terça-feira, 16 de novembro de 2021

O boi e os boys da Bolsa de Valores de São Paulo

O  boi dos boys do mercado. Reprodução Twitter

por O.V.Pochê
Os boys da especulação financeira estão eufóricos. Mercado é assim mesmo. País descendo a ladeira e a bolsa quebrando recordes de movimento. urante a ditadura militar, no começo dos anos 70, o período mais intenso da carnificina de Garrastazu Médici, a Bolsa faturava como nunca. Os rapazes da especulação andavam de Puma, o carro ambicionado na época, e bebiam Dimpus às garrafadas. Corria a boca pequena e nariz voraz que aspiravam outra coisa além de ficar ricos. Ganharam dinheiro na primeira leva e, após a euforia, fizeram incautos perderem os "tubos", como se dizia. 
Pois eu contava que os boys  do mercado estão novamente com o boi na sombra e faturando na gangorra financeira e frequentemente anunciada do Paulo Guedes. Tanto que hoje inauguraram em frente à sede da Bovespa, agora chamada de B3, um "touro" similar à escultura famosa de Nova York. O touro americano parece mais feroz. A versão paulista tem jeitão passivo. É feito de que? Plástico? O de NY é de cobre, metal que aqui seria rapidamente roubado.
Protesto contra a fome. Reprodução Teitter

Hoje pipocaram na web memes com o boi dos boys, que recebeu cartaz de protesto contra a fome em alta no Brasil e a pobreza em curva ascendente. Em tempo o boi paulista foi doado por um empresário bolsonarista. É o bezerro de ouro do deus mercado.

domingo, 14 de novembro de 2021

No GP São Paulo a resposta de Hamilton

Hamilton à maneira de Senna festeja o povo brasileiro. Povo, não o neofascista governo brasileiro. Foto: reprodução de imagem da Band

por Niko Bolontrin 

Luís Amilton deu hoje na pista de Interlagos uma resposta aos bastidores insondáveis da Fórmula 1. Mostrou que jogadas, pressões de marcas poderosas, injustas punições, podem ser superadas pelo talento. Hamilton emocionou Interlagos ao lembrar Senna. Derrotar o desleal Vesttappen e o seu sogro bolsonarista Piquet foi o bônus extra, o plus, da grande vitória do Lewis Hamilton. A Mercedes é, neste ano, carro inferior ao da arrogante e encrenqueira Red Bull. Dificilmente ganhará o campeonato. Mas essa corrida vale como um título.  

The Intercept Brasil concorre a prêmio internacional com a série de reportagens Vaza Jato



por José Esmeraldo Gonçalves 

Na quinta-feira, 18 de novembro, a organização Repórteres Sem Fronteira anunciará os vencedores do Prêmio RSF 2021 para a Liberdade de Imprensa.  Jornalistas e veículos de 11 países foram indicados em três categorias: coragem, impacto e independência do jornalismo. Com a ascensão da ultradireita e do neofascimsmo em muitos países, inclusive no Brasil, meios de comunicação independentes são censurados, profissionais são ameaçados e perseguidos. O Brasil tem apenas um indicado entre os finalistas: The Intercept Brasil concorre ao prêmio na categoria Impacto: a série de reportagens que ficou conhecida como Vaza Jato e revelou mensagens trocadas entre promotores sobre a Lava Jato provou a parcialidade do juiz Sergio Moro e seu envolvimento abusivo na elaboração de acusações  que resultaram anuladas pelo STF. Jornalistas do TIB receberam ameaças de morte por revelarem as ilegalidades da Lava Jato.

PARA CONHECER OS DEMAIS CONCORRENTES CLIQUE AQUI

MUNDO VASTO MUNDO * Por Roberto Muggiati

 “Selfiecídios” em alta: Narciso morre como Ícaro 

Foto: Corpo de Bombeiros

Com o relaxamento das restrições da pandemia, 2021 registrou um aumento no número de mortes causadas por selfies. Um estudo da revista científica Journal of Travel Medicine revelou que pelo menos 379 pessoas morreram entre janeiro de 2008 e julho de 2021 enquanto tentavam fazer selfies em situações de risco, geralmente despencando de grandes alturas. A quantidade de óbitos aumentou significativamente no primeiro semestre de 2021, chegando a 31 mortes – o equivalente a um por semana, segundo apontou a Fundação iO, de Madri, especializada em medicina tropical e do viajante.

O caso mais recente no Brasil ocorreu na última quinta-feira, 11 de novembro, em Brazlândia, no Distrito Federal.  Rafael Santana, de 39 anos, foi encontrado debaixo d'água, na cachoeira do Poço Azul, com lesão na cabeça. Segundo investigações, ele escorregou numa pedra enquanto se fotografava com o celular e caiu de uma altura de 30 metros.

No Rio de Janeiro, em agosto, dois jovens franceses – Clément Dumais e Paul Roux-dit-Buisson, 27, foram presos depois de fazerem uma selfie nos braços da estátua do Cristo do Corcovado. Os aventureiros passaram a noite ao pé da estátua de 38 metros de altura e, antes do amanhecer, subiram pela escadaria interna até os braços do Cristo, saindo pelos pequenos alçapões, para ver e registrar o nascer do sol sobre a baía da Guanabara.

Em janeiro de 2021, a professora Soliane Luiza, 28 anos, morreu ao cair do costão da Ponta do Vigia, na praia da Penha, em Santa Catarina, durante uma selfie. 

Os pontos com maior risco de “selfiecídios” já estão até devidamente catalogados: as cataratas do Niagara, na fronteira dos EUA com o Canadá; o Glen Canyon, nos EUA; a catarata de Mlango, no Quênia; o Taj Mahal e o vale de Doodhpathri, na Índia; o arquipélago de Langkawi, na Malásia; os Montes Urais, na Rússia; o Charco del Burro, na Colômbia; a ilha Nusa Lembongan, na Indonésia; e o Costão da Penha, em Santa Catarina.

O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países selfiecidas; os três primeiros são Índia, Estados Unidos e Rússia. O comportamento que leva a estes suicídios acidentais foi batizado “fenômeno ausente-presente” pela pós-doutora em psicologia da UFRGS, Ana Carolina Peuker: o indivíduo às vezes está tão conectado com a realidade virtual que minimiza aspectos do seu ambiente imediato. Segundo ela, “hoje a gente vive numa cultura que estimula esse comportamento”.


Atacama: o lixão é um luxo

Reprodução Drone/You Tube

O deserto de Atacama – que se estende por mil quilômetros do norte do Chile até o Peru, passando por Argentina e Bolívia – abriga um dos lixões mais insólitos do planeta: o depósito clandestino de roupas fast fashion descartadas por países do Primeiro Mundo. Cerca de 60 mil toneladas de vestimenta são desovadas anualmente através da Zona Franca do porto de Iquique, a 1800 quilômetros de Santiago.

Segundo a agência France Presse, “o consumo excessivo e fugaz de roupas, com redes de varejo capazes de liberar mais de 50 coleções e temporadas de novos produtos a cada ano, tem feito que o desperdício têxtil cresça exponencialmente no mundo. É um material que leva cerca de 200 anos para se desintegrar.”

São roupas fabricadas na China e em Bangladesh e comercializadas nos Estados Unidos, Europa e Ásia, em metrópoles como Los Angeles, Berlim e Tóquio. O Chile é o maior importador de roupas usadas da América Latina e há quase 40 anos promove um sólido comércio de “roupas americanas”, abastecido pela pródiga variedade de itens amontoados nas “colinas” coloridas do deserto de Atacama.

Viena: vacinou, leva um “vale-saliência”...

Funpalast, Viena

Vacina em promoção

Na capital austríaca, onde o índice de imunização contra a Covid-19 é um dos piores da Europa, o bordel Funpalast resolveu demonstrar empreendedorismo e, é claro, faturar em cima da pandemia. Criou uma promoção especial: quem se vacinar nos posto instalado nas dependências do estabelecimento ganhará um voucher que dá direito a meia hora grátis na sauna na companhia de uma de suas profissionais, fantasiada de enfermeira (um fetiche pornô polêmico que é alvo de protestos das profissionais de saúde.).

Faz sentido: na era da fast food e da fast fashion, chegou a hora da fast fuck...

PS – Fiz uma pequena pesquisa, para atender aos interessados: o Funpalast fica na Richard-Strauss-Straße 8, 1230 Wien, Áustria. Telefone: +43 1 9042040. Opções de serviço: Comer no local. Não serve take away . Não faz deliveries. Abre às 11:00 e funciona até as 6:00 da manhã. Reclamações com o gerente Peter Laskari.

Noites de terror para Tite

Reprodução Twitter

Na capa da IstoÉ: os bilhões do rei do "gado"

sábado, 13 de novembro de 2021

COPA DE 1978 - Aquela noite de domingo em Rosário quase deu o Tetra ao Brasil • Roberto Muggiati

Goleiro Hermano salva milagrosamente gol de Roberto Dinamite. Reprodução You Tube

Esse negócio do Brasil jogar com a Argentina fora de Buenos Aires (em Mendoza) me levou de volta à Copa do Mundo de 1978 – uma das mais esdrúxulas das 21 disputadas até hoje.

Em 1974, na Alemanha, o Brasil, ainda dirigido por Zagallo, só contou efetivamente com dois veteranos do Tri, Jairzinho e Rivelino. Acabou eliminado pela nova sensação do futebol, a seleção holandesa – conhecida como “Carrossel Holandês” e “Laranja Mecânica” – e perdeu a disputa do terceiro lugar para a Polônia de Lato.

Em 1978, na Argentina, sob o comando de Cláudio Coutinho, a seleção apareceu renovada, com estrelas emergentes como Reinaldo (21 anos), Toninho Cerezo (23), Roberto Dinamite (24) e Zico (25). Preparador físico da seleção do tri, adepto do Método de Cooper, Coutinho privilegiou a europeização tática do time brasileiro. Momento decisivo da Copa de 1978 – uma espécie de final antecipada – foi o jogo entre Brasil e Argentina na segunda fase, na noite de domingo, 18 de junho, no estádio Gigante de Arroyito, em Rosário, com um público de 37.326 pessoas. Foi uma partida tensa e truncada, batizada “A batalha de Rosário”, em que o Brasil teve mais oportunidades que o adversário, mas acabou num empate de zero a zero.

A decisão sobre qual seleção iria para a grande final ficou para a última rodada: o Brasil enfrentaria a Polônia, a Argentina o Peru, em jogos marcados para o mesmo dia e hora. Mas a FIFA decidiu bruscamente que o jogo da Argentina só começaria depois que terminasse o do Brasil, que venceu a Polônia por 3 x 1. Assim, a Argentina entrou em campo sabendo que, para superar o Brasil no critério de desempate, precisaria vencer por 4 x 0 o Peru, uma das melhores seleções daquela Copa. Numa partida polêmica, em que os peruanos sofreram um inexplicável apagão, a Argentina ganhou por 6 x 0 e foi para a final contra a Holanda, ganhando por 3x1 e conquistando sua primeira Copa. Restou ao Brasil o consolo do terceiro lugar, ao vencer a Itália por 2x1.

Com quatro vitórias e três empates, o Brasil saiu invicto da Copa, mas sem levar a taça, fato inédito nas Copas do Mundo de futebol, que levou Cláudio Coutinho a cunhar a célebre frase: “Em 78, fomos os campeões morais.”

Apenas um gol do Brasil naquela noite no Gigante de Arroyito teria mudado a história. 

Se tiver tempo e curiosidade, veja a “Batalha de Rosário”

AQUI

A Superinteressante foi pioneira no negacionismo?

 

Reprodução  (clique na imagem para ampliar)

por José Esmeraldo Gonçalves 

O fato pode ser inédito no jornalismo. A matéria acima, publicada no Jornalista & Cia, citando revelação do colunista Maurício Stycer, do UOL, informa que a atual direção da Superinteressante decidiu retirar do seu acervo a edição de fevereiro de 2001 que trazia na capa reportagem sob o título "Vacina: a cura ou a doença". Faz algum sentido. Na era pré-internet, as revistas e os jornais repousavam silenciosos em arquivos e coleções pessoais. Hoje, ressuscitam com facilidade. Podem ser consultados com o clique no Google.

Aquela reportagem de capa deve conceder à revista, da Editora Abril, quando ainda era dos Civita, o título de pioneira no negacionismo, atualmente a bandeira odiosa dos bolsonaristas. 

Espantosa é a justificativa do então editor, Adriano Silva: " a revista era muito reverente ao cânone oficial da ciência. Resolvemos ampliar". Nessa estranha linha editorial do começo dos anos 2000, a Superinteressante também acolheu a tese de que a Aids não era causada pelo vírus HIV. Aparentemente, não deu certo desafiar o "cânone oficial da ciência".

Excluir a edição do acervo também abre uma discussão paralela: estaria a Superinteressante praticando a polêmica "teoria do esquecimento", aquela que pretende dar às pessoas e às instituições o direito de apagar da web mancadas e passados? O atual diretor da revista, Alexandre Versignassi, argumenta. como se lê no quadro acima, que em período de pandemia e de vacinação "não é como apagar a história, é uma questão de saúde pública". 

A capa que discute se vacinas são cura ou doença poderá voltar ao acervo em tempo menos revoltos, segundo o diretor disse à coluna do Maurício Stycer.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Na capa da Carta Capital. Sempre foi política. A togalícia agora quer votos

Sexo grátis em bordel austríaco. Mas só para quem se vacinar


Proprietário do Funpalast, um famoso clube de sexo de Viena, acumulou prejuízos com a Covid. Como  a vacinação completa, na Áustria, está em menos de 60% da população, o bordel resolveu acelerar o processo. Um posto instalado no local oferece um voucher a quem se vacinar. O vale-sexo dá direito a usar a piscina, ver jogos no telão, desfrutar da sauna.  E, se o imunizado preferir, pode escolher uma das belas profissionais do Funpalast. O voucher permite 30 minutos de sexo. Uma "princesa Sissi" pode estar esperando por você até o fim de novembro quando acaba a promoção.  

domingo, 7 de novembro de 2021

As armadilhas mortais das Gerais • Por Roberto Muggiati


Reprodução Twitter
Nos últimos anos, Minas Gerais se protagonizou por uma sequência de desastres: 

 • O vazamento de Mariana, em 2015, cuja lama tóxica degradou o meio ambiente e devastou a vida animal e a de populações de uma imensa região, levando a poluição até as águas do Oceano Atlântico no litoral capixaba.

• O rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, o maior acidente de trabalho no Brasil em perda de vidas humanas e o segundo maior desastre industrial do século. 

• Agora, a morte trágica da cantora Marília Mendonça, quando o avião em que viajava se chocou com um cabo elétrico da rede de distribuição da Cemig nas proximidades do aeroporto de Caratinga, onde a Rainha da Sofrência e expressão maior do “feminejo” se apresentaria num show.

Na ocasião do desastre de Mariana citei um poema (com forte dosagem crítica) de Carlos Drummond de Andrade, nascido em Itabira, importante cidade do  Quadrilátero Ferrífero mineiro.


LIRA ITABIRANA

I

             O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

             II

             Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

III

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?


Agora, outro poema de Drummond se presta a uma paráfrase, , aquele que começa com o verso, No meio do caminho tinha uma pedra:


NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha um cabo

Tinha um cabo no meio do caminho

Tinha um cabo

No meio do caminho tinha um cabo


Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha um cabo

Tinha um cabo no meio do caminho

No meio do caminho tinha um cabo