sábado, 23 de dezembro de 2017

Chappaquiddick: filme desvenda o acidente que fechou as portas da Casa Branca para Ted Kennedy. Veja o trailer...




Foi liberado o trailer do filme Chappaquiddick, que será lançado nos Estados Unidos em abril do ano que vem. Deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2018.



O longa conta a história do acidente de carro, dirigido por Ted Kennedy, em julho de 1969, no qual morreu sua acompanhante, a professora Mary Jo Kopechne, que trabalhava na sua campanha eleitoral.



A tragédia virou escândalo e marcou a carreira política do mais novo dos Kennedy, eliminando suas chances de chegar à Casa Branca. O filme foi dirigido por John Curran, Kate Mara vive Mary Jo e Jason Clarke faz o papel de Ted Kennedy.

O acidente deixou muitas perguntas. Uma delas, sobre as razões para a família Kennedy ter levado dez horas para avisar à polícia; Ted conseguiu escapar depois que o carro mergulhou no rio, mas não teria prestado ajuda à acompanhante - ele disse que tentou - mas não explicou porque abandonou o local, foi tomar banho e dormir em um motel. Mais tarde, se declarou culpado por ter fugido da cena do acidente, foi condenado a um ano com direito condicional.

VEJA O TRAILER DE CHAPPAQUIDDICK, CLIQUE AQUI

Então é Natal...

Decreto de Michel Temer amplia alcance do indulto natalino e favorece presos por corrupção.

Do outro lado, acordos mamão-com-açúcar assinados com muitos e felizes delatores já colocaram em prisão domiciliar vários empresários e altos funcionários que entregaram esquemas dos quais eram peças principais.

No meio, a caneta de Gilmar Mendes, a mais rápida do Centro-Oeste, também manda pra casa indiciados de fino trato.

A turma tem mais é que comemorar o Papai Noel.

"The Crown" na vida real: racismo no almoço de Natal da família real britânica

A princesa Michael of Kent, com o broche que retrata uma escrava africana. Ela escolheu a joia
para ir ao almoço de Natal onde estava presente Meghan Markle, futura
mulher do príncipe Harry, que é filha de uma afro-americana. Foto: Reprodução The Guardian


por Jean-Paul Lagarride

Não demorou muito e uma integrante periférica da família real britânica mostrou seu veneno. A princesa Michael of Kent, casada com um primo da rainha Elizabeth, tirou da caixa um broche com efígie de uma escrava africava e levou o adereço para o almoço de Natal no Palácio de Buckingham. 

Quem tem visto a série The Crown, no Netflix, já percebeu que nada no reino dos Windsor acontece por acaso, nem as formalidades e muito menos os barracos À mesa estava a futura mulher do príncipe Harry, Meghan Markle (na capa da Vanity Fair, ao lado), que é filha de pai branco e mãe afro-americana. 

Diante da repercussão, a princesa Michael de Kent pediu desculpas, mas seu recado já estava dado. O tipo de joia que ela usou já é há muito tempo visto no Reino Unido, por parte da sociedade, como inconveniente por representar o que era antigamente uma demonstração de "orgulho" diante do sangrento e cruel  império colonial: a submissão de uma raça conquistada por uma etnia "superior".   

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Edição impressa do Jornal do Brasil será relançada em fevereiro de 2018

Adquirido por Omar Peres, o Jornal do Brasil voltará às bancas em formato standard tradicional no final de fevereiro. O diretor de Redação será o jornalista Gilberto Menezes Côrtes. A informação está no site do próprio JB.

Memória da propaganda...

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É coisa de vídeo - Globo desliga William Waack um mês e meio depois de vazamento de flagra de racismo

A Rede Globo comunicou hoje que em acordo com William Waack foi decidido encerrar o contrato de prestação de serviços que a emissora e o jornalista mantinham desde 1996.

O ex-âncora do Jornal da Globo estava afastado desde o começo de novembro quando foi vazado um vídeo onde ele usava expressões de cunho racista antes de entrar no ar, em Washington, quando cobria a eleição de Donald Trump. Na nota oficial, assinada pelo diretor de jornalismo Ali Kamel e pelo jornalista, observa-se que Waack não admite o que o vídeo mostrou, diz que "em nenhum momento teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais", não explica as expressões lamentáveis que usou, mas pede desculpas "a quem se sentiu ofendido". A Globo, logo abaixo, das evasivas do seu ex-âncora, "reafirma seu repúdio ao racismo".

Há alguma semanas, especulou-se que o SBT estaria interessado em contratar o jornalista.

Leia o comunicado da Globo:

"Em relação ao vídeo que circulou na internet a partir do dia 8 de novembro de 2017, William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais. Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças. Pede desculpas a quem se sentiu ofendido, pois todos merecem o seu respeito.

A TV GLOBO e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham.

A TV GLOBO reafirma seu repúdio ao racismo em todas as suas formas e manifestações. E reitera a excelência profissional de Waack e a imensa contribuição dele ao jornalismo da TV GLOBO e ao brasileiro. E a ele agradece os anos de colaboração.

Ali Kamel, diretor de Jornalismo da TV GLOBO

William Waack, jornalista e apresentador de programas jornalísticos da TV GLOBO"

ATUALIZAÇÃO ÀS 15H49 - Segundo o colunista Ricardo Feltrin, do UOL, William Waack se reuniu com a Globo por quatro vezes desde o vazamento do vídeo. Essas reuniões, como a última, que gerou o comunicado, foram tensas e o jornalista estava acompanhado de advogado. O caso, segundo Feltrin, pode acabar na Justiça.

Professor Bonner dá aula de filmagem com celular





William Bonner usou alguns segundos do Jornal Nacional para fazer um rápido tutorial de como se deve gravar vídeos com celulares. O apresentador não gostou de um tosco vídeo amador sobre um acidente de carro provocado por um deputado bêbado. O telecurso de Bonner foi visto por milhões de brasileiros e repercutiu na web que, claro, não perdeu a chance de produzir as últimas memes de 2017. Internautas pedem que ele ensine técnicas de selfie, nudes, assédio no trem, de político recebendo mala de dinheiro e flagrantes de traição em motéis. 
VEJA A AULA DO TIO BONNER. CLIQUE AQUI

Isso pode? "Estagiário" da Fox Sports engana leitores... tudo por um clique

Reprodução Twitter Fox Sports, 21/12/2017 13:46/ postado em São Paulo
O "estagiário" do Fox Sports acordou ontem, achou que ainda estava no fundão da sala da escola fundamental e resolveu sacanear os leitores do twitter do canal. O rapaz teve uma ideia genial para descolar alguns cliques a mais e marcar ponto com o tutor que supervisiona seu "treinamento". Bolou um título sobre um "estrela" do PSG que estaria fazendo "o último jogo pelo clube" e, logo abaixo botou uma foto do presidente do  time francês (Nasser Al-Khelaïfi, mas ele não identificou provavelmente por não saber quem é) com o boné do Neymar em primeiro plano. A intenção, claro foi induzir a fake news de que o brasileiro estaria indo para um "gigante italiano". A matéria chupada do Le Parisien era sobre o meia argentino Javier Pastore. Como os leitores não são desligados,  logo choveram comentários criticando a apelação. Horas depois, a Fox aparentemente deletou todos. Abaixo a reprodução da mesma matéria no Le Parisien, com título, foto coerente e enfoque corretos. Aprende, "estagiário".

Le Parisien/21 décembre 2017, 10h00|

Reprodução/Comentários no twitter Fox Sports


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Vai Malandra - 30 milhões de views até agora. É Anitta quebrando a internet

Anitta no Vidigal
por Ed Sá

Anitta fecha 2017 com o clipe mais polêmico da sua carreira.

Mas enquanto a academia discute sexismo, machismo e outros ismos, o funk Vai Malandra (com participação de MC Zaac, Maejor e DJ Yuri Martins) domina a cena, é visto por 30 milhões de fãs e o marcador continua rodando no Brasil e no exterior.

Pela primeira vez, uma música brasileira ficou na ponta do Spotfy.
Na placa da moto, alusão ao número do
projeto de lei proposto por evangélicos e
que ameaça criminalizar o funk.
Isso significa que foi uma das mais ouvidas no mundo nessa semana.

Fotografado no Morro do Vidigal por Terry Richardson - sem tratamento digital das celulites, por imposição de Anitta - o clipe é pura raiz do funk no som, na concepção, na alma, na cara do felliniana do Rio partido. Exagero? Veja você mesmo.
 VAI MALANDRA, CLIQUE AQUI

A revista Rolling Stone entrega os pontos e é vendida para a Variety

Bob Dylan foi entrevistado para a edição
comemorativa dos 50 anos. . 
Fundada em 1967, a revista Rolling Stone muda de mãos aos 50 anos. Jann Wenner, um dos fundadores, acaba de vender a maioria da ações ao grupo Penske, que edita a Variety.

A família Wenner permanece cuidando do operacional da revista e investe no on line, para onde os seus leitores migraram já há alguns anos. A Rolling Stone nasceu como publicação musical, mas absorveu ao longo do tempo pautas políticas, e comportamentais que impulsionaram a cultura pop.

Além da crise do mercado das publicações impressas, a RS foi abalada, em 2014, ao publicar uma reportagem sobre um caso de estupro em uma universidade. A história se revelou falsa, custou à publicação uma indenização milionária e entrou para os manuais de como não se deve fazer jornalismo investigativo. A suposta vítima, que era identificada apenas por um pseudônimo, mentiu,  a revista não checou a história com outras fontes e sustentou a reportagem apenas no testemunho fantasioso. Transparente na repercussão do episódio, a RS assumiu o erro, mas não evitou alguns danos à imagem quase na reta final de 50 anos como bíblia da contracultura.

Não deixa de ser irônico ver o DNA rebelde Rolling Stone cruzar com a Variety, uma típica célula do entretenimento hollywoodiano. Vale observar de quem será o gene dominante.


"Xerife" da Câmara de Vereadores de Uberlândia agride repórter da Band


Dona Alice Ribeiro deve ser uma madame poderosa em Uberlândia. Casada com o vereador Hélio Ferraz (PSDB) e, por coincidência, procuradora da Câmara Municipal, parece achar que imprensa com ela é pra ser finalizada no octógono do UFC. Ela agiu como uma "xerife" que não deve satisfações a ninguém. Ainda mais se o repórter ousa questionar aumento de quase 20% nos salários que a vereança se concedeu e aos funcionários. Uberlândia não está em crise, ao contrário, o PIB municipal deve estar crescendo a 30%  ao ano para justificar tanta bondade com dinheiro público.

Um dos problemas do Brasil é a corrupção, que custa caro ao país, mas bem mais caros e permanentes são os super salários institucionalizados e sustentados por leis que a casta beneficiada se encarrega de criar.

Como Uberlândia, o Brasil também deve ser uma potência econômica. Se não, como explicar que os contribuintes brasileiros sustentam os representantes dos três poderes, eleitos ou concurseiros,  mais bem remunerados do mundo, deputados e senadores e vereadores com salários e penduricalhos mais valorizados do que muitos jogadores da Liga dos Campeões, ministros, secretários e figuras dos altos escalões que acumulam vencimentos bombados e, depois, aposentadorias de megassena?

Foi pra defender tanta bonança que Dona Alice agrediu o repórter Ricardo Martins, da Band, e o chamou de "ordinário".

Vereadores contrários ao aumento foram à Justiça, que concedeu uma liminar suspendendo a medida. A procuradora avisou que vai recorrer.

Dona Alice acertou. Somos todos brasileiros "ordinários".

Se não fôssemos, não permitiríamos tanto abuso e arrogância.

VEJA O VÍDEO, CLIQUE AQUI


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Os 'manés' da 'pulítica'

Da coluna Gente Boa, do Globo.

Estava escrito...

Edson Aran, ex-diretor da Playboy, foi buscar nos seus arquivos e publicou no twitter a capa premonitória do Planeta Diário. Maluf preso. A profecia foi feita há 33 anos.

Leitura Dinâmica: pai de santo presidencial, novo cangaço, Maluf, Gilmar Mendes...

por O.V.Pochê 

* Durante cerimônia de entrega da Ordem Cultural do Mérito, Temer revelou que quis ser jornalista. Chegou a trabalhar no jornal Última Hora, mas preferia ser repórter de rua e o colocaram para copidescar textos. Erro do Samuel Wainer, dono do jornal, que não o incentivou. Hoje o homem seria apenas jornalista. Tinha que manter isso, viu ?

* Alguém recolha o passaporte do Crivella. Em quase um ano de mandato ele já tem uma quilometragem de viagem ao exterior equivalente a três voltas ao mundo. Agora está em Orlando, na Flórida. Não se sabe se voltará a tempo de concluir seu único projeto: dar "um banho de loja na Rocinha".

* Polícia prendeu uma mulher suspeita de assaltos em série no Tocantins. A novidade é que ela integraria uma quadrilha que pratica o que as autoridades chamam de "novo cangaço". Parte do bando de neo-Virgulinos assalta bancos, postos de combustíveis e lojas enquanto outro grupo ataca delegacia e batalhões policiais para desviar a atenção dos agentes. A nova Maria Bonita acabou presa.

* Um suposto pai de santo identificado com Uzeda deu uma geral em Temer que, segundo ele, está com muito vodu em cima. Haveria até três cabeças de burros de plantão em um dos palácios, além de bonecos como foto do presidente. O pai de santo não deu nome aos burros.

* O Globo opinando sobre o já velho e engavetado escândalo do metrô (a investigação de agora é do Cade, apenas administrativa, portanto) no terreiro do PSDB. Como se sabe, tucano não é corrupto, no máximo "tem evidências de relações não republicanas com as empresas".


* O PMDB está preocupado com a imagem de corrupto e mudou de nome. Volta a se chamar MDB. tal qual a antiga sigla com que foi fundado pela ditadura militar. É como o Super Homem, que basta botar uns óculos vira Clark Kent e ninguém reconhece.

* Folha de São Paulo avisa que Maluf se entregou "para ser preso". E eu pensando que era para um churrasco de fim de ano na PF, um convite para o Natal do Ministério Público ou um reunião nostálgica de "amigo oculto" sobre o processo dele que começou nos distantes anos 90.

* Ouvido nos becos e botecos: "É verdade que Gilmar Mendes descerá de helicóptero no Maracanã, vestido de Papai Noel e fará distribuição de habeas corpus gratuitos?".


Robótica: as androides já chegaram e dão até entrevista...

Reprodução
por Ed Sá
O cinema já mostrou muitos robôs a serviço do homem. Geralmente eram mordomos, secretários ou aventureiros como os simpáticos R2d2 ou C-3PO de StarWars. Mas isso era ficção. Na real, os robôs humanoides que estão no mercado e cada vez mais evoluídos são as bonecas sexuais inteligentes. Você só não se deparou com uma dessas no quarto do seu sobrinho nerd porque o preço ainda é proibitivo: os modelos mais sofisticados custam em torno de 20 a 30 mil reais dependendo da configuração e dos requisitos que o freguês desejar. Não por acaso, os maiores compradores estão nos países desenvolvidos, pela ordem, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e França.
Elas demonstram emoções, têm um vocabulário básico (algumas conversam fluentemente e guardam milhares de frases no HD), sensores em zonas erógenas e foram esteticamente aperfeiçoadas (esqueça aqueles jurássicos modelos infláveis que só motivavam presidiários nas solitárias de Alcatraz).
O mercado está em alta com a evolução da robótica e da nanotecnologia, mas o que impulsiona a indústria é o modo de vida atual, com menos oportunidades de convivência social. Os marqueteiros da nova indústria partem para a provocação e adicionam um novo quesito nessa análise: bonecas não fazem denúncia de assédio sexual. Isso não envolve qualquer crítica às mulheres que defendem seu direito de dizer não e reagem aos importunadores, mas é um novo dado mercadológico em avaliação pelos fabricantes. A tendência é que muitos homens, principalmente aqueles sem ficha corrida de assédios e conscientes dos novos comportamentos, redobrem a cautela e evitem abordagens que corram o risco, mínimo que seja, de serem interpretadas como inapropriadas. Estes se sentirão mais seguros com a imitação tecnológica.
Se serão felizes, o tempo dirá. Mas, com certeza, será difícil esperar que uma androide, por mais aperfeiçoada que seja, inspire um Vinicius de Moraes do futuro. 
VEJA UMA CÔMICA ENTREVISTA COM UMA ANDROIDE. CLIQUE AQUI

"Ela sabia". Meryl Streep é criticada por não revelar o histórico de assédio sexual do produtor Harvey Weinstein

por Ed Sá 
Sobrou para Meryl Streep. Circula nas redes sociais uma foto da atriz com o produtor Harvey Weinstein, que assediou onze em cada dez estrelas de Hollywood. Na imagem, uma venda onde se lê:  "She Knew". A informação é do Mashable.

Streep é acusada de ter ficado calada durante anos embora soubesse das investidas predatórias de Weinstein.

Ela nega que tivesse conhecimento dos casos e confirma que vai se vestir de preto em todas as premiações, inclusive no Oscar, para demonstrar seu repúdio ao assédio sexual.

Revista Carioquice vira Almanaque. Conheça o Rio que diz "Xô, baixo astral!"


Lançada há 12 anos, a revista trimestral Carioquice, do Instituto Cultural Cravo Albin, muda de formato e de periodicidade. Passa a se chamar Almanaque Carioquice e será anual.
Veja no link abaixo:
http://almanaquecarioquice.com.br/pdf/almanaque.pdf

Marcelo Odebrecht no Le Monde. Oh, que delícia de prisão...



por Jean-Paul Lagarride

O Le Monde destaca a chegada em sua mansão - que o jornal chama de palácio - de Marcelo Odebrecht.

O empresário se junta ao time dos delatores premiados que voltam a levar boa vida. Odebrecht chegou a São Paulo a bordo de avião fretado por ele. A mansão tem piscinas, ginásio, home theater. Se os acusados de corrupção da Arábia Saudita estão hospedados em um hotel de luxo, o "príncipe", como era conhecido antes da investigação da "Lavage Express", tem seu próprio cinco estrelas.

A foto do Le Monde mostra a agitação dos fotógrafos diante da mansão-prisão. Segundo o Le Monde,  Odebrecht deixou saudades na prisão, em Curitiba: ele compartilhava com o demais presos iguarias que recebia durante visitas da mulher.

O "preso" pode receber visitas, mas com limites de até 15 pessoas, o que parece suficiente. Vamos combinar que não são esperadas mais de 15 pessoas para ver um empresário que entregou à Justiça um arquivo com 200 nomes de políticos, autoridades e funcionários que receberam propina.

Que, sem perder a elegância, chamamos de pot-de-vin.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A melhor arma do jornalismo profissional contra fake news é a velha e boa honestidade aliada a uma antiga lição: apurar antes de publicar. Parece básico, mas não é...

por José Esmeraldo Gonçalves

Em tempo de fake news - fenômeno impulsionado por redes sociais, mas ao qual a grande mídia nunca esteve imune -, uma tentativa de fazer com que o Washington Post caísse em uma armadilha apontou para uma antiga lição: nunca dispensar a apuração rigorosa dos fatos antes da publicação.

É norma básica do jornalismo, até "cláusula pétrea", como se diz da Constituição, mas é muitas vezes desprezada pela pressa (nos sites dos veículos é grande a pressão para volume de cliques), por engano ou por interesses políticos, corporativos e até pessoais dos veículos, dos seus editores e colunistas.

A maior parte das fake news que circula em redes sociais, os fatos mais absurdos e até inverossímeis, é compartilhada e passada adiante por pessoas que "querem muito" acreditar naquele conteúdo que "combina" com suas ideias ou opiniões sobre determinados fatos ou pessoas. Não seria exagero dizer que o mesmo sentimento ou interesse pode levar um jornalista a ser, digamos, receptivo, a uma notícia falsa. Os bons profissionais devem resistir a esse impulso e deixar permanentemente ligado o alerta de fake news.   

O Veritas Project, organização americana de extrema direita, enviou um email à repórter Beth Reinhard com um "dica" explosiva sobre Roy Moore, candidato ao senado do Alabama. Segundo a "fonte", o político teria se envolvido com adolescentes no fim dos anos 1970 e obrigado uma delas a fazer um aborto. A repórter entrevistou a "fonte" duas vezes, percebeu lacunas do relato, incoerências, recusa em dar detalhes precisos sobre a suposta vítima. O Washington Post não publicou a história e optou corretamente por apurar e denunciar o grupo especializado em produzir fake news.

O Washington Post admite o uso eventual de "fonte" não identificada. Mas os editores exigem, nesse caso, que os repórteres investiguem seus informantes, suas ligações e, principalmente, suas motivações. Qual o interesse em passar adiante determinada informação? Em quais circunstâncias teve acesso à informação? A quem será útil? Quem se beneficiará daquela revelação, o leitor ou a "fonte'?

A grande mídia brasileira está longe de ser assim tão rigorosa. Claro que já foi pior. Aqui, há um flagrante excesso no uso da figura de "um interlocutor", "uma pessoa próxima" e "fontes ligadas ao fulano" etc, não como uma indicação para a apuração de uma informação, mas como a própria informação pronta e acabada e assim levada ao público. Nos anos 1950 e 1960, algumas reportagens eram peças de ficção, como seus próprios autores revelaram anos depois. Na década de 1970, a mídia ratificava as versões oficiais sobre fatos que envolviam a guerrilha urbana, crises econômicas e omitia, por exemplo, tragédias ambientais e o extermínio de tribos cometidos em obras como a Transamazônica e a instalação de agrovilas em plena floresta. Nem sempre sob veto da censura, quando esta estava ao lado dos mesmos e corporativos interesses. Houve depois o Caso da Escola Base, do programa de TV entrevistando falso líder do PCC, outro que exaltou falso filho do dono de uma companhia aérea, além de pós-verdades e omissões deliberadas de determinados escândalos de corrupção. Há pouco meses, o caso do reitor Luiz Carlos Cancellier, da Universidade Federal de Santa Catarina, mostrou a passividade da grande mídia diante da versão oficial de uma operação contra suposto desvio de recursos na instituição. O reitor foi enfaticamente citado como envolvido nos roubos, quando estes, se efetivamente provados, aconteceram antes da sua gestão. Cancellier era alvo da operação apenas por uma também até aqui suposta "interferência nas investigações". O reitor, como se sabe, se suicidou e, em bilhete, atribuiu o gesto à injustiça sofrida, o que nenhuma agência de checagem ajudaria a corrigir.

O aparecimento de agências de checagem de notícias, especialmente sobre fatos ou declarações que têm origem nos discursos e números que autoridades divulgam, é bem-vindo. Mas não basta, até porque a checagem é feita a posteriori. Se a notícia publicada for falsa, os seus efeitos já terão se realizado. Muito antes da onda das fake news alguns colunistas já eram criticados por publicar a notinha recebida de uma "fonte", não checa-la (sob a alegação de "falta de tempo") e, no dia seguinte, publicar o desmentido. Com se fosse legítima essa espécie de efeito suspensivo da fake news por 24 horas. E os danos às vítimas da informação inverídica?

No ano que vem, prevê-se, no Brasil, tsunamis de fake news, robôs e algoritmos como elementos de  campanhas eleitorais. A participação das agências e sites de checagem será essencial. E o rigor na apuração dos fatos e notinhas, antes da publicação e não como suíte de matérias e colunas, é o que os leitores merecem esperar da grande mídia.

Há alguns meses, The New York Times - precisamente em função dos efeitos das polêmicas sobre a cobertura das últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos -, lançou uma grande campanha publicitária cujo tema seria bem aplicado aqui no complicado ano que vem: “The Truth Is Hard to Find”.

Fácil não é, mas deveria se obrigatória.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Montreux, 1985 - A noite mágica de João Gilberto, segundo Roberto Muggiati

João Gilberto está na Veja dessa semana. Não há música nem poesia nessa matéria de capa. Aos 86 anos, o cantor e compositor, uma lenda da bossa nova, vive um drama pessoal. Há muitos momentos marcantes na brilhante trajetória do genial baiano de Juazeiro desde o seu disco de estreia, o Chega de Saudade, que entrou para a história. Mas sua performance no Montreux Jazz Festival, em 1985, é apontada como a melhor hora de João Gilberto. Foi também uma dramática queda-de-braço entre ele e Tom Jobim, uma confrontação terrível entre as duas figuras maiores de bossa nova. O editor Roberto Muggiati e a fotógrafa Lena Muggiati estavam lá. Aconteceu (na Suíça), virou Manchete...