamu a Liberta mas tâmu com grana.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Na seleção de Tite, "alto nível" é titular

por Niko Bolontrin

Em coletivas após os jogos ou para anunciar convocações de jogadores para a seleção, o treinador Tite costuma falar como um palestrante de auto ajuda ou um coach.  Jogador que avança pela ponta e cria situações de gol e o "externo desequilibrante"; se um craque precisa mostrar mais, Tite alerta que deve "performar" melhor; se o convocado prova capacidade de evoluir com os treinos é porque tem "treinabilidade", com isso pode alcançar "amplitude".  

O futebol brasileiro já foi teorizado por técnicos que antecederam Tite na seleção. Cláudio Coutinho abusava dos conceitos em inglês. Para ele o overlaping era a solução para quase tudo em campo. Infelizmente não funcionou na Copa de 1978. Sebastião Lazaroni orientava seus jogadores a "galgar posições" em campo, o que não aconteceu na Copa de 90.

Ontem, na coletiva, Tite usou por várias vezes o seu termo preferido: "alto nível". "Philippe Coutinho está voltando ao "alto nível", assim ele defendeu a convocação de um jogador em má fase. "Atletas de "alto nível"; "idade não é pré-requisito para alto nível"...

"Titês" à parte, faltam 10 meses para a Copa do Catar. É o tempo que o coach tem para fazer a seleção performar em alto nível. A maior amplitude que o torcedor exige é ganhar o caneco da FIFA. Se o Hexa não vier agora a seleção vai igualar um recorde histórico (*)  e chegará à Copa de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, apagando 24 velinhas sem o título mundial. 

* O Brasil ganhou sua primeira Copa em 1958, 28 anos após a FIFA  organizar o primeiro Mundial, em 1930. Mas a Segunda Guerra cancelou as Copas de 1942 e 1946. Do Bi de 1962 ao Tri de 1970, foram oito anos de jejum. Depois daquela conquista, a seleção esperou 24 anos para botar de novo a mão na taça: o Tetra foi em 1994, nos Estados Unidos. O Penta chegou oito anos depois, em 2002, no Japão.