terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Eleitores de Bolsonaro estão entrando no armário

Reprodução Twitter


Dia sim dia não alguém afirma nas redes sociais que votou no Haddad. Celebridades então parecem ter votado em peso no professor. Até famosos que vestiram verde amarelo Av. Atlântica e Paulista estão se refugiando no armário e negando o Bozobrocha três vezes antes do sol se por. É melhor acionar a ONU e pedir recontagem. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

PÃO PÃO QUEIJO QUEIJO: Da “noivinha do Aristides” ao Dr. Rui: nosso fucklore político


À direita, Chico Anysio caracterizado como Salomé (1979). Segundo a revista Manchete,
Djanira teria servido de inspiração para Salomé (Manchete, 16 jun. 1979). 

A história brasileira é rica em codinomes e identidades c(h)ifradas.  Essa do Aristides - fake news que começou no Twitter e se espalhou pelas redes sociais - lembrou logo uma série de notórios apelidos que se tornaram tão famosos quanto seus codificados. Dr. Rui era o nome em código da amante de Adhemar de Barros (aquele do “rouba, mas faz”). O então governador de São Paulo parava qualquer reunião quando um assessor entrava na sala e cochichava: "Dr. Ruy está esperando no local combinado". A militante Dilma Rousseff (codinomes Wanda, Patrícia, Estela, Luiza) não participou diretamente da ação armada que "desapropriou" o famoso cofre de Adhemar, e sim do seu desdobramento: disfarçada de turista estrangeira, ajudou a trocar os milhares de dólares, muitos deles no Copacabana Palace. Quando presidente, Dilma  deu um estrelato meteórico a um tal de Bessias (na verdade, o servidor Jorge Messias, que não é parente de Jair Messias, também conhecido entre seus apoiadores como Mito) em famoso telefonema a Lula grampeado pelo presidenciável da Lava Jato Sérgio Moro (a quem os procuradores chamavam de Russo) que escorregou no vernáculo com um acaipirado “cônje”... 

Ainda no atual (des)governo, um bisonho Ministro da (des)Educação metamorfoseou o sobrenome do famoso autor checo num prato do cardápio árabe, chamando-o de Franz Kafta... Também na política recente, um delator contou à justiça que o “Departamento de Propinas” da Odebrecht usava apelidos para que os funcionários do “baixo clero” que supostamente faziam os repasses irregulares não ficassem sabendo para quem ia o dinheiro. Alguns bastante sugestivos: Abelha, Coxa,  Barbie, Inca, Roxinho,  Babão, Balzac, Chorão, Garanhão, Desesperado, Escritor, Fodinha, Menino da floresta, Mercedes, Musa, Duro, Oxigênio, Primo, Princesa, Viagra, A lista completa com dezenas de nomes, foi publicada em 2017 pelo G1. Os políticos relacionados aos codinomes negaram as acusações do delator. 

Leonel Brizola era um especialista em demolir adversários com apelidos que grudavam nos alvos: Gato Angorá era Moreira Franco; Sapo Barbudo colou no Lula e Filhote da Ditadura era Paulo Maluf durante a campanha eleitoral de 1989. 

Um codinome já foi responsável por encerrar uma recente sessão na Câmara onde deputados ouviam explicações de Paulo Guedes. Instalou-se uma confusão quando o deputado Zeca do PT cravou no ministro de Economia um condimone inspirado na letra de um funk do Bonde do Tigrão; "Vem tchutchuca linda / Senta aqui com seu pretinho / Vou te pegar no colo / E fazer muito carinho…”  Tchutchuca, no sentido pejorativo, é usado como menina vulgar e promíscua que não serve para um relacionamento sério. 

No imaginário político nacional, várias figuras ficcionais surgiram na mídia, principalmente nos cartuns, nas crônicas dos jornais e nos programas humorísticos da TV. Uma das mais destacadas foi Salomé, criada e interpretada por Chico Anysio no programa Chico City, em 1979. Falando num gauchês acentuado, a senhorinha de Passo Fundo, RS, interpelava em seus telefonemas quase diários  João Baptista Figueiredo com críticas e cobranças. Ex-professora de Figueiredo, Salomé tratava o Chefe da Nação como “guri” ou “João”, mostrando intimidade ele. Ao final, bradava seu implacável bordão: “Eu faço a cabeça de João Baptista ou não me chamo Salomé".  

sábado, 4 de dezembro de 2021

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO

Brain drain

Padre Marcelo Fernandes 
Foto Rodrigo W. Blum/Divulgação
A ciência anda tão em baixa neste país que está havendo uma debandada em massa nas áreas de tecnologia, educação e afins. O caso emblemático foi a recusa, há dias, do Padre Marcelo Fernandes de Aquino, reitor da Usisinos, de receber a outrora cobiçada comenda de Cavaleiro da Ordem de Rio Branco. Ele justificou a decisão pela “incapacidade do Governo Federal de dar rumo correto para as políticas públicas”. (Politicagem über alles, diria Goebbels, um dos pensadores favoritos do nosso tosco regime terraplanista.) Tivemos uma diplomacia e uma economia de Primeiro Mundo, com os barões do Rio Branco e de Mauá, lá nos tempos do Imperador... Os americanos inventaram um nome para o que acontece hoje no Brasil: brain drain – a inteligência escapa pelo ralo... E, no nosso agrossafadês, a vaca vai para o brejo...

Josephine e o livro Musas dos anos loucos • Por Roberto Muggiati

Josephine Baker.
Foto Divulgação
Em francês, Josephine rima com héroïne. A dançarina e cantora Josephine Baker – sexta mulher e a primeira negra a ter seus despojos acolhidos no Panthéon de Paris, faz parte da galeria das “musas dos anos loucos” – as mulheres que abalaram a década de 1920. E de um livro que ainda pretendo publicar, 20 mulheres de 1920/As musas dos anos loucos. A espinha dorsal de mais esta obra-prima que adormece nas gavetas do tempo é a série que publiquei – de novembro de 1988 a abril de 1989, na revista EleEla – com os perfis de Tamara de Lempicka, Bessie Smith, Pagu, Josephine Baker, Zelda Fitzgerald, Louise Brooks, Lotte Lenya e Isak Dinesen. A história de Dinesen foi ampliada na série “As obras-primas do milênio” (na última edição que foi às bancas da revista Manchete, em 29 de julho de 2000). E Gala Dali teve sua love story com Salvador Dali contada na seção “Gente e Histórias” da revista Contigo, na edição do Dia dos Namorados, em 5 de junho de 2014.

A lista da Top 20 inclui ainda Isadora Duncan, Marlene Dietrich, Coco Chanel, Kiki de Montparnasse, Leni Riefenstahl e, é claro, Frida Kahlo, o mais avassalador fenômeno cult deste século, embora tenha morrido em 1954, aos 47 anos.

Em três meses limpos, com um mecenato pagando minhas contas e me aliviando do trabalho mercenário que garante minha sobrevivência, eu colocaria no papel estas vinte biografias fabulosas do momento mágico em que a mulher, pela primeira vez, mostrou que era capaz de – ela mesma – escrever a sua história. 



PS • Josephine: da Gay Paree a Porto Alegre

Josephine Baker em Porto Alegre, 1971, recebida
pela diretoria da Aliança Francesa. Foto A.F

Esta história me foi brindada pelo amigo Márcio Pinheiro, jornalista gaúcho, editor do site amajazz. Trancrevo ipsis:

“Ontem o corpo de Josephine Baker (1906-1975) foi transferido para o Pantheon de Paris. Ela foi a sexta mulher a receber esta homenagem, e a única mulher negra.

Há exatos 50 anos, ela esteve em Porto Alegre, época ainda em que quase ao lado do Teatro Leopoldina - onde ela se apresentou - havia o Tia Dulce. Era um restaurante, localizado no térreo de um edifício e famoso por uma inesquecível sopa de cebola. A Tia que dava o nome ao estabelecimento era casada com um alemão, Henry Walter Cassel, que contava ter lutado ao lado dos americanos na II Guerra. Tio Dulce, como foi apelidado, também adorava contar - sentado numa mesa de canto do restaurante - que havia sido amigo de Josephine, inclusive ajudando-a durante as batalhas. Ninguém acreditava.

Em 1971, quando se apresentou na cidade, Josephine foi convidada por um grupo para ir ao Tia Dulce. Era a chance de demolir com a fantasia de Tio Dulce. Chegando ao local, Josephine olha para o canto e diz: ‘Henry Cassel!!!!!’. Ele se levanta, os dois se abraçam e começam a chorar convulsivamente. Era tudo verdade!”

Na capa da Crusoé: a selfie do "Subornão"

por José Esmeraldo Gonçalves

O grande esquema de cooptação de parlamentares do Centrão para aprovação de projetos de interesse de Bolsonaro posou para fotos. A Crusoé mostra como funciona o que já é informalmente apelidado de "Subornão". 
No caso, a farra das emendas do Orçamento Secreto - que não podia ter outro nome - é um atalho para o desvio de verbas como mostram a foto de capa e a reportagem da revista. O deputado Josemar de Maranhãozinho, um dos chefões do PL, o novo partido de Bolsonaro, acaricia como se fosse a amada amante um gordo maço de cédulas. Segundo o investigação da PF com determinada pelo STF, o dindin tem carimbo: é grana da farra das emendas parlamentares. 
Como não é o monstro do Lago Ness, cuja existência jamais foi comprovada, a corrupção atrelada ao tal orçamento secreto logo se materializou na reportagem. Isso na mesma semana em que o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PDS), pede seis meses (!!!) para procurar a papelada que possivelmente revelará nome, destino, DNA, percurso, montantes, time de futebol, cantora preferida, alma mater, amigos, vizinhos, viagem inesquecível, lua de mel, pais e mães das tais emendas milionárias do relator. 

Mas diz aí, amigo. O senador Rodrigo não tem computador e senha na mesa dele? Se o orçamento secreto algum dia virou arquivo do sistema não seria o caso de sua senhoria apenas apertar a velha tecla de busca e localizar o dito cujo? Ou o doc não existe, a grana saiu pra passear sem dizer aonde ia e daí o Congresso precisar de seis meses para correr atrás dos CPFs, quantias e destinação da dinheirama como essa que está nas mãos ágeis do Maranhãozinho no PL? 
Uma sugestão deste jornalista e contribuinte: marcar com um rastreador todas as cédulas provenientes das emendas do relator. E os eleitores poderiam acompanhar em tempo real o rolezinho dos milhões. 
Avisem ao Congresso que essa tecnologia existe.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Dois toques: a tragédia brasileira em charges

 

Reprodução Twitter

Reprodução Twitter

Funcionário do governo Bolsonaro decora a sala com cartaz inspirado no slogan de Donald Trump


O secretário de Política Econômica de Bolsonaro deu entrevista à Globo News, hoje, para tentar explicar o pibinho negativo do Brasil. Mas o que chamou atenção foi, bem ao lado da bandeira, um cartaz amarelo onde se lê "Make SPE Great Again". SPE, claro, é a sigla da Secretaria. O funcionário Adolfo Sachsida, que replica na sua sala o slogan de  Donald Trump - o ex-presidente estadunidense atualmente é investigado por ações contra a democracia e por tentativa de obstrução da justiça - deve ser tiete do magnata. Faltou o boné Trump2024.

Esse é o verdadeiro "controle da mídia"

Reprodução Twitter

Bolsonaro esnobou Deus. É o que conta o site Metrópoles


Guilherme Amado, do Metrópoles, revela que André Mendonça, que acaba de ganhar crachá do STF, foi procurado por Deus, o próprio, que lhe transmitiu um recado para Bolsonaro. A pandemia estava desembestada e o negacionismo do inquilino do Planalto também. A mensagem que Mendonça ouviu de Deus pedia que Bolsonaro seguisse as recomendações de Mandetta, então ministro da Saúde. Como se sabe, nem o recado de Deus fez Bolsonaro manter Mandetta no cargo. Para decepção divina, ele foi defenestrado pouco depois. Desconfio que Deus vai cobrar a desfeita na CPI do Juízo Final. 

Você pode acessar a matéria do Guilherme Amado no link 

https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/o-dia-em-que-deus-fez-uma-revelacao-sobre-bolsonaro-a-andre-mendonca

Nem precisou de um cabo e dois soldados

Reprodução Twitter

Nada que não possa piorar

Reprodução Folha de São Paulo

O artigo de Thiago Amparo publicado na Folha de São Paulo, hoje, desfaz fantasias e expõe uma contradição. Segundo as pesquisas, a aprovação de Bolsonaro despenca na tabela. E isso anima muita gente. É a fantasia. A realidade é que  infelizmente o "noivinho" continua governando. Tem a maioria do Congresso na mão grande, acumula vitórias sucessivas em várias instâncias da Justiça, PGR não o incomoda, nem PF, tribunais de contas, controladorias, Interpol e muito menos o guarda da esquina. Fora Getúlio Vargas do Estado Novo e os generais-ditadores  que desfilaram na passarela do regime militar, Bolsonaro é o mais poderoso entre os governantes brasileiros. Faz o que quer, aprova o que quer. Quando perde alguma parada é quase sempre uma miudezas, um "bode na sala" que nem ele se esforça para tirar, deixa pra lá. Quando  realmente interessa ao governo ele faz a boiada passar. O Bozoroca tem no mínimo o ano inteiro de 2022 para rodopiar no salão com a República. Comentaristas políticos dizem que com o aumento da insatisfação popular ele vai despencar ainda mais. O problema é que a insatisfação pode estar em grande parte do povo mas não chega aos grupos de apoio do "coisa ruim" nem alcança instituições perfeitamente manipuladas ou aparelhadas. Aviso aos náufragos: Bolsonaro tem, no mínimo, o ano inteiro de 2022 para fazer pior. Muito pior.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO

Para muitos, Lula é o melhor cabo eleitoral de Bolsonaro. Reparem. A partir do momento em que pesquisas deram a liderança ao ex- presidente sumiram da mídia temas cono impeachment, CPI da Covid, cheques em família, Queiroz, Covaxin superfaturada etc. Há poucos minutos STF confirmou nulidade de todas as provas contra a rachadinha de Flávio Bolsonaro. Por firulas técnicas a decisão anula até as evidências da Coaf que atestam movimentações financeiras até hilárias, tal a velocidade que caíam em contas. Isso significa que Bolsonaro está em voo de cruzeiro para 2022 tripulando a mídia conservadora. Bolsonaro já não pode ser  desgastado no noticiário e nas análises. Se o plano B, Moro, não chegar ao segundo turno, o plano A da mídia é o B de Bozo, repetindo 2018. Entendeu?

PÃO PÃO, QUEIJO, QUEIJO


Assistam Glória Maria e Sandra Annenberg apresentando o Globo Repórter. Sensacional. São "apresentadoras de reportagem", um negócio que já é meio redundante. Mas tudo bem. Elas performam no estúdio como atrizes na entonação, no gestual, empostação, expressões, pausas dramáticas. É cult. Tem até desempenho de mãos pontuando o texto.
Não é crítica. São monumentos, as últimas clássicas da TV brasileira.

Livro reúne mais de 90 artigos sobre álbuns que mostram que 1979 foi ano atípico para a MPB


O lançamento de 1979 – O ano que ressignificou a MPB está previsto para o segundo semestre de 2022 e depende do resultado da campanha de financiamento coletivo que foi lançada na segunda-feira (29/11/2021) pela editora Garota FM Books na plataforma do Catarse (www.catarse.me/1979).

O jornalista, escritor e pesquisador Célio Albuquerque , que foi colaborador das revistas Manchete e Fatos & Fotos, envia a mensagem abaixo:



Amigos e amigas,

Chegou a hora de iniciarmos nossa campanha de financiamento coletivo de nosso livro sobre o ano musical de 1979, via Garota FM Books. Segue material em anexo release, imagem de capa e mockup do livro. Caso divulguem em suas redes, se possível, coloquem as hashtags #1979oanoqueressignificouampb  e #GarotaFMBooks #1979 #Brasil #editora #livromusicais  Agora é torcer. Quanto mais cedo chegarmos a meta, mais cedo nosso 1979 irá se materializar. Abraços, Célio Albuquerque.

No livro, que é um desdobramento de outra obra de Célio Albuquerque - "1973/O ano que reinventou a história da MPB", Roberto Muggiati escreve um depoimento sobre o álbum zabumbê-bum-á, do Hermeto Pascoal.

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO


Pela 12ª vez desde que a estátua foi sentada num banco do Posto 6 de Copacabana em 2002, os óculos do Drummond foram arrancados. Por que não colocam lentes de contato no poeta?


Responda rápido: orçamento secreto é a cueca invisível?


por José Esmeraldo Gonçalves

O tempo é de absurdos e a mídia, talvez por enfado, acaba "normalizando" o inimaginável e confundindo o lodo com a água limpa.
 "Orçamento Secreto" é um negócio que vem com carimbo de má intenção. Até uma organização criminosa como o PCC anota em cadernetas com espiral, que ainda existem, a movimentação financeira da casa. Às vezes a polícia apreende esses anais do crime, espécie de ata de sessão da bandidagem. 
Pois o Congresso "legaliza" o uso escondido do dinheiro do povo, claramente em troca de votos no plenário, sem que o povo tenha direito de saber quem botou a mão na grana ou possa auditar a transação. Os engravatados das legislações não mostram a caderneta.

O título do Globo, hoje, é desses que "normalizam" a jogada. Não é só O Globo.  Nós  nos acostumamos com o surreal.  A boiada tanto passa, o trator também, que não surpreendem mais.

O jornal praticamente diz que "Orçamento secreto", pode, terá teto, ufa, mas só falta transparência. Ah, bom. Agora explica, como um orçamento secreto pode ter transparência?  Nunca pode. Não é feito para ser visto.

Resta constatar que o Brasil evolui: dinheiro na cueca, sujeito correndo com mochila cheia de milhões, malas rechonchudas de propinas, apartamento atulhado de pixulés, tudo isso fica no passado folclórico. 

"Orçamento secreto" é o cuecão no modo invisível. Com uma grande vantagem: não é detectável em aeroportos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Matéria publicada ontem na Revista Fórum mostra como a ditadura pautou TV Globo, Manchete e Fatos &Fotos


Em 1971 militares obrigam Caetano Veloso a se apresentar na TV Globo com Manchete cobrindo a farsa montada pela ditadura. Na foto, a expressão do cantor diz tudo e revela a verdade dos bastidores. A matéria da Manchete não mostrava créditos de foto e texto.

por José Esmeraldo Gonçalves

Em 1971 Caetano Veloso estava exilado em Londres. Maria Bethânia conseguiu autorização dos militares para o cantor vir ao Brasil visitar os pais, D. Canô e José Veloso, que comemoravam bodas de rubi. Mas foi caro o "preço" a pagar pelo "favor". Por imposição dos agentes do governo Caetano foi obrigado a se apresentar no Som Brasil Exportação, da Globo. A intenção do regime era passar a imagem de que Caetano não estava exilado nem sofrendo qualquer restrição à liberdade.  O "circo" foi armado, Caetano foi à Globo com direito a cobertura da revista Manchete que, ao lado da grande midia, apoiava o regime e tinha "colabôs" infiltrados. As entrevistas foram monitoradas e o cantor não podia falar de política. Manchete também cobriu a reunião da família Veloso em Santo Amaro. A reportagem não fala o motivo da permanência do artista em Londres. Refere-se apenas a "ausência".

Essa imagem da Fatos & Fotos ajudava a divulgar a versão do regime militar sobre a temporada de Caetano e Gil em Londres. A ditadura queria fazer crer que os cantores eram "turistas"  e não exilados após prisão, interrogatórios, tortura psicológica e ameaças.

Ao mesmo tempo, como conta a reportagem da Fórum, Fatos & Fotos publicava matéria com Caetano e Gil, em Londres, como se fossem alegres viajantes. Na época, Caetano escreveu uma carta ao Pasquim sobre a foto da F&F, a da dupla em frente ao Big Ben.

O texto da Fórum, excelente, a propósito, é de Cynara Menezes, a Socialista Morena. Fica como alerta ao atual momento brasileiro em que, além do notório Bolsonaro, figuras que nos últimos anos defenderam o regime militar e a militarização da política agora se apresentam como pré-candidatos "democráticos" às eleições presidenciais de 2022.  

Desconfie das hienas em penas de pombas.

Você pode ler a matéria no link abaixo que remete à Fórum.

https://revistaforum.com.br/blogs/socialistamorena/o-dia-em-que-caetano-foi-obrigado-pela-ditadura-militar-a-cantar-na-globo/

  

domingo, 28 de novembro de 2021

Deu no Sensacionalista: marreco vira rato

Reprodução Twitter

Na capa do Meia Hora...

A terceirona é clone

Reprodução Twitter 

Bolsonaro vai concorrer contra Lula e o balde genético da sopa política que criou e a mídia saúda como terceira via. Os pré-candidatos da terceirona apresentados até agora são seus filhotes íntimos e não poderão negar a paternidade. 

Deduz-se que já têm prontos seus programas de governo. 

É só dar um ctrl-del no que Bolsonaro apresentou na campanha de 2018. Já que o apoiaram, referendaram a seita que desgoverna o Brasil.