quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Concurso Wildlife Photographer of the Year 2019: concorrentes flagram o embate da vida selvagem contra a vida moderna

Foto de Jason Bantle

Foto de Matthew Ware

No dia 15 de outubro, o Museu de História Natural de Londres anunciará os vencedores da 55ª edição do Wildlife Photographer of the Year 2019. São mais de 40 mil fotógrafos em competição. Muitas fotos mostram cenas da vida selvagem contaminada por elementos modernos. Como uma imagem de Jason Bantle de uma guaxinim que mora em um Ford abandonado nos anos 1970. Ou de uma tartaruga que chegou à praia presa a uma cadeira de praia largada no mar (foto de Matthew Ware).

VOCÊ PODE VER MAIS FOTOS NO SITE da PREMIAÇÃO, AQUI


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Para o porta voz do clã Bolsonaro, o que atrapalha o governo é a democracia

por Flávio Sépia

Alguns estão chocados com essa declaração de Carlos Bolsonaro.

"Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos".

Chocados porque querem. 

Bolsonano e suas facções não escondem desde as manifestações de rua que querem a volta da ditadura. Para eles, as instituições, mesmo aquelas já cooptadas. atrapalham. Outro rebento do clã já disse que "bastam um cabo e um soldado para fechar o SFF". Elogios a torturadores e ditadores brasileiros e ao corrupto e sanguinário Pinochet são rotina. Intervenções na PGR, no próprio STF, na PF, no Coaf têm sido recorrentes. A censura velada ou explícita ameaça, livros, filmes, peças, exposições e até debates em universidades.

O governo de ultra direita passou a receber críticas mais fortes até dos jornais conservadores. Apenas, diga-se, nos casos de medidas que atingem "costumes" e diante de frequentes declarações agressivas  de Bolsonaro sobre chefes de Estado.  No mais, apoiam integralmente a política econômica, as reformas, os cortes de verba e as privatizações em massa. Nessa linha de critico-ali e apoio-aqui um colunista, recentemente, apontou os erros de Bolsonaro, mas exaltou Paulo Guedes e Sérgio Moro, apesar de todos fazerem parte de um mesmo e coeso governo..

Não dá para ficar em cima desse muro. Todos jogam no mesmo time.

Alguém poderia falar do governo da Alemanha Nazista desancando Hitler e elogiando seu "núcleo duro", Goebbels, Himmler, Speer e Goering?

Futebol - Porque os europeus tomaram a bola do jogo e, tudo indica, não vão devolver

por Niko Bolontrin

Se você estiver vendo os jogos das Eliminatórias da Eurocopa e, ao mesmo tempo, conferindo os amistosos entre seleções sul-americanas, terá muito a observar e comparar.

Conforme-se, um antigo trio de excelência do futebol - Brasil, Argentina e Uruguai - caiu para a  Segundona mundial, ao lado das demais seleções do continente.

O futebol sul-americano ainda produz craques, mas os envia cedo para a Europa. Os times europeus se valorizaram tremendamente, principalmente nas duas últimas décadas, e construíram uma potência financeira. E os milhões de euros resultaram em poder político. A UEFA, hoje, desafia a Fifa. Com o apoio da entidade, redesenhou o calendário. As chamadas "datas Fifa", que eram a oportunidade para os sul-americanos enfrentarem em amistosos as melhores seleções da Europa foram ocupadas por torneios fechados do Velho Continente. Atualmente, além dos jogos classificatórios e da Eurocopa em si, foi criada a Liga das Nações, que preenche as datas que sobraram. Em consequência, uma seleção com a do Brasil tem que se contentar em enfrentar adversários menos qualificados. O mesmo vale para Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia etc.

Seleções europeias ganharam as últimas quatro Copas do Mundo, uma sequência que jamais aconteceu desde o primeiro mundial em 1930. Aliás, apenas uma vez eles ganharam duas Copas seguidas. Foi com a Itália em 34 e 38. Depois disso, Uruguai, Brasil e Argentina sempre interromperam o domínio, até 2002, ultimo ano em que uma seleção sul-americana venceu um mundial. No caso, o Brasil.

A transferência para a Europa de craques formados e, cada vez mais, promessas de craques, também afeta a qualidade do futebol sul-americano, especialmente nas suas características individuais, o drible, o improviso, a criatividade. Ao trabalhar com os jovens que recebem nos times, como Vinicius, Jesus, Paquetá e outros, os treinadores europeus costumam falar que a primeira etapa, antes que garantam vagas de titulares, é a "adaptação".  Essa reciclagem nada mais é do que encaixá-los no atual padrão do futebol dominante, que reduz, ou inibe, as opções por jogadas individuais. Isso fica claro no estilo dos nossos "estrangeiros" quando atuam na seleção brasileira. Quer um simples exemplo? Jogador em condição de finalizar prefere, não raro, transformar a última bola em mais um passe, às vezes para um companheiro em posição menos favorável para um chute a gol.  Aconteceu  mais de uma vez no recente Brasil 2X2 Colômbia. Passes laterais e em profundidade, tempo de posse de bola e marcação alta são fundamentos do novo futebol em detrimento da maioria das iniciativas individuais. Um Maradona que hoje pegasse a bola e corresse por 55 metros driblando adversários em fila irritaria treinadores. Pelo menos, até que se surpreendessem com a bola dentro do gol.

As seleções sul-americanas estão aos poucos abrindo mão dos seus estilos sem, ao contrário do que os teóricos do futebol esperavam, assimilar o jogo europeu, até por, evidente, falta de tempo para treinar.

Um tempo que, segundo os poderes da Fifa e da UEFA e as restriçoes do novo calendário, não mais terão.
  

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Fotomemória da redação: "Não esquece o Maverick".

Equipe Manchete na Copa de 1978 e o Maverick - obtido por permuta com a Ford - e que tinha espaço recomendado em matérias com direito a registro da equipe. Na foto em Mar del Plata aparecem Gil Pinheiro, Ney Bianchi, Gervásio Baptista, Tarlis Batista e Frederico Mendes.  
Nesta foto, Éldio Macedo, Gil Pinheiro, Ney Bianchi, David Klajmic, Gervásio Baptista, Frederico Mendesce Tarlis Batista e onipresente Maverick.

por Ed Sá

Com a Copa do Mundo de 1978 sediada na Argentina, bem ao lado, a Manchete enviou uma equipe mais numerosa. E com maior apoio logístico. Uma permuta comercial com a Ford garantiu carros à disposição dos jornalistas, repórteres fotográficos e diretor de publicidade.
Em meio às pautas esportivas usuais, os editores da Manchete e da Fatos & Fotos devem ter repetido várias vezes, por telefone, do Rio, uma instrução importantíssima: "Não esqueçam de fotografar o Maverick".
E assim foi feito. O Brasil perdeu a Copa, a Argentina, que vivia uma das épocas mais dramáticas da sua história - uma ditadura sanguinária - levou a taça, mas o carro que a Ford fabricou no Brasil até 1979 apareceu na revista mais do que muito jogador.

domingo, 8 de setembro de 2019

Já pensou nessa pergunta essencial? Quando o Brasil começou a não dar certo? Essa capa da Manchete pode ser uma pista


por O.V.Pochê

Os institutos de pesquisa jamais fizeram a pergunta essencial: quando o Brasil começou a não dar certo?

Quando Cabral desembarcou? Quando a família imperial chegou ao Rio de Janeiro? Quando Deodoro proclamou a República? Quando Getúlio saiu da vida para entrar na história? Quando Jânio foi eleito? Quando militares fizeram a "revolução" de 64? Quando inventaram o axé?  Ou quando a música sertaneja se tornou a trilha sonora do país que já foi da bossa nova? Quando o "bispo" Macedo escreveu sua biografia? A eleição de Bolsonaro? Essa não ajuda, é mais um complicador na escolha.

Difícil responder à pergunta. .

Melhor ficar com uma capa representativa da Manchete, em 1992: Chico Anysio e Zélia Cardoso de Mello.

Essa capa e esse encontro sentimental tão inesperado de figuras nacionais deve significar alguma coisa. O humorista e a ministra que entrou para a posteridade ao confiscar a poupança de milhões de brasileiros.

Carlos Heitor Cony contava um caso que cabe nesse post. Nos anos 60, intelectuais se reuniam em um casarão da rua das Palmeiras, em Botafogo, para discutir a "conjuntura". O Brasil estava no escuro e não havia qualquer indicação luminosa da porta de saída. O debate lançava todo tipo de ideia para a possível solução do impasse institucional. Lá pela madrugada - contava Cony - levanta-se um idoso, voz trêmula, e faz sua única e última intervenção: "Temo que não dê certo".

Essa frase deveria estar na bandeira do Brasil no lugar do insípido "ordem e progresso".

Ou, pelo menos, na chamada de capa da Manchete.

Amazônia ainda na mídia internacional e a gangue das queimadas acima da lei




A mídia internacional enviou equipes para testemunhar no próprio local a destruição da amazônio pelo fogo de fazendeiros, posseiros e garimpeiros. A mídia brasileira aos poucos reduz espaço para o assunto. Nessa semana, apenas a revista Época destaca o problema que persiste e focaliza a gangue que incendeia a mata. Segundo os ambientalistas, setembro é o mês onde tradicionalmente ocorrem mais focos de queimadas. A ver se a mídia nacional vai agir como extintora ou denuncia

Brasil de joelhos: a teocracia avança

por Flávio Sépia 
A censura avança em desafio aberto à Constituição. Episódios de restrição da liberdade começam a se tornar perigosa rotina, como a ofensiva contra a Bienal do Livro, exposições de arte, peças teatrais e obras didáticas.

A maioria dessas iniciativas autoritárias é movida pelo fundamentalismo religioso. Não se trata aqui de criticar uma denominação. A mesma Constituição que os fanáticos desrespeitam assegura a todos o direitos de exercer a fé que lhes aprouver.

Criticar censura, perseguições a cultos afro, apropriação de verbas públicas, ocupação de funções publicas e a contaminação de parte da Justiça em desafio à laicidade constitucional do Estado não têm a ver com fé. Trata-se de denunciar projeto político de dominação e opressão, de imposição de preceitos, de sufocamento das liberdades individuais em nome de uma lucrativa indústria de altos faturamentos e altamente subsidiada por favores dos governos e que mira um domínio político partidário sobre todos os brasileiros.

Nos últimos 20 anos vários partidos, tanto conservadores quanto social democratas ou de esquerda, de olho em votos fáceis, colaboraram para a ascensão desse complexo político-industrial-religioso, que espalha influências sobre todos os aspectos da vida do país, com digitais no golpe que derrubou Dilma Rousseff, na supressão de direitos dos mais carentes e no desmonte de leis de proteção dos trabalhadores, casos das reforma da Previdência e trabalhistas. O agravamento da distribuição de renda e consequente aumento da pobreza favorecem à máquina partidária da fé. O desprezo ao meio ambiente e a liberação de armas também estão entre suas bandeiras políticas.

O Brasil paga caro por ter estimulado a serpente a sair do ovo. E, mais uma vez, não se trata de religião mas de lucro, política e poder.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Janir de Hollanda: uma vida dedicada ao jornalismo

Janir de Hollanda, em 1995, em Moscou, quando fez matérias para a Manchete
sobre a Rússia e os desafios do pós-comunismo. 
Janir de Hollanda foi um dos tripulantes da "nave louca" da Rua do Russell. Em épocas diversas, revistas como Amiga, Mulher de Hoje, Conecta e Manchete levaram sua marca.

Esta foto é de 1982. A revista Manchete comemorava
30 anos. Janir de Hollanda, Roberto Muggiati, Lincoln Martins, Edson Pinto,
Roberto Barreira, Daisy Prétola e Gervásio Baptista. Na primeira fila: Marília Campos,
Justino Martins, Vera Gertel, José Resende Peres e Thereza Jorge.
Os anos 1990 não foram fáceis para quem dirigia publicações da Bloch. Além dos desafios crescentes do mercado, cada jornalista enfrentava a instabilidade de uma editora em crise. A incerteza passeava nos corredores da redação enquanto as equipes se debruçavam sobre exaustivos fechamentos.

Ao longo da sua carreira, Janir lançou vários produtos jornalísticos visando nichos do mercado. Era atento aos novos caminhos. Os anos difíceis não abalaram essa sua característica. Mesmo em meio àquela década criou a Conecta, revista especializada no universo digital e esteve à frente da Manchete on line, que tentou inserir a marca em um novo tempo.

Em um texto que escreveu há alguns anos, Janir analisou o impacto da internet na atividade a que tanto se dedicou. "O grande desafio para figurões e figurinhas da mídia é entender e se aproveitar da grande revolução que está em marcha. O futuro não é o de jornais e revistas de hoje embrulhados em formato digital. O que está em gestação é uma nova forma de fazer jornalismo. Uma mesma história poderá ser contada de diferentes maneiras, usando áudio, vídeo e texto, uma nova especialização para as futuras gerações de jornalistas. É possível até que esta revolução bote no lixo um dos mais importantes cânones da construção da notícia, as cinco perguntas que formam a estrutura do texto jornalístico: quem, quando, como, onde e por quê. No espaço limitado do papel ou do tempo no rádio e na tv, essas perguntas botaram ordem na casa do jornalismo. Mas na internet, na qual cada internauta é um editor em potencial e onde viceja um novo idioma, o internetês, o mínimo que se pode esperar é que uma nova pergunta seja acrescentada às cinco consagradas: pra quê?
A morte anunciada de revistas e jornais impressos, sob a avalancha da internet, beira o catastrofismo. Em todo caso, de que a coisa está feia ninguém dúvida".

Quase na reta final da Bloch, editou a Manchete na versão tradicional. O fim da editora o levou à Ediouro e, depois, às alternativas que a crise do modelo jornalístico impôs a muitos profissionais. Escreveu livros e criou revistas corporativas.

Até há poucos dias, Janir trabalhava em um novo projeto. Um infarto o atingiu ontem enquanto estava estava envolvido na seleção de fotos, edição e textos para um livro ilustrado sobre a história do Circo. Foi o ponto final da sua intensa e múltipla trajetória.

Boris Johnson, o trapalhão atrapalhado

Boris Johnson. Twitter
por Jean-Paul Lagarride

Em matéria de mundo bizarro, o Brasil não está sozinho.

O Reino Unido também vive às voltas com um trapalhão atrapalhado.

O apresentador Graham Norton, da BBC (no Brasil, seu programa de entrevistas com celebridades é exibido no canal por assinatura Film&Arts) é normalmente bem-humorado, pelo menos até o atual primeiro-ministro Boris Johnson o tirar do sério.

Se você já se perguntou o que diabos está acontecendo no Reino Unido, Norton explica. Ao comparecer ao Late Show de Stephen Colbert, ele deu uma aula de política.

À sua maneira.

Norton comparou Boris Johnson a Cabbage
Patch Kid, boneco famosos na
Inglaterra e nos Estados Unidos.
"De um modo leve, é como se o Reino Unido estivesse envergonhado pelos Estados Unidos se sentirem sozinhos no cenário mundial e encontrado seu próprio Cabbage Patch Kid bravo e o tornou líder", disse Norton.

"Eu não confiaria que ele regasse minhas plantas quando estivesse fora, mas de alguma forma ele é o primeiro-ministro", finalizou.

A notícia está no Mashable.

Além da comparação inevitável com Bolsonaro, o contexto do Reino Unido em guinada para a direita mostra outra semelhança com o Brasil: o movimento de apresentadores de TV rumo à política. Boris Johnson era um animador televisivo caricato e histriônico. João Dória e Luciano Huck, egressos da TV, estão aí para não deixar Trump, Boris, Beppe Grillo (comediante da Itália, deputado e fundador do  Movimento 5 Estrelas) e Volodymyr Zelenskiy (humorista que se tornou presidente da Ucrânia) mentirem.               

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

"Vou de preto" - Manifestação em defesa da Amazônia, contra cortes de verbas de educação e pesquisa


Encurralado por acusações de corrupção, um Collor de Mello descontrolado convocou os brasileiros para irem às ruas no dia 16 de agosto de 1992 vestidos de verde e amarelo. Naquele momento, sob o argumento de que "a minoria atrapalha, a maioria trabalha", ele imaginou ser apoiado por multidões.

Deu ruim.

O povo foi às ruas, mas vestindo preto e pedindo 'fora Collor".

Na semana passada, Bolsonaro pediu que a população vista verde e amarelo no próximo sábado, 7 de setembro. "É para mostrar ao mundo que aqui é o Brasil. Que a Amazônia é nossa". Em baixa nas pesquisas, batendo recordes de desaprovação em comparação com vários outros presidentes no mesmo tempo de governo, o inquilino do Planalto cria "inimigos". Nenhum país está dizendo que "aqui não é Brasil", muito menos as potências estão a beira de mandar tropas ocupar a Amazônia. Ao contrário, quem está botando fogo na Amazônia são brasileiros incentivados pela política governamental exposta em declarações públicas do próprio Bolsonaro e dos seus ministros.


Em resposta, a UNE convoca manifestação para o mesmo sábado e pede aos estudantes e à população que se vistam de preto e pintem os rostos de verde e amarelo para protestar contra corte de verba de educação e pesquisa e pela defesa do meio ambiente.

Na capa do Cahiers du Cinéma, o bangue-bangue social do filme "Bacurau"


Cahiers du Cinéma Bacurau vem com a capa de "Bacurau", filme que ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, de Melhor Filme e Melhor Diretor no Festival de Munique e já está em exibição nos cinemas brasileiros desde a semana passada. A revista francesa publica uma entrevista com o diretor Kleber Mendonça Filho (Júlio Dornelles codirigiu o filme). O contexto da fictícia cidade de Bacurau remete à violência, aos abusos e à desigualdade  dos dias atuais. Por lançar na cara do freguês uma dura realidade, a mesma que está à sua volta, não é filme que agrade a todos. A crítica brasileira, em sua maioria, reconheceu a qualidade do filme e seu hipertexto do difícil momento atual, embora uma ou outra dissonante tenha ironizado roteiro e personagens. A propósito, a Cahiers du Cinema também faz uma análise dos polos eletrificados do cinema brasileiro no "Brasil de Bolsonaro". 

R.I.P - Governo coveiro vai enterrar obra de estação de metrô. Arqueólogos do futuro agradecem

por Flávio Sépia
O arrocho fiscal imposto pelo neoliberalismo - política econômica já em revisão em muitos países - deixa o Brasil em coma e os especuladores financeiros no paraíso. Com o Estado paralisado pelo rentismo, só se ouve falar em desmonte, desativação, fechamento de fábricas, abandono de obras e, agora, enterro de canteiros.

A "nova era" inventou a tecnocracia do coveiro.

O Globo de hoje noticia que o governador Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, vai mandar soterrar a enorme escavação feita na Gávea para o que seria a estação de metrô do bairro. O Rio está quebrado, alega o político. O fato exemplifica bem o que é a privataria de obras prontas. Nenhum grupo privado se apresenta para concluir a estação e explorar a linha depois, nem mesmo os fundos controladores do metrô carioca. Este sim seria um investimento, tal como se faz em muitos países. Aqui, empresários preferem esperar que o Estado faça as obras e banque seus custos e só então se coçam para descolar uma concessão amiga.

Ser capitalista assim é moleza. Nessa hora, os espertos esquecem o dogma do "estado mínimo".
Se não embolsarem o máximo, essa obra, apesar das reivindicações dos cariocas - Jardim Botânico, Jockey e Gávea são bairros campeões de engarrafamentos - jamais ficará pronta.

Além do prejuízo que é soterrar todo o canteiro de obra da Praça Santos Dumont, o governo do Rio de Janeiro ainda banca o aluguel do tatuzão utilizado para escavar a linha, que está enterrado no subsolo da imediações da Rua Igarapava, no Leblon, e custa, parado, milhões em manutenção.

Casos como esse, de obras paradas que geram prejuízos bilionários, se multiplicam pelo país.

Procura-se um capitalista que abra mão de mamar no Estado e assuma esses investimentos.

No Brasil do fanatismo neoliberal e de uma política econômica de corretagem especulativa, enterrar canteiros de obra é o único "investimento" em infraestrutura. Os arqueólogos do futuro agradecem.

Protesto carioca leva governo pro poste! Em Botafogo, Rio

Reproduzido do Twitter

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Na capa da Piauí: o Brasil veste cinza...

Capa da Revista Piauí. Edição de setembro/2019

Ministro da "Educassão" pode virar acadêmico. Por que não?

Foto: Reprodução O Globo/04/7/2019


Elio Gaspari conta hoje na sua coluna do Globo um caso pouco conhecido. O general Aurélio de Lira Tavares, um dos integrantes da junta ditatorial que mandou no Brasil entre 31 de agosto e e 30 de outubro de 1969, escrevia preciosidades como "acessoramento", "encorage" e "distenção".

A revelação pode ser um alento para o atual ministro da Educação Abraham Weintraub, que também tem embates perdidos com o idioma e problemas graves pelo menos com a letra "s", como em "paralização" e "suspenção.

O general Lira Tavares, apesar da falta de estrelas ao manusear o vernáculo, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 23 de abril de 1970. Segundo o site da ABL, ele é autor de 16 livros, a maioria sobre temas da caserna, além de poesias que escrevia sob o pseudônimo de "Adelita".

Tudo isso está registrado na biografia do general que votou a favor do AI-5 pontuando que não acreditava na Constituição para salvar a nação.

Restou apenas um mistério para a história: quem era o revisor de Lira Tavares.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Mídia: atestado de bons antecedentes para acesso de repórteres a coletiva de ministro? Bizarro. Se a mesma exigência for feita a autoridades as coletivas serão praticamente extintas...



O credenciamento para uma entrevista coletiva do ministro Paulo Guedes, marcada  para a próxima quinta-feira, 4, em Fortaleza, fez uma exigência bizarra. Se quisessem ouvir o que o "Posto Ipiranga" de Bolsonaro tem a dizer, repórteres e fotógrafos eram obrigados a apresentar atestado policial de antecedentes criminais.

Ora, se a mesma exigência fosse feita às autoridades de todos os níveis que os jornalistas são obrigados a entrevistar em todo o país, praticamente seriam extintas as coletivas.

O  Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram imediatamente a exigência. "Uma obrigatoriedade completamente inédita e absurda. Como reportou nesta tarde o jornal O Povo, uma cobrança “nunca antes apresentada para o acompanhamento de autoridades durante suas passagens pelo Ceará”, diz trecho da nota das entidades de classe.

Após a repercussão negativa da exigência descabida, o tal atestado deixou de ser condição para acesso à coletiva. A empresa AD2M Engenharia de Comunicação, responsável pela assessoria de imprensa de evento com o Ministro Paulo Guedes, afirmou que tudo não passou de um "equívoco".

Deve ter sobrado para o estagiário.

Começou mal a primeira apresentação de Paulo Guedes no Nordeste após oito meses de governo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Fotomemória da redação: Cony e o carrasco nazista Franz Wagner

Em 1978, Carlos Heitor Cony entrevistou com exclusividade para Manchete o carrasco nazista Franz Wagner. Oficial austríaco da SS, ele era o segundo em comando no campo de concentração Sobibor. Com o fim da guerra, fugiu para o Brasil onde viveu durante anos até localizado por Simon Wiesenthal, caçador de nazistas e sobrevivente do Holocausto, com o auxílio do jornalista brasileiro Mário Chimanovitch. Foi preso em maio de 1978.
Com o Brasil em plena ditadura, o STF negou sucessivos pedidos de extradição de Franz Wagner para Áustria, Polônia, Alemanha Ocidental e Israel.
Cony perguntou ao nazista se ele ainda fazia planos de vida. "Continuar vivendo. Isto é um plano. Sou um homem simples, me basto com pouco. Se tiver que ser preso, prefiro ficar na Alemanha. Foi por ela que lutei durante a guerra. Foi por ela que estou nessa situação, sendo acusado de besta humana, de fera nazista", disse ele, sem dar sinais de arrependimento.
Dois anos depois, o nazista foi encontrado morto em uma cela em São Paulo, com uma faca cravada no peito. Houve suspeita de assassinato, mas oficialmente foi declarado o suicídio.

Dados de milhões de brasileiros estão ameaçados - Privatização do Dataprev e Serpro pode gerar a maior invasão de privacidade já vista no mundo...




A mídia neoliberal brasileira sequer discute o assunto. Na verdade, omitiu dos brasileiros essa perigosa consequência ao noticiar o recente e açodado pacote de privatizações anunciado pelo governo federal.

O site de tecnologia ZDNet destacou o tema na sua edição americana, com artigo da jornalista Angélica Mari, e foi direto ao ponto. Dados pessoais e profissionais de cidadãos brasileiros estão ameaçados pela privatização de duas grandes empresas públicas; o Dataprev e o Serpro. O primeiro cuida de todas as informações para o sistema de assistência e seguridade social do Brasil. O segundo é responsável pelas informações fiscais, pelo controle da receita e gastos públicos, dados do imposto de renda, entre outros, além de demais aspectos das relações dos cidadãos com o governo. Se a anunciada privatização se consumar, dados confidenciais de milhões de brasileiros poderão ser manipulados pela empresa privada que comprar toda a movimentação das operações de cada cidadão. 

Um manifesto divulgado pelos funcionários do Dataprev alerta para essa enorme apropriação de informações pessoais. O documento foi encaminhado à Câmara dos Deputados, onde os funcionários levantam a importante questão e argumentam, também, que o Dataprev é lucrativo e não depende de fundos federais.

O que está sendo gestado é a mais gigantesca invasão de privacidade já implementada por um governo.

PARA LER A MATÉRIA DO ZDNET, CLIQUE AQUI