quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Mário Gonzalez: o adeus de uma lenda do esporte


O Gávea Golf em 1953: dia de Mário Gonzalez de campo. Foto Manchete

Em 1953, a primeira foto do golfista
publicada na recém-fundada Manchete
Um atleta brasileiro participou de 16 Copas do Mundo. Não, não foi um jogador de futebol, que não teria pernas para uma carreira não longa. 

O golfista Mário Gonzales, que se tornou uma lenda internacional do esporte, venceu torneios na Inglaterra, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Ele morreu ontem, aos 96 anos, no Rio. 

Em 1952, quando a Manchete começou a circular, Mário já era um dos grandes nomes do golfe e a revista registrava com frequência suas performances. Tornou-se uma lenda para golfistas do mundo inteiro.

O Gávea Golf, nos anos dourados, atraía grandes e elegantes plateias para vê-lo em ação.

Gonzalez em foto recente. CBG
Pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Mário Gonzalez participou de um evento teste do campo de golfe construído para a Rio 2016. 

No Gávea Golf,  uma estátua do eterno campeão lembra aos jogadores um pioneiro do esporte no Brasil e um nome reverenciado nos principais centros de golfe do mundo.

Há 19 anos, a falência da Bloch Editores. O dia que nunca terminou...

Há 19 anos, um vendaval varreu a Bloch. Foto:bqvManchete.

Essa foto sintetiza o drama que os funcionários da Bloch Editores viveram no dia 1° de agosto de 2000. Papeis soltos no chão, pastas sobre a mesa, ordens de serviço que jamais seriam cumpridas.

Um aviso colado na porta principal do Edifício Manchete foi a trombeta silenciosa que anunciou a falência. Em poucas linhas, decretava o 'game over' da empresa e abria um vazio nas vidas de milhares de profissionais.

Carlos Heitor Cony recordou certa vez o clima de tragédia da rendição do prédio. Contou que na sua sala, antigo gabinete do Juscelino e do Dr. Alberto Sabin, que a ocuparam durante anos, havia seguranças e oficiais de justiça. Luzes apagadas, um lampião aceso que mal dava para iluminar o caminho, era impossível retirar as coisas pessoais. O jornalista e escritor desceu as escadas no escuro, um oficial de justiça a iluminar o caminho com uma lanterna. Cony escreveu que sentia-se amortecido, "sem acreditar que tudo aquilo acabou".

E esse era o sentimento comum a todos que deixaram às pressas o lugar ao qual suas vidas profissionais se ligaram por anos e décadas. A Bloch acabou, mas a Massa Falida da Bloch Editores, não. Ainda há um número reduzido de processos trabalhistas inconclusos. Embora a maioria dos ex-funcionários tenha recebido os valores de indenizações, são credores da correção monetária correspondente. Muitos fecharam acordos desfavoráveis na esperança de receberem mais rápido o total dos seus direitos. Há até quatro anos atrás a Massa Falida pagou três parcelas dessas indenizações. Surpreendentemente, tais pagamentos foram suspensos por decisão intempestiva de um antigo síndico. A Manchete possuía bens que garantiam parte dos pagamentos trabalhistas, prioritários segundo a lei. Mas além do tempo que costumam demandar, massas falidas têm uma característica: elas devoram os próprios patrimônios em custos legais e administrativos. Por isso, a cada dia que passa cresce o risco e se estreita a perspectiva de quitação final dos créditos trabalhistas.

Depois do drama, a longa e injusta espera.

Aqueles instantes dramáticos de 1° de agosto parecem fazer parte de um dia que nunca terminou.     

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Gestão de crise: presidente empresta Bic para repórter anotar entrevista "fofa".

Você deve ter visto a postura corajosa do repórter Leonardo Vieira, do portal UOL, durante coletiva com o general Rego Barros, porta-voz de Bolsonaro. Vieira fez as perguntas necessárias e obrigatórias a um jornalista (veja o vídeo no post deste blog, abaixo: "Governo sinaliza trevas na relação com jornalistas").

O oposto disso está no Globo de hoje.

O jornal publica uma "entrevista" com Bolsonaro, que não é bem entrevista, apenas cede a palavra ao atual morador do Alvorada. No dia em que uma sequência de declarações indignas e bizarras do presidente ecoam na mídia e nas redes sociais, a matéria que ocupa uma página solenemente ignora a agressão de Bolsonaro ao presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, passa ao largo do vazamento de mensagens da Lava Jato e dispensa o assassinato de um chefe indígena, evita questionar o "entrevistado" sobre a recusa em receber o ministro de Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, isso apenas para falar nas pautas jornalísticas de ontem.

Em suma, matéria passiva, que se limita a levantar a bola para presidente. O Globo foi apenas ator na gestão de crise que visa minimizar o impacto dos seus últimos e desastrados movimentos.

Um dos mandamentos do gerenciamento de imagens é abrir diálogo com a imprensa. Solícito, o "entrevistado", que tanto ofende jornalistas, emprestou a própria Bic para a repórter lavrar seu depoimento.

Durante muito anos, o slogan da marca no Brasil foi "Bic, é assim que se escreve".

Foi o que Bolsonaro fez especialmente para O Globo.
 

É o marketing, estúpido! - Quando presidentes "perebas" levam a bola pra casa. Documentário mostra quando a política tenta se apropriar do futebol

Cena do documentário "Memórias do Chumbo: o futebol nos tempos do Condor".
Foto:Reprodução

Como ferramenta para a busca da popularidade dos ditadores brasileiros, o  futebol cumpriu seu papel compulsório nos anos 1960-1970.

Campanhas de relações públicas das tropas escaladas para a comunicação dos governo introduziram Costa e Silva e Médici nos estádios e bastidores da então CBD e penduraram os generais na fama de alguns craques da seleção.  O envolvimento do governo com a seleção que se preparava para a Copa do México, encontros com jogadores até para almoços em palácio fartamente fotografados e o advento da Loteria Esportiva fizeram parte dessa ofensiva de marketing político.

O tema é tão atual que o atual inquilino do Planalto, o notório Bolsonaro, com a popularidade em baixa, segundo repetidas pesquisas, tem se escalado para assistir jogos do Palmeiras, do Flamengo e da seleção brasileira. Provavelmente nunca assistiu tanto futebol na vida. Em várias ocasiões, entrou em campo e recebeu vaias das torcidas, com alguns aplausos dos seus fanáticos seguidores.

Um bom momento para ver o documentário “Memórias do Chumbo: o futebol nos tempos do Condor”, produzido pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro para o canal ESPN.

A referência à Operação Condor - aliança dos órgãos de informações do Cone Sul para assassinar políticos e militantes da esquerda - está presente no documentário que dedica um capítulo a cada um dos países envolvidos no braço do terrorismo de Estado, com a participação da CIA,  promovido pelas ditaduras do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.

O DOCUMENTÁRIO “MEMÓRIAS DO CHUMBO : O FUTEBOL NOS TEMPOS DO CONDOR" ESTÁ AQUI

terça-feira, 30 de julho de 2019

Ou dá ou desce: demitidos da Editora Abril receberão indenizações reduzidas após negociação selvagem...

O Portal Imprensa publica uma matéria contundente sobre os bastidores do polêmico acordo que a Abril, agora sob o controle de investidores, fez com centenas de funcionários demitidos em redações, gráfica e áreas administrativas.

A manobra vil que prejudicou os trabalhadores começou com os irmãos Civita, herdeiros do grupo, que mandaram funcionários embora pouco antes da decretação da Recuperação Fiscal do grupo. Com isso, as verbas rescisórias passaram a fazer parte do complicado processo judicial que, de cara, deu aos então controladores da Abril prazo de 180 dias para quitar a dívida trabalhista.

Com a venda do grupo, a negociação passou a se dar com os novos donos que adquiriam a Abril por uma pequena parcela em dinheiro mais a dívida que ultrapassa 1 bilhão de reais. Assim, quanto mais jogarem duro na negociação das dívidas bancárias e trabalhistas mais os investidores lucrarão com o negócio. E foi o que se deu. As verbas rescisórias serão pagas na maioria a prestação e com enormes descontos. Era isso ou praticamente ficar na saudade. Quem topu o acordo abre mão de reivindicar direitos na Justiça. Para quem não assinou o documento, resta entrar ações judiciais e encarar longa disputa.
Leia a matéria no Portal Imprensa AQUI

Governo sinaliza trevas na relação com jornalistas

A relação do governo com jornalistas vem emitindo seguidos sinais de trevas e autoritarismo. Demissões de profissionais por ingerência política, agressões e ameaças se sucedem. Dois exemplos atuais, apenas.

Na recente coletiva do porta-voz da Presidência, general Rego Barros, um episódio mostrou ao mesmo tempo a relação tensa entre repórteres que tentam exercer sua função dignamente - e não festejar o governo como certos comentaristas de TV preferem - e a estrutura oficial de comunicação do Planalto, o próprio Bolsonaro e seus ministros.

O repórter do portal UOL, Leonardo Vieira deu uma lição de integridade profissional ao questionar o porta-voz quando ele acusa o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil, de "crime", que ele não consegue tipificar, por divulgar conteúdo basicamente jornalístico de mensagens trocadas por Sergio Moro e sua facção de procuradores.

Nesta mesma semana, o apresentador do Roda Viva, Ricardo Lessa, acusa a TV Cultura de censurar veladamente uma entrevista com o general Santos Cruz, ex-chefe da Secretaria de Governo há pouco tempo demitido por Bolsonaro.

Segundo Lessa, ao convidar o general para ir ao programa foi "aconselhado" a não fazer a entrevista. Como pediu que enviassem por escrito o veto, recebeu  autorização para gravar. Em represália, a TV Cultura fez algo inédito: pautou duas entrevistas para o mesmo dia do Roda Viva, sendo que o programa com Santos Cruz passou para meia noite. Às 10, horário habitual, foi pautada uma entrevista com o economista Bernard Appy sobre a reforma tributária, tema que ainda não começou a ser discutido no Congresso.

Lessa acusou a TV Cultura de atitude "indigna e vil". Antes, segundo o apresentador, os "aiatolás" da emissora do governo João Dória, vetaram pelo menos mais dois entrevistado: Gustavo Bebianno, ex-secretário geral da Presidência, e Marcos Truirro, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério de Economia.

A Cultura divulgou nota explicando que exibiu dois programas na mesma noite porque planejou uma "maratona". E não respondeu à grave acusação de Lessa sobre a pressão para vetar Santos Cruz, nem comentou o impedimento de entrevistas com Bebbiano e Truirro.

VEJA AQUI TRECHO DO VÍDEO ONDE O REPÓRTER DO UOL FAZ A PERGUNTA QUE ENCURRALA O PORTA-VOZ DA PRESIDÊNCIA. AQUI

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Publimemória: Acredite, isso já foi moda...


por Ed Sá

Em 1972, o movimento hippie decaía. Mesmo tardiamente, marcas populares brasileiras pegavam carona na contracultura fashion. O anúncio da extinta Ducal foi publicado no JB e na Fatos & Fotos. Os garotos-propaganda eram os Fevers, mas os estranhíssimos figurinos que eles mostram na foto não eram roupa de cena ou palco. Estavam à venda a preços módicos e por um sistema pioneiro de crediário. Os bichos-grilos não salvaram a Ducal. Pouco depois dessa campanha, a rede entrou em crise e começou a fechar lojas. A última apagou as luzes no começo dos anos 1980. 

domingo, 28 de julho de 2019

Ruth de Souza (1921-2019): o adeus da dama negra


Aos 98 anos, Ruth de Souza sai de cena. Ao longo da sua brilhante trajetória, ela acumulou pioneirismos: foi a primeira atriz negra a atuar no teatro, cinema e TV brasileiros; foi a primeira brasileira indicada a um prêmio internacional de Melhor Atriz (Festival de Veneza, 1954, filme "Sinhá Moça"); foi a primeira atriz brasileira a conquistar bolsa de estudos da Fundação Rockfeller para temporada nos Estados Unidos, onde passou um ano e atuou na peça "Dark of the Moon", de Howard Richardson e William Berney. Ela foi também a primeira negra a se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

E, por último, a primeira negra a sair na capa de uma revista brasileira. No caso, Manchete, em 1953. Dona Ruth foi fotografada por Zigmund Haar. Salomão Scliar fez o ensaio das páginas internas  e Neli Dutra entrevistou a atriz.

Em defesa da liberdade de expressão

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Jogos Pan Americanos: acorda mídia, Lima é escala para Tóquio...

por Niko Bolontrin
Já com algumas competições em andamento acontece, hoje, às 20h30, a cerimônia de abertura dos Jogos Pan Americanos, em Lima, Peru.
Os direitos de transmissão para TV aberta são da Record. A emissora adquiriu o pacote há alguns anos mas, na verdade, nunca soube bem o que fazer com o evento esportivo. Esporte, aliás, não é o forte da rede do 'bispo".
A abertura não será transmitida ao vivo pela emissora dona dos direitos: só entrará no ar quatro horas depois e em versão editada.
Sorte que para aliviar o caixa, a Record cedeu para o Sportv 2 a transmissão em canal por assinatura (também estará disponível no a cabo Record News), o que dá uma opção ao vivo a um universo menor de telespectadores, mas evita que a abertura passe em branco, assim como favorece a cobertura de boa parte das modalidades para as quais a Record aberta não terá tempo.
A mídia em geral falou pouco do Pan até hoje. Provavelmente com o avanço das competições dará mais visibilidade aos Jogos. Embora um tanto esvaziado pelo calendário por coincidir com o Mundial de Esportes Aquáticos na Coréia do Sul e com a preparatório do Mundial de Atletismo em setembro, no Catar, o Pan de Lima tem grande importância para o Brasil por valer como classificação para as Olimpíadas de Tóquio no ano quem vem em pelo menos 22 modalidades. O caminho para Tóquio passa por Lima.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Cinema brasileiro sob ataque: Ancine vai para Brasília sob condução coercitiva e revista Variety noticia a volta da censura


A ideia não é nova. O ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, conduziu um amplo projeto de submissão do cinema à política de governo. A ordem era instrumentalizar a tela para difundir os valores da família, da religião, o nacionalismo, os heróis da pátria, a xenofobia, a posição inferior das mulheres e a qualificação do "inimigo" sempre presente.

A revista Variety comenta a decisão de Bolsonaro de levar a Ancine, a agência que cuida do Fundo Setorial do Audiovisual, principal instrumento para fomento da indústria, para o Palácio do Planalto diretamente sob o controle do executivo. O objetivo da ultradireita é policiar o cinema brasileiro, impor um "filtro", como o governo chama, e na prática controlar ideologicamente o que pode ser filmado.

LEIA A MATÉRIA DA VARIETY, AQUI

Viu isso? Paramount HD acha engraçado o preconceito


O Brasil vive dias em que o politicamente incorreto tem sido exaltado pelos donos do poder político. Mas o canal por assinatura Paramout HD não precisava exagerar. O filme "Tommy Boy" ganhou um título supostamente engraçadinho em português: "Mong & Loide". Uma claríssima alusão ao pejorativo "mongolóide", termo usado para classificar pessoas portadoras da Síndrome de Down. O significado original da palavra remete à raça mongol. Já o "monoglóide", esse que a Paramount incorpora, é xingamento mesmo. Lamentável.

Memória da redação: quando Manchete perdeu a noção da realidade...


Essa edição da Manchete é de 1969. Uma das chamadas de capa é um primor de alheamento editorial. O que levou a revista a perguntar em plena ditadura, pouco depois da decretação do AI-5, "qual a posição do Exército?". Àquela altura, só a Manchete não sabia.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Rio: esse visual Crivella não consegue destruir...

Foto J.E

Não é fácil escapar da incompetência aguda do prefeito Marcelo Crivella e sua equipe de apadrinhados. O Rio está um caos. Apesar de tudo, o visual escapa. Que assim seja, como mostra essa foto, feita a partir das imediações do Quadrado da Urca, há poucos minutos. A foto não é perfeita, o dia de inverno à carioca, sim.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Gisele Bündchen: a defesa da Amazônia


Gisele Bündchen é capa da Elle americana de julho. Ela cada vez mais usa seuprestígio para denunciar a ameaça que paira sobre a Floresta Amazônica.

Do Twitter: políticos nordestinos que apoiam Bolsonaro terão vergonha na cara?

Reprodução do Twitter do jornalista Reinaldo Azevedo

Serenou na capa da Sports Illustrated

 A tenista Serena Williams postou no Instragram a capa que fez para a Sports Illustrated, ensaio assinado por Jeffery Salter, fotógrafo de Miami que é o preferido das celebridades do esporte.

domingo, 21 de julho de 2019

"Easy Rider": o filme que nasceu pra ser selvagem agora é cinquentão...


por José Esmeraldo Gonçalves 

As duas motocicletas que levaram Hollywood de carona direto para a contracultura estão de volta aos cinemas americanos em 400 salas e versão restaurada 4K.

Quando "Easy Rider" ("Sem Destino", no Brasil) foi lançado em 14 de julho de 1969, há 50 anos, as salas americanas exibiam "Hello Dolly", "Airport" e "Patton". O filme custou menos de meio milhão e arrecadaria mais de 250 milhões de dólares, apenas nos Estados Unidos. Na vida real, o que estava em cartaz era a guerra do Vietnã, Charles Manson e o rescaldo tardio das cinzas da era Kennedy. Por aí pode-se imaginar o impacto que a trama causou nas plateias americanas. Talvez duas produções anteriores tenham dado pinta de que Hollywood estava mudando: "Bonnie and Clyde" e  "The Graduate", de 1967, deixaram algumas escoriações no mundo perfeito de "Hello Dolly", mas ainda não eram aquele filme-marginal que faria o público largar a pipoca.

O ronco inconfundível das motocicletas Harley de "Easy Rider" ecoou no conservadorismo ao mesmo tempo em que levou uma geração de jovens americanos desiludidos, que já não acreditavam nos "valores wasp" (branco, anglo-americano e protestante, na sigla em inglês), a se identificar com Wyatt( Peter Fonda) e Billy (Denis Hooper). O envolvimento dos dois atores, aliás, foi muito além de apenas interpretar os personagens principais. Fonda co-escreveu o roteiro, ao lado de Terry Spouthern, e Hopper dirigiu o filme. "Easy Rider" não marcava a estréia de Jack Nicholson, mas foi o papel do advogado pinguço George que lhe deu o status de estrela. Ainda no elenco, Karen Black, Luana Anders, Luke Askew, Toni Basil, Warren Finnerty, Sabrina Scharf e Robert Walker.

Não é exagero dizer que as duas motos também se tornaram superstars. Na verdade, a produção usou quatro Harley-Davidson Hydra-Glides personalizadas. Eram máquinas construídas entre 1949 e 1950 que pertenceram a esquadrões policiais. O filme acabou consagrando a estilo Chopper, caracterzado, entre outras adaptações, pelo garfo alongado e amortecedores dianteiros compridos. A bordo dessas motos desenrola-se a trama. Wyatt e Billy (os nomes eram uma referência a Wyatt Earp e Billy the Kid) vendem uma partida de cocaína e, com o dinheiro, aceleram as motos desde a Califórnia até New Orleans, onde pretendiam curtir a Mardi Gras. Na estrada, cavalgam a metáfora da liberdade, que não deixa de lhes cobrar o alto preço das tensões da América.



As cenas inesquecíveis de Easy Rider se associaram à memória musical. A trilha sonoro é tão explosiva quanto o filme. As motos roncam ao som de "Born to Be Wild", o rock do Steppenwolf, "If 6 was 9", de Jimi Hendrix, "If you want to be a bird", do Santo Modal Rounders, "Don't Bogart Me", do Fraternity of Man ou "Kyrie Eleison", com The Electric Prunes, música religiosa transformada em "viagem" psicodélica, e a única escrita para o filme, "Ballad of Easy Rider", de Roger McGuinn.

"Sem Destino" chegou ao Brasil em janeiro 1970, em plena ditadura. A coisa aqui estava preta, mas o filme não foi vetado. o que não quer dizer que teve vida mansa nas telas. Foi censurado para menores de 18 anos e, na maioria das capitais, ficou em cartaz por apenas uma semana.

Para as gerações que chegaram atrasadas, vem aí a chance de ver "Easy Rider" em 4K, o que significa resolução até melhor do que a original.

VEJA UM TRECHO DO FILME E OUÇA "BORN TO BE WILD", DO STEPPENWOLF, AQUI

sábado, 20 de julho de 2019

Mistério: imagens originais da chegada do homem à Lua desapareceram...



por Flávio Sépia

O Brasil tem fama merecida de não preservar imagens da sua memória. Museus se incendeiam, negativos de filmes se deterioram e arquivos de fotográficos desaparecem. O que existe é graças a abnegados que se dedicam conservar acervos preciosos. Até as pedras lunares que o país recebeu de Richard Nixon sumiram.

Os Estados Unidos, ao contrário, preservam seus arquivos. Mas não todos. Nos últimos dias, você deve ter visto como parte das celebrações dos 50 anos da chegada do homem à Lua a célebre cena de Neil Armstrong descendo a escada do módulo lugar Eagle. É uma reprodução. A site Mashable publica hoje uma matéria sobre o sumiço do tape original. A Nasa designou uma equipe para vasculhar arquivos em busca do material. Não o localizou e concluiu que pode ter se perdido definitivamente ou se deteriorou por ter sido guardado de forma inadequada.

Outra revelação do vídeo do Mashable: as imagens vistas nas televisões do mundo inteiro naquele dia 20 de julho de 1969 não eram, pelo menos diretamente, aquelas captadas pela câmera do módulo Eagle. Por problemas de resolução e codificação na transmissão, a Nasa teve que filmar com uma câmera comum a tela de um dos monitores da sala de comando que recebiam as imagens e assim repassá-la para as televisões.

Acrescento algo que não está no Mashable: as duas Hasselblad que registraram a chegada do homem à Lua, há 50 anos, estão lá até hoje. Logo após Armstrong e Aldrin pisarem no solo lunar, eles retiraram as câmeras do suporte para as filmagens da caminhada. Uma dessas tinha um rolo de filme Kodak fotográfico. Concluído o tour na Lula, os astronautas retiraram filmes e tape e jogaram fora os equipamentos para diminuir o peso da Eagle.

As sete missões da Apollo que foram à Lua largaram 10 Hasselblad na poeira lunar. Se nenhum ET as recolheu, estarão lá à disposição das futuras missões.

É de quem chegar primeiro. 

VEJA O VÍDEO DO MASHABLE SOBRE O DESAPARECIMENTO DAS IMAGENS ORIGINAIS DA CHEGADA DO HOMEM À LUA,
CLIQUE AQUI