domingo, 23 de junho de 2019

Glória Maria na Noruega viralizou na web...


Na capa da Vogue, a bola está com Marta


Fotomemória: uma lente sobre os caminhos de Chico Buarque. Por Guina Araújo Ramos

por Guina Araújo Ramos (do blog Bonecos da História)

No dia 19 de Junho de 2019, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais no Brasil foi o aniversário de 75 anos de Chico Buarque. Parece que a grande maioria dos brasileiros se sente um pouco amigo de infância de Chico Buarque, até porque há muita História nisso... Eu, por exemplo, comecei a me interessar por Chico Buarque de Hollanda por volta dos meus 15 anos de idade, meados da década de 1960. O primeiro motivo foi, certamente, o espanto que me causou a música “Pedro Pedreiro”, com a sua estranha letra, meio minimalista na forma e meio absoluta no conteúdo.


Chico Buarque, Canecão, Rio - Foto: Guina Araújo Ramos, 1993

Pouco depois, lá estava ele nos “festivais da canção”, com praças e sabiás, quase sempre ganhando, sempre se destacando, aparecendo de forma brilhante naquele belo momento da cultura musical brasileira, já na defesa de uma produção musical independente em relação à poderosa indústria cultural americana, este poder que vinha de longe no país e que, nas décadas seguintes, o dominaria completamente.


Chico Buarque - Rio, 1978 - Foto Guina Araújo Ramos
Ainda nesse tempo, no conturbado ano de 1968, me envolvi com um dos seus belos produtos musicais, embora sobre texto alheio: participei da montagem de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto, realizada pelo grupo de jovens da igreja de São Geraldo, no subúrbio carioca de Olaria, com Perfeito Fortuna no papel principal, e desde logo me ficou evidente que a música de Chico Buarque dava trabalho...
Envolvido com a sua obra, de certo modo o acompanhei (e a Marieta Severo) em seus tempos de exílio romano, vítimas todos nós da imbecilizante violência social imposta pela ditadura civil-militar do Golpe de 1964, ancorada, a partir de 1968, no AI-5, o maior asfixiador cultural que o Brasil já sofreu.
No final da década de 1970, então, é que minha trajetória profissional ganha, pretensiosamente, um ponto de contato tangencial à dele. No que entrei para a Bloch Editores, em 1977, e passei a fotografar para suas coloridas revistas, eis que, um dia (digo, uma noite) lá fui eu fotografar um show de Chico Buarque. Não tenho mais nenhum registro de quando e onde, mas tenho quase certeza de foi em 1978 e no Canecão. Nos meus sofridos arquivos, restou apenas uma foto, um slide, que recuperei até onde foi possível. Ainda neste período, em aproximação indireta, fotografei, em 1978, a primeira montagem da Ópera do Malandro, no Teatro Ginástico, no Centro do Rio, mas disso não tenho fotos.


Chico Buarque chega ao Ato - Lapa, Rio - Foto Guina Araújo Ramos, 2018

Só voltamos a nos encontrar pessoalmente quando Chico Buarque, retornando aos palcos, iniciou a temporada do show com as músicas do disco Paratodos, em 1993, de acordo com as parcas anotações nas minhas fotos. De novo, a convicção é de que este encontro aconteceu (embora não garanta e nem consegui confirmar) no Canecão, à época o mais importante palco musical do Rio de Janeiro, ele no palco, eu no “gargarejo”, entre as mesas da plateia e beira do palco... Destas fotos (para também não sei mais qual empresa jornalística) ficaram algumas sobras, também muito desgastadas pelo tempo.



Chico Buarque e Marieta Severo - Lapa, RioFoto Guina Araújo Ramos, 2018

Longas parábolas mútuas nos separaram no tempo. Apenas fotograficamente, é óbvio, que sempre diziam que jogava futebol (nisso, nunca achei que fosse tão bom assim) e que cada vez ficava melhor a sua impressionante obra, ampliada da Música e do Teatro para a Literatura, e logo para o Cinema. Nesse período, creio que o melhor exemplo do grau de criatividade que atingiu e que reconheci ficou marcada na preciosidade do livro e filme “Budapeste”.



Chico Buarque no Ato da Virada - Lapa, RioFoto Guina Araújo Ramos, 2018
Este reencontro, porém, ocorreu em outro tipo de espaço, não mais no palco da música, mas no da política. Entre tantas presenças marcantes na Lapa, Rio de Janeiro, em 23/10/2018, no chamado “Ato da Virada, Brasil pela Democracia”, na prática o derradeiro comício da campanha de Fernando Haddad à Presidência da República, lá estávamos nós, 25 anos depois: o mesmo Chico Buarque, agora mais curtido, mais grave, sempre lúcido, sempre combativo, exemplo de cidadão na defesa da democracia brasileira, e eu, já aposentado como fotojornalista, mas sempre disposto a registrar em fotos as minhas vivências.
Além da admiração pela sua postura política justa e serena,aumenta cada vez mais uma profunda admiração pela obra musical e literária, acima da média do panorama cultural brasileiro, em quantidade e qualidade. Não por acaso, Chico Buarque volta às mídias neste ano de 2019, ao ganhar, merecidamente, o Prêmio Camões de Literatura, para alegria de portugueses e brasileiros.
Não sei comparar, mas, se vamos por aí e se o Prêmio Nobel de Literatura de 2016 levou em consideração apenas as letras das canções do cantor e compositor Bob Dylan, estou desconfiado que Chico Buarque de Hollanda tem boas chances, embora se fale nas possibilidades de Lula, de ganhar neste ano mesmo o nosso primeiro e tão demorado Prêmio Nobel...

    Em parceria com Intercept Brasil, Folha turbina escândalo da VazaJato

    Folha de São Paulo 

    sábado, 22 de junho de 2019

    Capa de jornal e certos closes da TV incomodam jogadoras da Copa de Futebol Feminino



    por Jean-Paul Lagarride 

    A recente capa do jornal satírico Charlie Hebdo continua repercutindo mal entre as jogadoras que participam da Copa do Mundo de Futebol Feminino, na França. Sexismo e preconceito são os rótulos mínimos que algumas atletas atribuem à ilustração escolhida, inspirada no famoso quadro "A Origem do Mundo", de Gustavo Courbet. Na chamada, algo como "nós vamos comer por um mês". Há reclamações por parte de feministas sobre determinados ângulos e closes da TV considerados inadequados.

    Celulares estão sumindo. UFOS abduzem aparelhos...

    por O.V. Pochê

    Ao ler o noticiário das últimas semanas sou obrigado a concluir que o Brasil vive uma estranha epidemia de sumiço de celulares. É preciso providências urgentes de Agência Brasileira de Inteligência para desvendar o fenômeno.

    Estariam os celulares sendo abduzidos? Uma potência estrangeira tem sequestrado os aparelhos? Os adeptos da Terra Plana quem eliminar o GPS e o Google Maps do acessório? Seriam "coisa do diabo" para religiosos fundamentalistas e daí o exorcismo tecnológico?

    Seja lá o que for, o problema pode se tornar de segurança nacional.

    Najila Trindade, que acusa Neymar de estupro, perdeu um celular e um tablet.

    A família do pastor Anderson do Carmo, casado com a deputada evangélica Flodelis e assassinado em São Gonçalo (RJ), não encontra o celular de um dos filhos do casal, precisamente o que confessou ter matado o pai. Também estaria desaparecido o celular do próprio pastor.

    Por último, os celulares dos protagonistas do escândalo da VazaJato também em se encontram locais incertos e não sabidos. Os aparelhos que deveriam guardar os conteúdos das conversas por meio do aplicativo Telegram dão sinais de mistério. Entre os envolvidos, há quem diga que os arquivos foram apagados, outro diz que o seu aparelho era rudimentar, com pouco memória. Os participantes dos polêmicos diálogos revelados pelo site Intercept Brasil negam as conversas mas não apresentam os celulares que poderiam confirmar suas defesas.  Ou seja; também estão virtualmente sumidos.

    Um conselho: se você não tiver nada a esconder, ative o localizados do seu celular. Fica mais fácil encontrá-lo em caso de abdução, desaparecimento e evaporação.

    Porteiro não voa mais. Cabine de avião volta a ser área vip e deixa elite feliz


    Em 2012, uma colunista comentou que viajar de avião tornara-se atividade "perigosa". E não por medo de acidentes. Segundo ela escreveu, ir a Paris e Nova York perdera a graça diante do perigo de dar de cara com o porteiro do próprio prédio.

    Com melhor poder aquisitivo, mais empregos, construção civil em alta, salário ainda mínimo mas corrigido acima da inflação, aposentadorias igualmente irrisórias mas reajustadas com pequena margem, e obras de infraestrutura em andamento em várias regiões com abertura de milhares de postos de trabalho, parcela expressiva da população brasileira fazia check in. Em consequência aviões e aeroportos lotados incomodaram a elite viajante.

    Para os abonados, os bons tempos voltaram. Os porteiros não voam mais.

    A crise e os preços cartelizados em níveis absurdos (a depender do momento da compra uma passagem da ponte-aérea Rio-São Paulo alcança tarifas intercontinentais) levam milhares de passageiros dos percursos de média e longa distância de volta aos ônibus.

    O Globo de hoje publica matéria sobre o assunto, admite a crise, tenta relativizá-la com a derrocada da Avianca, comenta o preço das passagens mas obviamente evita críticas às empresas aéreas e à ausência de concorrência.

    Os porteiros perderam as asas.

    sexta-feira, 21 de junho de 2019

    Le Monde: Chico Buarque fala sobre a cultura de ódio no Brasil de hoje

    Algo como "Uma cultura de ódio se espalhou pelo Brasil" é o título que Le Monde dá a uma entrevista com Chico Buarque publicada hoje.

    O cantor fala sobre a situação do Brasil sob o regime Bolsonaro. Segundo o jornal francês, "com uma sinceridade muitas vezes tingida de tristeza".

    Le Monde pergunta ao brasileiro porque solicitou à França um visto de longa duração e se esse é um "novo exílio".

    Chico explica:

    - "Minha situação atual é muito diferente da de 1969. Não estou no exílio hoje. Estou aqui escrevendo, trabalhando em Paris, como faço quando escrevo normalmente. Simplesmente aqui, em Paris, estou mais quieto. Eu tenho mais tempo, por exemplo, para me concentrar em escrever um livro que comecei no início deste ano.

    Sobre o desprezo do governo pela cultura, ele comenta:

    - "Hoje, artistas e atores culturais no Brasil não são bem-vindos nem bem vistos pelo governo, mas não há perseguição policial como em 1969. No entanto, existem ameaças, não necessariamente contra os artistas. mas contra a esquerda em geral, gays, minorias, mulheres. Uma cultura de ódio se espalhou para o Brasil de uma maneira impressionante. Este ódio é alimentado pelo novo poder, o presidente, sua comitiva, seus filhos, seus ministros ... Eles desacreditam os artistas, a quem eles consideram ser bom para nada. Cultura não tem valor em seus olhos. Dito isso, quero continuar morando no Brasil, não quero morar longe do meu país".


    Colunista conta como foi estuprada por Donald Trump


    A colunista E. Jean Carroll, especializada em dicas de estilo, etiqueta e comportamento, conta à revista New York como Donald Trump a estuprou com violência em meados dos anos 1990.

    O ataque aconteceu em um vestiário da loja Bergdorf Goodman.

    Carrol é a 16ª mulher a acusar de assédio sexual o atual presidente dos Estados Unidos

    Segundo ela, Trump a reconheceu como colunista, alegou que estava comprando lingerie para uma mulher e precisava de conselhos. Carroll, então com 56 anos, o acompanhou, mas ao chegar ao departamento ele a trancou em um camarim e partiu para o ataque.


    E.Jean Carroll lança o livro “What Do We Need Men For? A Modest Proposal,” onde revela os detalhes: Trump forçou beijos e prendeu a colunista contra a parede. Apesar de lutar muito, ela conta que foi penetrada antes de conseguir abrir a porta e escapar.

    A Casa Branca declarou à New York que a história é falsa. À mesma revista, dois amigos de Carrol confirmaram lembrar do incidente.

    A colunista afirma que não denunciou o estupro na época porque teve medo.

    domingo, 16 de junho de 2019

    Já viu? Melô do Moro no Zorra Total


    VEJA O VIDEO, CLIQUE AQUI

    Franco Zefirelli foi personagem da ópera da Rua do Russell

    Zefirelli em 1987, com Bambina: passageiros da Kombi de reportagem da Manchete.
    Foto de Rauf Tauile. Reprodução

    Em 1978, Manchete levou Zefirelli ao Theatro Municipal. Foto de José Moure. Reprodução

    O diretor ficou fascinado pelo Municipal onde, um ano depois, encenou A Traviata.
    Foto de José Moure. Reprodução

    Zefirelli na mesa de luz da redação, ao lado Roberto Mugiatti e Carlos Heitor Cony. O diretor era figurinha fácil na Manchete onde ganhou um apelido irreverente e para consumo interno: "Tia Zefa". 

    por Ed Sá 

    Durante alguns anos, Franco Zefirelli foi figurinha fácil nos corredores do prédio da Manchete, no Russell.

    Essa aproximação se deu a partir de 1978, quando Adolpho Bloch foi presidente da Funterj e convidou o diretor o italiano para montar A Traviata no Theatro Municipal. Desde então, sempre que vinha ao Rio, Zefirelli visitava a Manchete.

    No livro Aconteceu na Manchete - as histórias que ninguém contou, a coletânea lançada por jornalistas e fotógrafos que trabalharam na Bloch, Roberto Muggiati conta que uma das vindas do cineasta provocou um pequeno incidente no Russell. "A nova mulher de um grande empresário do ramo editorial italiano tinha pretensões de tornar-se diva e veio ao Rio para assediar Zefirelli, que rodava pela cidade com sua cadelinha Bambina na Kombi da reportagem da Manchete. A aspirante a Callas conseguiu finalmente um teste, mas precisava de um piano para ensaiar. Adolpho, que se encantou menos pela voz da moça do que pelo "conjunto da obra", pôs à sua disposição o piano do décimo andar, um Steinway de cauda. Era um pretexto para encontrá-la a sós, ao redor do piano, onde havia uma profusão de almofadas e sofás. Deu instruções precisas para que o avisassem quando a jovem chegasse ao prédio. O chefe da portaria na época era um português baixote, seu Álvaro, um dos muitos enjeitados da Revolução dos Cravos que Adolpho adotou. Apelidado de Topo Giggio, Álvaro, metido a conhecer mil e uma línguas, não teve dúvidas quando chegou uma gringa falando arrevesado: mandou-a subir e avisou Adolpho. Ao chegar ao décimo andar, ele teve um choque: a estrangeira era uma professora sessentona de Milwaukee que queria conhecer a Pinacoteca de Arte Brasileira da Manchete no segundo andar. A gafe valeu ao Topo Giggio a destituição do posto", escreveu o ex-diretor da revista Manchete.

    Voltando a Zefirelli, ele não frequentava apenas os corredores do prédio, como era personagem recorrente de muitas matérias na revista, especialmente entre 1978 e 1987.

    Para os redatores da Manchete, em tempos nada politicamente corretos, o diretor de "Romeu e Julieta", "Jesus de Nazaré", "Amor sem Fim", entre outros filmes, era a Tia Zefa, Claro que esse apelido era pronunciado apenas nas "internas" - "lá vem Tia Zefa", "cadê o texto da Tia Zefa",  "Adolpho que ver as fotos da Tia Zefa"...

    O florentino Franco Zefirelli morreu ontem, em Roma, aos 96 anos, sem desconfiar da alcunha caroca e muito menos de que os loucos bastidores da Manchete que frequentou teriam rendido a ópera que ele não fez.

    Copa América: Brasil sonolento, Messi triste, ingressos caros e a repórter-musa

    por Niko Bolontrin 

    É possível extrair alguns destaques dos primeiros momentos da Copa América.

    * O alto preço dos ingressos afasta dos estádios o povão.

    * O calvário da seleção argentina e do seu maior craque, o Messi. Uma rotina nas últimas competições.

    * O medíocre primeiro tempo da seleção brasileira contra a fraca Bolívia.

    * O vídeo do torcedor que dormia profundamente enquanto a seleção de Tite andava em campo. No primeiro tempo, o único acordado em Richarlison.

    * A declaração de Filipe Luís em coletiva: "Infelizmente não podemos disputar a Eurocopa, um torneio que tem muito mais glamour". A frase mostra que a Copa América é um peso. Filipe Luís, pelo menos, gostaria de estar jogando as Eliminatórias da Eurocopa. Vai ficar ainda mais difícil. Nem se fosse naturalizado. O jogador encerrou seu contrato com o Atlético de Madri e viria para o Flamengo, são os rumores.

    * A consistência do time colombiano. Vai dar trabalho.

    Melissa Martinez - Reprodução Instagram

    * E, por falar em Colômbia, chamou atenção no Morumbi, no jogo de abertura, a movimentação da repórter Melissa Martinez, da Fox colombiana. Durante o monótono primeiro tempo de Brasil X Bolívia, ela dividiu as atenções com o que rolava em campo. Inevitável, apesar de politicamente incorreto: é a primeira musa da Copa América

    quarta-feira, 12 de junho de 2019

    VazaJato - Do Intercept Brasil para a mídia conservadora: seu vazamento é melhor do que o meu?

    O escândalo VazaJato desperta um debate paralelo: é legítimo o uso jornalístico de informações de autoridades públicas envolvidas em irregularidades e obtidas por hackers?

    Nem deveria existir essa dúvida. É.

    No curso da Lava Jato, os vazamentos se tornaram até uma rotina. Havia até uma espécie de revezamento entre veículos que publicaram massivas reportagens baseadas em material obtido "secretamente".

    Jornalismo comparado: as duas primeiras páginas do Globo, acima reproduzidas, circulam nas redes sociais. A da esquerda, mostra o que o jornal considerou um vazamento "bom"; a da direita, é o vazamento "do mal", rotulado como um caso de polícia. Reprodução Twitter

    Os jornais publicaram até conteúdo de interceptação telefônica ilegal, claramente criminosa, autorizada e divulgada pelo então juiz Sergio Moro. O Globo, na época, deu com prazer a reprodução dos diálogos em destaque na primeira página. Agora, no caso VazaJato, levou dois dias para considerar realmente jornalístico o novo escândalo e quando o fez foi para abrir palanque de defesa para os responsáveis pela conspiração judicial. Não que surpreenda, vindo do Globo. Historicamente, o jornalão carioca alinhado com a direita apoiou inúmeras conspirações que romperam a constitucionalidade do país. República do Galeão, golpe de 1964, apoio irrestrito à ditadura, ofensiva massiva contra Brizola (chegando ao ponto, como exemplo, de combater até os Cieps com a virulência de quem i nvestia contra "bocas-de-fumo"), rejeição às Diretas Já, engajamento na campanha de Fernando Collor, o que resultou em famosa denúncia de manipulação ao noticiar debate de candidatos, golpe jurídico-parlamentar contra Dilma Rousseff  etc.

    Nesse episódio da VazaJato, o Globo prefere cobrar apuração da ação de um suposto hacker e até considerou "normal", em editorial, o tipo de diálogo conspiratório entre o juiz e um procurador.

    No interesse da sociedade, a mídia não só pode como tem até obrigação de publicar vazamentos que envolvam casos e figuras públicas envolvidas em parcerias inusitadas e que desafiam as leis.

    O caso Watergate tomou forma porque os repórteres do Washington Post obtiveram informações confidenciais de uma fonte inicialmente anônima e que mais tarde revelou-se um agente do FBI com acesso a relatórios oficiais.

    Os famosos Pentagon Papers, também publicados pelo Washington Post durante o governo Nixon, foram vazados por um analista militar. Eram sete mil páginas secretas que provavam as mentiras oficiais sobre a guerra do Vietnã e o que as autoridades escondiam da opinião pública.

    O massacre de My Lai, brutal operação do exército americano contra civis em uma aldeia vietnamita, não foi desmascarado por notas oficiais, nem presses releases, nem coletivas com back drop, mas pela denúncia de um soldado e, em seguida, pelo trabalho de jornalistas que obtiveram material confidencial de um fotógrafo também militar.

    No Brasil, o Caso Parasar - oficiais que planejaram uma série de atentados no Rio de Janeiro, com o objetivos de atribuir as mortes decorrentes aos "comunistas" e assim desmoralizar a oposição à ditadura - foi desmascarado porque o capitão Sérgio Ribeiro, o Sérgio Macaco, se recusou heroicamente a participar do plano terrorista bancado por militares da linha-dura e fez uma denúncia aos seus superiores. O plano previa explosões em áreas e equipamentos públicos, incluindo o Gasômetro, e o assassinato de 40 políticos, entre os quais Carlos Lacerda, JK e Jânio Quadros.  Os terroristas ficaram impunes, mas a atitude de Sérgio Macaco abortou o plano. Ao fim de um inquérito manipulado, o capitão foi punido com o afastamento. Anos depois da restauração da democracia, apesar de pressões de setores remanescentes do autoritarismo, ele foi reabilitado e promovido.

    Há centenas de casos que demonstram a relação entre jornalismo investigativo e vazamentos de maracutaias públicas.

    As conversas entre Sergio Moro e Dallagnol não tinham nada de privadas.

    Vazamentos de questões de interesse público são, portanto, no Brasil e no mundo inteiro,  instrumentos legítimos da apuração jornalística.

    segunda-feira, 10 de junho de 2019

    Alberto Dines, nossa longa vida pelas Redações dos jornais e a histórica primeira página do JB, sem manchete. Por Nelio Barbosa Horta

    Alberto Dines no front jordaniano, em 1967, quando cobriu para Manchete a guerra no Oriente Médio.

    Em 1962, no almoço de comemoração de um ano da revista Fatos & Fotos, ao lado de Austregésilo de Athayde, Juscelino Kubitschek e Adolpho Bloch


    por Nelio Barbosa Horta 

    Eu achava que o Dines ia chegar aos 100 anos. Era uma pessoa extremamente saudável. Extrovertido, criativo, feliz ao lado de sua companheira, a jornalista Norma Curi, que também foi do JB nos anos dourados. Confesso não pensei que nos deixaria antes do centenário, trazendo muita tristeza a todos que tiveram, como eu, a honra de trabalhar e conviver com ele na sua longa e brilhante trajetória pelos jornais e revistas brasileiros.

    Conheci o Dines nos anos 50, no antigo Diário da Noite, jornal verde, cujo secretário era o Carlos Eiras (só os mais antigos se lembrarão dele), jornal do Paulo Vial Corrêa, do Austregésilo de Athayde, do Fernando Bruce, do Brício de Abreu, (o Briabre), do Marcelo Pimentel, do Nelson Rodrigues e que ficava na Rua Sacadura Cabral, 103.

    Como o jornal enfrentava grandes dificuldades financeiras, apesar da grande equipe, o Dines foi contratado e transformou o DN verde em tabloide, numa desesperada tentativa de recuperá-lo. Conseguiu, já que houve momentos em que o novo tabloide triplicou a vendagem, coisa rara na época.

    Deixando o DN, Dines foi ser editor da Fatos&Fotos, revista de Bloch Editores, onde seu brilhante espírito de liderança e competência se fez sentir, já que ele chegou a balançar e a concorrer com a tiragem da revista mais importante da Bloch, a Manchete. Naquela redação havia muita gente competente, o Macedo Miranda, o Ney Bianchi, o Itamar de Freitas, o Paulo Afonso Grisoli. Na Arte, o Ézio Speranza, eu e o Laerte Gomes. Trabalhei no Diário de Notícias, que tinha o José Carlos Oliveira, o Luiz Alberto, o Ascendino Leite, o Teixeira Heizer e tantos outros. Depois trabalhei na Folha da Guanabara, com o Rennée Deslandes.  Passei pelo Mundo Ilustrado, onde conheci o Hugo Dupin, pai do Fábio Dupin. Mais tarde, Tribuna da Imprensa, com o Hélio Fernandes e o Guimarães Padilha, em plena ditadura. Também trabalhei na precária cenografia da TV Tupi. Meu chefe era o Carlos Thiré, casado com a Tônia Carreiro e pai do Cecil Thiré. Quando saía, por volta das 23 horas, ia, a pé tranquilamente até o Largo de São Francisco pegar o bonde São Januário que me levava até São Cristóvão, onde morava. O Aterro ainda não existia...

    Voltei a trabalhar com o Dines em 1º de maio de 1965, Dia do Trabalho, naquele lindo prédio da Av. Rio Branco, quando ele me convidou para o JB, para me juntar à equipe que ia fazer da edição de  domingo um “jornal diferente”, segundo suas palavras. Não havia vaga na Arte e eu fui ser repórter- especial . Meu chefe era o Aluizio Flores, o “Amiguinho” lembram dele?

     Como o JB estava em grande fase de expansão, o jornal se dava ao luxo de “exportar” profissionais, o Dines me mandou para a Gazeta do Povo, de Curitiba, para uma reestruturação gráfica e editorial. Fiquei lá por três meses. Muito frio, 16 horas de ônibus pela viação Penha, mas acho que o nosso trabalho foi reconhecido, apesar do jornal ter saído, naquele período, com a “cara do JB”.

    Na volta para a Redação do JB encontrei grandes profissionais e editores: Wilson Figueiredo, Oldemário Touguinhó, Luiz Orlando Carneiro, Carlos Lemos, Gazzaneo, Joaquim Campelo, Humberto Vasconcelos, Macksen Luiz, Zózimo, Zuenir Ventura, Luiz Paulo Horta, Fleury, Regina Zappa, Bella Stall, Ana Arruda, Iesa Rodrigues, Rose Esquenazi, Sandra Chaves, Celina Côrtes, Léa Maria e tantos outros e outras, todos brilhantes profissionais.

    Em 2004, participei da equipe que ganhou o último Prêmio Esso do JB com a 1ª página: Ministro Berzoíni: “ Eu odeio filas”. Na equipe, o Augusto Nunes, o Otávio Costa, o Marquinho e eu.

     Como eu trabalhava de dia em Bloch Editores só podia chegar ao JB à noite, às 18 horas, eu era o “fechador”, responsável pelas edições diárias. Eu ficava na primeira página junto com o copy-desk. Não tinha hora para sair, mas meu esforço era compensado porque o jornal, naquela época, já estava na Av. Brasil, próximo da subida da ponte. Eu morava em Niterói e subia a ponte rapidamente. Eu tinha uma Brasília que vivia enguiçando, quase sempre no vão central. Os funcionários já me conheciam e diziam: “outra vez seu Nelio...”, uma festa!

     Passei por todos os cadernos do JB, especialmente o Caderno Especial, cujo fechamento era às sextas-feiras, de madrugada. Era um super-pescoço e várias vezes eu amanhecia no jornal, esbarrando nos que chegavam para “abrir” as edições do fim-de-semana. Foram 46 anos, ininterruptos, até 2011, no Rio Comprido, já na edição digital.


    A antológica capa do JB, em 12 de setembro de 1973
    A famosa e histórica primeira página do SalvadorAllende ficou decidida bem tarde. O Dines e o Lemos já tinham deixado a Redação e a ordem da censura para que o jornal não desse manchete foi recebida pelo Maneco (Manoel Bezerra), que era o secretário da noite. O Maneco ligou para o Dines avisando da nova determinação da censura. O Dines chegou rapidamente à Redação e disse:
    “-Vamos obedecer à censura, a página sairá sem manchete”.

    A ideia da página sem manchete foi dele. Como o Avellar, (José Carlos Avellar) que era o diagramador oficial da primeira página já tinha saído, a “bomba” estourou na minha mão. Confesso que foi a página mais fácil de se fazer. Sem manchete, sem foto, apenas com o “L” dos classificados. Antes de tirar a manchete que seria, ‘Golpe derruba e mata Allende’... O texto, acho que foi a editoria internacional que mandou uma parte (Humberto Vasconcelos, que estava em Santiago) e o Lutero, que escreveu o restante, com a supervisão do Dines, e do Lemos, que àquela altura já haviam voltado ao jornal. Infelizmente, talvez tenha sido aquela página o “estopim” para a saída do Dines do JB.

    Deve-se a Nelson Tanure a manutenção do jornal, primeiro impresso e depois “digital” e a Omar Catito Peres o relançamento, há pouco mais de um ano, do grande JB.

    Agora, é só saudade. Dines, companheiro de tantas trincheiras, de tantas lutas, o mais completo jornalista do século passado, nos deixou aos 86 anos, em 22 de maio de 2018, há um ano.

    Deus o abençoe e até qualquer dia.

    A capa de revista que abalou a Índia: o sari sexy de Priyanka Chopra



    por Clara S. Britto

    A capa da revista InStyle, de julho, causou polêmica na Índia.
    A indiana Priyanka Chopra é estrela hollywoodiana mas seu país ainda a vê como ligada às raízes. Ao vestir um sari e deixar as costas nuas a atriz provocou reações iradas não só de religiosos mas de conterrâneos que prezam a cultura local. Sari, pregam, é para ser usado com uma blusa por baixo.
    A variação sexy adotada pela bela Priyanka - que também recebeu milhares de elogios e likes - gerou comentários fanáticos e machistas que a rotularam de "vulgar", entre outros adjetivos.
    Ela respondeu que o sari tem tradição, é veste icônica que a moda global respeita, o que não impede de destacar a feminilidade e a elegância da mulher.

    A mídia e a VazaJato - quem minimizou e quem destacou o vazamento da conspiração de toga

    Na Folha, chamada lateral.

    No Globo, discreta chamada

    Estadão focaliza investigação da PF sobre vazamento

    Diário de Pernambuco destacou o principal fato da semana
    Correio do Povo deu importância à notícia
    ~
    Correio Braziliense respeitou a hierarquia do fato. 

    O fato jornalístico que abre a semana é o VazaJato: o explosivo vazamento de diálogos nada protocolares entre o então juiz  Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato.

    Durante a operação, em muitas ocasiões, houve vazamentos de depoimentos que deveriam ser sigilosos e que, revelados, mostraram impacto político com suspeita de direcionamento.

    Dessa vez, o vazamento alcança o acerto de estratégias e o jogo combinado entre o julgador do processo e a força-tarefa investigativa.

    Já há sinais de uma Operação Abafa em torno das denúncias.

    Seja qual for o desenrolar, The Intercept Brasil cumpre sua função jornalística, investe em uma vertente que não interessou à mídia conservadora e presta um serviço inestimável à compreensão de um dos mais obscuros períodos da vida política brasileira, coisa de porões, onde uma espécie de Operação Mãos Sujas de manobras, suspeitas de interferências em campanhas eleitorais, irregularidades, contaminação de processos e comportamentos no mínimo estranhos por parte de algumas instituições e autoridades, dominou a cena nos últimos anos.

    The Intercept Brasil promete para os próximos dias mais revelações.

    Aparentemente, a caixa preta foi apenas entreaberta.