Você já sabe que a Vale faz mal à saúde, provoca mortes e emporcalha o meio ambiente. O que você não sabia e o Instituto de Justiça Fiscal descobriu é que a empresa usou uma manobra comercial para deixar de pagar R$ 23 bilhões em impostos nas exportações de minério entre 2009 e 2015. É o que mostra matéria do repórter Eduardo Militão, do UOL.
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quarta-feira, 3 de abril de 2019
Juliana Paes é o meio e a mensagem...
por Ed Sá
Juliana Paes publicou essa foto no Instagram, ontem. O post promove a linha de lingerie da atriz na marca Triumph. Em poucas horas recebeu quase 450 mil curtidas. Um impacto desse, imenso e imediato, explica porque veículos tradicionais há muito já perderam publicidade para as redes sociais.
Dá para encarar? Além das curvas, Juliana tem 17,5 milhões de seguidores.
The Face impressa volta para combater a síndrome da ansiedade provocada por redes sociais
por Jean-Paul Lagarride
Fechamento de revista tem sido uma rotina. Por isso, salve, chegou a vez de noticiar a ressurreição de uma publicação.
The Face, que foi inicialmente especializada em música, tornou-se veículo de interesse geral, cultura, comportamento, política e moda e marcou gerações. Circulou de maio de 1980 a maio de 2004.
Ela volta aos poucos. Inicialmente, terá uma conta no Instagram. Em duas semanas, o website será ativado. Em julho sairá a primeira edição impressa, agora com periodicidade trimestral.
A ideia é ser uma boia de salvação contra a extrema ansiedade do tempo real digital. “Queremos formar um espaço em que as pessoas possam desacelerar e ter perspectiva sobre o que está acontecendo", diz o editor Stuart Brumfitt.
Fechamento de revista tem sido uma rotina. Por isso, salve, chegou a vez de noticiar a ressurreição de uma publicação.
The Face, que foi inicialmente especializada em música, tornou-se veículo de interesse geral, cultura, comportamento, política e moda e marcou gerações. Circulou de maio de 1980 a maio de 2004.
Ela volta aos poucos. Inicialmente, terá uma conta no Instagram. Em duas semanas, o website será ativado. Em julho sairá a primeira edição impressa, agora com periodicidade trimestral.
A ideia é ser uma boia de salvação contra a extrema ansiedade do tempo real digital. “Queremos formar um espaço em que as pessoas possam desacelerar e ter perspectiva sobre o que está acontecendo", diz o editor Stuart Brumfitt.
A guerra que revolucionou o fotojornalismo de combate
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| Guerra Civil Espanhola - Em apoio aos fascistas, aviação alemã e italiana bombardeia Bilbao. Foto de Robert Capa/International Center of Photography. |
A Guerra Civil Espanhola terminou oficialmente no dia 1° de abril de 1939. Com a derrota dos Republicanos, e com o último tiro disparado em Madri, o ambiente político da Europa não mudou muito. Mas o fotojornalismo jamais seria o mesmo. Na linha de frente, Robert Capa revolucionou a fotografia de guerra. É o que diz o site da Magnum - agência que ele fundou ao lado de Cartier Bresson e outros fotógrafos - a propósito dos 80 anos do fim do conflito na Espanha. Aquela aliança vitoriosa entre fascistas e nazistas fez da Espanha o laboratório para ensaio totalitário que gestou a Segunda Guerra Mundial, que começou cinco meses depois e logo levaria Capa de volta ao front.
E, sim, fascistas e nazistas eram de direita. No caso, a História é a agência de checagem que desmascara Bolsonaro, o militar aposentado que caiu no ridículo mundial ao afirmar em Israel que o nazismo é ideologia de esquerda.
VEJA AS FOTOS DE ROBERT CAPA NO SITE DA AGÊNCIA MAGNUM, AQUI
terça-feira, 2 de abril de 2019
Publimemória: quando ser sócio de vídeo clube era sinal de status...
por Ed Sá
O streaming era futuro, a Netflix nem ficção era.
A Sharp lançou em 1982 o primeiro vídeo cassete brasileiro. Não estava ao alcance de muitos: custava cerca de 390 mil cruzeiros, moeda da época. Uma fita virgem, Basf ou Maxell custava entre 7 mil e 10 mil cruzeiros (em maio de 1982, o salário mínimo foi reajustado para Cr$ 16.608,00).
A campanha da Sharp, acima - anúncio publicado na Manchete três anos depois, em 1985 -, oferecia algo mais. Quem comprasse um aparelho podia ser tornar sócio do Vídeo Clube do Brasil que tinha lojas em 50 cidades. Esse tipo de clube emitia até carteirinha de associado. Dava um certo status. Adquirir um vídeo cassete implicava em adotar um rotina que as novas gerações nem imaginam: ir a uma locadora escolher os filmes para ver no fim de semana. Esse programa era mais obrigatório do que ir à missa. O feliz proprietário da nova mídia gastava alguns minutos percorrendo estantes repletas de filmes, invariavelmente ouvia sugestões e dicas do freguês ao lado. Escolhia alguns, comprava pipoca e cerveja e garantia um novo lazer. Quem esquecesse de rebobinar a fita ao fim da sessão doméstica pagava uma multa ao devolver o filme.
Todo esse ritual agora se resume a um clique. Gastava-se uma hora nesse brincadeira. Hoje, só o tempo de carregamento do filme. Se a conexão for boa, menos de um segundo.
10 perguntas sem respostas...
por O. V. Pochê
1) Quem mandou matar Marielle?
2) Onde estudaram os engenheiros que fazem as barragens da Vale?
3) Quem mandou fazer o vídeo pró-golpe divulgado pelo Palácio do Planalto?
4) Contra o disse-e-não-disse de Bolsonaro não está na hora de instalar o VAR para tira-teima?
5) Um bom nome para dirigir o "escritório comercial" do Brasil em Jerusalém não seria o Queiroz? Ele entende de negócios.
6) O Ibope já pode fechar? O ministro Barroso, do STF, diz que sabe ouvir os "anseios da sociedade". O homem é um instituto de pesquisas ambulante.
7) Corromper a língua portuguesa é crime? Falar "conje" é motivo de demissão de um ministro da "Justissa"?
8) Católicos da Polônia queimam livros de Harry Potter. Revistas pornôs de padres pedófilos escaparam da fogueira?
9) Você fica mais rico quando a Bolsa sobe? Você é liberado de pagar boletos quando a Bolsa cai? O banco alivia seus juros do cartão quando o mercado financeiro ultrapassa o recorde dos 100 pontos? Então por que bater palmas para a Globo News quando a comentarista anuncia feliz que a Bolsa tá de boa?
10) O que é mais bizarro? Ser Olavo de Carvalho ou ser aluno de Olavo de Carvalho?
1) Quem mandou matar Marielle?
2) Onde estudaram os engenheiros que fazem as barragens da Vale?
3) Quem mandou fazer o vídeo pró-golpe divulgado pelo Palácio do Planalto?
4) Contra o disse-e-não-disse de Bolsonaro não está na hora de instalar o VAR para tira-teima?
5) Um bom nome para dirigir o "escritório comercial" do Brasil em Jerusalém não seria o Queiroz? Ele entende de negócios.
6) O Ibope já pode fechar? O ministro Barroso, do STF, diz que sabe ouvir os "anseios da sociedade". O homem é um instituto de pesquisas ambulante.
7) Corromper a língua portuguesa é crime? Falar "conje" é motivo de demissão de um ministro da "Justissa"?
8) Católicos da Polônia queimam livros de Harry Potter. Revistas pornôs de padres pedófilos escaparam da fogueira?
9) Você fica mais rico quando a Bolsa sobe? Você é liberado de pagar boletos quando a Bolsa cai? O banco alivia seus juros do cartão quando o mercado financeiro ultrapassa o recorde dos 100 pontos? Então por que bater palmas para a Globo News quando a comentarista anuncia feliz que a Bolsa tá de boa?
10) O que é mais bizarro? Ser Olavo de Carvalho ou ser aluno de Olavo de Carvalho?
Futebol celebra a Democracia. Diretoria do Flamengo faz gol contra
No jogo da Democracia, alguns clubes de futebol do Brasil e da Argentina bateram um bolão na última semana
Aqui, foram poucos mas representativos. Apenas Corinthians, Bahia e Vasco da Gama postaram em suas redes no dia 31 de março - data que marcou os 55 anos do golpe de 1964 e da ditadura que se seguiu perseguindo, sequestrando, torturando e assassinando brasileiros - mensagens contra o autoritarismo e pelas liberdades democráticas.
A Argentina celebrou o Dia Nacional Pela Memórias, Liberdade e Justiça. No país que também sofreu ditadura sangrenta, muitos clubes fizeram manifestações alusivas à Democracia. "Nunca mais", assinalaram os torcedores, condenando a opressão.
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| Nota oficial do Flamengo |
No Rio, o Flamengo foi a dissidência anti-democrática. A diretoria, não uma parte da sua torcida. No último domingo, rubro-negros fizeram na sede de remo uma homenagem a Stuart Angel, ex-remador do clube. Filho da estilista Zuzu Angel, Stuart foi preso, torturado e assassinado no Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica, em 1971. O jovem, então com 25 anos, foi amarrado a um veículo, com a boca colada ao cano de escapamento e arrastado até à morte no pátio do quartel. Anos depois, outros presos, além de ex-soldados que testemunharam a sessão de tortura, denunciaram a crueldade. Incomodada com a homenagem a Stuart Angel, a diretoria do Flamengo divulgou nota condenando o gesto dos torcedores. Nas redes, os internautas, incluindo rubro-negros reagiram contra o posicionamento dos cartolas. O mais curioso é que a nota oficial publicada no site do Flamengo tem na página os logotipos de patrocinadores. As marcas também assinam a nota? Estão incluídos entre os apoiadores a estatal Eletrobras, o Governo do Rio de Janeiro, Lei do Incentivo ao Esporte, Ministério da Cidadania, e o "Patria amada Brasil" do governo Bolsonaro. Ah, bom.
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segunda-feira, 1 de abril de 2019
"Furacão Anitta": biografia não autorizada nem desautorizada...
por Ed Sá
Leo Dias, do jornal O Dia, colunista de celebridades e apresentador do programa "Fofocalizando", do SBT, acaba de lançar a biografia "Furacão Anitta" (Agir), apresentada como "não autorizada".
O livro amplia a frente do reporting-book para figuras famosas e populares e também inaugura um gênero que seria o da "biografia não autorizada mas aprovada". Segundo o próprio autor, "Furacão Anitta" é "uma homenagem" à cantora. "Não estou aqui para deturpar a imagem da protagonista do livro. Ela é a heroína da própria história", disse ele em entrevista ao UOL.
O autor e a cantora são amigos - os muitos elogios deixam isso bem claro - e é bem possível que trechos tidos como polêmicos tenham recebido o OK da musa do autor.
Com a crise das revistas impressas especializadas em celebridades, livros como esse atendem a um público que não tem em sites e redes sociais tanto volume de dados sobre a vida dos seus ídolos.
O gênero de biografias não autorizadas surgiu no Estados Unidos e tem como característica o tratamento literário-jornalístico de informações exaustivamente levantadas sobre o biografado.
Geralmente, quando bem feitas, vendem mais do que aquelas escritas pelos próprios personagens exatamente porque contam tudo aquilo o que a celebridade gostaria de esconder. Não necessariamente difamam - até porque o risco de processos nos Estados Unidos, país que tem mais advogados do que leitores, é alto -, mas levantam fatos preferencialmente comprovados que nem sempre afagam egos dos biografados.
No caso do "Furacão Anitta, os fãs, publico-alvo, podem ficar tranquilos: o livro é de admirador para admiradores da cantora.
domingo, 31 de março de 2019
Fotomemória: quando repórteres da Manchete levaram o Cristo Redentor para o Polo Sul....
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| Foto de Sergio Jorge/Reprodução Manchete |
Para marcar presença, como exploradores que fincam bandeiras no objetivo conquistado, eles depositaram sobre o gelo um exemplar de outra edição especial da Manchete, esta sobre o Brasil e com o Cristo Redentor na capa.
Deve estar lá até hoje, soterrada em geleiras que o aquecimento global começa a derreter.
Fotojornalismo: com essa imagem, o português Mário Cruz concorre ao World Press Photo 2019. O que isso tem a ver com o Brasil?
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| Garoto que coleta material aproveitável descansa no colchão que navega sobre o lixo flutuante do Rio Pasig, em Manila. A foto de Mário Cruz é finalista do World Press Photo 2019. |
No próximo dia 11 de abril, o World Press Photo 2019 anunciará os vencedores de um dos mais prestigiados prêmios de fotografia do mundo. Um dos finalistas, o português Mário Cruz concorre com uma imagem que expõe a dramática poluição do Rio Pasig, hoje uma veia de lixo e veneno que corta Manila, a capital das Filipinas. O Pasig está morto desde os anos 1990. A imagem de uma criança deitada sobre um colchão no berço da imundície concorre ao WPP e já ganhou repercussão mundial. O lixo que mata e adoece é o mesmo que se tornou fonte de renda para a população miserável que sobrevive dos dejetos.
Filipinas faz parte do Eixo da Direita, é governada pelo tosco e autoritário Rodrigo Duterte, líder moralista e populista que domina o país. O programa de Duterte tem pontos de contato com Jair Bolsonaro, que o elogia frequentemente. "Nova política", militarização do governo, perseguição a ativistas, criminalização dos movimentos sociais, imposição dos "valores da família", proximidade com milícias etc.
O país é a vitrine de um paradoxo: ao mesmo tempo em que o Banco Mundial celebra o cresciemento financeiro e as contas das Filipinas, o desemprego e a pobreza alcançam níveis dramáticos. Isso só mostra o abismo entre o mercado especulativo e suas prioridades financeiras, que não têm a ver com os interesses da população e suas necessidades básicas.
Walden Bello, um sociólogo e ativista filipino que conhece o Brasil, escreveu recentemente um artigo onde mostra o risco de o Brasil se transformar nas Filipinas de amanhã. Aqui também o mercado financeiro vai bem, fatura bilhões, e o país vai mal.
A foto de Mário Cruz espelha a desigualdade e a injusta concentração da riqueza que o mercado impõe. Esta é a cena que o Banco Mundial não vê ao colocar o jogo financeiro acima da vida.
Na Time: o oligarca canta na chuva
A alegoria da capa é perfeita. Depois de 22 meses de investigação, Donald Trump obteve uma das maiores vitórias de sua presidência. É o tema da reportagem da Time. O procurador especial Robert Mueller promoveu 2.800 intimações e 500 mandatos de busca e ouviu cerca de 500 testemunhas e não conseguiu provar que Trump e seu staff conspiraram com a Rússia durante a campanha eleitoral. /na Casa Branca, segundo a Time houve brindes com espumante. Segurem essa: a campanha para reeleição do atual residente americano no ano que vem ganhou impulso. O Partido Democrata, que ainda se divide entre vários postulantes, vai ter que rebolar.
sábado, 30 de março de 2019
Na capa da Carta Capital, a pergunta que não quer calar...
por Flávio Sépia
A história mostra com fartura que a esquerda nunca teve força para derrubar presidentes no Brasil. E, claro, não vai ser dessa vez. A bola está com a direita.
Até prova em contrário Bolsonaro foi legitimamente eleito, embora ele mesmo tenha levantado hipótese de fraude antes da reta final, é responsabilidade de quem o elegeu e carma geral do país até 2022.
O que analistas políticos levantam, diante da catatonia administrativa em um país paralisado que multiplica seus desempregado e da enorme capacidade de produzir crises, é que o próprio suporte do atrapalhado capitão - mercado, liberais, empresários, exportadores, ruralistas etc, com os militares na aba - conclua que a parentada que domina o Planalto e suas ameaças insanas podem gerar graves prejuízos para o país.
Se doer no bolso, essa turma pode tirar a escada.
Outra hipótese também levantada seria a desidratação informal dos poderes do presidente que passaria a "chamar o Guedes, o Mourão, os militares"..., com o aumento da influência dos militares, do staff econômico e do Congresso. Nesse caso, Bolsonaro vai até o fim, não perde o crachá mas sua segurança pessoal terá trocar o código. Em vez de chamá-lo de "Águia",passa a apelidá-lo de "Queen". Ela mesma, a Elizabeth.
E aguardar os próximos capítulos ou a série da Netflix que desvendará mais esse "mecanismo" daqui a algumas temporadas.
A mídia em 31 de março: vergonha alheia
Em 1964, a mídia brasileira apoiou o golpe. E não negou suporte à ditadura que se seguiu. O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Diário de Notícias, o Jornal, Tribuna da Imprensa, Folha de São Paulo, Estadão, O Cruzeiro, Manchete, Fatos & Fotos, TV Tupi, TV Rio, TV Record (a TV Globo só entraria no ar em 1965) e, nos estados, a imprensa regional praticamente em peso saudou os militares. Os líderes golpistas passaram a ser tradados como heróis e celebridades. No Rio, o Última Hora foi uma exceção e pagou caro por se opor ao golpe. O jornal foi destruído sem receber qualquer solidariedade dos demais veículos engajados na histeria antidemocrática. O Correio da Manhã, embora conservador e tendo apoiado a "revolução", abriu espaço para as primeiras críticas ao regime militar. Poucas e isoladas vozes de jornalistas tiveram alguns espaço para críticas antes da decretação do AI5 que radicalizou ainda mais o regime. Nos anos seguintes, mesmo com as primeiras evidências de torturas e assassinatos, a grande mídia permaneceu firme lustrando coturnos. Vários editores e repórteres chegaram a desafiar o cerco da censura, mas as corporações que controlavam jornais, revistas, rádios e TV se alinharam à ditadura. Não é só a Democracia, a mídia brasileira não tem o que comemorar no 31 de março. Foi o seu Dia da Vergonha, o marco zero de uma longa noite.
Fotomemória da redação,1961: em torno da mesa de edição da Manchete
Em maio de 1961, a redação da Manchete funcionava na Rua Frei Caneca. Pouco antes de embarcar para cobrir o Festival de Cinema de Cannes, Justino Martins reúne a redação e deixa instruções para as suas duas semanas de ausência. Entre outros, aparecem na foto em torno do diretor da revista Murilo Melo Filho e Raimundo Magalhães Jr.
sexta-feira, 29 de março de 2019
A pátria desbocada
por José Bálsamo
Freud classificou o Superego com a instância que guarda os valores morais e culturais de um indivíduo. É aquele setor que cochicha no ouvido da pessoa: "Cara, 'manera', isso não pega bem". O Id é o "bicho solto", o banco de desejos e dos impulsos primitivos. Não tá nem aí: "Vai fundo", ordena.
Pelo jeito, quando alguns políticos, autoridades e gurus atuais se conectam à internet apertam a tecla do Id e liberam geral.
E pensar que um dia os livros de Henry Miller foram apreendidos no Brasil "por inadequação à juventude auriverde", os palavrões de Dercy Gonçalves já foram reprimidos por "ameaçar a família e os bons costumes" e na famosa entrevista de Leila Diniz ao Pasquim os asteriscos substituíam até palavras triviais como "tesão".
Liguem os fato:
* Mandado de apreensão - O desembargado Jaime Machado Júnior, de Santa Catarina, em modo deslumbrado ao lado de uma celebridade, o cantor Leonardo, mandou uma mensagem de vídeo para um grupo de juízas e, data vênia, despachou: "Nós vamos aí comer vocês. Ele segura e eu como". O vídeo viralizou na web. AQUI
* Sopradores - Também circulam na rede trechos da entrevista de Nana Caymi à Folha. A pretexto de defender Bolsonaro, em quem votou e apoiou, a cantora ataca Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque: "Tudo chupador de pau do Lula", disse "La Pasionaria" do regime.
* Olha a chuva! -Bolsonaro abalou o carnaval ao chancelar no seu Twitter um vídeo 'pornô onde um rapaz pratica "chuva dourada" em outro. O filme repercutiu e a expressão golden shower foi para os trend topics mundiais. Parece que o tema não saiu da cabeça presidencial. Ele definiu o entrevero que teve com Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, como uma "chuva de verão. A palavra em inglês para o fenômeno climático (que virou sexual) é... "shower".
* Filosofia do brioco - Já o guru do governo, o astrólogo Olavo de Carvalho, deve achar que o cu é uma espécie de sistema planetário que preenche todas as situações. Tem especial apreço verbal pelo orifício, que é seu xingamento preferido. Duvida? Basta acessar as mensagens do Twitter da sumidade bolsonariana.
Freud classificou o Superego com a instância que guarda os valores morais e culturais de um indivíduo. É aquele setor que cochicha no ouvido da pessoa: "Cara, 'manera', isso não pega bem". O Id é o "bicho solto", o banco de desejos e dos impulsos primitivos. Não tá nem aí: "Vai fundo", ordena.
Pelo jeito, quando alguns políticos, autoridades e gurus atuais se conectam à internet apertam a tecla do Id e liberam geral.
E pensar que um dia os livros de Henry Miller foram apreendidos no Brasil "por inadequação à juventude auriverde", os palavrões de Dercy Gonçalves já foram reprimidos por "ameaçar a família e os bons costumes" e na famosa entrevista de Leila Diniz ao Pasquim os asteriscos substituíam até palavras triviais como "tesão".
Liguem os fato:
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| O juiz e o cantor. Reprodução |
* Sopradores - Também circulam na rede trechos da entrevista de Nana Caymi à Folha. A pretexto de defender Bolsonaro, em quem votou e apoiou, a cantora ataca Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque: "Tudo chupador de pau do Lula", disse "La Pasionaria" do regime.
* Olha a chuva! -Bolsonaro abalou o carnaval ao chancelar no seu Twitter um vídeo 'pornô onde um rapaz pratica "chuva dourada" em outro. O filme repercutiu e a expressão golden shower foi para os trend topics mundiais. Parece que o tema não saiu da cabeça presidencial. Ele definiu o entrevero que teve com Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, como uma "chuva de verão. A palavra em inglês para o fenômeno climático (que virou sexual) é... "shower".
* Filosofia do brioco - Já o guru do governo, o astrólogo Olavo de Carvalho, deve achar que o cu é uma espécie de sistema planetário que preenche todas as situações. Tem especial apreço verbal pelo orifício, que é seu xingamento preferido. Duvida? Basta acessar as mensagens do Twitter da sumidade bolsonariana.
quinta-feira, 28 de março de 2019
Revista Senhor, 60 anos: quando o jornalismo descobriu a cultura...
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| Março de 1959: a capa da primeira edição. |
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| Nahum Sirotski deixou a Manchete para editar a Senhor |
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| Jorge Andrade entrevistado por Flávio Rangel. |
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| Ray Bradbury traduzido por Ivo Barroso |
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| Ira Etz, a então musa de Ipanema |
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| Miguel de Carvalho alerta sobre os perigos da água. |
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| A edição de aniversário. |
por José Esmeraldo Gonçalves
A agitação cultural do Brasil na segunda metade dos anos 1950 só podia acabar em revista.
No embalo da modernização do país, artistas e intelectuais refaziam o cinema, o teatro, as artes plásticas e a música popular. O jornalismo não podia ficar de fora e surgiram os cadernos culturais dos jornais. Faltava uma revista.
Nahum Sirotski ainda era diretor do Manchete, em 1958, quando em parceria com Alberto Dines pensou em criar uma publicação semanal na linha do U.S New World Report ou Esquire. A ideia só foi para o papel quando ganhou o apoio de Abraão Koogan e Simon Waissman, que publicavam a Delta Larousse no Brasil.
Em março de 1959, há exatos 60 anos, Senhor chegou às bancas com um time de peso: Nahum como editor, Paulo Francis era o editor-assistente, Carlos Scliar assinava a Arte da revista e tinha como assistentes Glauco Rodrigues e Jaguar. Entre os colaboradores do primeiro número, Otto Maria Carpeaux, Anísio Teixeira, Carlos Lacerda, Reinaldo Jardim, Flávio Rangel, Clarice Lispector e Fernando Sabino.
A fase original original da Senhor durou menos de cinco anos, entre 1959 e 1964. Os tempos já eram sombrios quando o último número foi impresso.
Um ano antes do fim, ainda otimista e teimosa, Senhor comemorou os quatro anos. O clima no país não tinha a ver com aquele 1959 que parecia luminoso. A intolerância, que logo virou perseguição, estava nas ruas. A conspiração saía das sombras e a cultura seria uma vítima preferencial.
A Senhor agradeceu a preferência, pediu licença e deixou as bancas.
Fez bem. Foi melhor do que virar "sim, Senhor".
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