terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Mutreta em alta velocidade

Essa foto circula em redes sociais com uma legenda sugestiva: o momento exato em que  Federação Internacional de Automobilismo e a Liberty Media, empresa estadunidense que é dona da F1, decidiu que o inglês não seria o campeão do mundo. Como posições afirmativas contra racismo, violência policial contra negros, Hamilton é um incômodo para a conservadora FIA. Nos GPs realizados nas ditaduras islâmicas do Catar, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que rendem milhões de dólares para a F1, Hamilton fez campanha em defesa dos homossexuais discriminados, perseguidos e até condenados à pena de morte nas ditaduras religiosas. Na última corrida, Hamilton liderava quando o safety car entrou na pista após acidente com a Ferrari de Latifi. A partir daí duas  irregularidades - Vestappen colocar o carro à frente de Hamilton quando o safety car ainda estava na pista; e a estranha e intempestiva liberação da corrida privilegiando o avanço do carro da Red Bull -  mudaram o resultado da corrida e tiraram o título do inglês.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Elon Musk, a controvertida " Pessoa do Ano 2021" da Revista Time



A Time costuma justificar sua escolha de Pessoa do Ano como aquela figura que se destaca para o bem e para o mal. Hitler já foi Pessoa do Ano, como se sabe. Mas ao longo da trajetória da premiação há, teoricamente, personalidades mais amigáveis do que detestáveis, mais reconhecidas por iniciativas por positivas do que por ruínas morais e éticas. Mais..., mas nem sempre.

O empresário e lobista bilionário, Elon Musk foi escolhido Pessoa do Ano de 2021 pelos editores da Time .A revista justifica a escolha com missão espacial privada Inspiration 4, da SpaceX. Musk também é dono da Tesla, fabricante de carros elétricos e ativo especulador em bitcoins.  

Há mais sombra do que luz na nova Pessoa do Ano. Musk é declarado negativista, da Covid-19 é contra a vacinação, já disse que ele e seus filhos não se vacinariam, foi um dos videntes que apontou abril de 2020 como data do fim da pandemia. Faz constantes declarações irônicas sobre a Covid. Diante da repercussão das suas opiniões, prometeu doar 400 mil aparelhos de ventilação para hospitais americanos. Cumpriu em parte a promessa, mas  passada a onda de críticas na web esqueceu o assunto. Um seguidor, certa vez, fez a Musk uma pergunta incômoda. Queria saber se o governo dos Estados Unidos havia organizado um golpe na Bolívia de olho nas vastas reservas de lítio, mineral usado em baterias elétricas, o componentes fundamental dos carros Tesla. Musk respondeu: “Vamos dar golpe em quem quisermos! Lide com isso”. Em seguida, apagou a fala das suas redes sociais pressionado por investidores da Tesla, que o consideram "imaturo".
A mais recente investida de Elon Musk é no Brasil, com potencial de polêmica. O lobista se aproximou do ministro das Comunicações, Fábio Faria, genro de Sílvio Santos, com quem se reuniu em Austin, no Texas, há certa de um mês, demonstrando interesse em utilizar uma das suas empresas, a Starlink, de rede de satélites, para fornecer internet em áreas remotas do país. Segundo a Folha de São Paulo, o lobby de Musk teria "constrangido a Anatel", agência brasileira responsável pelo setor.  

Fotomemória: 53 anos do AI-5 e a pose dos canalhas em 13 de dezembro de 1968.

Foto Oficial Reprodução/Divulgação

Em um dia como hoje, há 53 anos, a ditadura decretava o AI-5 que retirava dos brasileiros o que lhes restava de direitos após o golpe de 1964. 
Ao longo da história o Brasil reuniu muitos canalhas em fotos memoráveis. Os arquivos políticos mostram que é extraordinária e sempre se renova a capacidade do país de produzir até hoje imagens do tipo. Essa foto reúne Costa e Silva e seus ministros no Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro em 13 de dezembro de 1968. Foi logo após a assinatura do famoso documento. Comemorava-se o novo marco do autoritarismo. As mãos que empunharam as canetas que oficializaram a barbárie saíram dessa cerimônia macabra tingidas de sangue. Nos dias seguintes, milhares de brasileiros foram presos, muitos foram torturados, assassinados, desaparecidos, outros buscaram o exílio. Diante da lei os signatários ficaram impunes. Apenas a História os condenou e, talvez, embora improvável, alguns resquícios de consciências à mesa. Essa foto é a única sentença que restou.

sábado, 11 de dezembro de 2021

O Redentor do Corcovado comemorou 90 anos. O Cristo da Coluna da Hora do Crato, também em art déco, festeja nesse Natal 84 anos.

O Cristo do Crato. Foto Prefeitura Municipal do Crato.


Linhas do monumento em art déco. Foto J. Esmeraldo Gonçalves

por José Esmeraldo Gonçalves

O jornalista e escritor Roberto Muggiati, amigo curitibano e colega dos tempos da Manchete, ex-diretor da revista, publicou recentemente um texto sobre as réplicas do Cristo Redentor do Corcovado que se multiplicam pelo Brasil. 

A comemoração dos 90 anos do monumento que domina o Rio de Janeiro foi o "gancho" jornalístico do artigo do Muggiati. 

O Cristo carioca esculpido pelo francês Paul Landowski é uma preciosidade da art déco. Já os clones plantados em picos e praças nacionais são mesmo, na maioria, lamentavéis equívocos esculturais. Há Cristos atléticos, como se acabassem de sair de uma academia Smart Fit, outros têm face e postura lamurientas que ganhariam papel em novela mexicana. Monumento do Cristo raivoso? Tem, e até parece um "Rambo" a perseguir pecadores. Até um Cristo em pedra faz uma estranha saudação com a mão direita erguida, palma aberta. Não se surpreenda se a imagem remete a trágicas lembranças: isso mesmo, Hitler desfilando na Potsdamerplatz.


Pois esqueçam tudo isso. O Crato, Ceará, se orgulha com razão de ter como símbolo oficial da cidade um Cristo de fé e classe instalado em uma coluna em art déco  - a Coluna da Hora, de 30 metros de altura. O monumento, que foi selo dos Correios em 1953, domina uma praça histórica da cidade, a Francisco Sá. O Cristo do Crato abre os  braços para a antiga estação ferroviária. Na base do monumento lê-se a frase: "Nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade".  

O Cristo do Corcovado foi inaugurado em 12 de outubro de 1931. O Cristo do Crato foi instalado apenas sete anos depois, em 25 de dezembro de 1938, há 84 anos. O monumento foi encomendado ao escultor italiano Agostinho Balmes Odísio, que viveu alguns anos no Brasil, na primeira metade do século 20. 

Sou um cidadão cratense que há quase 55 anos tem visto residencial no Rio de Janeiro. Aqui nasceram meus filhos Tiago e Eduardo e meu neto Bruno. Quando apresento minha carteira de identidade ainda do jurássico "Estado da Guanabara" geralmente causo espanto em funcionártios ou atendentes mais jovens.

Antiga Estação Ferroviária do Crato, hoje centro cultural.
Foto Prefeitura Municipal do Crato

Aqui o Corcovado é onipresente, mas sempre que vejo o Redentor do Rio de Janeiro a imagem me remete ao Cristo da Coluna da Hora da Praça da Estação do Crato. 

Pra mim são portais que ligam o mundo que vivi, são os pontos definitivos do google maps que me rastreia.  São as cidades que tenho e que me têm. Na memória ou no presencial. 

Na capa da IstoÉ: o xerife da carceragem

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

A "festa da firma" de Biden

Reprodução Twitter

Biden fez um "mela cueca" de fim de ano sobre "Democracia". Curiosamente, o encontro não registra as ditaduras patrocinadas pelos Estados Unidos. Casos de Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein, Paquistão, Egito etc. Na festinha de Biden até Bolsonaro tirou onda de "democrata". Deve ter valido como confraternização de fim de ano.

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO: cartas psicografadas podem resolver mistérios brasileiros e internacionais

No julgamento em curso dos acusados pela tragédia da boate Kiss, a advogada de um dos réus leu uma carta psicografada onde um jovem morto no incêndio pede que todos parem de procurar culpados e façam orações. Parece deboche diante dos parentes das vítimas. Vários deixaram a sala do júri em protesto.

Apelar para o Além não é algo inédito na Justiça desse bizarro país chamado Brasil. Já houve casos em que juízes aceitaram argumentos do outro mundo. 

Já que a pátria está mesmo fora de controle, a nobre Justiça podia oficializar o recurso fantamasgórico. Pode ser útil até para investigações que deram em nada. O ex-bolsonarista Gustavo Bebiano talvez revele em carta psicografada as denúncias que levou para o túmulo. JK, Jango e Carlos Lacerda podem confirmar se foram assassinados pela operação Condor das ditaduras militares do Cone Sul. Ulysses Guimarães, se acionado, revelaria onde repousa seu corpo jamais encontrado. Teori Zavaski informaria se morreu em acidente aéreo ou atentado. Se o instrumento jurídico made in Brazil for oferecido ao mundo saberemos se João Paulo I foi assassinado, onde está o corpo de Jimmy Hoffa,  Lee Oswald dirá se realmente matou Kennedy e o policial Jack Ruby contará porque matou Lee Oswald. Marilyn Monroe contará em detalhes as suas últimas duas horas de vida. O coronel Fawcett dirá que não desapareceu na Amazônia; sumiu porque se apaixonou por uma bela indígena com quem viveu até os 90 anos em uma tribo isolada.

Morto que dá seu testemunho psicografado e é aceito pelo juiz é a maior contribuição que a Justiça brasiloide pode dar aos tribunais internacionais. Será o fim de todos os mistérios. Parabéns aos envolvidos que ajudam o Brasil a descer um pouco mais a ladeira.

Na capa da Carta Capital: a conspiração fundamentalista

O esculhambado do ano

Simulação de capa. Reprodução Twitter 


Simulação de capa. Reprodução Twitter

por O. V. Pochê
Milícias digitais bolsonaristas fizeram campanhas nas redes sociais para indicar Bolsonaro como Homem do Ano da revista Time. Votação em massa, talvez robôs enlouquecidos, apoiadores varando noites e o brasileiro liderou a enquete que não implica em escolha pela redação daTime. A revista anunciará o eleito neste 13 de dezembro.  
Enquanto isso, quem se divertiu foi a rede social onde pipocaram memes e "capas" sugeridas com o elemento. Se vai ser Homem do Ano, tudo é possível - Hitler e Stalin já o foram - mas já é o personagem que mais esculhambado na internet nos últimos dias. E isso não é pouca coisa.



Depois do boi dos boys da Bolsa, Vaca Magra em alta cotação

A Vaca Magra foi pro brejo da especulação financeira. Reprodução Instagram

por O. V. Pochê
A sede da Bolsa em São Paulo foi enfeitada com a Vaca Magra, criação da artista plástica cearense Márcia Pinheiro. Ao contrário do boi gordo com que especuladores se homenagearam no mesmo local recentemente, e que ficou exposto por sete dias, a Vaca foi logo reprimida pela fiscalização. Mas deu o recado contra a fome e a desigualdade. O Brasil está esquálido. Se fosse de verdade não sobreviveria um minuto na pátria amada que está lavando osso, investindo em pé de galinha, comprando ação de resto de cheaseburguer, fazendo IPO de sobra de sushi vencido e mandando carcaça de qualquer bicho pra conta secreta da barriga. 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

No novo filme Pânico 5 o serial killer Ghostface vem com máscara de metal. E o que o Pink Floyd tem a ver com isso?

Ghostface de metal em versão 2022 . Divulgação

por Ed Sá

O filme Pânico (Scream) estreou em 1996. Vinte e cinco anos depois, Pânico 5 chega aos cinemas brasileiros em janeiro, segundo a Paramount. A campanha publicitária destaca a nova máscara usada pelo brutal serial killer  Ghost Face. Dessa vez, ele  aterroriza a cidade de Woodsboro com um adereço  de metal que indica maiores níveis de sangue no filme estrelado pelo elenco original, Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette, e mais uma turma escolada em filmes de terror: Marley Shelton, Melissa Barrera, Jenna Ortega , Jack Quaid, Jasmin Savoy Brown e Dylan Minette. A direção é de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, também especialistas no gênero e que substituem Wes Craven, o cineasta morto em 2015, depois de comandar as quatro primeiras versões, 

Poster do LP The Wall inspirou a máscara da franquia Pânico.


Fanta na latinha: série "homenageia" o serial killer. Divulgação

Pânico e as suas sequências atraíram multidões aos cinemas e consagraram um ícone pop que eletrizou gerações; a máscara do Ghostface. O último filme da franquia, Pânico 4, foi lançado em 2011, há dez anos. Daí, preciso contar à geração que vai aos cinemas no ano que vem que a famosa máscara tem origem ilustre. Foi inspirada no quadro O Grito, de Edward Munch, apareceu antes em uma exposição de fantasias da Fun World e foi recriada para um poster promocional do LP The Wall, do Pink Floyd. 
E você vai poder assistir Pânico 5 comendo pipoca com Fanta, série Ghostface. Mais pop impossível. A lata, aliás, tem uma advertência: 1. Não atenda o telefone, 2. Mantenha seus lanches bem perto, 3. Curta com o sabor delicioso de Fanta.

Veja o trailer de pânico 5 AQUI

Dois toques: religião merece respeito, já o uso da fé como política pode e deve ser criticado

 

Imagem/Reprodução 

Reprodução Twitter

Só Elio Gaspari não percebe? E olha que o jornalista e escritor mergulhou nos arquivos de Golbery para escrever uma ampla biografia sobre a ditadura militar no Brasil. Golbery tinha conspiração correndo nas veias. Seu apelido era "Feiticeiro". Pois Gaspari escreveu em sua coluna no Globo (08-12-2021) sobre uma suposta perseguição a André Mendonça, "ministro de Bolsonaro", como o próprio presidente rotulou, no STF. O colunista vê "intolerância" nas críticas, quando o que há no Brasil atual é uma programada e crescente ocupação política do Estado laico por evangélicos, especialmente os da linha neopentecostal. Bancadas evangélicas no Congresso, assembleias e câmaras de vereadores, além de cargos em todos os escalões do setor público e presença ostensiva em polícias e quarteis das Forças Armadas já resultam em normas, leis e costumes de inspiração religiosa. Gaspari acerta quando observa que não há nada demais em  ter um pastor evangélico como ministro do STF, um judeu ou um católico( faltou dizer um candomblecista, um umbandista...), mas erra quando não enxerga o projeto político no embalo da fé. Na própria comemoração íntima da nomeação, Mendonça e demais religiosos foram bem claros ao exaltar o significado da conquista que vai muito além da restrita interpretação que o colunista deu ao fato. No UOL, um pastor e teólogo, incomodado com as críticas à euforia, pulos e às línguas ininteligíveis com que Michele Bolsonaro festejou a chegada de Mendonça ao STF, também pediu "respeito".  Ora, ali também o que se comemorava era força política do cargo alcançado por alguém "terrivelmente evangélico", meta anunciada por Bolsonaro, e que deve orientar as suas próximas nomeações para o STF. Isso é política e como tal pode receber críticas. Religião é outra coisa, íntima, pessoal e nada exibicionista ou conspiratória. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Delete o eufemismo 2 - Fique de olho no Calotão Nacional

Quando ouvir falar em PEC dos Precatórios, entenda: é mão leve do governo, extorsão, confisco, apropriação de valores privados tão grave quanto a milícia cobrar taxa de comerciante da periferia. Leia-se PEC dos Predatórios.

Delete o eufemismo 1 - Não se deixe enganar...

Quando ouvir falar em Orçamento Secreto entenda o que significa: é a Mega Rachadinha institucional.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Eleitores de Bolsonaro estão entrando no armário

Reprodução Twitter


Dia sim dia não alguém afirma nas redes sociais que votou no Haddad. Celebridades então parecem ter votado em peso no professor. Até famosos que vestiram verde amarelo Av. Atlântica e Paulista estão se refugiando no armário e negando o Bozobrocha três vezes antes do sol se por. É melhor acionar a ONU e pedir recontagem. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

PÃO PÃO QUEIJO QUEIJO: Da “noivinha do Aristides” ao Dr. Rui: nosso fucklore político


À direita, Chico Anysio caracterizado como Salomé (1979). Segundo a revista Manchete,
Djanira teria servido de inspiração para Salomé (Manchete, 16 jun. 1979). 

A história brasileira é rica em codinomes e identidades c(h)ifradas.  Essa do Aristides - fake news que começou no Twitter e se espalhou pelas redes sociais - lembrou logo uma série de notórios apelidos que se tornaram tão famosos quanto seus codificados. Dr. Rui era o nome em código da amante de Adhemar de Barros (aquele do “rouba, mas faz”). O então governador de São Paulo parava qualquer reunião quando um assessor entrava na sala e cochichava: "Dr. Ruy está esperando no local combinado". A militante Dilma Rousseff (codinomes Wanda, Patrícia, Estela, Luiza) não participou diretamente da ação armada que "desapropriou" o famoso cofre de Adhemar, e sim do seu desdobramento: disfarçada de turista estrangeira, ajudou a trocar os milhares de dólares, muitos deles no Copacabana Palace. Quando presidente, Dilma  deu um estrelato meteórico a um tal de Bessias (na verdade, o servidor Jorge Messias, que não é parente de Jair Messias, também conhecido entre seus apoiadores como Mito) em famoso telefonema a Lula grampeado pelo presidenciável da Lava Jato Sérgio Moro (a quem os procuradores chamavam de Russo) que escorregou no vernáculo com um acaipirado “cônje”... 

Ainda no atual (des)governo, um bisonho Ministro da (des)Educação metamorfoseou o sobrenome do famoso autor checo num prato do cardápio árabe, chamando-o de Franz Kafta... Também na política recente, um delator contou à justiça que o “Departamento de Propinas” da Odebrecht usava apelidos para que os funcionários do “baixo clero” que supostamente faziam os repasses irregulares não ficassem sabendo para quem ia o dinheiro. Alguns bastante sugestivos: Abelha, Coxa,  Barbie, Inca, Roxinho,  Babão, Balzac, Chorão, Garanhão, Desesperado, Escritor, Fodinha, Menino da floresta, Mercedes, Musa, Duro, Oxigênio, Primo, Princesa, Viagra, A lista completa com dezenas de nomes, foi publicada em 2017 pelo G1. Os políticos relacionados aos codinomes negaram as acusações do delator. 

Leonel Brizola era um especialista em demolir adversários com apelidos que grudavam nos alvos: Gato Angorá era Moreira Franco; Sapo Barbudo colou no Lula e Filhote da Ditadura era Paulo Maluf durante a campanha eleitoral de 1989. 

Um codinome já foi responsável por encerrar uma recente sessão na Câmara onde deputados ouviam explicações de Paulo Guedes. Instalou-se uma confusão quando o deputado Zeca do PT cravou no ministro de Economia um condimone inspirado na letra de um funk do Bonde do Tigrão; "Vem tchutchuca linda / Senta aqui com seu pretinho / Vou te pegar no colo / E fazer muito carinho…”  Tchutchuca, no sentido pejorativo, é usado como menina vulgar e promíscua que não serve para um relacionamento sério. 

No imaginário político nacional, várias figuras ficcionais surgiram na mídia, principalmente nos cartuns, nas crônicas dos jornais e nos programas humorísticos da TV. Uma das mais destacadas foi Salomé, criada e interpretada por Chico Anysio no programa Chico City, em 1979. Falando num gauchês acentuado, a senhorinha de Passo Fundo, RS, interpelava em seus telefonemas quase diários  João Baptista Figueiredo com críticas e cobranças. Ex-professora de Figueiredo, Salomé tratava o Chefe da Nação como “guri” ou “João”, mostrando intimidade ele. Ao final, bradava seu implacável bordão: “Eu faço a cabeça de João Baptista ou não me chamo Salomé".  

sábado, 4 de dezembro de 2021

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO

Brain drain

Padre Marcelo Fernandes 
Foto Rodrigo W. Blum/Divulgação
A ciência anda tão em baixa neste país que está havendo uma debandada em massa nas áreas de tecnologia, educação e afins. O caso emblemático foi a recusa, há dias, do Padre Marcelo Fernandes de Aquino, reitor da Usisinos, de receber a outrora cobiçada comenda de Cavaleiro da Ordem de Rio Branco. Ele justificou a decisão pela “incapacidade do Governo Federal de dar rumo correto para as políticas públicas”. (Politicagem über alles, diria Goebbels, um dos pensadores favoritos do nosso tosco regime terraplanista.) Tivemos uma diplomacia e uma economia de Primeiro Mundo, com os barões do Rio Branco e de Mauá, lá nos tempos do Imperador... Os americanos inventaram um nome para o que acontece hoje no Brasil: brain drain – a inteligência escapa pelo ralo... E, no nosso agrossafadês, a vaca vai para o brejo...

Josephine e o livro Musas dos anos loucos • Por Roberto Muggiati

Josephine Baker.
Foto Divulgação
Em francês, Josephine rima com héroïne. A dançarina e cantora Josephine Baker – sexta mulher e a primeira negra a ter seus despojos acolhidos no Panthéon de Paris, faz parte da galeria das “musas dos anos loucos” – as mulheres que abalaram a década de 1920. E de um livro que ainda pretendo publicar, 20 mulheres de 1920/As musas dos anos loucos. A espinha dorsal de mais esta obra-prima que adormece nas gavetas do tempo é a série que publiquei – de novembro de 1988 a abril de 1989, na revista EleEla – com os perfis de Tamara de Lempicka, Bessie Smith, Pagu, Josephine Baker, Zelda Fitzgerald, Louise Brooks, Lotte Lenya e Isak Dinesen. A história de Dinesen foi ampliada na série “As obras-primas do milênio” (na última edição que foi às bancas da revista Manchete, em 29 de julho de 2000). E Gala Dali teve sua love story com Salvador Dali contada na seção “Gente e Histórias” da revista Contigo, na edição do Dia dos Namorados, em 5 de junho de 2014.

A lista da Top 20 inclui ainda Isadora Duncan, Marlene Dietrich, Coco Chanel, Kiki de Montparnasse, Leni Riefenstahl e, é claro, Frida Kahlo, o mais avassalador fenômeno cult deste século, embora tenha morrido em 1954, aos 47 anos.

Em três meses limpos, com um mecenato pagando minhas contas e me aliviando do trabalho mercenário que garante minha sobrevivência, eu colocaria no papel estas vinte biografias fabulosas do momento mágico em que a mulher, pela primeira vez, mostrou que era capaz de – ela mesma – escrever a sua história. 



PS • Josephine: da Gay Paree a Porto Alegre

Josephine Baker em Porto Alegre, 1971, recebida
pela diretoria da Aliança Francesa. Foto A.F

Esta história me foi brindada pelo amigo Márcio Pinheiro, jornalista gaúcho, editor do site amajazz. Trancrevo ipsis:

“Ontem o corpo de Josephine Baker (1906-1975) foi transferido para o Pantheon de Paris. Ela foi a sexta mulher a receber esta homenagem, e a única mulher negra.

Há exatos 50 anos, ela esteve em Porto Alegre, época ainda em que quase ao lado do Teatro Leopoldina - onde ela se apresentou - havia o Tia Dulce. Era um restaurante, localizado no térreo de um edifício e famoso por uma inesquecível sopa de cebola. A Tia que dava o nome ao estabelecimento era casada com um alemão, Henry Walter Cassel, que contava ter lutado ao lado dos americanos na II Guerra. Tio Dulce, como foi apelidado, também adorava contar - sentado numa mesa de canto do restaurante - que havia sido amigo de Josephine, inclusive ajudando-a durante as batalhas. Ninguém acreditava.

Em 1971, quando se apresentou na cidade, Josephine foi convidada por um grupo para ir ao Tia Dulce. Era a chance de demolir com a fantasia de Tio Dulce. Chegando ao local, Josephine olha para o canto e diz: ‘Henry Cassel!!!!!’. Ele se levanta, os dois se abraçam e começam a chorar convulsivamente. Era tudo verdade!”

Na capa da Crusoé: a selfie do "Subornão"

por José Esmeraldo Gonçalves

O grande esquema de cooptação de parlamentares do Centrão para aprovação de projetos de interesse de Bolsonaro posou para fotos. A Crusoé mostra como funciona o que já é informalmente apelidado de "Subornão". 
No caso, a farra das emendas do Orçamento Secreto - que não podia ter outro nome - é um atalho para o desvio de verbas como mostram a foto de capa e a reportagem da revista. O deputado Josemar de Maranhãozinho, um dos chefões do PL, o novo partido de Bolsonaro, acaricia como se fosse a amada amante um gordo maço de cédulas. Segundo o investigação da PF com determinada pelo STF, o dindin tem carimbo: é grana da farra das emendas parlamentares. 
Como não é o monstro do Lago Ness, cuja existência jamais foi comprovada, a corrupção atrelada ao tal orçamento secreto logo se materializou na reportagem. Isso na mesma semana em que o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PDS), pede seis meses (!!!) para procurar a papelada que possivelmente revelará nome, destino, DNA, percurso, montantes, time de futebol, cantora preferida, alma mater, amigos, vizinhos, viagem inesquecível, lua de mel, pais e mães das tais emendas milionárias do relator. 

Mas diz aí, amigo. O senador Rodrigo não tem computador e senha na mesa dele? Se o orçamento secreto algum dia virou arquivo do sistema não seria o caso de sua senhoria apenas apertar a velha tecla de busca e localizar o dito cujo? Ou o doc não existe, a grana saiu pra passear sem dizer aonde ia e daí o Congresso precisar de seis meses para correr atrás dos CPFs, quantias e destinação da dinheirama como essa que está nas mãos ágeis do Maranhãozinho no PL? 
Uma sugestão deste jornalista e contribuinte: marcar com um rastreador todas as cédulas provenientes das emendas do relator. E os eleitores poderiam acompanhar em tempo real o rolezinho dos milhões. 
Avisem ao Congresso que essa tecnologia existe.