segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Amazônia sobreviverá? Provavelmente apenas nas fotos da Manchete, Realidade, Veja, O Cruzeiro...

Amazônia: o desafio perdido. 
Durante 48 anos, Manchete e Amazônia mantiveram uma intensa relação jornalística.

O interesse e o tipo de cobertura que a revista realizou da maior floresta tropical do mundo passaram por várias fases de abordagem. Nos anos 1950, a Amazônia teve menos espaço na Manchete, talvez porque lançada em 1952 não ousasse  concorrer com O Cruzeiro que fazia matérias antológicas sobre a região, os índios, os desbravadores.

Na primeira década de existência Manchete via o "planeta verde" como "exótico". Mais ou menos a visão que os colonizadores ingleses projetavam sobre a  África.

Nos anos 1960 o tom ainda era de "aventura", com um enfoque nas riquezas e no potencial econômico da região.

Na década de 1970 a cobertura foi ufanística, na maioria das vezes, no embalo dos projetos desenvolvimentistas da ditadura. Manchete aderiu com entusiasmo ao "Brasil Grande", com reportagens muitas vezes mais vexatórias do que jornalísticas.

Na década de 1980 aparecem na revista sinais de consciência ecológica. As reportagens denunciam o drama nas aldeias indígenas e se tornam mais críticas. Agrava-se a destruição provocada pela invasão "desenvolvimentista" do regime militar e pelo avanço indiscriminado do agronegócio, queimadas que consomem imensas áreas da floresta chocam o mundo. Às vésperas da Eco-92, Manchete intensifica as denúncias embutidas em reportagens fotojornalísticas, a marca da revista. O ufanismo é contido pela dura realidade da agressão à floresta. Mesmo as edições especiais geralmente patrocinadas, que ainda tendiam a passar alguma visão otimista, já não escondiam os crimes ambientais.

Na década de 1990, a última da sua existência regular, Manchete abrigou com  ênfase a defesa do meio ambiente.

Nos anos 2000, após a falência da editora, foram publicadas algumas edições sob a responsabilidade de uma cooperativa de ex-funcionários que abordavam a nova e cada vez mais dramática situação da floresta.

Toda essa trajetória foi documentada em milhares de fotos que desapareceram junto com o arquivo que pertenceu à extinta Bloch Editores. Felizmente, essas imagens preciosas, pelo menos aquelas que foram publicadas, podem ser consultadas na coleção digitalizada da Manchete por obra da Seção de Periódicos da Biblioteca Nacional.

É verdade que desde a ditadura militar, a destruição é uma espécie de projeto diabólico de Brasil executado por todos os governos. Houve avanços na era Lula, mas é inegável que o PT também cedeu ao agronegócio e à construção de hidrelétricas sem projetos ambientais efetivos. Lula fazia piadas com a biodiversidade, caso, por exemplo, de um dos argumentos que usava ao ironizar sobre pererecas que interrompiam obras em nome da preservação da espécie. O novo Código Florestal aprovado durante o governo Dilma é desastroso. Mas nesse item de debochar das políticas ambientais, Bolsonaro é imbatível. Principalmente porque, ao contrário das ironias de Lula, suas falas se transformam em ações efetivas de governo atingindo instituições de pesquisa, cientistas, fiscais, áreas de preservação e reservas indígenas. Agora, a guerra do governo contra a Amazônia é total e o mundo começa a reagir com mais força, com corte de verbas internacionais, ameaças de boicotes comerciais à vista e até os primeiros pedidos de futuras sanções reivindicados por grupos ecológicos.

Manchete já não existe para documentar o atual estágio de extinção da Amazônia. No ritmo acelerado de extermínio da sua biodiversidade, a floresta, em um futuro não muito distante, sobreviverá apenas no trabalho de dezenas de fotojornalistas da Manchete, Realidade, O Cruzeiro, Jornal do Brasil, O Globo e Veja.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Mídia: muita mutreta pra levar a situação...


A capa do Estadão, hoje, é praticamente um tutorial do Brasil atual.

* A foto principal mostra a ruína de uma universidade. Por algum motivo patológico ou interesses privados, o governo estimula um ódio às escolas públicas de ensino superior. A rejeição vai à pratica com os sucessivos cortes de verba.

* Populacho causa déficit: entrevista com secretário do Tesouro informa que mesmo com o confisco da Previdência aprovado pela Câmara, o suposto déficit crescerá 40 bilhões de reais por ano. Ele defende congelamento de salários de servidores, entre outras medidas que vão sobrar para o populacho. Benesses de juízes, desembargadores, procuradores, deputados, senadores, ministros, altas patentes, altos funcionários públicos do primeiro escalão, cobranças de dívidas de empresários com a Previdência não estão na pauta do empregado de Bolsonaro.

* Negócios turbinados: mensagens sobre o escândalo protagonizado pelo governo brasileiro e paraguaio sobre Itaipu mostram interesses e armações com empresas privadas inseridas no pacto. Se puxar o fio haverá choque elétrico em Brasília e Assunção.

* Agrodestruição: painel do Clima da ONU, esse baseado em satélites que não podem ser desligados pelo governo brasileiro, apontam 23% das emissões de gases efeito estufa no mundo vêm do desmatamento e da agropecuária.

* Na ativa: o empresário Eike Batista foi preso. Ele cumpria condenação em prisão domiciliar por corrupção e lavagem de dinheiro, mas andava bem ativo. Nas últimas semanas fazia aparentemente uma faxina na própria imagem: deu entrevistas a várias publicações onde falou de grandes projetos e voltou às notinhas em colunas de jornais amigas. Agora é suspeito de manipulação do mercado de capitais e transações fraudulentas, segundo o MPF.

* Afeto que se encerra: outra chamada de capa dá conta de abalos no núcleo do governo. Depois de tirar a toga de Sergio Moro ao nomeá-lo ministro, Bolsonaro estaria agora podando as mangas de camisa e aparando as bocas da calça do maior símbolo eleitoral da sua campanha.

* Pulou do barco: chamada para artigo de Fernando Gabeira mostra mudança de rumos na avaliação do amigo Bolsonaro, da condescendência à decepção. 

Sexo na República: Bolsonaro sugere troca-troca ministerial

por O. V. Pochê

Bolsonaro é bully. Este é o termo em inglês que nomeia pessoas que escolhem outra como vítima de gozações repetitivas. Bully também significa, "valentão", "brigão", "tirano".

O ministro da Justiça Sergio Moro foi o alvo da 'piada' de Bolsonaro. E em live para todo mundo ver.

Segundo psicólogos, as vítimas geralmente não reagem às agressões, temem a rejeição e preferem entrar "brincadeira" e sorrir constrangidas. Na gíria antiga, era o "pele", hoje é o "piá de prédio", garoto criado em condomínio, que não tem vivência de rua e sofre deboche dos colegas.

A cena viralizou nas redes sociais. Houve quem achasse ridícula, robôs elogiaram a "sinceridade" de Bolsonaro, outros o compararam ao "tio do pavê", aquele que em festinhas de famílias se mete a fazer "stand up" de piadas jurássicas, nunca faz sucesso mas ele mesmo é o que mais rir, tal qual se viu aí.

Vexame à parte, o Brasil aprendeu como a Libras (Língua Brasileira de Sinais) traduz a modalidade de ato sexual sugerida por Bolsonaro aos ministros Moro e Ricardo Salles.

Você pode ver no vídeo o momento exato em que a tradutora cumpre seu papel de gesticular o bullying. AQUI

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Abbey Road: a foto mais famosa dos Beatles faz 50 anos hoje

Foto de Iain MacMillan. 
Há cinco décadas, hoje.

Na manhã de 8 de agosto de 1969, o fotógrafo Iain MacMillan subiu em uma pequena escada, ajustou a Hasselblad e fez em 15 minutos as fotos de uma cena que se tornaria clássica: John, Ringo, Paul e George cruzando a faixa de pedestres da Abbey Road, a arborizada rua londrina onde ficavam os estúdios de gravação da banda.

À primeira vista a imagem pode parece casual. Mas além de ter obedecido a um esboço feito por Paul McCartney, os Beatles tiveram que repetir a cena seis vezes, enquanto um guarda interrompia o trânsito. Caminharam da esquerda para a direita, voltaram, pararam na faixa, de novo atravessaram a rua, e de novo, e mais uma vez... O esboço apenas posicionava os personagens, os demais elementos do cenário eram reais, nada foi colocado na rua para compor a cena.  incluindo o famoso Fusca.

A quinta chapa das únicas seis foi usada na capa do LP Abbey Road (lançado em 26 de setembro de 1969) e se tornou um clássico pop.

A foto não apenas virou, gerou lendas. Uma delas dizia que a capa sinalizava que Paul havia morrido: ele era o único a  caminhar descalço e estava de olhos fechados. A teoria do R.I.P pregava que o baixista estava vestido para ser enterrado pelo "padre", John e pelo "coveiro" George, Ringo era o "dono da funerária". 


Para comemorar os 50 anos de Abbey Road será lançado mundialmente em setembro próximo um álbum com quatro discos (Abbey Road Super De Luxe Box) e 40 faixas entre gravações, trechos de sessões de gravação, demos e um Blu-Ray. No pacote vem um livro de 100 páginas ilustradas, com prefácio de Paul McCartney e texto do historiador e produtor de rádio Kevin Howlett, que relata os meses que antecederam as sessões de gravação de Abbey Road, as reações ao lançamento e as influências musicais do álbum identificadas em cinco décadas de músicas. (José Esmeraldo Gonçalves)

Na capa da Time: o terrorismo dos supremacistas brancos é o novo pesadelo americano


A revista Time pergunta: "Por que a América está perdendo a batalha contra o terrorismo nacionalista branco?"

Os massacres em um país armado com fuzis de assalto são dramaticamente comuns nos Estados Unidos. Nos últimos anos, esses tiroteios passaram a ter como alvos preferenciais negros, imigrantes hispânicos, homossexuais e instituições religiosas. Tais crimes de ódio ganharam foco mais claro nos dois recentes atentados de El Paso e Dayton.

A Time ressalta que a imagem do terrorista presente nos pesadelos dos norte-americanos era a dos jihadistas. A essa percepção agora se acrescenta a dos supremacistas brancos típicos moradores de um típico subúrbio de classe média em típicas cidades do país.

"Desde o 11 de setembro" - informa a revista a partir de dados do governo - "ficou claro que nacionalistas brancos se tornaram o rosto do terrorismo na América. Supremacistas brancos e outros extremistas de extrema-direita foram responsáveis ​​por quase três vezes mais ataques aos EUA do que terroristas islâmicos. De 2009 a 2018, a extrema direita foi responsável por 73% das mortes domésticas relacionadas com extremistas, de acordo com um estudo de 2019 da Liga Anti-Difamação (ADL). Mais pessoas - 49 - foram assassinadas por extremistas de extrema-direita nos EUA no ano passado do que em qualquer outro ano desde o atentado de Oklahoma em 1995. O diretor do FBI Christopher Wray disse ao Congresso em julho que a maioria das investigações do terrorismo doméstico desde outubro estavam ligados à supremacia branca. No entanto, os líderes da nação não conseguiram enfrentar essa ameaça. Em mais de uma dúzia de entrevistas com a TIME, autoridades federais e de segurança nacional atuais e anteriores descreveram um sentimento de perplexidade e frustração ao observarem os avisos serem ignorados e a ameaça terrorista da supremacia branca crescer".

Os crimes de ódio ecoam a pregação e as atitudes racistas de Donald Trump. Lá o estágio dessa brutal estratégia política, agora acirrada pela campanha eleitoral, alcança a fase de colheita de sangue.

Em um distante país ao sul, com aspirações de clone da matriz, essa mesma política de ódio está em acelerada fase de semeadura.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Mídia: Quem é o roteirista que escreve o seriado "Brasil de Bolsonaro"?

* A mídia ainda não descobriu, e apenas suspeita de alguns nomes, o roteirista que aponta e desenvolve os temas que Bolsonaro despeja no twitter, em coletivas e palanques de inaugurações de obras passadas. Para usar linguagem do clã, o homem é um fuzil giratório de ódio: ataca o cinema, o STF, os governadores do Nordeste, os radares, as lombadas, a mídia, professores e universidades, as agências reguladoras, o IBGE, o Inpe, campanhas que retratam a diversidade brasileira. A cada dia um flash, como diria um autor de novelas. O problema é que o roteiro não é ficção. Em meio às frases de efeito e às opiniões que agitam as redes sociais de opositores e apoiadores, as medidas práticas provam que Bolsonaro tem um plano de governo que avança para o absolutismo. . 

* O Brasil não precisa de ministro das Relações Exteriores. Basta entrar no grupo do Whatsapp de John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, e cumprir as ordens de Donald Trump. Nos últimos dias, o governo brasileiro reteve cargueiros do Irã (finalmente liberados pela Justiça); agiu para corrigir a bagunça que arrumou na questão da hidrelétrica binacional de Itaipu e Paraguai com o objetivo de preservar o governo de ultra direita do país, segundo determinação dos Estado Unidos; proibiu a entrada no país de funcionários do governo da Venezuela; condenou os massacres em El Paso e Dayton, mas seguindo o figurino de Trump de lamentar as mortes, isentar as armas de culpa e não citar a conotação racista dos supremacistas brancos autores dos fuzilamentos;  e, para finalizar, depois que o secretário do Comércio dos Estados Unidos mandou o Brasil tomar cuidado para que o futuro Acordo Mercosul-União Européia não atrapalhe as relações de Brasília com Washington, Bolsonaro correu para transmitir o recado aos seus ministros: "É importante que nada no acordo entre Mercosul e União Europeia seja um impedimento para um acordo de livre comércio do Brasil com os Estados Unidos", repetiu, obediente.

*  O governo prometeu liberar RS$ bilhões para os deputados como acordo para a turma aprovar o confisco da Previdência. O presidente da Câmara não contava que o orçamento federal não tivesse dinheiro para cumprir a promessa. Daí, a própria Câmara vai ter que aprovar a mágica de fazer surgir a grana para os votantes. É como se um sujeito devesse dinheiro a traficantes e pedisse à "boca" para liberar a verba com a qual pagará a "firma". Até Rodrigo Maia ficou sem jeito. Bolsonaro seria mais discreto na transação se mandasse entregar malas de dinheiro no plenário.

* Em 2016, a Globo convidou Glória Pires para participar da bancada que comentava a entrega do Oscar. Só que a produção esqueceu de avisar a atriz para ver ou se informar sobre os filmes concorrentes. Resultado: Glória ficou boiando e quando era consultada pelos demais apresentadores repetia uma frase que virou meme e divertiu as redes sociais. "Não sou capaz de opinar". O coronel Darcton Damião, novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ressuscitou a frase ao assumir o cargo: "Aquecimento global não é minha praia. Não posso opinar". Acontece que é. O site do INPE informa que, entre outras atribuições, faz "a investigação física e química de fenômenos que ocorrem na atmosfera e no espaço exterior de interesse para o País. Realiza pesquisas e experimentos nos campos da Aeronomia, Astrofísica e Geofísica Espacial, Ciências Espaciais e Atmosféricas, Previsão de Tempo e Estudos Climáticos". Além disso, o Inpe, que vem incomodando Bolsonaro por insistir em divulgar provas científicas de que o desmatamento aumentou, monitora, por exemplo, as queimadas na floresta que prejudicam a formação de nuvens de chuva e produzem fuligem que faz a terra absorver mais calor. Embora diga que "não é sua praia", o coronel afirma não está convencido de que o aquecimento global é fato comprovado. Sobre acionar os satélites do Inpe para verificar se o planeta é plano ele não falou.

* Bolsonaro editou medida provisória desobrigando empresas de publicar balanços em jornais. Vá lá, só que ele falou claro que seu objetivo é retaliar a mídia que não o apoia. O governo também passou a privilegiar com verbas oficiais programas e apresentadores do tipo chapa banca. E a mídia acusava os governos passados de pretender "controlar" as notícias. 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Fotomemória da redação: Frederico Mendes entrevista um homem das cavernas. No caso, o ex-beatle Ringo...



Em 1980, Manchete enviou o repórter fotográfico Frederico Mendes ao México para encontrar um ex-beatle barbudo e maltrapilho. Era Ringo Starr, que filmava "Caveman - o homem das cavernas".

Depois das primeiras experiências cinematográficas - "Hard Day's Night, Help!, Magical Mystery Tour e Let It Be -, o baterista tentou engrenar uma carreira de ator. Atuou em "Candy', "O filho de Drácula" e outras irrelevâncias.

Não decolou.

Quando Manchete foi encontrá-lo, ele fazia o papel de um troglodita na  comédia pré-histórica que foi lançada em 1981.

Na entrevista, o ex-beatle corrigiu uma frase histórica de John Lennon publicada originalmente no London Evening Standard ("Somos mais populares do que Jesus").

"Não fomos mais importantes do que Jesus", disse Ringo a Frederico Mendes.

Finalmente, Jesus deve ter respirado aliviado.

Biblioteca Nacional disponibiliza a coleção digitalizada da Manchete Esportiva

A Biblioteca Nacional dá sequência ao projeto de digitalização das revistas da extinta Bloch Editores.

Depois da Manchete, estão disponíveis na seção de Periódicos do site da instituição a Manchete Esportiva, tanto as edições da primeira fase da publicação, na década de 1950, quanto os exemplares do relançamento da revista no final dos anos 1970.

A parte superior da barra à direita da homepage deste blog sinaliza os links para acesso aos respectivos acervos.

Também acaba de ser digitalizada a coleção da Manchete Rural.   

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Liberdade de expressão em risco: Repórteres Sem Fronteira pede apoio internacional para Glenn Greenwald, que recebeu ameaças do governo brasileiro




A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras publicou no seu portal denúncia de intimidação e tentativa de desestabilização do site jornalístico Intercept Brasil após as graves denúncias contidas nos vazamentos das mensagens de procuradores e juiz responsável pela Lava Jato. Repórteres Sem Fonteiras pede apoio mundial aos jornalistas do site investigativo, especialmente ao editor Glenn Greenwald, que tem recebido ameças de morte e até de expulsão do Brasil.
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China X Estados Unidos: a guerra digital


Enquanto a política internacional discute a volta da Guerra Fria entre EUA e Rússia, uma guerra quente está em curso na Internet. Os contendores principais são China e Estados Unidos em plena competição tecnológica e corporativa. Os consumidores assistirão à disputa na palma da mão, mais precisamente na tela dos smartphones. O assunto é tema de capa da revista Courrier Internacional. (Flávio Sépia)

51, uma boa idéia. É a idade da modelo Stephanie Seymour, capa da Vogue italiana desse mês


A edição de agosto da Vogue Itália mostra a modelo Stephanie Seymour, 51, em forma espetacular em ensaio da fotógrafa Collier Schorr.
Em 1995, ela posou para a Vogue francesa, fotografada por Mário Testino (Clara S. Britto).

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Governo vai acabar com desmatamento e desemprego. Na real? Não, só nas estatísticas

por Flávio Sépia

Governos autoritários costumam brigar com números e estatísticas quando esses lhes são desfavoráveis. Nos anos 1950, um coronel chegou a proibir o filme Rio 40°, de Nelson Pereira dos Santos, sob a alegação de que na Cidade Maravilhosa  os termômetros não chegavam a tanto.  Na verdade, o calor foi pretexto, o que incomodava a censura era a temática do filme.
Nos anos 1970, dizia-se que a censura impedia a divulgação de temperaturas acima de 39º. Por dois motivos, segundo o da tesoura: para não criar pânico na população e para não dar aos trabalhadores motivo para reclamar, já que o trabalho naquelas condições podia se classificado como insalubre.

Na ditadura, o então ministro Delfim Neto mandava aumentar artificialmente a oferta de produtos perecíveis, como tomates, verduras etc, e com isso baixava o preço e falsificava os números da inflação. Hoje, Delfim nem precisaria fazer isso. Nas últimas décadas, a inflação passou a ser calculada a partir de uma cesta de produtos determinada pelas autoridades. Não é exatamente a cesta de produtos que você consome, por isso a sua inflação, a que você sente no bolso, é maior do que a inflação oficial.

O governo Bolsonaro está brigando com as estatísticas. Não gosta dos números do desmatamento da Amazônia aferidos por satélite, não acredita no cálculo de famintos, desconfia das pesquisas do IBGE e não acha que o Brasil tem tantos desempregados assim, Para ele, a solução é intervir nas estatísticas e fabricar números favoráveis. É o que está fazendo fazer ao demitir profissionais e desautorizar instituições.

Jornalismo por procuração: revistas e jornais brasileiros inventaram o "furo a pedido". Eram as matérias que interessavam à "estratégia" secreta da Lava Jato

As mensagens do grupo de procuradores reveladas pelo Intercept Brasil têm revelado em algumas ocasiões o lado servil da grande mídia. Estão presentes nos diálogos manobras para induzir jornais, revistas e jornalísticos da TV a publicar determinadas notícias com o objetivo de atingir supostos "inimigos" da operação ou criar situações para encurralar críticos ou contornar decisões judiciais que incomodavam a força-tarefa.
O site Brasil 247 registra que uma dessas manobras se confirma com a capa da Veja coincidente com a estratégia que os procuradores discutem no Telegram. Em trechos divulgados anteriormente já haviam sido citados outros veículos que seguiram coreografia "jornalística" em parceria com a Lava Jato. Depois dos procuradores trocarem mensagens sobre o ministro do STF, Dias Toffoli, a partir de uma interpretação criativa de um  depoimento do delator Léo Pinheiro, chegou à Veja um vazamento sobre o mesmíssimo assunto. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

The Economist: na capa o projeto de Bolsonaro para a Amazônia


Mário Gonzalez: o adeus de uma lenda do esporte


O Gávea Golf em 1953: dia de Mário Gonzalez de campo. Foto Manchete

Em 1953, a primeira foto do golfista
publicada na recém-fundada Manchete
Um atleta brasileiro participou de 16 Copas do Mundo. Não, não foi um jogador de futebol, que não teria pernas para uma carreira não longa. 

O golfista Mário Gonzales, que se tornou uma lenda internacional do esporte, venceu torneios na Inglaterra, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Ele morreu ontem, aos 96 anos, no Rio. 

Em 1952, quando a Manchete começou a circular, Mário já era um dos grandes nomes do golfe e a revista registrava com frequência suas performances. Tornou-se uma lenda para golfistas do mundo inteiro.

O Gávea Golf, nos anos dourados, atraía grandes e elegantes plateias para vê-lo em ação.

Gonzalez em foto recente. CBG
Pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Mário Gonzalez participou de um evento teste do campo de golfe construído para a Rio 2016. 

No Gávea Golf,  uma estátua do eterno campeão lembra aos jogadores um pioneiro do esporte no Brasil e um nome reverenciado nos principais centros de golfe do mundo.

Há 19 anos, a falência da Bloch Editores. O dia que nunca terminou...

Há 19 anos, um vendaval varreu a Bloch. Foto:bqvManchete.

Essa foto sintetiza o drama que os funcionários da Bloch Editores viveram no dia 1° de agosto de 2000. Papeis soltos no chão, pastas sobre a mesa, ordens de serviço que jamais seriam cumpridas.

Um aviso colado na porta principal do Edifício Manchete foi a trombeta silenciosa que anunciou a falência. Em poucas linhas, decretava o 'game over' da empresa e abria um vazio nas vidas de milhares de profissionais.

Carlos Heitor Cony recordou certa vez o clima de tragédia da rendição do prédio. Contou que na sua sala, antigo gabinete do Juscelino e do Dr. Alberto Sabin, que a ocuparam durante anos, havia seguranças e oficiais de justiça. Luzes apagadas, um lampião aceso que mal dava para iluminar o caminho, era impossível retirar as coisas pessoais. O jornalista e escritor desceu as escadas no escuro, um oficial de justiça a iluminar o caminho com uma lanterna. Cony escreveu que sentia-se amortecido, "sem acreditar que tudo aquilo acabou".

E esse era o sentimento comum a todos que deixaram às pressas o lugar ao qual suas vidas profissionais se ligaram por anos e décadas. A Bloch acabou, mas a Massa Falida da Bloch Editores, não. Ainda há um número reduzido de processos trabalhistas inconclusos. Embora a maioria dos ex-funcionários tenha recebido os valores de indenizações, são credores da correção monetária correspondente. Muitos fecharam acordos desfavoráveis na esperança de receberem mais rápido o total dos seus direitos. Há até quatro anos atrás a Massa Falida pagou três parcelas dessas indenizações. Surpreendentemente, tais pagamentos foram suspensos por decisão intempestiva de um antigo síndico. A Manchete possuía bens que garantiam parte dos pagamentos trabalhistas, prioritários segundo a lei. Mas além do tempo que costumam demandar, massas falidas têm uma característica: elas devoram os próprios patrimônios em custos legais e administrativos. Por isso, a cada dia que passa cresce o risco e se estreita a perspectiva de quitação final dos créditos trabalhistas.

Depois do drama, a longa e injusta espera.

Aqueles instantes dramáticos de 1° de agosto parecem fazer parte de um dia que nunca terminou.     

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Gestão de crise: presidente empresta Bic para repórter anotar entrevista "fofa".

Você deve ter visto a postura corajosa do repórter Leonardo Vieira, do portal UOL, durante coletiva com o general Rego Barros, porta-voz de Bolsonaro. Vieira fez as perguntas necessárias e obrigatórias a um jornalista (veja o vídeo no post deste blog, abaixo: "Governo sinaliza trevas na relação com jornalistas").

O oposto disso está no Globo de hoje.

O jornal publica uma "entrevista" com Bolsonaro, que não é bem entrevista, apenas cede a palavra ao atual morador do Alvorada. No dia em que uma sequência de declarações indignas e bizarras do presidente ecoam na mídia e nas redes sociais, a matéria que ocupa uma página solenemente ignora a agressão de Bolsonaro ao presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, passa ao largo do vazamento de mensagens da Lava Jato e dispensa o assassinato de um chefe indígena, evita questionar o "entrevistado" sobre a recusa em receber o ministro de Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, isso apenas para falar nas pautas jornalísticas de ontem.

Em suma, matéria passiva, que se limita a levantar a bola para presidente. O Globo foi apenas ator na gestão de crise que visa minimizar o impacto dos seus últimos e desastrados movimentos.

Um dos mandamentos do gerenciamento de imagens é abrir diálogo com a imprensa. Solícito, o "entrevistado", que tanto ofende jornalistas, emprestou a própria Bic para a repórter lavrar seu depoimento.

Durante muito anos, o slogan da marca no Brasil foi "Bic, é assim que se escreve".

Foi o que Bolsonaro fez especialmente para O Globo.
 

É o marketing, estúpido! - Quando presidentes "perebas" levam a bola pra casa. Documentário mostra quando a política tenta se apropriar do futebol

Cena do documentário "Memórias do Chumbo: o futebol nos tempos do Condor".
Foto:Reprodução

Como ferramenta para a busca da popularidade dos ditadores brasileiros, o  futebol cumpriu seu papel compulsório nos anos 1960-1970.

Campanhas de relações públicas das tropas escaladas para a comunicação dos governo introduziram Costa e Silva e Médici nos estádios e bastidores da então CBD e penduraram os generais na fama de alguns craques da seleção.  O envolvimento do governo com a seleção que se preparava para a Copa do México, encontros com jogadores até para almoços em palácio fartamente fotografados e o advento da Loteria Esportiva fizeram parte dessa ofensiva de marketing político.

O tema é tão atual que o atual inquilino do Planalto, o notório Bolsonaro, com a popularidade em baixa, segundo repetidas pesquisas, tem se escalado para assistir jogos do Palmeiras, do Flamengo e da seleção brasileira. Provavelmente nunca assistiu tanto futebol na vida. Em várias ocasiões, entrou em campo e recebeu vaias das torcidas, com alguns aplausos dos seus fanáticos seguidores.

Um bom momento para ver o documentário “Memórias do Chumbo: o futebol nos tempos do Condor”, produzido pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro para o canal ESPN.

A referência à Operação Condor - aliança dos órgãos de informações do Cone Sul para assassinar políticos e militantes da esquerda - está presente no documentário que dedica um capítulo a cada um dos países envolvidos no braço do terrorismo de Estado, com a participação da CIA,  promovido pelas ditaduras do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.

O DOCUMENTÁRIO “MEMÓRIAS DO CHUMBO : O FUTEBOL NOS TEMPOS DO CONDOR" ESTÁ AQUI

terça-feira, 30 de julho de 2019

Ou dá ou desce: demitidos da Editora Abril receberão indenizações reduzidas após negociação selvagem...

O Portal Imprensa publica uma matéria contundente sobre os bastidores do polêmico acordo que a Abril, agora sob o controle de investidores, fez com centenas de funcionários demitidos em redações, gráfica e áreas administrativas.

A manobra vil que prejudicou os trabalhadores começou com os irmãos Civita, herdeiros do grupo, que mandaram funcionários embora pouco antes da decretação da Recuperação Fiscal do grupo. Com isso, as verbas rescisórias passaram a fazer parte do complicado processo judicial que, de cara, deu aos então controladores da Abril prazo de 180 dias para quitar a dívida trabalhista.

Com a venda do grupo, a negociação passou a se dar com os novos donos que adquiriam a Abril por uma pequena parcela em dinheiro mais a dívida que ultrapassa 1 bilhão de reais. Assim, quanto mais jogarem duro na negociação das dívidas bancárias e trabalhistas mais os investidores lucrarão com o negócio. E foi o que se deu. As verbas rescisórias serão pagas na maioria a prestação e com enormes descontos. Era isso ou praticamente ficar na saudade. Quem topu o acordo abre mão de reivindicar direitos na Justiça. Para quem não assinou o documento, resta entrar ações judiciais e encarar longa disputa.
Leia a matéria no Portal Imprensa AQUI