terça-feira, 14 de dezembro de 2021
Mutreta em alta velocidade
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
Elon Musk, a controvertida " Pessoa do Ano 2021" da Revista Time
Fotomemória: 53 anos do AI-5 e a pose dos canalhas em 13 de dezembro de 1968.
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| Foto Oficial Reprodução/Divulgação |
sábado, 11 de dezembro de 2021
O Redentor do Corcovado comemorou 90 anos. O Cristo da Coluna da Hora do Crato, também em art déco, festeja nesse Natal 84 anos.
| O Cristo do Crato. Foto Prefeitura Municipal do Crato. |
| Linhas do monumento em art déco. Foto J. Esmeraldo Gonçalves |
por José Esmeraldo Gonçalves
O jornalista e escritor Roberto Muggiati, amigo curitibano e colega dos tempos da Manchete, ex-diretor da revista, publicou recentemente um texto sobre as réplicas do Cristo Redentor do Corcovado que se multiplicam pelo Brasil.
A comemoração dos 90 anos do monumento que domina o Rio de Janeiro foi o "gancho" jornalístico do artigo do Muggiati.
O Cristo carioca esculpido pelo francês Paul Landowski é uma preciosidade da art déco. Já os clones plantados em picos e praças nacionais são mesmo, na maioria, lamentavéis equívocos esculturais. Há Cristos atléticos, como se acabassem de sair de uma academia Smart Fit, outros têm face e postura lamurientas que ganhariam papel em novela mexicana. Monumento do Cristo raivoso? Tem, e até parece um "Rambo" a perseguir pecadores. Até um Cristo em pedra faz uma estranha saudação com a mão direita erguida, palma aberta. Não se surpreenda se a imagem remete a trágicas lembranças: isso mesmo, Hitler desfilando na Potsdamerplatz.
Pois esqueçam tudo isso. O Crato, Ceará, se orgulha com razão de ter como símbolo oficial da cidade um Cristo de fé e classe instalado em uma coluna em art déco - a Coluna da Hora, de 30 metros de altura. O monumento, que foi selo dos Correios em 1953, domina uma praça histórica da cidade, a Francisco Sá. O Cristo do Crato abre os braços para a antiga estação ferroviária. Na base do monumento lê-se a frase: "Nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade".
O Cristo do Corcovado foi inaugurado em 12 de outubro de 1931. O Cristo do Crato foi instalado apenas sete anos depois, em 25 de dezembro de 1938, há 84 anos. O monumento foi encomendado ao escultor italiano Agostinho Balmes Odísio, que viveu alguns anos no Brasil, na primeira metade do século 20.
Sou um cidadão cratense que há quase 55 anos tem visto residencial no Rio de Janeiro. Aqui nasceram meus filhos Tiago e Eduardo e meu neto Bruno. Quando apresento minha carteira de identidade ainda do jurássico "Estado da Guanabara" geralmente causo espanto em funcionártios ou atendentes mais jovens.
| Antiga Estação Ferroviária do Crato, hoje centro cultural. Foto Prefeitura Municipal do Crato |
Aqui o Corcovado é onipresente, mas sempre que vejo o Redentor do Rio de Janeiro a imagem me remete ao Cristo da Coluna da Hora da Praça da Estação do Crato.
Pra mim são portais que ligam o mundo que vivi, são os pontos definitivos do google maps que me rastreia. São as cidades que tenho e que me têm. Na memória ou no presencial.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
A "festa da firma" de Biden
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| Reprodução Twitter |
PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO: cartas psicografadas podem resolver mistérios brasileiros e internacionais
No julgamento em curso dos acusados pela tragédia da boate Kiss, a advogada de um dos réus leu uma carta psicografada onde um jovem morto no incêndio pede que todos parem de procurar culpados e façam orações. Parece deboche diante dos parentes das vítimas. Vários deixaram a sala do júri em protesto.
Apelar para o Além não é algo inédito na Justiça desse bizarro país chamado Brasil. Já houve casos em que juízes aceitaram argumentos do outro mundo.
Já que a pátria está mesmo fora de controle, a nobre Justiça podia oficializar o recurso fantamasgórico. Pode ser útil até para investigações que deram em nada. O ex-bolsonarista Gustavo Bebiano talvez revele em carta psicografada as denúncias que levou para o túmulo. JK, Jango e Carlos Lacerda podem confirmar se foram assassinados pela operação Condor das ditaduras militares do Cone Sul. Ulysses Guimarães, se acionado, revelaria onde repousa seu corpo jamais encontrado. Teori Zavaski informaria se morreu em acidente aéreo ou atentado. Se o instrumento jurídico made in Brazil for oferecido ao mundo saberemos se João Paulo I foi assassinado, onde está o corpo de Jimmy Hoffa, Lee Oswald dirá se realmente matou Kennedy e o policial Jack Ruby contará porque matou Lee Oswald. Marilyn Monroe contará em detalhes as suas últimas duas horas de vida. O coronel Fawcett dirá que não desapareceu na Amazônia; sumiu porque se apaixonou por uma bela indígena com quem viveu até os 90 anos em uma tribo isolada.
Morto que dá seu testemunho psicografado e é aceito pelo juiz é a maior contribuição que a Justiça brasiloide pode dar aos tribunais internacionais. Será o fim de todos os mistérios. Parabéns aos envolvidos que ajudam o Brasil a descer um pouco mais a ladeira.
O esculhambado do ano
Depois do boi dos boys da Bolsa, Vaca Magra em alta cotação
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
No novo filme Pânico 5 o serial killer Ghostface vem com máscara de metal. E o que o Pink Floyd tem a ver com isso?
| Ghostface de metal em versão 2022 . Divulgação |
por Ed Sá
O filme Pânico (Scream) estreou em 1996. Vinte e cinco anos depois, Pânico 5 chega aos cinemas brasileiros em janeiro, segundo a Paramount. A campanha publicitária destaca a nova máscara usada pelo brutal serial killer Ghost Face. Dessa vez, ele aterroriza a cidade de Woodsboro com um adereço de metal que indica maiores níveis de sangue no filme estrelado pelo elenco original, Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette, e mais uma turma escolada em filmes de terror: Marley Shelton, Melissa Barrera, Jenna Ortega , Jack Quaid, Jasmin Savoy Brown e Dylan Minette. A direção é de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, também especialistas no gênero e que substituem Wes Craven, o cineasta morto em 2015, depois de comandar as quatro primeiras versões,
| Poster do LP The Wall inspirou a máscara da franquia Pânico. |
| Fanta na latinha: série "homenageia" o serial killer. Divulgação |
Pânico e as suas sequências atraíram multidões aos cinemas e consagraram um ícone pop que eletrizou gerações; a máscara do Ghostface. O último filme da franquia, Pânico 4, foi lançado em 2011, há dez anos. Daí, preciso contar à geração que vai aos cinemas no ano que vem que a famosa máscara tem origem ilustre. Foi inspirada no quadro O Grito, de Edward Munch, apareceu antes em uma exposição de fantasias da Fun World e foi recriada para um poster promocional do LP The Wall, do Pink Floyd.
Veja o trailer de pânico 5 AQUI
Dois toques: religião merece respeito, já o uso da fé como política pode e deve ser criticado
| Imagem/Reprodução |
| Reprodução Twitter |
Só Elio Gaspari não percebe? E olha que o jornalista e escritor mergulhou nos arquivos de Golbery para escrever uma ampla biografia sobre a ditadura militar no Brasil. Golbery tinha conspiração correndo nas veias. Seu apelido era "Feiticeiro". Pois Gaspari escreveu em sua coluna no Globo (08-12-2021) sobre uma suposta perseguição a André Mendonça, "ministro de Bolsonaro", como o próprio presidente rotulou, no STF. O colunista vê "intolerância" nas críticas, quando o que há no Brasil atual é uma programada e crescente ocupação política do Estado laico por evangélicos, especialmente os da linha neopentecostal. Bancadas evangélicas no Congresso, assembleias e câmaras de vereadores, além de cargos em todos os escalões do setor público e presença ostensiva em polícias e quarteis das Forças Armadas já resultam em normas, leis e costumes de inspiração religiosa. Gaspari acerta quando observa que não há nada demais em ter um pastor evangélico como ministro do STF, um judeu ou um católico( faltou dizer um candomblecista, um umbandista...), mas erra quando não enxerga o projeto político no embalo da fé. Na própria comemoração íntima da nomeação, Mendonça e demais religiosos foram bem claros ao exaltar o significado da conquista que vai muito além da restrita interpretação que o colunista deu ao fato. No UOL, um pastor e teólogo, incomodado com as críticas à euforia, pulos e às línguas ininteligíveis com que Michele Bolsonaro festejou a chegada de Mendonça ao STF, também pediu "respeito". Ora, ali também o que se comemorava era força política do cargo alcançado por alguém "terrivelmente evangélico", meta anunciada por Bolsonaro, e que deve orientar as suas próximas nomeações para o STF. Isso é política e como tal pode receber críticas. Religião é outra coisa, íntima, pessoal e nada exibicionista ou conspiratória.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Delete o eufemismo 2 - Fique de olho no Calotão Nacional
Quando ouvir falar em PEC dos Precatórios, entenda: é mão leve do governo, extorsão, confisco, apropriação de valores privados tão grave quanto a milícia cobrar taxa de comerciante da periferia. Leia-se PEC dos Predatórios.
Delete o eufemismo 1 - Não se deixe enganar...
Quando ouvir falar em Orçamento Secreto entenda o que significa: é a Mega Rachadinha institucional.
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Eleitores de Bolsonaro estão entrando no armário
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| Reprodução Twitter |
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
PÃO PÃO QUEIJO QUEIJO: Da “noivinha do Aristides” ao Dr. Rui: nosso fucklore político
| À direita, Chico Anysio caracterizado como Salomé (1979). Segundo a revista Manchete, Djanira teria servido de inspiração para Salomé (Manchete, 16 jun. 1979). |
A história brasileira é rica em codinomes e identidades c(h)ifradas. Essa do Aristides - fake news que começou no Twitter e se espalhou pelas redes sociais - lembrou logo uma série de notórios apelidos que se tornaram tão famosos quanto seus codificados. Dr. Rui era o nome em código da amante de Adhemar de Barros (aquele do “rouba, mas faz”). O então governador de São Paulo parava qualquer reunião quando um assessor entrava na sala e cochichava: "Dr. Ruy está esperando no local combinado". A militante Dilma Rousseff (codinomes Wanda, Patrícia, Estela, Luiza) não participou diretamente da ação armada que "desapropriou" o famoso cofre de Adhemar, e sim do seu desdobramento: disfarçada de turista estrangeira, ajudou a trocar os milhares de dólares, muitos deles no Copacabana Palace. Quando presidente, Dilma deu um estrelato meteórico a um tal de Bessias (na verdade, o servidor Jorge Messias, que não é parente de Jair Messias, também conhecido entre seus apoiadores como Mito) em famoso telefonema a Lula grampeado pelo presidenciável da Lava Jato Sérgio Moro (a quem os procuradores chamavam de Russo) que escorregou no vernáculo com um acaipirado “cônje”...
Ainda no atual (des)governo, um bisonho Ministro da (des)Educação metamorfoseou o sobrenome do famoso autor checo num prato do cardápio árabe, chamando-o de Franz Kafta... Também na política recente, um delator contou à justiça que o “Departamento de Propinas” da Odebrecht usava apelidos para que os funcionários do “baixo clero” que supostamente faziam os repasses irregulares não ficassem sabendo para quem ia o dinheiro. Alguns bastante sugestivos: Abelha, Coxa, Barbie, Inca, Roxinho, Babão, Balzac, Chorão, Garanhão, Desesperado, Escritor, Fodinha, Menino da floresta, Mercedes, Musa, Duro, Oxigênio, Primo, Princesa, Viagra, A lista completa com dezenas de nomes, foi publicada em 2017 pelo G1. Os políticos relacionados aos codinomes negaram as acusações do delator.
Leonel Brizola era um especialista em demolir adversários com apelidos que grudavam nos alvos: Gato Angorá era Moreira Franco; Sapo Barbudo colou no Lula e Filhote da Ditadura era Paulo Maluf durante a campanha eleitoral de 1989.
Um codinome já foi responsável por encerrar uma recente sessão na Câmara onde deputados ouviam explicações de Paulo Guedes. Instalou-se uma confusão quando o deputado Zeca do PT cravou no ministro de Economia um condimone inspirado na letra de um funk do Bonde do Tigrão; "Vem tchutchuca linda / Senta aqui com seu pretinho / Vou te pegar no colo / E fazer muito carinho…” Tchutchuca, no sentido pejorativo, é usado como menina vulgar e promíscua que não serve para um relacionamento sério.
No imaginário político nacional, várias figuras ficcionais surgiram na mídia, principalmente nos cartuns, nas crônicas dos jornais e nos programas humorísticos da TV. Uma das mais destacadas foi Salomé, criada e interpretada por Chico Anysio no programa Chico City, em 1979. Falando num gauchês acentuado, a senhorinha de Passo Fundo, RS, interpelava em seus telefonemas quase diários João Baptista Figueiredo com críticas e cobranças. Ex-professora de Figueiredo, Salomé tratava o Chefe da Nação como “guri” ou “João”, mostrando intimidade ele. Ao final, bradava seu implacável bordão: “Eu faço a cabeça de João Baptista ou não me chamo Salomé".
sábado, 4 de dezembro de 2021
PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO
Brain drain
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| Padre Marcelo Fernandes Foto Rodrigo W. Blum/Divulgação |
Josephine e o livro Musas dos anos loucos • Por Roberto Muggiati
| Josephine Baker. Foto Divulgação |
A lista da Top 20 inclui ainda Isadora Duncan, Marlene Dietrich, Coco Chanel, Kiki de Montparnasse, Leni Riefenstahl e, é claro, Frida Kahlo, o mais avassalador fenômeno cult deste século, embora tenha morrido em 1954, aos 47 anos.
Em três meses limpos, com um mecenato pagando minhas contas e me aliviando do trabalho mercenário que garante minha sobrevivência, eu colocaria no papel estas vinte biografias fabulosas do momento mágico em que a mulher, pela primeira vez, mostrou que era capaz de – ela mesma – escrever a sua história.
PS • Josephine: da Gay Paree a Porto Alegre
| Josephine Baker em Porto Alegre, 1971, recebida pela diretoria da Aliança Francesa. Foto A.F |
Esta história me foi brindada pelo amigo Márcio Pinheiro, jornalista gaúcho, editor do site amajazz. Trancrevo ipsis:
“Ontem o corpo de Josephine Baker (1906-1975) foi transferido para o Pantheon de Paris. Ela foi a sexta mulher a receber esta homenagem, e a única mulher negra.
Há exatos 50 anos, ela esteve em Porto Alegre, época ainda em que quase ao lado do Teatro Leopoldina - onde ela se apresentou - havia o Tia Dulce. Era um restaurante, localizado no térreo de um edifício e famoso por uma inesquecível sopa de cebola. A Tia que dava o nome ao estabelecimento era casada com um alemão, Henry Walter Cassel, que contava ter lutado ao lado dos americanos na II Guerra. Tio Dulce, como foi apelidado, também adorava contar - sentado numa mesa de canto do restaurante - que havia sido amigo de Josephine, inclusive ajudando-a durante as batalhas. Ninguém acreditava.
Em 1971, quando se apresentou na cidade, Josephine foi convidada por um grupo para ir ao Tia Dulce. Era a chance de demolir com a fantasia de Tio Dulce. Chegando ao local, Josephine olha para o canto e diz: ‘Henry Cassel!!!!!’. Ele se levanta, os dois se abraçam e começam a chorar convulsivamente. Era tudo verdade!”










