quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Funcionário do governo Bolsonaro decora a sala com cartaz inspirado no slogan de Donald Trump


O secretário de Política Econômica de Bolsonaro deu entrevista à Globo News, hoje, para tentar explicar o pibinho negativo do Brasil. Mas o que chamou atenção foi, bem ao lado da bandeira, um cartaz amarelo onde se lê "Make SPE Great Again". SPE, claro, é a sigla da Secretaria. O funcionário Adolfo Sachsida, que replica na sua sala o slogan de  Donald Trump - o ex-presidente estadunidense atualmente é investigado por ações contra a democracia e por tentativa de obstrução da justiça - deve ser tiete do magnata. Faltou o boné Trump2024.

Esse é o verdadeiro "controle da mídia"

Reprodução Twitter

Bolsonaro esnobou Deus. É o que conta o site Metrópoles


Guilherme Amado, do Metrópoles, revela que André Mendonça, que acaba de ganhar crachá do STF, foi procurado por Deus, o próprio, que lhe transmitiu um recado para Bolsonaro. A pandemia estava desembestada e o negacionismo do inquilino do Planalto também. A mensagem que Mendonça ouviu de Deus pedia que Bolsonaro seguisse as recomendações de Mandetta, então ministro da Saúde. Como se sabe, nem o recado de Deus fez Bolsonaro manter Mandetta no cargo. Para decepção divina, ele foi defenestrado pouco depois. Desconfio que Deus vai cobrar a desfeita na CPI do Juízo Final. 

Você pode acessar a matéria do Guilherme Amado no link 

https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/o-dia-em-que-deus-fez-uma-revelacao-sobre-bolsonaro-a-andre-mendonca

Nem precisou de um cabo e dois soldados

Reprodução Twitter

Nada que não possa piorar

Reprodução Folha de São Paulo

O artigo de Thiago Amparo publicado na Folha de São Paulo, hoje, desfaz fantasias e expõe uma contradição. Segundo as pesquisas, a aprovação de Bolsonaro despenca na tabela. E isso anima muita gente. É a fantasia. A realidade é que  infelizmente o "noivinho" continua governando. Tem a maioria do Congresso na mão grande, acumula vitórias sucessivas em várias instâncias da Justiça, PGR não o incomoda, nem PF, tribunais de contas, controladorias, Interpol e muito menos o guarda da esquina. Fora Getúlio Vargas do Estado Novo e os generais-ditadores  que desfilaram na passarela do regime militar, Bolsonaro é o mais poderoso entre os governantes brasileiros. Faz o que quer, aprova o que quer. Quando perde alguma parada é quase sempre uma miudezas, um "bode na sala" que nem ele se esforça para tirar, deixa pra lá. Quando  realmente interessa ao governo ele faz a boiada passar. O Bozoroca tem no mínimo o ano inteiro de 2022 para rodopiar no salão com a República. Comentaristas políticos dizem que com o aumento da insatisfação popular ele vai despencar ainda mais. O problema é que a insatisfação pode estar em grande parte do povo mas não chega aos grupos de apoio do "coisa ruim" nem alcança instituições perfeitamente manipuladas ou aparelhadas. Aviso aos náufragos: Bolsonaro tem, no mínimo, o ano inteiro de 2022 para fazer pior. Muito pior.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO

Para muitos, Lula é o melhor cabo eleitoral de Bolsonaro. Reparem. A partir do momento em que pesquisas deram a liderança ao ex- presidente sumiram da mídia temas cono impeachment, CPI da Covid, cheques em família, Queiroz, Covaxin superfaturada etc. Há poucos minutos STF confirmou nulidade de todas as provas contra a rachadinha de Flávio Bolsonaro. Por firulas técnicas a decisão anula até as evidências da Coaf que atestam movimentações financeiras até hilárias, tal a velocidade que caíam em contas. Isso significa que Bolsonaro está em voo de cruzeiro para 2022 tripulando a mídia conservadora. Bolsonaro já não pode ser  desgastado no noticiário e nas análises. Se o plano B, Moro, não chegar ao segundo turno, o plano A da mídia é o B de Bozo, repetindo 2018. Entendeu?

PÃO PÃO, QUEIJO, QUEIJO


Assistam Glória Maria e Sandra Annenberg apresentando o Globo Repórter. Sensacional. São "apresentadoras de reportagem", um negócio que já é meio redundante. Mas tudo bem. Elas performam no estúdio como atrizes na entonação, no gestual, empostação, expressões, pausas dramáticas. É cult. Tem até desempenho de mãos pontuando o texto.
Não é crítica. São monumentos, as últimas clássicas da TV brasileira.

Livro reúne mais de 90 artigos sobre álbuns que mostram que 1979 foi ano atípico para a MPB


O lançamento de 1979 – O ano que ressignificou a MPB está previsto para o segundo semestre de 2022 e depende do resultado da campanha de financiamento coletivo que foi lançada na segunda-feira (29/11/2021) pela editora Garota FM Books na plataforma do Catarse (www.catarse.me/1979).

O jornalista, escritor e pesquisador Célio Albuquerque , que foi colaborador das revistas Manchete e Fatos & Fotos, envia a mensagem abaixo:



Amigos e amigas,

Chegou a hora de iniciarmos nossa campanha de financiamento coletivo de nosso livro sobre o ano musical de 1979, via Garota FM Books. Segue material em anexo release, imagem de capa e mockup do livro. Caso divulguem em suas redes, se possível, coloquem as hashtags #1979oanoqueressignificouampb  e #GarotaFMBooks #1979 #Brasil #editora #livromusicais  Agora é torcer. Quanto mais cedo chegarmos a meta, mais cedo nosso 1979 irá se materializar. Abraços, Célio Albuquerque.

No livro, que é um desdobramento de outra obra de Célio Albuquerque - "1973/O ano que reinventou a história da MPB", Roberto Muggiati escreve um depoimento sobre o álbum zabumbê-bum-á, do Hermeto Pascoal.

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO


Pela 12ª vez desde que a estátua foi sentada num banco do Posto 6 de Copacabana em 2002, os óculos do Drummond foram arrancados. Por que não colocam lentes de contato no poeta?


Responda rápido: orçamento secreto é a cueca invisível?


por José Esmeraldo Gonçalves

O tempo é de absurdos e a mídia, talvez por enfado, acaba "normalizando" o inimaginável e confundindo o lodo com a água limpa.
 "Orçamento Secreto" é um negócio que vem com carimbo de má intenção. Até uma organização criminosa como o PCC anota em cadernetas com espiral, que ainda existem, a movimentação financeira da casa. Às vezes a polícia apreende esses anais do crime, espécie de ata de sessão da bandidagem. 
Pois o Congresso "legaliza" o uso escondido do dinheiro do povo, claramente em troca de votos no plenário, sem que o povo tenha direito de saber quem botou a mão na grana ou possa auditar a transação. Os engravatados das legislações não mostram a caderneta.

O título do Globo, hoje, é desses que "normalizam" a jogada. Não é só O Globo.  Nós  nos acostumamos com o surreal.  A boiada tanto passa, o trator também, que não surpreendem mais.

O jornal praticamente diz que "Orçamento secreto", pode, terá teto, ufa, mas só falta transparência. Ah, bom. Agora explica, como um orçamento secreto pode ter transparência?  Nunca pode. Não é feito para ser visto.

Resta constatar que o Brasil evolui: dinheiro na cueca, sujeito correndo com mochila cheia de milhões, malas rechonchudas de propinas, apartamento atulhado de pixulés, tudo isso fica no passado folclórico. 

"Orçamento secreto" é o cuecão no modo invisível. Com uma grande vantagem: não é detectável em aeroportos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Matéria publicada ontem na Revista Fórum mostra como a ditadura pautou TV Globo, Manchete e Fatos &Fotos


Em 1971 militares obrigam Caetano Veloso a se apresentar na TV Globo com Manchete cobrindo a farsa montada pela ditadura. Na foto, a expressão do cantor diz tudo e revela a verdade dos bastidores. A matéria da Manchete não mostrava créditos de foto e texto.

por José Esmeraldo Gonçalves

Em 1971 Caetano Veloso estava exilado em Londres. Maria Bethânia conseguiu autorização dos militares para o cantor vir ao Brasil visitar os pais, D. Canô e José Veloso, que comemoravam bodas de rubi. Mas foi caro o "preço" a pagar pelo "favor". Por imposição dos agentes do governo Caetano foi obrigado a se apresentar no Som Brasil Exportação, da Globo. A intenção do regime era passar a imagem de que Caetano não estava exilado nem sofrendo qualquer restrição à liberdade.  O "circo" foi armado, Caetano foi à Globo com direito a cobertura da revista Manchete que, ao lado da grande midia, apoiava o regime e tinha "colabôs" infiltrados. As entrevistas foram monitoradas e o cantor não podia falar de política. Manchete também cobriu a reunião da família Veloso em Santo Amaro. A reportagem não fala o motivo da permanência do artista em Londres. Refere-se apenas a "ausência".

Essa imagem da Fatos & Fotos ajudava a divulgar a versão do regime militar sobre a temporada de Caetano e Gil em Londres. A ditadura queria fazer crer que os cantores eram "turistas"  e não exilados após prisão, interrogatórios, tortura psicológica e ameaças.

Ao mesmo tempo, como conta a reportagem da Fórum, Fatos & Fotos publicava matéria com Caetano e Gil, em Londres, como se fossem alegres viajantes. Na época, Caetano escreveu uma carta ao Pasquim sobre a foto da F&F, a da dupla em frente ao Big Ben.

O texto da Fórum, excelente, a propósito, é de Cynara Menezes, a Socialista Morena. Fica como alerta ao atual momento brasileiro em que, além do notório Bolsonaro, figuras que nos últimos anos defenderam o regime militar e a militarização da política agora se apresentam como pré-candidatos "democráticos" às eleições presidenciais de 2022.  

Desconfie das hienas em penas de pombas.

Você pode ler a matéria no link abaixo que remete à Fórum.

https://revistaforum.com.br/blogs/socialistamorena/o-dia-em-que-caetano-foi-obrigado-pela-ditadura-militar-a-cantar-na-globo/

  

domingo, 28 de novembro de 2021

Deu no Sensacionalista: marreco vira rato

Reprodução Twitter

Na capa do Meia Hora...

A terceirona é clone

Reprodução Twitter 

Bolsonaro vai concorrer contra Lula e o balde genético da sopa política que criou e a mídia saúda como terceira via. Os pré-candidatos da terceirona apresentados até agora são seus filhotes íntimos e não poderão negar a paternidade. 

Deduz-se que já têm prontos seus programas de governo. 

É só dar um ctrl-del no que Bolsonaro apresentou na campanha de 2018. Já que o apoiaram, referendaram a seita que desgoverna o Brasil.

sábado, 27 de novembro de 2021

O Globo, hoje, com matéria do repórter Eduardo Gonçalves, revela o narcogarimpo na Amazônia

 






Reproduções O Globo, 27-11-2021

por José Esmeraldo Gonçalves

Revelação estarrecedora. O garimpo na Amazônia tem nova griffe: narcogarimpo. Como as corporações que promovem fusões fazem para maximizar lucros, organizações criminosas estão juntando os departamentos de ouro e pó. Não é segredo que o governo Bolsonaro incentiva publicamente toda e qualquer ação de depredação da Amazônia. Estado mínimo e sem fiscalização é para isso.  Garimpo ilegal? Pode. Garimpo 'legal' descontrolado? Também pode. Extração clandestina de madeira? Venha. Transformação de áreas da floresta em pasto? Financiamos. Soja no lugar de árvores? Manda e o Banco do Brasil dá uma ajuda. Mineração em terras indígenas? Tá valendo. Mercúrio nos rios? É o preço do progresso. 
A reportagem do Globo ouviu a Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia de Bolsonaro. Quis saber como um orgão do governo autoriza criminosos a explorar ouro e ainda poluir com mercúrio mortal o Rio Madeira e outros cursos fluviais da Amazônia. Resposta cínica dos poderosos burocratas ao jornal diz que não é competência da agência "pesquisar a vida pregressa, judicial ou afins" de pessoas que requerem o direito de explorar o subsolo amazônico. O que isso significa? F***-se. Os bandidos de todo o mundo podem chegar ?

No pedestal da Estátua da Liberdade, em Nova York, está escrita a célebre frase: 
“Venham a mim as massas exaustas, pobres e confusas ansiando por respirar liberdade. Venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade. Eu os guio com minha tocha.”

Pelo jeito, o governo brasileiro quer  reescrever o apelo iluminista do monumento. 

Venham a mim os traficantes, os carteis de droga, os lavadores de dinheiiro e garimpeiros de araque. A Amazónia anseia por progresso. Fazemos qualqeur negócio. Venham a mim os foragidos, os marginais, os canalhas, os que estão sob a tempestade da lei. Eu os guio com a minha tocha, o meu AR-15, a minha pistola Glock, o meu Parafal, o meu M-16. Já diz a bíblia, 'tu és pó e ao pó retornarás'" .

Atualização em 28-11-2021 - Por pressão do Ministério Público e de organizações ambientais, a Polícia Federal faz operação contra o narcogarimpo. Algumas foram incendiadas e a maioria fugiu do flagrante rumo a regiões próximas de fronteiras. Chamava a atenção do mundo a presença maciça e ostensiva de equipamentos ilegais e caros no Rio Madeira, durante dias, sem que as autoridades tomassem qualquer providência. São 600 barcaças com maquinário de alto valor e inacessíveis a autônomos de poucos recursos. Um quilo do mercúrio que contamina o rio e provoca a morte lenta de quem faz uso das águas ou da pesca custa quase dois  mil reais, fora o transporte para a região.

Promoção Black Friday: pague um e leve três

 

Reproduzido do Twitter El País Brasil

Joseph Pulitzer bem que falou...

por José Esmeraldo Gonçalves

O jornalismo deve muito a Joseph Pulitzer. O imigrante húngaro que chegou aos Estados Unidos com apenas 17 anos, combateu os confederados na Guerra Civil, trabalhou como carregador de bagagens e garçom antes de conseguir um emprego de repórter em um jornal dirigido à comunidade alemã. 

Foi o começo de uma carreira que o levou a editor e proprietário de um rede de jornais. As primeiras matérias investigativas da imprensa estadunidense foram pautadas pelos seus veículos. Pulitzer e seus repórteres denunciaram a exploração ilegal de trabalhadores, atuação de cartéis em vários ramos de negocios, combateram a corrupção e defenderam como poucos a liberdade de imprensa. 

O editor criou uma fundação exclusivamente para oferecer bolsas de estudos para jovens jornalistas. Seu nome é mais conhecido hoje por dar nome a um importante prêmio de imprensa, mas Joseph Pulitzer deixou muitas lições.  E nos legou uma frase que mais parece uma visão premonitória. 

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica 

e corrupta formará um público tão vil como ela mesma". 

Ele morreu em 1911, há exatos 110 anos, sem conhecer TV, rádios e sites bolsonaristas. 

Mercúrio do Madeira é mortal: lembrem Minamata • Por Roberto Muggiati

A Pietá de Minamata: trágico símbolo do envenenamento
por mercúrio. 
Foto de W. Eugene Smith

W. Eugene Smith foi agredido por seguranças da fábrica Chisso, corparação influente no Japão, que lançou mercúrio criminosamente, durante anos, nas águas da Baía de Minamata. A foto da mãe japonesa e sua filha custou um olho ao fotógrafo.  

O envenenamento por mercúrio – ingerido pelas populações das áreas poluídas ao consumirem peixe, seu único sustento, causa várias deformidades e, em muitos casos, a morte. Uma das fotos emblemáticas do século 20 – uma mãe japonesa dando banho em sua filha lesada, numa composição que lembra as Pietàs do Renascimento – deu muitos prêmios ao fotógrafo W. Eugene Smith, mas lhe custou um olho, ao ser brutalmente espancado por seguranças da indústria química transgressora na pequena cidade pesqueira japonesa de Minamata. A agressão tóxica foi tão grave que, já em 1954, gerou a denominação do mal: a Doença de Minamata, uma síndrome neurológica causada por severos sintomas de envenenamento por mercúrio. Os sintomas incluem distúrbios sensoriais nas mãos e nos pés, danos à visão e audição, fraqueza e, em casos extremos, paralisia e morte.

W. Eugene Smith (1918-78), um dos maiores foto-ensaistas dos anos dourados do jornalismo ilustrado, passou três anos em Minamata (1971-73) com sua mulher, a nipo-americana Aileen Mioko Smith, documentando a doença. Seu registro Tomoko Uemura tomando banho é considerado uma das obras-primas da arte fotográfica. Antes não o fosse e a pequena Tomoko pudesse crescer com saúde. 

Quantas Tomokos resultarão do garimpo ilegal do rio Madeira? Um crime, como sempre, acobertado pela conivência corrupta das autoridades brasileiras...