segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Fotomemória: a revista que embranqueceu Romário

Reprodução Revistas Antigas

Em 1995 a Revista do Futebol fez uma capa com o jogador Romário. Tornou o craque tão branco que até podia ser confundido com atacante da seleção da Finlândia. 

Farra com verba da Covid

Reprodução Twitter

Herodes no Planalto

Reprodução Twitter

Poitrine da Liz: um bem imaterial

Reprodução Twitter

Alô torcedor. O futebol brasileiro como você conhece começa a acabar nesse fim de ano. O futuro é business

A bola não está rolando, mas o futebol brasileiro não está parado.  Pelo menos não no campo das jogadas financeiras. 


Depois do Cruzeiro, adquirido por Ronaldo Nazário em transação ainda não inteiramente esclarecida, o Botafogo foi vendido para um empresário norte-americano. O próximo da fila pode ser o Vasco. 


Outros certamente virão no rastro da lei que permite às associações esportivas (clubes) venderem o futebol e seus ativos a investidores. O real desvalorizado estimula o interesse dos estrangeiros. 


É cedo para avaliar os efeitos da nova lei no futebol brasileiro, na qualidade técnica e na sobrevivência dos times. 


Certamente não haverá interesse dos investidores em muitos clubes de menor expressão. Provavelmente, como aconteceu na Europa, ocorrerá uma maior elitização do futebol com os times de grande investimento prontificando ainda mais em campo. Por isso a UEFA estabeleceu normas para regular investimentos, de forma a minimizar em alguns pontos o poderio financeiro. Há um limite, embora tênue, para os muitos ricos. Nesse sentido, não há regulação prevista no Brasil, por enquanto.  


Ainda no quesito futebol-empresa, há algo mais preocupante. A UEFA, que comanda a liga europeia, é entidade associativa. Reúne federações e, por tabela, os times. O Globo notícia hoje o andamento da criação de uma Liga nacional no Brasil reunindo clubes da Séries A e B. É mais uma etapa da tentativa de modernizar o nosso futebol. A matéria fala em um grupo financeiro interessado em comprar a Liga. .


Aí já entra o péssimo jeitinho oportunista brasileiro nessa reestruturação. Vender uma Liga? Ligas devem ser obrigatoriamente neutras, com dirigentes eleitos por associados, como na UEFA, ou não terão credibilidade. Empresários , por definição, visam interesses. Como poderão dirigir campeonatos sem que levantem suspeitas ou criem polêmicas? E os times passarão a ser meros empregados do patrão da Liga? 


Todo esse processo é embrionário ainda. O que parece faltar é transparência. E aferir as reações das torcidas que não têm voz ou qualquer participação nas transações. Em princípio vão se manifestar apenas na hora de exigir gols, vitórias e títulos. Poderão eventualmente protestar contra eventuais compradores. Por exemplo, digamos que o Véio da Havan compre o Flamengo, com certeza parte da torcida não ficará feliz.

domingo, 26 de dezembro de 2021

Desmond Tutu: herói da resistência. Deixa luta e ideias. Veja dois exemplos entre tantos que o Twitter registra hoje

É simples...

Reprodução Twitter

Jorge Jesus é o D. Sebastião do Flamengo

D. Sebastião, quem diria, inspira
a frustração do Flamengo 
por Niko Bolontrin 

O Flamengo virou "ovelha" eterna do "pastor" Jorge Jesus. A relação entre o treinador e o time carioca é religião. Jesus é o guru, o "pai" Jesus. 

A Gávea disparou emissários  à Europa para convencer o português a inflar as velas da sua caravela e cruzar os mares até o Ninho do Urubu. Apesar da santa cruzada, o Flamengo não encontrou Jesus.

Curiosamenrte, a atual saga flamenguista lembra um fato histórico. Assim como Jorge Jesus, D.Sebastião, Rei de Portugal e Algarve, era conhecido como "O Desejado". Os portugueses o amavam. Se pudessem cobririam as ruas de toucinho do céu para vê-lo passar. Mas D.,Sebastião pisou foi num bacalhau vencido. Promoveu uma Cruzada fracassada pras bandas do Marrocos e morreu na batalha de Alcácer Quibir. 

O povo tanto o venerava que durante séculos se recusou a acreditar na sua morte. Criiu-se uma seita, o Sebastianismo, que defendia piamente que um dia o rei voltaria a Portugal. 

Assim é o Flamengo com Jorge Jesus, que também conheceu seu fracasso, o Benfica.  Tal qual o Sebastianismo, a Gávea jamais acreditou que o treinador que lhe deu títulos foi embora. 

Apesar da jornada mística dos diretores do Flamengo, Jorge Jesus não vem. Mas o sonho da torcida permanece vivo mesmo morto. 

O Flamengo vai de Paulo Sousa e ainda acredita que um dia Jorge Jesus caminhará sobre as águas de uma banheira nas brumas do vestiário e anunciará: "Rejubilem-se, o Míster voltou".

O problema é que daqui pra frente e nos próximos séculos, qualquer treinador que o Flamengo contrate estará apenas esquentando o trono enquanto D. Sebastião, digo, Jorge Jesus, não vem. 

  

Um "príncipe " que ataca os súditos ou o Maquiavel do Cerrado...

por J.A. Barros 

Um Príncipe, no mundo de hoje, precisa conhecer a história da humanidade. A história não se repete, dizem muitos, mas se não se repete fatos passados que foram gravados no livro de memória da civilização dos homens, de uma forma ou de outra, vem a se repetir.

 Não é a primeira vez que o mundo é atacado por ondas de vírus que assombram a sociedade e geram pandemias letais. A vacina é a primeira solução que o homem cria para conter e derrotar o vírus mortal que espalha a morte.

 A varíola, desde os impérios que dominaram povos tanto no mundo ocidental como nas terras da Ásia, derrubou de camponeses a imperadores. No final do século XVII, a China, sob a Dinastia Qing e o então imperador Kangxi, - seu pai, o ocupante anterior do trono havia morrido atacado pela varíola – que começou a reinar ainda criança. Diante da epidemia, os chineses desenvolveram uma vacina que combateu a doença. Esse fato surpreendeu o Ocidente, que passou mais tarde a desenvolver esforços nesse sentido.

 A Rainha da Inglaterra, Elizabeth I, no século XVI, sofreu o ataque do vírus da varíola, e, contam alguns historiadores, ficou com marcas no rosto. Conta-se também que a Rainha Elizabeth I, na luta contra a epidemia, decretou um  “ lockdown “, e botou soldados armados nas portas dos castelos e residências para impredir que seus súditos saíssem de suas comunidades. Sob esse decreto real real até William Shakespeare ficou preso em casa, com um guarda à porta. Digas-se que o mundo ficou muito agradecido à Rainha Elizabeth I, porque Shakespeare, detido, escreveu  Rei Lear ­ - considerado sua obra prima – e outras peças.

 Depois dessas histórias como entender que um “príncipe” de um país, responsável pela vida de seu “súditos”, seja insistentemente contra o combate a uma pandemia que se espalha velozmente em todo o mundo matando impiedosamente centenas de milhares de homens, mulher em fuga da morte. Em campanha aberta, esse príncipe” desafia a pandemia e expõe os seus súditos desprotegidos ao vírus mortal.

 Não basta ser referenciado como “príncipe”, é preciso saber se comportar como um verdadeiro Príncipe e com suas asas de poder acolher e proteger o seu povo. O Príncipe salva vidas humanas, salva o seu povo das tragédias maiores e lhe dá todas as condições e sustentações para que tenha uma vida saudável e plena de felicidade. E como Príncipe, não se esquecer que por um momento de sua vida lhe foi dado o poder de governar um povo, mas ao mesmo tempo que lhe dá esse poder, lhe tira esse poder que tanto pode durar uma eternidade e não durar o tempo do acender de um fósforo. Não há mal que nunca acabe, senhor  “príncipe”.  

sábado, 25 de dezembro de 2021

Não olhe para os lados

por Ed Sá

Estreou ontem na Netflix o filme "Não olhe para cima". Na trama um cometa entra em rota de colisão com a Terra. Uma cientista anuncia a catástrofe com seis meses de antecedência. Autoridades são avisadas. Se a idéia não é tão original é a partir daí que se desenrola uma comédia de humor negro que captura a realidade política atual. Negacionismo, polarização, fake news, crise ambiental, corrupção, âncoras que por motivos ideológicos privilegiam "boas notícias", nomeação de um xerife para a Suprema Corte. Basta olhar pro lado que você verá que está cercado por esse mesmo e rotineiro cinismo. Digamos que identificará canalhas que, nos Estados Unidos, desfilam na Fox e, aqui, na CNN Brasil e na Jovem Pan. No elenco, nomes como Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep e Cate Blanchett.
No filme, a presidente (Meryl Streep) é claramente caricaturada como Donald Trump. Dá para reconhecer referências a jornalistas, empresários, funcionários da Casa Branca, financiador de campanha política e milionário dono de gigante de celular e políticos americanos. Se mudar a chave você vai se lembrar das cópias semelhantes e igualmente desclassificadas e cínicas que vicejam por aqui.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Há 60 anos: Missa do Galo no Tirol • Por Roberto Muggiati


Paris, 1961: eu no paredão, coberto de anúncios de pacotes de excursões turísticas para estações de ski. Foto Arquivo Pessoal

Sabe essas mulheres que o provocam com vara curta? A imagem fálica é cabível. Vão até pra cama, mas não vão até o fim. Assim foi meu caso com a brasileirinha mignon, bolsista em Paris como eu. Perdidos numa noite de sábado na rive gauche, acabamos num hotelzinho barato perto da place Saint Germain, o
Helvétia. Depois de muita pegação, só pegamos no sono quando já amanhecia, em conchinha, irmãozinhos. À noite de domingo ligo para ela de um orelhão do aeroporto de Orly, mando abraços e beijinhos sem ter fim. Eu viajava como jornalista convidado para uma visita oficial à Alemanha. Ela iria passar o Natal numa estação de ski austríaca, eu a encontraria lá no dia 24 de dezembro. 

O mundo vivia um momento histórico especial: mal cheguei a Berlim me levaram para tirar fotos no “Muro da Vergonha”, erguido havia apenas quatro meses. Mandaram as fotos para jornais do Brasil inteiro. Sentia-me mal, usado como peça de propaganda capitalista, mas tinha minhas compensações. Em cada cidade, o convidado da InterNationes tinha à sua disposição um guia-interprete alemão. Em Berlim, minha guia foi Ursula, trinta pra quarenta anos, simpática, amante de cachorros, quis logo saber da pequinesa Lady que eu deixara em Curitiba. Levou-me a um restaurante de comida asiática, um prato excitou minha curiosidade (e palato) – Reistafel indonésio aos 48 sabores. O maître explicou que era um prato que, por sua complexidade, precisava ser encomendado de véspera. Encomendamos. Outra noite, jantando na cobertura do Hilton, topamos com o coquetel de lançamento do filme Julgamento em Nurembergue – pasmem, vi de perto meus ídolos Spencer Tracy, Montgomery Clift e Judy Garland. O megaelenco todo foi obrigado a comparecer, Burt Lancaster foi multado pela produtora porque não deu as caras – aquele foi o mais caro lançamento de um filme na história do show business.
Em Munique, o guia era um velhinho que me levou na primeira noite a um programa de sua predileção, Holiday on Ice, com cadeira de frente colada à pista de gelo, tremi de frio durante todo o show, a cidade estava sob uma onda de frio com temperatura negativa de 12 graus. Desligando-me da viagem paga, fiquei por conta própria, em hotéis mais baratos. Encontrei numa turma de brasileiros – imaginem! – minha ex-colega do Colégio Estadual do Paraná, Angela Häusler, nos anos 50 era meninas de um lado, meninos do outro – namorávamos à distância debaixo dos pilotis. Ignorante completo, fui conhecer Salzburgo, a cidade de Mozart. Burgo de alma primaveril (lembram das cenas iniciais da Noviça rebelde?), estava irreconhecível no inverno, soterrado pela neve. Andando na neve no meu recorde de temperatura negativa – 26 abaixo de zero – ficava com os pés congelados, tinha de entrar num café e passar uma hora me aquecendo, sorvendo lentamente um cafezinho que logo esfriava. Os jornais do dia, na língua local, enquadrados em “paus”, de nada me adiantavam.


Tirol.Reprodução
Finalmente, peguei um trem para Innsbruck e, no dia seguinte, um pequeno ônibus que me levou para a estação de esqui de Sölden, no Tirol. Tive ainda de subir de teleférico até o topo da montanha onde estava minha musa esportista. Sentia-me um caipira com meus trajes urbanos em meio àquela fauna multicolorida em suas vestes de esqui. Ela havia reservado para mim um quartinho simpático num hotelzinho da aldeia, uma cama convidativa com edredons fofíssimos.

À meia-noite fomos à Missa do Galo na igrejinha local, comoveu-me ouvir a Noite Feliz – Stille Nacht, em alemão – que me acompanhava nos natais familiares de Curitiba, cantada no berço original. A música foi composta não muito longe dali, na cidadezinha de Oberndorf e tem uma história curiosa. 

Transcrevo direto da Wikipedia:

Na vila de Oberndorf, o padre Joseph Mohr saiu atrás de seu amigo músico Franz Xaver Gruber para que transformasse em melodia um poema que ele havia escrito, a fim de que fosse tocada na missa de Natal que aconteceria horas depois. Algumas fontes dizem que Mohr havia criado a letra dois anos antes, em 1816; outras dizem que o padre a escreveu no caminho até Gruber, pois, em verdade, Mohr não estava atrás do músico, mas atrás de um instrumento para ser tocado na Missa do Galo de 1818, já que o órgão de sua paróquia teria tido os foles roídos por ratos.

A canção se tornaria o terceiro single mais vendido de todos os tempos, com cerca de 30 milhões de cópias comercializadas no mundo inteiro. Terminado o serviço, foi cada um para o seu canto, não havia vida noturna na pacata Sölden.

O dia seguinte foi de DR absoluta, eu e Ela pelas ruas vazias. Estranhamento total. Eu pensava: “Por que vim passar o fim do ano neste fim de mundo?” A mídia anunciava em letras garrafais o início da Revolução Sexual – estávamos no final de 1961 – mas não havia combinado com os jovens, ainda confusos diante de tanta liberdade. Esqueceram de nos dar um manual do usuário. Eu andava com um minidicionário Alemão-Português por toda parte, Ela me arrancou o livro da mão numa ponte e jogou na correnteza gelada lá embaixo. Foi quando o libriano em mim interveio:

– Olha só, vamos dar um tempo? A gente se encontra pro réveillon em Munique, tá?

Na manhã seguinte peguei um pequeno ônibus local para sair daquele buraco. A viagem parecia não acabar nunca. O ônibus serpenteava por uma estradinha apertada entre montanhas majestosas com cachoeiras congeladas, era um espetáculo da natureza que poucos tiveram o privilégio de desfrutar na vida. A dor-de-cotovelo era tanta que demorei a me dar conta de que o ônibus tinha um sistema de som a bordo. Quando comecei a ouvir, imaginem só o que estava tocando? Recuerdos de Ypacarai com as Harpas Paraguaias. Não podia haver combinação melhor: cachoeiras congeladas e harpas paraguaias. Vocês não imaginam como eu gostaria de refazer neste Natal aquela viagem de sessenta anos atrás. Com todas as cachoeiras congeladas e harpas paraguaias do mundo.

• Sintam o clima, com letra e música

https://www.youtube.com/watch?v=Dh08NPL0Dsk

Recuerdos de Ypacaraí
Musica: Demetrio Ortiz - Letra: Zulema de Mirkin

Una noche tibia nos conocimos
Junto al lago azul de Ypacaraí
Tú cantabas triste por el camino
Bellas melodías en guaraní

Y con el embrujo de tus canciones
Iba ya naciendo tu amor en mí
Y en la noche hermosa de plenilunio
De tus blancas manos sentí el calor
Que con sus caricias me dio el amor

Donde estas ahora cuñataí
Que tu suave canto no llega a mi
Donde estas ahora, mi ser te añora
Con frenesí

Todo te recuerda mi dulce amor
Junto al lago azul de Ypacaraí

Vuelve para sempre, mi amor te espera
Cuñataí

Os dois cavaleiros do apocalipse neofascista

Reprodução Twitter

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Desenho do Nando: o bonde fascista sai do trilho

 

Reprodução Twiter

Chile: o povo comemora vitória nas urnas e o mercado financeiro, que adora ditaduras, já reage negativamente

 

Chilenos nas ruas comemoram a vitória de  Gabriel Boric. Sempre na contramão da democracia e saudoso de Pinochet o mercado financeiro do país reagiu negativamente. Mercado em geral, especuladores,  lavadores de dinheiro e traficantes de valores queriam a eleição do nazi-fascista José Antônio Kast. Com a nova Constituição e a eleição de Boric, o Chile pretende enterrar de vez a ditadura do assassino e corrupto Pinochet. Mas a maioria democrática deve estar atenta e forte. Os nazi-fascistas aliados do mercado vão tentar tumultuar o país.  

Gracias, Chile: Cuando miro el bueno tan lejos del malo (*)

Reprodução Twitter
(*) Com licença de Mercedes Sosa e Violeta Para.

sábado, 18 de dezembro de 2021

Publicado ontem no twitter: Manchete na memória

Amigos da Bloch em confraternização na Taberna da Glória: 2021 mete o pé, 2022 é bem chegado

 







Os colegas da Bloch Editores provoveram encontro de fim de ano na tradicional Taberna da Glória. Hora de superar o difícil 2021 e virar a chave para um 2022 mais amigável. 

Amizade é, aliás, o que une antigos companheiros das revistas da Rua do Russell, do jornalismo, da fotografia, da diagramaçao administração, de todos os setores onde tantos conviveram por tanto tempo. São momentos para boas memórias e, principalmente, de celebração do tempo presente, da vida. 

Nos últimos dois anos, compreensivelmente, a Covid-19 fez diminuir o número de participantes. Muita gente ainda aguarda melhores dias que certamente virão em um Ano Novo mais prommissor. 

As fotos acima registram o encontro na Taberna: Claudia Figueiredo, Armando, Lili, Cristina, Behula, Décio, Simone, Maria do Carmo, Claudia Richer e Susana Tebet. 

Feliz Natal e um 2022 perfeito para todos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Tristeza não tem fim

Confirmado: 90% dos velórios, com margem de erro de 3% para mais ou para menos, são mais animados do que o pessoal da Globo News anunciando e comentando a mais recente pesquisa eletoral do Ipec, antigo Ibope. Calma, jornalistas, ainda faltam dez meses para as eleições. Muita coisa pode acontecer, inclusive o Cabo Daciolo subir nas pesquisas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Êêêêôô, investidor, investidor! O novo grito de guerra das torcidas do Cruzeiro, Botafogo e Vasco

por Niko Bolontrin

Autonomeados especialistas em economia esportiva são entusiastas da venda de clubes brasileiros de futebol para empresas, fundos de investimento, especuladores e milionários em geral. 

Se isso vai dar certo e curar as finanças da maioria dos clubes, o tempo dirá. Mas será imensa a mudança cultural. 

O colunista do Globo, Lauro Jardim, diz que árabes estão interessados em comprar o Botafogo e Cruzeiro. Segundo outras fontes, o Vasco também pode entrar na bacia das almas que vai, asseguram os especialistas, refundar o futebol brasileiro. Seremos a Premier League do baixo hemisfério, dizem os promoters do clube-empresa.

Há dúvidas, claro. Inclusive morais e éticas. Por exemplo, as ditaduras do Golfo estão provocando reações em vários países ao adquirir clubes tradicionais. Reino Unido e França têm registrado essas reações. Anunciantes parceiros dos clubes dominados por Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita, onde os diretos humanos não entram em campo, começam a sofrer pressões nas redes sociais. Como a grana manda, esse processo não vai parar. A Copa do Mundo é no minúsculo Catar que a FIFA deve achar que é potência do futebol. 

Vejam o caso da Fórmula 1, que hoje vende provas para os três países citados acima e mais o Bahrein. Todos ditaduras religiosas. Dinheiro na mão e o que vale.

Voltando ao futebol, o torcedor brasileiro vai ter que se adaptar? Se fecharem negócio, vão carregar bandeiras do Cruzeiro-Catar, Botafogo-Arábia, Vasco-Emirados? E tem mais, é comum o investidor revender o time para realizar lucros e ai as bandeiras vão mudando. Nos Estados Unidos, investidores compram e vendem times de basquete, futebol americano e beisebol. Há casos em que o comprador leva a sede do time para outra cidade. Ao gosto do comprador, o Cruzeiro pode ir, por exemplo, para Forianópolis; o Vasco se mudar para Campo Grande; o Botafogo ser levado para Brasília. Por que não?  Também há no mundo desconfiança de uso de transações futebolísticas para lavagem de dinheiro. Clube-empresa vai ajudar ou atrapalhar essa suspeita? O que acontecerá com as carteiras de socio-torcedor que representam entrada de recursos para os clubes associativos atuais? Acabam?O torcedor vai entrar com uma grana para engordar o investidor?  Torcedor vai pagar uma espécie de dízimo para os sheiks? Quero ver as torcidas nós estádios gritando "ei, ei, ei, o sheik é nosso rei"; "a benção, Muhammad, nosso povo te abraça": ou, ainda, "uma vez, Arábia, Arábia até morrer".