sexta-feira, 5 de julho de 2019

Na capa da Veja: operação mãos sujas...


"Perdeu, fotógrafo!" - João Pina fotografou um dos traficantes mais procurados do Rio e saiu ileso. Mas não escapou de alguns veículos da mídia que publicaram sua foto sem crédito. É o que ele desabafa em relato exclusivo à revista Época

A revista Época que está nas bancas publica um ótimo relato do fotógrafo português João Pina. Em 2009, ele fotografou o traficante Fernando Guarabu, morto há pouco mais de uma semana durante operação policial no Morro do Dendê, na Ilha do governador, Rio de Janeiro.

Época deu o devido crédito à foto. Mas não foi o que aconteceu com vários outros jornais, portais digitais e até TV.

Com a intermediação de um pastor evangélico, Pina teve acesso a um dos esconderijos de Guarabu. A matéria foi publicada no New York Times. A imagem principal da série feita então mostra o traficante sentado em um sofá, olhando para a câmera, olha frio, Jesus tatuado no braço, quadro com imagens da bíblia na parede.

A morte do traficante, que era matador profissional, tido como muito cruel, além de procurado por vários outros crimes, levou a mídia ao Google para buscar fotos. E vários veículos importantes, entre jornais, TV e portais digitais, publicaram sem crédito a foto feita por João Pina após uma aproximação que levou dois anos.

Nesse tipo de reportagem, apesar da negociação e dos intermediários, nunca se sabe o que acontecerá. Uma operação policial inesperada, eventual invasão de um bando rival, alguma desconfiança súbita, e a vida do fotógrafo correria sério risco. A foto publicada sem que se atribuísse a autoria a João Pina era acompanhada de vários tipo de "crédito" como "arquivo pessoal" ou até "divulgação". Imaginem um traficantes procurado pelo polícia, que passava a maior parte dos seus dias escondido em bunkers cercado de comparsas, ostentando uma assessoria de divulgação.

No relato que escreveu para a Época, Pina desabafa. Leia trecho abaixo:




LEIA A MATÉRIA DA ÉPOCA, CLIQUE AQUI

quinta-feira, 4 de julho de 2019

The Guardian denuncia: Reino Unido devolve frango brasileiro contaminado e produto vai parar nas "coxinhas" nacionais



Não é só no campo das ideias ultradireitistas e anacrônicas que o Brasil está contaminando o mundo.

The Guardian apurou que, nos últimos dois anos,  o Reino Unido devolveu 1 milhão de frangos contaminados pela bactéria salmonela e mesmo assim exportados pelo agronegócio. O pior: os frangos doentes foram em seguida distribuídos no mercado interno brasileiro um desses pode ter chegado à suam mesa de jantar.

A ministra da Agricultura de Bolsonaro, Teresa Cristina, não deu muita atenção para a denúncia, alegou que salmonela é comestível desde que o frango seja frito, cozido ou assado. Esqueceu de dizer que a contaminação também se dá no manuseio da carne crua, segundo especialistas. Afirmou que só há dois tipos de salmonela são perigosos e que "não comercializamos frango contaminado com essas duas bactérias". A ministra admitiu que o produto foi mesmo devolvido, mas não disse se exames comprovaram que o frango exportado estava contaminado apenas com a bactéria "boa". Segundo o Guardian, testes flagraram contaminação em remessas para os Estados Unidos e para países da Europa:  Holanda, França, Alemanha, Espanha, Itália, Bélgica e Irlanda. Em fase de pregação de "estado mínimo", o Brasil minimiza a fiscalização em várias áreas. A liberação acelerada de agrotóxicos pelo atual governo também vem sendo denunciada na mídia européia, especialmente a da Alemanha.

A matéria repercutiu entre os leitores do Guardian que perguntam porque a Inglaterra ainda compra frango do Brasil,  Outro sugere que as autoridades brasileiras merecem ser cozinhadas. Houve quem lembrasse que crianças são mais vulneráveis à bactéria. E um deles citou o "culpado".




Esse escândalo pode ser um obstáculo a mais para a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que já enfrenta fortes resistências em diversos países cujos Parlamentos ainda deverão aprová-lo.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Fotografia: a França quer saber o que está acontecendo no Brasil... Uma exposição de fotógrafos brasileiros tenta responder

Reprodução/ Rádio França Internacional (link abaixo)

A imagem do Brasil lá fora está em baixa. Somos o país da ultradireita, do desmatamento recorde, do uso indiscriminado de agrotóxicos, do fundamentalismo religioso mandando na política, das milícias, do crime político ("quem mandou matar Marielle"), da VazaJato, da intimidação a jornalistas etc. Mas a cultura ainda tenta nos salvar. Uma exposição na França busca responder à curiosidade internacional em torno do atual Brasil, que é destaque na Fundação Manuel Rivera-Ortiz, com a mostra “What’s going on in Brazil?”, apresentada em Arles pelo coletivo Iandé. Segundo a curadora Iolana Mello, o objetivo foi “tentar mostrar, através do olhar de 12 jovens fotógrafos os rumos atuais do Brasil. Entre os temas abordados estão a questão dos índios, ecologia e LGBT”.
Os fotógrafos que estão na exposição são: Ana Carolina Fernandes, Daniel Marenco, Dayan de Castro, Elsa Leydier, Felipe Fittipaldi, Fran Favero, Janine Moraes, Karime Xavier, Luiz Baltar, Pedro Kuperman, Shinji Nagabe e Simone Rodrigues.
A matéria completa está no site da Rádio França Internacional, AQUI

Fotomemória da redação: a bola do jogo que virou troféu para Masaomi Mochizuki




A Casa do Velho, em São Paulo, é especializada em objetos antigos e colecionáveis. Entre os itens à venda há alguns originados de acervos pessoais. Jornais, caixas de negativos, títulos e carteirinhas de clubes, troféus, mapas, câmeras fotográficas, rádios etc, estão na prateleira. Alguns desses objetos pertenceram a pessoas famosas. 
O repórter Durval Ferreira e o fotógrafo Masaomi Mochizuki, em Tóquio, 1991.
A dupla viajou para contar aos leitores da Manchete o que era o novo Japão em pleno "milagre "econômico.  

Em meio a tantas antiguidades, o site da loja reserva uma surpresa para quem trabalhou na Manchete. Nada menos do que uma bola de futebol que pertenceu ao fotógrafo Masaomi Mochizuki. Entre 1975 e 1976, ele provavelmente conciliou coberturas esportivas com a tarefa de recolher alguns autógrafos. Foi atendido por Roberto Dinamite, Rivelino, Zé Mário e outros craques cujas assinaturas são ilegíveis. A bola autografada está cotada em R$3.500,00, como se vê no site da Casa do Velho.

Demitido - Cartunista coloca Trump jogando golfe sobre corpos de imigrantes e perde o emprego


O cartunista Michael de Adder, que trabalhava há 17 anos no grupo de comunicação canadense New Brunsweek, que edita vários jornais, foi demitido porque desenhou Donald Trump jogando golfe às margens do Rio Grande diante de imigrantes mortos. Na legenda, algo assim: "Importam-se se eu jogar sobre vocês?"

Adder explicou: “Eu tentei mostrar um Trump que ignora a realidade. Na vida real, ele é até mais rude".

A charge foi inspirada na dramática foto de um pai e uma filha salvadorenhos que morreram afogados ao tentarem cruzar o rio que separa o México dos Estados Unidos. Adder quis chamar atenção para o drama dos imigrantes. Muitos entre os que conseguem atravessar a fronteira são detidos e enviados para campos de concentração.

O cartunista postou nas redes sociais a charge proibida, que viralizou.

E a repercussão mundial venceu a censura.

terça-feira, 2 de julho de 2019

GP de Fórmula 1 no Aterro do Flamengo: uma polêmica no grid de largada

Aterro do Flamengo: pista de GP de Fórmula 1. Foto de Alexandre Macieira/Riotur

O Aterro é tombado e a ideia de receber uma corrida da F-1 é polêmica. Mas o cenário seria o mais belo do mundo. Foto de Pedro Kirilos/Riotour. 

Em torno da polêmica sobre a construção de um autódromo no Rio para receber um GP de Fórmula 1, o colunista Ancelmo Góes, do Globo, sugeriu ontem o Aterro do Flamengo como palco de uma eventual prova da categoria.

A ideia não é nova. Em 2009, foi cogitada pela prefeitura a realização de uma corrida da Fórmula Indy no mesmo local. O acordo não prosperou. Vários GPs internacionais são realizados em parques. Assim o Canadá (Île de Notre-Dame, em Montreal), Cingapura (no Marina Bay) e Melbourne (no Albert Park) montam seus circuitos.

O Rio ficou sem autódromo quando ganhou o direito de sediar a Olimpíada de 2016 e a prefeitura usou o terreno para construir o Parque Olímpico, em Jacarepaguá. Em troca, ficou a promessa de  erguer um autódromo em Marechal Deodoro. A nova pista jamais foi construída e o projeto é agora questionado pelo Ministério Público por supostas irregularidades na concessão a empresário privado, além de não ter licença ambiental, já que destruirá área da Mata Atlântica.

Faltaram inteligência e mais critério com verbas públicas aos criadores do Parque Olímpico. Exemplo não faltou. Na mesma época em que o Rio começava a preparar as suas instalações para 2016, a Rússia mostrava o que fazer. Sochi, sede da Olimpíada de Inverno de 2014, construiu seu belo parque olímpico com ginásios e áreas para as diversas modalidade e nos amplos espaços entre as instalações montou a pista que sedia o GP da Rússia. De quebra, no mesmo local, foi erguido o estádio que recebeu jogos da Copa do Mundo 2018.

Circuito da Gávea, 1934, no início da Avenida Niemeyer

Na Marquês de São Vicente. Reprodução
Vale lembrar que entre 1933 e 1954, o Rio tinha o seu GP, corrida internacional disputada nas ruas. Era o Circuito da Gávea que, a partir de 1950, recebeu provas da Fórmula 1.


Os carros percorriam as ruas Marquês de São Vicente, Estrada da Gávea, Avenida Niemeyer, Visconde de Albuquerque, Bartolomeu Mitre, contornando o Morro Dois Irmãos. Manchete (acima) cobriu a prova de 1954.

Transformar o Aterro em pista certamente vai gerar discussão. Os projetistas de circuitos encontrariam uma solução para aproveitar as duas longas retas do parque, com curvas nos retornos. O local é tombado e os jardins de Burle Marx ficariam expostos a danos, mas tecnicamente seriam protegidos. Só a Federação Internacional de Automobilismo e a FOCA (Formula One Constructor´s Association), que controla a Fórmula 1, poderia aferir a qualidade do asfalto, se apto ou não a receber os Mercedes, Ferrari, Renault, RBS etc.

Polêmica teria, caso a ideia fosse em frente. Mas uma coisa é certa: o cenário carioca seria campeão mundial.

Mordillo: o humor faz silêncio

Página de Mordillo na Manchete, em 1973. 

Mordillo - Reprodução

O argentino Guillermo Mordillo tornou-se conhecido no Brasil em 1973 através das revistas Ele Ela e Manchete que publicavam regularmente seus cartuns. Na época, ele morava em Paris e trabalhava para a Paris Match, uma parceira da Manchete. 
A partir de 1976, seus cartuns ilustraram o programa "Planeta dos homens,da Rede Globo
Mordillo morreu no último sábado, aos 86 anos, na Espanha.

domingo, 30 de junho de 2019

Acordo Mercosul-União Europeia: enquanto a mídia brasileira se rende ao ufanismo do governo, jornais da Argentina e da França apontam os pontos polêmicos do tratado comercial




Só para não variar. A mídia neoliberal brasileira repercutiu o acordo Mercosul-União Europeia seguindo tom ufanista oficial, mesmo sem muita informação sobre os detalhes e os impactos da abertura entre mercados tão desiguais. As primeiras análises são desonestas porque não cumprem uma norma básica do jornalismo: a crítica e a correta identificação das eventuais desvantagens. Os editores e colunistas preferiram apontar só as possíveis vantagens que, na leitura apressada que fizeram do que foi liberado pelos negociadores, virão até 2035. A visão que levaram aos leitores foi a oficial. E só.

Já alguns jornais argentinos e franceses, mesmo os veículos conservadores, evitaram a subserviência editorial em relação aos seus governos.

O Página 12, de Buenos Aires,  registra preocupações com o impacto negativo que o acordo terá sobre os sistemas produtivos da região. E informa que 20 centrais sindicais da Argentina, Brasil, Chile (membro associado), Bolívia, Paraguai, Uruguai e Venezuela (suspensa) protestam contra falta de transparência e a "caixa preta" das negociações - já que apenas certos itens são conhecidos - de um tratado comercial que "decreta a morte da indústria regional, do trabalho decente e do emprego de qualidade". As primeiras avaliações mostram que serão afetados setores como de tecnologia, de navegação fluvial e marítima, de obras públicas, compras dos Estados, laboratórios farmacêuticos, indústria automotriz, além de importantes nichos das economias regionais dos países do Mercosul. Um ponto já claro: itens do acordo liberam exportações agropecuárias para a Europa, enquanto abrem o Mercosul para produtos industriais com valor agregado. As centrais sindicais temem desemprego massivo no setor. Outra crítica: o Mercosul nem se dignou a fazer estudos completos, com participação da sociedade, sobre o impacto do acordo.

Le Monde reconhece que a União Européia conclui um acordo comercial controverso com o Mercosul, por preocupar agricultores e ambientalistas. Mas cita textualmente Emmanuel Macron para avaliar que o "lado bom é que as preocupações da França foram totalmente tomadas em consideração". Aspas bem reveladoras.

O acordo levou 20 anos para ser assinado. Não por acaso, só o foi quando os presidentes do Brasil, Argentina e Paraguai, identificados com a direita, lideraram um colossal espacate, o passo do balé no qual as pernas se arreganham e se abrem em 180 graus.

O acordo ainda deverá ser aprovado pelos parlamentos dos países membros. Agricultores franceses, parlamentares europeus, ambientalistas, trabalhadores e empreendedores dos setores atingidos do  Brasil e do Cone Sul prometem reagir.

sábado, 29 de junho de 2019

Angelina Jolie é a nova editora-contribuinte da revista Time. Na primeira reportagem, ela questiona políticos que são eleitos com promessa de reprimir refugiados




A partir da edição que está nas bancas dos Estados Unidos e no site da revista, Angelina Jolie estréia como a nova editora-contribuinte da Time. A primeira matéria é sobre famílias de refugiados do Sudão do Sul. A atriz e ativista é enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

"Quem vem à mente quando você imagina um refugiado? Você provavelmente não imagina um europeu. Mas se você fosse filho da Segunda Guerra Mundial e perguntasse a seus pais o que era um refugiado, eles provavelmente teriam descrito alguém da Europa. Mais de 40 milhões de europeus foram deslocados pela guerra. A Agência de Refugiados da ONU foi criada para eles. Nós esquecemos disso. A atitude de alguns dos líderes que proferem a mais dura retórica contra os refugiados hoje remete ao passado de países que já passaram por experiências trágicas de refugiados e foram ajudados pela comunidade internacional". 

Ao primeiro sinal de conflito armado ou perseguição, a resposta humana natural é tentar tirar seus filhos do perigo. Ameaçadas por bombas, estupros em massa ou esquadrões de assassinato, as pessoas juntam o pouco que podem carregar e buscam segurança. Refugiados são pessoas que escolheram deixar um conflito. Eles puxam a si mesmos e suas famílias através da guerra, e freqüentemente ajudam a reconstruir seus países. Estas são qualidades a serem admiradas.
Por que então a palavra refugiado adquiriu conotações tão negativas em nossos tempos? Por que os políticos são eleitos com promessas de fechar as fronteiras e recusar os refugiados?"

Essa é abertura da reportagem de Angelina Jolie. Dá o que pensar nesses tempos de fanatismo neofascista.

O TEXTO COMPLETO ESTÁ NA TIME AQUI

Diálogos do porão: The Intercept Brasil revela novo capítulo do escândalo VazaJato. Dessa vez, procuradora da força-tarefa diz que Moro "viola sempre o sistema acusatório"


Trecho dos diálogos dos procuradores revelados por Intercept Brasil na Parte 8 do conjunto de mensagens vazadas.
LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO INTERCEPT BRASIL, CLIQUE AQUI

sexta-feira, 28 de junho de 2019

ABI retoma liderança pela Democracia: Pagê é o novo presidente

(do site da Associação Brasileira de Imprensa) 

Em votação histórica- com a participação de 390 sócios, o maior quórum dos últimos anos – a Chapa 2 – ABI: Luta pela Democracia conquistou, nesta sexta-feira, 27/06,  56,6% dos votos e comandará a centenária Associação Brasileira de Imprensa (ABI) até 2022.

Ex-vice-presidente da entidade até dia 13 de maio, o jornalista Paulo Jerônimo de Sousa, o Pagê, de 81 anos, venceu com 221 votos Domingos Meirelles, 79, que dirigia a ‘Casa do Jornalista’ desde 2013.

Com a Chapa 1 – ABI Para Todos, Meirelles teve 97 votos. Washington Machado, que disputava a presidência pela chapa 3 – Barbosa Lima Sobrinho, recebeu 68 votos e ficou em terceiro lugar.

A eleição na ABI foi marcada por disputas judiciais que começaram antes de iniciado o processo eleitoral, em fevereiro deste ano, para que a oposição obtivesse a relação de sócios da entidade.

Inicialmente marcada para 26 de abril, um primeiro pleito ocorreu somente em 16 de maio, mas até hoje os 256 votos depositados naquele dia estão acautelados judicialmente.

Em meio às várias batalhas  judiciais, a campanha da chapa 2 teve como principal mote a defesa da democracia e da liberdade de imprensa, sob ameaça no atual governo.

A chapa comandada por Pagê, que tem como vice-presidente Cid Benjamin, promete resgatar o papel que a ABI sempre teve junto à sociedade brasileira:

 “O objetivo da chapa vencedora é resgatar o protagonismo da ABI, que nos últimos anos se viu desprestigiada como nunca havia acontecido nos seus 111 anos de existência. Nossa primeira providência será promover as antigas parcerias com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Clube de Engenharia, incorporando novas entidades da sociedade civil como Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia (ABJD) e Associação Juízes para a Democracia (AJD).

Pagê anuncia ainda a intransigente defesa que a ABI protagonizará em torno da liberdade de imprensa e do respeito ao trabalho do jornalista. Com esse objetivo, ele diz que a nova diretoria irá buscar um trabalho conjunto com entidades tradicionais da categoria, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os diversos sindicatos da categoria, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Artigo 19 e o Instituto Vladimir Herzog.

“Buscaremos essas parcerias para criar uma verdadeira trincheira em defesa da democracia e da liberdade de imprensa, ambas bastante ameaçadas atualmente”.

Chapa vencedora



LEIA NO SITE DA ABI, AQUI

O voo do Aerococa, o crime do Sargento Mula e a imagem do Brasil virando pó



Quando a polícia espanhola flagrou os 39 kg de cocaína traficados por um militar no voo de um dos aviões presidenciais não sabia que o fato policial era ali um mero detalhe.

O que saiu da mala do sargento foi a nova imagem do Brasil onde organizações criminosas ganham status institucional e mostram que não apenas podem eleger políticos mas são capazes de ocupar espaços que deveriam ser tão reservados como um dos aviões oficiais a caminho de uma reunião do G20.

É improvável que o militar traficante agisse por conta própria, bancando a compra da cocaína e gerenciando a venda no exterior de um produto cotado, segundo a polícia espanhola, em mais de 1,3 milhões de euros ou mais de R$6 milhões. Uma cotação que pode subir ainda mais quando for aferido o grau de pureza da cocaína transportada pelo Aerococa, como as redes sociais e a mídia internacional apelidaram o jato da comitiva oficial.

A aparente ousadia do traficante foi tamanha que estaria prevista a sua volta ao Brasil no mesmo avião que traria Jair Bolsonaro. Nesse caso, o militar deveria vir com a mala cheia dos euros captados na sua missão criminosa.

Pablo Escobar, que planejou controlar o Congresso e a Presidência da Colômbia, em uma conspiração que não se consumou totalmente, jamais imaginou que um brasileiro poria finalmente em prática sua sonhada parceria público-privada.

O Sargento Mula não gastou sequer o preço da passagem aérea e ainda tinha salário e diárias pagas pelo governo. Em resumo, os contribuintes foram parceiros involuntários desse  'Narcos" à brasileira.

Normalmente, como mostram documentários do tipo reality show sobre o trabalho dos agentes em aeroportos espanhóis, a polícia oferece ao traficante detido, e isso logo no momento da detenção, a chance de reduzir a pena caso se disponha a colaborar. O Sargento Mula poderia, se quisesse, indicar seu contato para entrega da "mercadoria" ou apontar quem eventualmente o esperava no aeroporto de Sevilha ou em Osaka, caso a droga seguisse viagem no próximo voo da comitiva brasileira. Tudo indica que ele abriu mão dessa oportunidade.

New York Times inclui o documentário de Petra Costa, "Democracia em Vertigem", na lista do melhores do ano



por Ed Sá 

O New YorkTimes incluiu na seleção dos melhores filmes do semestre "Edge of Democracy", de Petra Costa, o documentário que revisa com indignação o Brasil imediatamente antes e depois do golpe parlamentar-midiático-jurídico que derrubou a presidente eleita Dilma Rousseff. A ascensão de Michel Temer, a condenação sem provas do ex-presidente Lula e a volta da política autoritária de direita caracterizada no governo de Jair Bolsonaro completam a visão crítica dos acontecimentos que levara o país ao retrocesso atual .

"The Edge of Democracy”, ("Democracia em Vertigem) documentário novo e esclarecedor de Petra Costa, conta a história de triunfo político da esquerda a partir da perspectiva de suas consequências. (...) O atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é um admirador da antiga ditadura e parte de uma tendência global em direção ao populismo autoritário e antiliberal que floresce atualmente nas Filipinas, na Hungria e em muitos outros países.O que aconteceu? A questão assombra esse filme e provavelmente assombrará muitos de seus espectadores, onde quer que estejam assistindo. Embora seja uma investigadora escrupulosa e obstinada de fatos ocultos e uma intérprete ponderada de eventos públicos, Costa não produziu um trabalho de jornalismo objetivo ou estudos acadêmicos destacados, mas sim uma avaliação pessoal do passado e do presente de sua nação. “The Edge of Democracy” é narrado em primeira pessoa, pela própria cineasta (em inglês na versão em análise, que está sendo transmitida pela Netflix) em uma voz que é, por sua vez, incrédula, indignada e auto-questionadora. É uma crônica da traição cívica e do abuso de poder, e também de desgosto", analisa o NYT.

Em entrevista recente, a diretora Petra Costa lamentou que o documentário não inclua - obviamente porque foi finalizado bem antes - o escândalo da VazaJato, a série de mensagens reveladas pelo Intercept Brasil onde o então juiz Sergio Moro, embora responsável pelos julgamentos na  Lava Jato, em Curitiba, se mostra uma espécie de coordenador das investigações junto ao MPF, orientando ações e até indicando testemunhas, o que, segundo muitos juristas, configura uma flagrante ilegalidade processual.

A conclusão é que as elites brasileiras sempre surpreendem: quando se pensa que já praticaram toda espécie de embustes, elas levantam a barra e mostram que podem mais.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Copa da França: jogadora da seleção americana protesta contra violência racial e políticas supremacistas de Donald Trump

Em protesto contra o racismo nos Estados Unidos, Megan Rapinoe se ajoelha durante o hino americano.
Foto: Reprodução Instagram
por Niko Bolontrin 

A mídia norte-americana repercute o gesto da jogadora Megan Rapinoe da seleção feminina dos Estados Unidos, que se ajoelhou durante o hino para protestar contra Donald Trump, especialmente em repúdio ao aumento dos casos de violência racial e de opressão a minorias incentivadas pelo discurso supremacista do oligarca.

Em reação, a direção da seleção passou a exigir que as atletas permaneçam de pé durante o cerimonial antes dos jogos da Copa da França. Megan, então, não se ajoelha, mas não canta o hino e não coloca a mão no peito.

Trump ficou irritado, criticou a jogadora e pediu mais sais na banheira da sua suite na Casa Branca. Ele disse ao portal The Hill que discorda de Rapinoe. A atleta, por sua vez, declarou que se inspirou em Colin Kaepernick, o jogador do San Francisco 49ers que iniciou esse tipo de protesto.

Fórmula 1 no Rio: em meio à polêmica do novo autódromo, o meio ambiente sai perdendo...

Simulação do projeto que ocupará área verde. Reprodução
Imagem do Google Earh mostra a Floresta do Camboatá, em Deodoro, área remanescente da Mata Atlântica.
Reprodução
A anunciada construção de um autódromo em Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, é uma das trapalhadas que o Rio de Janeiro herdou da Olimpíada. Herdou o erro que os governos estadual e federal e municipal agora encampam.

O local escolhido para construção da nova pista abriga a Floresta do Camboatá, a última reserva urbana e plana da Mata Atlântica  na cidade. Além disso, elimina o verde em uma região carente de matas. Obviamente, haveria outros terrenos para a construção da pista.

E o que o estado tem a ver com isso? Se as contas públicas estão críticas, se falta dinheiro para escolas e hospitais e se a privatização é a palavra de ordem, que se licencie o empreendimento para que um empresário compre o terreno e construa o autódromo à margem da Via Dutra, por exemplo, ou na ponta dos ramais ferroviários. Não tem sentido o estado entrar em uma obra particular - sob o engodo de parceria que acaba se tornando, como tantas outras, mais pública do que privada, ainda mais uma que acaba com uma reserva - enquanto vende na "black friday" muitos dos seus bens exatamente sob o argumento de que setor público deve ser concentrar nas suas finalidades.

A consciência ambiental na Europa é, como se sabe, acentuada. Quem sabe os verdes e consumidores em geral da Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Áustria, sedes de equipes como Mercedes, Renault, Ferrari, Aston Martin e Red Bull, denunciem o desprezo pelo meio ambiente e pressionem as marcas para um boicote ao autódromo do Rio. É a esperança que resta. Ou, pelo menos, que essa briga São Paulo vença.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

FENAJ exige apuração dos assassinatos de jornalistas ocorridos em Maricá (RJ)



A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) expressa seu mais veemente repúdio ao assassinato do jornalista Romário da Silva Barros, do site de notícias Lei Seca Maricá, ocorrido na noite de terça-feira, 18. Ele foi executado com três tiros na cabeça, no bairro de Araçatuba, ao voltar ao seu carro, depois de caminhar na orla do bairro.

Romário foi o segundo jornalista assassinado em Maricá, em menos de um mês. Na noite do dia 25 de maio, Robson Giorno, do jornal O Maricá, foi morto a tiros, disparados por um homem encapuzado, na porta de sua residência, Assim como o assassinato de Robson Giorno, é evidente que Romário também foi vítima de um crime premeditado, configurando uma execução.

A investigação de ambos os assassinatos deve ter como ponto de partida o exercício profissional e é preciso empenho para que os culpados sejam identificados e punidos. Exigimos das autoridades competentes celeridade na apuração dos casos, para que a população de Maricá e, em especial, os familiares dos jornalistas e a categoria possam ter uma resposta do Estado.

A FENAJ lembra que a maior parte dos assassinatos de jornalistas fica impune e que a impunidade é o combustível da violência contra os profissionais.

A entidade máxima de representação dos jornalistas lembra ainda que toda violência contra os profissionais caracteriza-se como atentado à liberdade de imprensa e, consequentemente, como cerceamento ao direito do cidadão e da cidadã brasileiros de ter acesso à informação jornalística.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

FENAJ volta à direção da Federação Internacional dos Jornalistas

A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ, por sua sigla em português) elegeu sua nova diretoria para o período de 2019-2022, em congresso mundial, realizado em Túnis (Tunísia), de 11 a 14 de junho. O jornalista marroquino Younes M´Jahed foi eleito presidente. Também foram eleitos para o Comitê Administrativo a jornalista peruana Zuliana Lainez (vice-presidente Sênior), Sabina Inderjit (Índia) e Timur Shaffir (Rússia), para as duas vices-presidências regulares, e o inglês Jim Boumelha, para o cargo de tesoureiro.

A FENAJ voltou a direção da FIJ, após um mandato ausente. A presidenta Maria José Braga foi eleita para integrar o Comitê Executivo, composto por 16 membros, de todas as regiões do planeta. Além da presidenta da FENAJ, integram o Comitê Executivo: Nasser Abubaker (Palestina), Moauad Allami (Iraque), Paco Audie (Espanha), Sofia Branco (Portugal), Ian Chen (Taiwan), Maria Luisa de Carvalho (Angola), Zied Dabbar (Tunisia), Larry Goldbetter (USA), Adriana Hurtado (Colômbia), Raffaele Lorusso (Itália), Filemon Medina (Panamá), Jennifer Moreau (Canadá), Paul Murphy (Austrália), Dominique Pradalié (França) e Omar Faruk Osman (Somália).

Maria José disse que a presença FENAJ na direção da FIJ é importante para o Brasil e para a América Latina. "Nas últimas décadas, participamos ativamente do movimento sindical internacional dos jornalistas e estivemos nas direções da FIJ, da Federação de Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc, por sua sigla em espanhol), e da Federação Latino-Americana de Jornalistas (Felap, também por sua sigla em espanhol). Temos contribuído para o debate e para as ações", avalia.

Resoluções

Além de eleger a nova diretoria da FIJ, o congresso internacional aprovou um novo Código Mundial de Ética dos Jornalistas e dezenas de moções (resoluções), contendo propostas de trabalho para a FIJ e suas entidades filiadas.  Entre as resoluções, destaca-se o apoio à Convenção Internacional sobre a Segurança e Independência dos Jornalistas de outros Profissionais da Comunicação, em discussão no âmbito da ONU.

Outras diversas moções aprovadas trataram do tema da segurança dos jornalistas, inclusive uma moção apresentada pela FENAJ, que propôs a criação de um observatório internacional para a denúncia permanente dos casos de violência contra jornalistas. Foram aprovadas também moções que trataram do fortalecimento do trabalho sindical, com sugestões de medidas para o combate à precarização das relações de trabalho e para a valorização dos jornalistas.

A FENAJ apresentou ainda uma moção de urgência (apresentada diretamente ao congresso internacional), pedindo a solidariedade internacional para a defesa da democracia e do estado democrático de direito no Brasil. A moção, que denunciou a condenação sem provas do ex-presidente Lula e pediu sua imediata libertação, foi aprovada.

A delegação Brasileira ao Congresso de Túnis foi composta pelos dirigentes Ayoub Hanna Ayoub, Beth Costa, Celso Augusto Schröder, Paulo Zocchi e Maria José Braga.

Fonte; Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro