Com os milhões de dólares dos Irmãos Koch, David and Bill Koch - dupla de republicanos bilionários que demonstrou forte resistência a apoiar a candidatura de Donald Trump -, o grupo Meredith, dono da Sports Illustrated e da Fortune, entre outras publicações, adquiriu o controle da revista Time por 2,8 bi de dólares. A compra foi anunciada ainda no clima da Black Friday.
A Meredith afirma que os Koch não terão influência editorial na Toime. O que é difícil de acreditar. Nos últimos meses, amigos de Trump tentaram promover uma aproximação entre o presidente e os Koch.
De qualquer forma, com base no perfil do Meredith e na inevitável influência dos financiadores, a guinada da time deve acentuar uma tendência de avanço do conservadorismo na mídia americana.
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Capa da Veja revolta advogados da Lava Jato
por Flávio Sépia
A capa da Veja antecipada aqui na última sexta-feira, sobre advogados que estão ficando milionários no embalo das causas da Lava Jato provocou reações dos criminalistas.
O site especializado Conjur publica notas de Adriano Bretas, que aparece na capa fumando um charuto, e de Antonio Carlos Kakey, citado na matéria como sendo da "realeza" que cobra 10 milhões de reais por causa.
LEIA NO CONJUR, AQUI
A capa da Veja antecipada aqui na última sexta-feira, sobre advogados que estão ficando milionários no embalo das causas da Lava Jato provocou reações dos criminalistas.
O site especializado Conjur publica notas de Adriano Bretas, que aparece na capa fumando um charuto, e de Antonio Carlos Kakey, citado na matéria como sendo da "realeza" que cobra 10 milhões de reais por causa.
LEIA NO CONJUR, AQUI
Aeroportos: passageiro sofre...
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| (Foto Ranker) Nem ponte telescópica nem ônibus: passageiros aguardam o avião já na escada. Prático. |
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| (Foto Ranker) A freira revistada... |
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| ...mostrou menos do que a passageira laica. |
Viajar é ótimo, concorda? Mas os aeroportos em todo o mundo se transformaram em um tipo de centro de torturas. Dois fatores atuam em conjunto para atormentar os passageiros: as numerosas medidas de segurança adotadas desde o 11 de setembro e mais restritivas ainda desde o aparecimento do Estado Islâmico e a eliminação progressiva de serviços promovida pelas grandes companhias no embalo da filosofia do low cust ou no-frill.
O site My Daily Magazine reuniu uma galeria de fotos de situações estranhas em aeroportos, a maioria cômicas se não fossem trágicas. Tédio, detetores de metal, longas esperas, terminais congestionados, tudo isso rende boas e inusitadas imagens.
E a diversão que resta aos portadores de smartphones é registar a vida como ela é antes do voo partir...
VEJA MAIS FOTOS EM MY DAILY MAGAZINE, CLIQUE AQUI
Mundo em Manchete: o calendário que vem a cavalo
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| Foto David Simpson/Divulgação |
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| Foto David Simpson/Divulgação |
Os supervilões do Brasileirão
Ao fim da temporada, a CBF faz a festa de premiação dos melhores do ano.
Os deste ano ainda não foram escolhidos. Mas os vilões, sim.
•Na Ilha do Urubu, o goleiro do Flamengo Alex Roberto, vulgo Muralha,
deu dois gols de bandeja (e a vitória) ao Santos.
•Também em casa, no Moysés Lucarelli, a Ponte Preta, que ganhava de 2x0
do Vitória, teve Rodrigo (ex-Vasco, já foi tarde!) expulso por uma besteira
(uma dedada no jogador adversário), perdeu o jogo de virada, teve o estádio
depredado pela torcida e foi rebaixada para a segundona.
Os deste ano ainda não foram escolhidos. Mas os vilões, sim.
•Na Ilha do Urubu, o goleiro do Flamengo Alex Roberto, vulgo Muralha,
deu dois gols de bandeja (e a vitória) ao Santos.
•Também em casa, no Moysés Lucarelli, a Ponte Preta, que ganhava de 2x0
do Vitória, teve Rodrigo (ex-Vasco, já foi tarde!) expulso por uma besteira
(uma dedada no jogador adversário), perdeu o jogo de virada, teve o estádio
depredado pela torcida e foi rebaixada para a segundona.
A crônica "imerecida"...
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| Jogadores do Vasco comemoram vitória "imerecida", na opinião do cronista do Globo. Foto Carlos Gregório Jr./Vasco |
Carta a um cronista
Caxias, 27 de novembro de 2017
Prezado Dr. Jornalista Fernando Calazans
Com todo o sufoco e com o time possível, o Vasco fez uma campanha melhor do que a torcida esperava para o Brasileirão 2017. No começo do ano, a coisa tava feia. Ontem, o time ganhou do Cruzeiro, por 1X0, no poleiro do adversário. E o doutor escreve hoje que a vitória foi "imerecida"? Se não fosse o goleiro Martin, o Vasco, falou o patrão cronista, tinha deixado BH com uma derrota "merecida". O raciocínio é torto, é ruinzinho. Os peladeiros dizem aqui que no futebol não tem vitória "imerecida". Jogou, ganhou dentro das regras do futebol? Mereceu, claro.
Martin jogou muito bem e pegou bolas difíceis. Mas, e daí? Martin é jogador do Vasco, mandou bem. Se no lugar dele um gandula tivesse entrado em campo e fechado o gol, aí sim, o doutor cronista tinha razão. Vitória "imerecida".
Os caras treinam, ralam, o professor Zé Ricardo estuda o adversário (e arma a defesa muito bem), o goleiro pega todas, Paulão faz um gol (ele é jogador do Vasco, por acaso, e não um sujeito que foi entregar uma pizza a um torcedor e aproveitou para fazer um gol), o Cruzeiro tentou mas não foi capaz de mexer no placar e o cronista escreve que tudo isso foi "imerecido". O Vasco jogou bem? Não. Mas foi maior do que os defeitos, fez o gol, se defendeu bem e até teve duas boas chances para fazer o segundo gol.
Talvez o doutor cronista queira que a Fifa crie nova regra: se a vitória for "imerecida", o vencedor leva só dois pontos em vez dos três regulamentares.
Imerecida foi a crônica que o doutor Calazans escreveu hoje.
Casaca, casaca, casaca.
Do seu leitor, Lourival de Caxias
domingo, 26 de novembro de 2017
Faça humor, não faça ódio...
De Jô Soares, que está lançando o "O Livro de Jô (Companhia das Letras), em entrevista a Bruno Meier, da Veja:
- É mais difícil fazer humor hoje, então?
- Tenho 58 anos de profissão, com carteira assinada, e nunca vi uma coisa tão raivosa e medíocre de certas pessoas. Você viu o o ódio que as pessoas colocam nos comentários sobre o João Gilberto? E com a Fernanda Montenegro? Ou sobre a Daniela Thomas? Disseram: “ah, mas ela é ligada a toda-poderosa Globo” ou “Claro, uma pessoa que fez o show de abertura das Olimpíadas”. Ah, pera lá, ligar a Daniela Thomas ao Nuzman (Carlos Arthur Nuzman, do Comitê Olímpico Brasileiro)? Mas há de se fazer humor mesmo assim. A grande arma do humor é a anarquia. Falo para os humoristas: façam, mesmo sob risco de serem apedrejados.
- É mais difícil fazer humor hoje, então?
- Tenho 58 anos de profissão, com carteira assinada, e nunca vi uma coisa tão raivosa e medíocre de certas pessoas. Você viu o o ódio que as pessoas colocam nos comentários sobre o João Gilberto? E com a Fernanda Montenegro? Ou sobre a Daniela Thomas? Disseram: “ah, mas ela é ligada a toda-poderosa Globo” ou “Claro, uma pessoa que fez o show de abertura das Olimpíadas”. Ah, pera lá, ligar a Daniela Thomas ao Nuzman (Carlos Arthur Nuzman, do Comitê Olímpico Brasileiro)? Mas há de se fazer humor mesmo assim. A grande arma do humor é a anarquia. Falo para os humoristas: façam, mesmo sob risco de serem apedrejados.
Passaralho de Natal...
Ainda como consequência da unificação da produção jornalística Globo/Globosat nuvens pesadas pairam sobre equipes da líder. Rumores apontam para desfechos antes do Natal. Preocupações botaram água em chopes do fim de semana carioca.
Trump diz que recusou título de Pessoa do Ano de 2017. Revista Time desmente
O site da Time publicou ontem um esclarecimento. É que Donald Trump postou no Twitter, há poucos dias, um comentário que envolve a escolha do Homem do Ano de 2017.
"A Time Magazine ligou para dizer que eu provavelmente seria eleito 'Homem (Pessoa) do Ano', como no ano passado. Mas eu teria que concordar com uma entrevista e uma grande sessão de fotos. Eu disse que provavelmente isso não é bom e dispensei. Obrigado mesmo! ", escreveu Trump
A Time respondeu:
"O presidente está incorreto sobre como escolhemos a Pessoa do Ano. A Time não faz comentários sobre nossa escolha até a publicação, que é 6 de dezembro".
Fome zero em Benfica...
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| Goumetizaram a bóia... |
* Cardápio Cordon Bleu em Benfica, que merece mudança de grafia: BEM FICA.
* O apetite para roubar foi incomensurável, mas é preciso ser muito cara-de-pau, ou, na definição forense, "psicopata social", para querer degustar comes-e-bebes gourmets numa situação destas.
* O que mais surpreende é o apetite pantagruélico que
têm estes monstros.
* Não sei se repararam nos iogurtes Activia, aqueles que ajudam a liberar
os intestinos... Depois da merda toda que já fizeram?!
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| Cine Benfica: Cena do filme A Festa de Babette. |
* Precisamos também saber o nome dos restaurantes colaboracionistas da Zona Sul do Rio que mandaram estes mimos para a quadrilha de Cabral...
* A pergunta que não quer calar: como as iguarias entraram no presídio? A hipótese de uma "'mula" ter levado o prato do dia em cueca extra large não foi descartada.
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| Rue Mouffetard. Foto Office de Tourisme/Paris |
* A realeza da Arábia Saudita prendeu príncipes corruptos no
hotel cinco estrelas Ritz-Carlton, em Riad. Presos de Benfica se queixam de que o Brasil é mesmo um país pobre e brega.
Um amigo do blog observa que a farra de Benfica está mais para La Grande Bouffe do que para A Festa de Babette.
No filme, Marcello Mastroianni, Michel Piccoli, Ugo Tognazi, Philippe Noiret e Andréa Ferreol se confinam numa casa para comer até morrer.
La grande bouffle (em italiano: La grande abbuffata; no Brasil, A Comilança; em Portugal, A Grande Farra) é um filme franco-italiano de 1973, um drama dirigido por Marco Ferreri.
No filme, Marcello Mastroianni, Michel Piccoli, Ugo Tognazi, Philippe Noiret e Andréa Ferreol se confinam numa casa para comer até morrer.
La grande bouffle (em italiano: La grande abbuffata; no Brasil, A Comilança; em Portugal, A Grande Farra) é um filme franco-italiano de 1973, um drama dirigido por Marco Ferreri.
sábado, 25 de novembro de 2017
Caso Globo/Fifa chega ao MPF-RJ
Segundo o Blog do Perrone, Raquel Dodge, procuradora-geral da República, encaminhou para o MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro) denúncia de três partidos contra a Globo. A acusação é de pagamento de propina na compra de direitos de transmissão das Copas do Mundo de 20026 e 2030, além de jogos da Libertadores e da Copa Sul-Americana. No Rio, a procuradoria vai decidir se abre investigação sobre o caso. A emissora nega irregularidades e disse que não pode comentar o assunto por não ter sido notificada ou informada oficialmente.
LEIA NO BLOG DO PERRONE/UOL, CLIQUE AQUI
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Garotinho: o Sir Laurence Olivier dos Goytacazes
por O.V.Pochê
Sem entrar no mérito do que aconteceu ou não.
Está na hora do Brasil reconhecer o talento dramático de Anthony Garotinho. O infante de Campos dos Goytacazes acumula interpretações magistrais na sua tortuosa trajetória política dublada de uma House of Cards campista. É o Sir Laurence Olivier da política.
Em 2006, Garotinho fez uma greve de fome de 11 dias que, se não fosse um ato político, deveria ser uma recomendação médica. O protesto era contra a mídia que desconstruía sua imagem e perseguição política. Ele se queixava de matéria publicadas em revistas e jornais sobre acusações de irregularidades nas doações eleitorais e suposta ligação com contratos de prestação de serviços para o governo do Rio, então sob o comando da patroa Rosinha Matheus. Nada muito diferente do que é alvo agora. Ao fim da greve de fome, Garotinho conseguiu ser internado em hospital de cinco estrelas, foi examinado, tudo OK, estava bem, com saúde de vaca premiada. Estava tão bem que despertou suspeitas de que alguma muamba calórica havia entrado na sua cela do grevista famélico.
Em 2016, em uma das mais dramáticas sequências do telejornalismo, Garotinho foi visto gritando e esperneando em uma maca por recusar transferência de um hospital para o presídio em Bangu. A cena foi de terrir. Ele é transportado e uma maca, aparentemente calmo, talvez sob efeito de medicamentos, mas acesos os refletores subitamente se ergue e se debate até ser contido, com dificuldade, diga-se, tamanha sua energia de convalescente, por policiais e enfermeiros.
Em outra das suas prisões, já neste 2017, a PF foi buscá-lo em pleno estúdio de rádio onde o infante fazia seu programa. Garotinho foi levado aos costumes, mas a preocupação com a imagem não foi deixada de lado. Sua equipe informou no ar que o chefe parou de falar por "recomendação médica". "Nosso Garotinho até tentou, você viu, ele até tentou fazer o programa hoje, mas a voz foi embora. Orientação médica é que ele pare de falar" — disse no ar o locutor substituto. Garotinho realmente sofria de um problema de voz: "voz de prisão", foi o que a cidade inteira comentou.
Preso mais uma vez, nessa semana, Garotinho protagoniza um episódio supostamente teatral. Em plena madrugada, como em um filme de terror em Alcatraz, um sujeito invade a cela do ex-governador e dá-lhe um corretivo à base de um cacete. Garotinho diz que adormeceu e foi acordado por "um homem de 1,70m, branco, alourado, de calça jeans, sapato e blusa azul claro, com um bastão parecido com um taco de beisebol. Garotinho afirma que pode fornecer dados para um retrato falado. Não precisa. Qualquer filme americano que mostre um jogo de beisebol tem um cara com esse perfil.
Apesar de estar com um porrete esportivo, o algoz não o usou muito. Segundo a própria vítima, o invasor deu-lhe uma pisão no pé e uma pancada que teria ferido mas não avariado o joelho. As câmeras do presídio não registraram a chegada do suposto jagunço no corredor de acesso à cela de Garotinho. A polícia está apurando o caso, há suspeitas de falsa comunicação de crime, e uma autoridade levanta a hipótese de que Garotinho teve um pesadelo ou um surto de delírio.
Talvez seja necessário apurar se o ex-governador assistiu recentemente ao filme "Campo dos Sonhos". É a história, lembra?, de um fazendeiro do Iowa que ouve, em sonho, uma voz que manda construir um campo de beisebol. Ele atende à intimação do Além e constrói o campo onde recebe para jogar antigos ídolos já mortos. Alguns deles alourados, de jeans, blusa azul e taco de beisebol.
Ou, vai ver, alguma comida fez mal e Garotinho teve pesadelos. Coincidentemente, o Ministério Público do Estado do Rio encontrou no presídio de Benfica uma remessa de alimentos proibidos. E que menu: queijo francês, presunto importado. bolinhos de bacalhau, iogurte, castanhas, camarão e bebidas. Segundo o MP-RJ, iguarias desse bufê irregular foram encontradas nas celas de Sérgio Cabral, Garotinho, Rosinha Garotinho, Adriana Ancelmo e Jacob Barata.
A turnê vai ganhar novo palco, quero dizer, nova cela: Depois do episódio do taco de beisebol, a Justiça transferiu Garotinho de Benfica, onde ele se sentia ameaçado, para o complexo penitenciário de Bangu.
Sem entrar no mérito do que aconteceu ou não.
Está na hora do Brasil reconhecer o talento dramático de Anthony Garotinho. O infante de Campos dos Goytacazes acumula interpretações magistrais na sua tortuosa trajetória política dublada de uma House of Cards campista. É o Sir Laurence Olivier da política.
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| Charge de Latuff publicada em 2006. Reprodução CMI Brasil |
Em 2016, em uma das mais dramáticas sequências do telejornalismo, Garotinho foi visto gritando e esperneando em uma maca por recusar transferência de um hospital para o presídio em Bangu. A cena foi de terrir. Ele é transportado e uma maca, aparentemente calmo, talvez sob efeito de medicamentos, mas acesos os refletores subitamente se ergue e se debate até ser contido, com dificuldade, diga-se, tamanha sua energia de convalescente, por policiais e enfermeiros.
Em outra das suas prisões, já neste 2017, a PF foi buscá-lo em pleno estúdio de rádio onde o infante fazia seu programa. Garotinho foi levado aos costumes, mas a preocupação com a imagem não foi deixada de lado. Sua equipe informou no ar que o chefe parou de falar por "recomendação médica". "Nosso Garotinho até tentou, você viu, ele até tentou fazer o programa hoje, mas a voz foi embora. Orientação médica é que ele pare de falar" — disse no ar o locutor substituto. Garotinho realmente sofria de um problema de voz: "voz de prisão", foi o que a cidade inteira comentou.
Preso mais uma vez, nessa semana, Garotinho protagoniza um episódio supostamente teatral. Em plena madrugada, como em um filme de terror em Alcatraz, um sujeito invade a cela do ex-governador e dá-lhe um corretivo à base de um cacete. Garotinho diz que adormeceu e foi acordado por "um homem de 1,70m, branco, alourado, de calça jeans, sapato e blusa azul claro, com um bastão parecido com um taco de beisebol. Garotinho afirma que pode fornecer dados para um retrato falado. Não precisa. Qualquer filme americano que mostre um jogo de beisebol tem um cara com esse perfil.
Apesar de estar com um porrete esportivo, o algoz não o usou muito. Segundo a própria vítima, o invasor deu-lhe uma pisão no pé e uma pancada que teria ferido mas não avariado o joelho. As câmeras do presídio não registraram a chegada do suposto jagunço no corredor de acesso à cela de Garotinho. A polícia está apurando o caso, há suspeitas de falsa comunicação de crime, e uma autoridade levanta a hipótese de que Garotinho teve um pesadelo ou um surto de delírio.
Talvez seja necessário apurar se o ex-governador assistiu recentemente ao filme "Campo dos Sonhos". É a história, lembra?, de um fazendeiro do Iowa que ouve, em sonho, uma voz que manda construir um campo de beisebol. Ele atende à intimação do Além e constrói o campo onde recebe para jogar antigos ídolos já mortos. Alguns deles alourados, de jeans, blusa azul e taco de beisebol.
Ou, vai ver, alguma comida fez mal e Garotinho teve pesadelos. Coincidentemente, o Ministério Público do Estado do Rio encontrou no presídio de Benfica uma remessa de alimentos proibidos. E que menu: queijo francês, presunto importado. bolinhos de bacalhau, iogurte, castanhas, camarão e bebidas. Segundo o MP-RJ, iguarias desse bufê irregular foram encontradas nas celas de Sérgio Cabral, Garotinho, Rosinha Garotinho, Adriana Ancelmo e Jacob Barata.
A turnê vai ganhar novo palco, quero dizer, nova cela: Depois do episódio do taco de beisebol, a Justiça transferiu Garotinho de Benfica, onde ele se sentia ameaçado, para o complexo penitenciário de Bangu.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Na capa da Veja: o PIB da Lava Jato vai pro bolso dos advogados premiados
por Flávio Sépia
A Lava Jato, além de encurralar corruptos, gerou, digamos, um braço comercial.
Do lado da lei, algumas figuras envolvidas ganharam notoriedade e passaram a faturar algum, muito algum, em palestras promovidas por veículos jornalísticos, empresas e instituições. Produtores de filmes e editores de livros também tiraram uma casquinha nos escândalos. Jornalísticos da TV ganham em audiência sempre que as denúncias se elevam aos picos. Empresas que vendem tornozeleiras tiveram que acelerar as linhas de montagem.
Mas o que a Veja dessa semana destaca são os novos ricos turbinados pelos processos que envolvem políticos, ricos funcionários e poderosos empresários. Os advogados de acusados e delatores são os verdadeiros premiados.
Em declarações recentes, o novo chefe da Polícia Federal, Fernando Segóvia, disse que as investigações da Lava Jato acabam ano que vem, antes do início do processo eleitoral. Depois disso, levará mais algum tempo nos tribunais. De qualquer forma, quando acabar, vai deixar muita gente com saudade.
Se bem que, como diz um amigo, há suspeitas de que Brasília não descansa e de tanto atender a lobbies corporativos nacionais e internacionais já está plantando as sementes da Lava Jato do futuro.
Os filhos e netos dos atuais advogado, se seguirem as profissões dos pais, estarão com o boi na sombra...
ATUALIZAÇÃO - Veja "esquenta" capa da semana. Matéria dos advogados vai para "janela" e versão com os residentes do presídio Benfica ganha destaque.
Deu na web: imagem de fotógrafo misterioso refletida em visor do capacete de astronauta reacende polêmica de falsa viagem à Lua...
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| A foto do pouso da Apollo 17: internautas identificam no... |
![]() |
| ...visor do capacete do astronauta o reflexo do autor da foto que não está usando o escafandro indispensável no ambiente lunar. |
O homem não voltou à Lua, mas a internet não esquece a polêmica do fake flight. Nos últimos duas circula na web uma foto de um voo da Nasa, o da Apollo 17, lançada em 1972, onde os adeptos da teoria de que foi tudo encenação apontam uma imagem do autor da foto no reflexo do capacete do astronauta. O detalhe é que o fotógrafo tem cabelos compridos e não usa qualquer roupa ou escafandro especial.
No ano passado, os Estados Unidos revelaram a intenção de voltar à Lua em voos tripulados. Trump não falou mais no assunto. Os chineses também levantaram essa possibilidade mas ou deixaram o projeto de lado ou estão trabalhando em silêncio.
O homem foi à Lua na Apollo 11 há quase 50 anos, em julho de 1969. Mas até hoje há quem duvide.
Livros e filmes sobre o assunto já "provaram" que tudo foi uma farsa para cumprir a promessa de John Kennedy, feita em 1961, de que até o fim daquela década os Estados Unidos colocariam um homem no solo lunar.
As cenas que o mundo viu teriam sido feitas em um estúdio de Nevada e dirigidas por Stanley Kubrick.
Muitos indícios da suposta falsidade das imagens foram apontados: sombras irregulares, bandeira tremulando quando na lua não há vento, as fotos e vídeos não mostram estrelas no céu, pouso e na decolagem o vídeo não mostra chamas saindo do motor do foguete e as marcas de botas parecem ter sido feitas em solo úmido e na Lua não tem água.
A foto no alto volta a esquentar uma polêmica que se non e vero, farti ridere..
VEJA VIDEO COM MAIS IMAGENS E DETALHES "SUSPEITOS" DA FOTO, CLIQUE AQUI
Há alguns anos também circulou na rede um vídeo que provaria que Stanley Kubrick fez a filmagem fake do pouso na Lua. Segundo o vídeo, Kubrick teria usado o filme O Iluminado para "confessar" que dirigiu a farsa. Em carta aberta divulgada no twitter, a filha do cineasta, Vivian Kubrick, denunciou o hoax. "Vocês não acham que ele seria a última pessoa a ajudar o governo dos Estados Unidos numa terrível traição de seu povo?!?", escreveu ela, indignada.
VEJA O VÍDEO QUE RELACIONA O FILME O ILUMINADO À POLÊMICA DO POUSO NA LUA, CLIQUE AQUI
Ator e escritor Pedro Cardoso abandona programa ao vivo da TV Brasil, apoia grevistas da EBC, critica governo Temer e agressões à atriz Taís Araújo
Convidado a falar sobre "O Livro dos Títulos", que acaba de lançar, o ator Pedro Cardoso foi ao “Sem Censura”, da TV Brasil, ontem. Mas acabou abandonando o programa ao vivo e ainda mandou um recado em apoio aos grevistas da EBC, além de criticar o presidente da estatal Laerte Rimoli.
VEJA O VIDEO, CLIQUE AQUI
VEJA O VIDEO, CLIQUE AQUI
Presidente da EBC de Temer e Secretário de Educação de Crivella atacam Taís Araújo. Sindicatos de Jornalistas, Radialistas e empregados da EBC divulgam nota de repúdio ao racismo
Um vídeo da atriz Taís Araújo durante palestra TEDXSão Paulo, gravado em agosto mas só divulgado agora, foi a polêmica da semana com ampla repercussão nas redes sociais. Naquela ocasião, Taís falou sobre o tema "Como criar crianças doces num país ácido” e abordou racismo e misoginia. Sobre o seu filho mais velho, de 6 anos, ela comentou: "Quando ele se tornar adolescente, ele não vai ter a liberdade de ir para sua escola, pegar uma condução, um ônibus, com sua mochila, com seu boné, seu capuz, com seu andar adolescente, sem correr o risco de levar uma investida violenta da polícia. Ao ser confundido com um bandido. No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e blindem seus carros".
Foi o que bastou para a brigada do ódio afiar suas armas.
Pelo menos duas pessoas com cargos públicos cerraram fileira ao lado dos raivosos.
O Secretário de Educação de Marcelo Crivella - um governo que dá sinais de intolerâncias variadas - rebateu com virulência a opinião da atriz.
"Nossa maior conquista — o conceito de povo brasileiro — desapareceu entre os bem-pensantes. Qualquer idiotice racial prospera. A última delas é uma linda e cheirosa atriz global dizer que as pessoas mudam de calçada quando enxergam o filho dela, que também deve ser lindo e cheiroso. Vocês replicam essa idiotice", escreveu o "secretário de Educação" de Crivella em post no Facebook.
Já o presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Laerte Rimoli, nomeado por Michel Temer, partiu para o deboche e compartilhou em sua página publicações racistas.
Governos sérios, em qualquer país, já teriam demitido essas duas figuras.
Leia a íntegra da nota:
“Rimoli não desrespeitou só a atriz Taís Araújo, mas toda sociedade brasileira e a própria EBC
Nós, trabalhadores e trabalhadoras em greve da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), repudiamos com veemência os ataques racistas do presidente da EBC, Laerte Rimoli, à atriz Taís Araújo, sua família, toda sociedade brasileira e os princípios fundadores da Empresa Brasil de Comunicação.
As publicações racistas foram compartilhadas no perfil do presidente no Facebook, em modo público. Esse comportamento deplorável vai contra o posicionamento dos empregados e empregadas, que sempre lutaram por uma comunicação pública diversa, inclusiva, livre de preconceitos. Laerte Rimoli descumpre a própria lei que regulamenta a EBC e vai de encontro ao papel social da comunicação pública ao publicar comentários preconceituosos, contra os códigos de ética do serviço público e dos jornalistas.
Com nossas produções no rádio, na televisão e na web, nós, empregados e empregadas da EBC, lutamos diariamente contra a discriminação e o preconceito racial tão presentes na nossa sociedade. Um exemplo disso é que a EBC foi pioneira em práticas de afirmação contra a discriminação racial. Fomos a primeira TV aberta a exibir telenovelas com elenco majoritariamente negro, tivemos o primeiro correspondente fixo no continente africano e fomos a primeira televisão a exibir um desenho infantil com personagens negros. Assim, não aceitamos tal postura e exigimos respostas institucionais a esse desrespeito, incluindo ação imediata do Ministério Público Federal.
A atual gestão da EBC chegou junto à Medida Provisória 744, que entre outras providências extinguiu o Conselho Curador, um importante órgão que garantia a participação da sociedade na construção editorial da Empresa, colocando em xeque o compromisso com a diversidade que é natural da comunicação pública. O racismo, escancarado pelas piadas compartilhadas pelo atual diretor-presidente, hoje se reflete também dentro da EBC: contam-se nos dedos os funcionários que, atualmente, lideram equipes, têm funções de confiança ou estão em posição de destaque, como a reportagem em vídeo e a apresentação de programas. Em uma empresa onde a diversidade de gênero, raça e orientação sexual deveria ser prioridade, repete-se o triste estigma social e estético, que coloca as mulheres negras ocupando posições desfavoráveis ao seu protagonismo, prejudicando a imagem de representatividade que deveria chegar a cada cidadão e cidadã – os primeiros e mais importantes focos da comunicação pública.
A EBC pertence à sociedade brasileira, composta em sua maioria por negros e negras. Assim, não nos calaremos frente a mais esse retrocesso na defesa da comunicação pública do país. Por esses motivos, exigimos a imediata exoneração de Laerte Rimoli e a substituição dele levando em conta nomes indicados em lista tríplice pelo conjunto de empregados da EBC.
Racistas não passarão!
Comissão de Empregados da EBC
Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal
Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal”
Foi o que bastou para a brigada do ódio afiar suas armas.
Pelo menos duas pessoas com cargos públicos cerraram fileira ao lado dos raivosos.
O Secretário de Educação de Marcelo Crivella - um governo que dá sinais de intolerâncias variadas - rebateu com virulência a opinião da atriz.
"Nossa maior conquista — o conceito de povo brasileiro — desapareceu entre os bem-pensantes. Qualquer idiotice racial prospera. A última delas é uma linda e cheirosa atriz global dizer que as pessoas mudam de calçada quando enxergam o filho dela, que também deve ser lindo e cheiroso. Vocês replicam essa idiotice", escreveu o "secretário de Educação" de Crivella em post no Facebook.
Já o presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Laerte Rimoli, nomeado por Michel Temer, partiu para o deboche e compartilhou em sua página publicações racistas.
Governos sérios, em qualquer país, já teriam demitido essas duas figuras.
Ontem, a Comissão de Empregados da EBC, os sindicatos dos Jornalistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal e os sindicatos dos Radialistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal divulgaram nota em que pedem a demissão do presidente do órgão, Laerte Rimoli
cor negra de seu filho faz “com que as pessoas mudem de calçada”.
Leia a íntegra da nota:
“Rimoli não desrespeitou só a atriz Taís Araújo, mas toda sociedade brasileira e a própria EBC
Nós, trabalhadores e trabalhadoras em greve da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), repudiamos com veemência os ataques racistas do presidente da EBC, Laerte Rimoli, à atriz Taís Araújo, sua família, toda sociedade brasileira e os princípios fundadores da Empresa Brasil de Comunicação.
As publicações racistas foram compartilhadas no perfil do presidente no Facebook, em modo público. Esse comportamento deplorável vai contra o posicionamento dos empregados e empregadas, que sempre lutaram por uma comunicação pública diversa, inclusiva, livre de preconceitos. Laerte Rimoli descumpre a própria lei que regulamenta a EBC e vai de encontro ao papel social da comunicação pública ao publicar comentários preconceituosos, contra os códigos de ética do serviço público e dos jornalistas.
Com nossas produções no rádio, na televisão e na web, nós, empregados e empregadas da EBC, lutamos diariamente contra a discriminação e o preconceito racial tão presentes na nossa sociedade. Um exemplo disso é que a EBC foi pioneira em práticas de afirmação contra a discriminação racial. Fomos a primeira TV aberta a exibir telenovelas com elenco majoritariamente negro, tivemos o primeiro correspondente fixo no continente africano e fomos a primeira televisão a exibir um desenho infantil com personagens negros. Assim, não aceitamos tal postura e exigimos respostas institucionais a esse desrespeito, incluindo ação imediata do Ministério Público Federal.
A atual gestão da EBC chegou junto à Medida Provisória 744, que entre outras providências extinguiu o Conselho Curador, um importante órgão que garantia a participação da sociedade na construção editorial da Empresa, colocando em xeque o compromisso com a diversidade que é natural da comunicação pública. O racismo, escancarado pelas piadas compartilhadas pelo atual diretor-presidente, hoje se reflete também dentro da EBC: contam-se nos dedos os funcionários que, atualmente, lideram equipes, têm funções de confiança ou estão em posição de destaque, como a reportagem em vídeo e a apresentação de programas. Em uma empresa onde a diversidade de gênero, raça e orientação sexual deveria ser prioridade, repete-se o triste estigma social e estético, que coloca as mulheres negras ocupando posições desfavoráveis ao seu protagonismo, prejudicando a imagem de representatividade que deveria chegar a cada cidadão e cidadã – os primeiros e mais importantes focos da comunicação pública.
A EBC pertence à sociedade brasileira, composta em sua maioria por negros e negras. Assim, não nos calaremos frente a mais esse retrocesso na defesa da comunicação pública do país. Por esses motivos, exigimos a imediata exoneração de Laerte Rimoli e a substituição dele levando em conta nomes indicados em lista tríplice pelo conjunto de empregados da EBC.
Racistas não passarão!
Comissão de Empregados da EBC
Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal
Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal”
Crivella diz que Garotinho é "honesto". "Fez bobagem", perdoa o bispo-prefeito
Com o ex-governador Garotinho puxando cadeia mais uma vez, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) resolveu defender o irmão de fé. Disse ele que Garotinho é "honesto", "cometeu uma bobagem". No mesmo dia, o prefeito foi acusado por Edimar Moreira Dantas, um dos delatores do esquema criminoso Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), de receber propina de R$ 450 mil, em pacotinhos de grana viva. Mas não foi a primeira vez que Crivella teve seu nome envolvidos em "bobagens" pecuniárias. Em 2016, o religioso foi citado na delação premiada de Renato Duque como beneficiário de Caixa 2. Outra "bobagem": Em proposta de delação ao ministério Público, Eike Batista informou que deu R$ 1 milhão ao bispo em 2012 para que desistisse da candidatura a prefeito. Batista teria atendido, segundo o delator, a um pedido de Sergio Cabral para facilitar a reeleição de Eduardo Paes. Naquele eleição, Crivella desistiu e Paes foi o vencedor após disputar o segundo turno com Marcelo Freixo. Quanta "bobagem"!
Merenda na cueca do PMDB
Condenado por falsificação de documentos e dispensa de licitação, o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ) cumpre pena em regime semiaberto na Papuda, em Brasília. Há poucos dias, ao voltar para a cadeia, foi flagrado levando dois pacotes de biscoito e um de queijo provolone escondidos na cueca. O fato foi divulgado na mídia, mas faltou esclarecer:
1- A cueca do deputado estava com prazo de validade higiênico válido?
2- Se o deputado adquiriu a merenda em supermercado, botou a muama no cuecão antes ou depois de passar pelo caixa?
1- A cueca do deputado estava com prazo de validade higiênico válido?
2- Se o deputado adquiriu a merenda em supermercado, botou a muama no cuecão antes ou depois de passar pelo caixa?
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Crise: revista Contigo deixa de ser semanal. Edição impressa passa a ser mensal
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| Uma das capas dos anos 2000: polêmica e recorde de circulação |
A Contigo acumulou recordes de circulação nos anos 2000 mas, com a crise econômica e os abalos sofridos pelo meio impresso, já dava sinais de esgotamento.
Em 2015, a Abril vendeu o título para a Editora Caras levando a Contigo a perder ainda mais relevância no mercado.
Com o fim das edições impressas, entre outras, da Quem, Istoé Gente, agora, Contigo etc, a Caras resiste como a única revista de celebridades a manter edição impressa.
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Sempre teremos Casablanca
Lançada há 75 anos, a love story de Bogart & Bergman
Persiste como um dos maiores sucessos cult do cinema
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| A sequência final de Casablanca foi filmada em um galpão da Warner, em Burbank, Califórnia |
Por Roberto Muggiati
A história de amor do século entre Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Berman) pode ser resumida num tweet: “Paris: invasão alemã separa amantes. Ela casa com herói da Resistência. Casablanca: mocinho faz amada fugir com marido por um mundo melhor.”
O filme era para ser mais uma produção rotineira da Warner. Baseou-se numa peça de teatro não encenada, Everybody Meets at Rick’s. O texto passou por muitas mãos e modificações. Casablanca foi rodado em apenas 71 dias, de 25 de maio a 3 de agosto de 1942, num galpão de Hollywood, sem nenhum ar de Paris ou do Marrocos. As filmagens começaram com apenas metade do roteiro pronta. Logo depois, as falas e marcações eram escritas às pressas por Howard Koch e pelos irmãos gêmeos Jules e Philip Epstein na véspera da filmagem. Ingrid Bergman não sabia quem devia amar: Rick ou Laszlo? Há quem defenda que toda essa confusão foi uma das causas principais do sucesso de Casablanca.
O filme é o campeão das frases de efeito, de humor cortante, um tipo de cinismo gerado pelo pathos da guerra. Nas conversas entre o capitão Renault e Rick, por exemplo: “Que diabos o trouxeram a Casablanca?/Minha saúde. Vim por causa das águas./Águas, que águas? Estamos no deserto!/Fui mal informado.” Uma mulher pergunta a Renault que tipo de homem é Rick: “Rick é o tipo de homem que... se eu fosse uma mulher, e eu não estivesse disponível, eu me apaixonaria por Rick.” E o fecho do filme, quando os dois, acumpliciados na vitória do Bem, se afastam em meio à neblina: “Isto poderia ser o início de uma bela amizade.”
O choque de Rick ao reencontrar Ilsa no seu café: “De todas as biroscas em todas as cidades do mundo, ela tem de entrar logo na minha!” Evocando a invasão de Paris: “Lembro cada detalhe: os nazistas vestiam cinza, você azul.” Convencendo-a do acerto do seu sacrifício: “Ilsa, não sou bom em matéria de nobreza, mas não é muito difícil perceber que os problemas de três pessoinhas não valem coisa alguma neste mundo maluco.” E quando Ilsa, perplexa, pergunta: “E nós?” Rick consola: “Sempre teremos Paris.”
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| O piano de Sam, do Rick's Café, foi... |
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| ...leiloado em 2014. |
O toque musical é perfeito: As Time Goes By, composto em 1931 por Herman Hupfeld, pianista de uma taverna suburbana de New Jersey. A letra sublinha os sentimentos do filme: “É a mesma velha história/A luta por amor e glória/Um caso de vida e morte./O mundo acolherá os amantes/Enquanto o tempo passa...” As Time Goes By sublinha o amor de Rick e Ilsa em Paris e seu reencontro em Casablanca. O piano de Sam em Casablanca foi leiloado em 2014 por 3,4 milhões de dólares na Bonhams de Nova York.
O elenco era uma verdadeira “legião estrangeira”: a sueca Ingrid Bergman; os ingleses Claude Rains e Sidney Greenstreet; os austríacos Paul Henreid (nascido na Trieste do Império Austro-Húngaro) e Peter Lorre (celebrizou-se como O Vampiro de Düsseldorf); o alemão Conrad Veidt (atuou em O gabinete do Dr. Caligari), que fugiu dos nazistas, mas Hollywood engessou em papeis de oficiais nazistas, como em Casablanca. E tem, é claro, o diretor Michael Curtiz, húngaro que se mudou para Hollywood ainda no cinema mudo. Durão, foi temido e odiado por todo o elenco, exceto por Ingrid, que Curtiz tratava como uma duquesa.
Bogart era cinco centímetros mais baixo do que Ingrid, o que o obrigou a pisar sobre blocos de madeira e sentar em almofadas altas para compensar a diferença. O filme todo foi rodado num galpão da Warner em Burbank. A cena final usou um avião de compensado em miniatura, imitando um Loockheed Electra Junior, preparado para o voo por extras anões, para manter a proporção. A produção exagerou no nevoeiro – criou um improvável fog londrino no Marrocos – a fim de disfarçar a bizarra montagem. E a capa de chuva emblemática de Bogie – façam-me um favor, em pleno deserto do Saara? Todos esses absurdos funcionaram às mil maravilhas, Havia finais alternativos A e B, até os atores principais só ficavam sabendo qual deles seria usado poucos dias antes da filmagem. Tentativas de corrigir as cenas finais se tornaram impossíveis depois que Ingrid Bergman cortou os cabelos bem curtos, para interpretar Maria em Por quem os sinos dobram? A filmagem de Casablanca foi uma comédia de erros em que tudo se encaixou à perfeição para criar uma obra-prima.
A estreia em Nova York em 26 de novembro de 1942 garantiu que o filme concorresse aos Oscars do ano. Com oito indicações, ganhou os prêmios de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro. Comunicólogos e semiólogos tentaram decifrar o Efeito Casablanca nas últimas décadas. Num livro de 402 páginas 1992, Round Up The Usual Suspects/The Making of Casablanca – Bogart, Bergman and World War Two II, Aljean Hametz revela todos os bastidores das filmagens. (O título evoca um dos chavões da hipócrita polícia francesa toda vez que havia uma agressão contra os alemães:
“Detenham os suspeitos de sempre.” Na verdade, nunca houve tropas nazistas uniformizadas em Casablanca em toda a Segunda Guerra, o que é talvez o maior disparate, dentre os inúmeros da história.) Até um livro de receitas de comes e bebes foi publicado, The Casablanca Cookbook.
Esta ano saiu o livro de Noah Isenberg, We’ll Always Have Casablanca, que analisa o impacto e a longevidade do filme. Umberto Eco sempre achou o Casablanca medíocre, uma história em quadrinhos, uma colcha de retalhos, com baixa credibilidade psicológica e descontínuo em seus efeitos dramáticos.” Mas Eco admite também: “Casablanca não é apenas um filme. É muitos filmes, uma antologia. Quando todos os arquétipos explodem desavergonhadamente, atingimos profundezas homéricas. Dois clichês nos fazem rir. Uma centena de clichês nos comove, pois sentimos que os clichês estão conversando entre si e celebrando uma reunião.”
Intelectualismos à parte, Casablanca é um filme que fala basicamente à emoção. Cultuado por sucessivas gerações ao longo de 75 anos, deverá continuar, por muito tempo, contando “a mesma velha história da luta por amor e glória.” Por tudo isso, depois de três quartos de séculos, se tornou também imune a remakes e continuações — um milagre impossível de se repetir.
Remakes, sequels & prequels
Rick e Ilsa deixam o heroico Victor Laszlo a ver aviões e têm o seu happy end. Casam, dão sua contribuição ao baby boom e se tornam mais uma família afluente na Subúrbia da Sociedade de Consumo. Ou então, numa virada de enredo digna do nosso tempo, Rick e o capitão Renault se aprofundam (literalmente) na sua “bela amizade” e saem pelo mundo afora em busca de destinos gay-friendly. Laszlo larga a política e se torna gerente de uma rede de hotéis, vivendo pra lá de Marrakech num harém de dançarinas do ventre. Dooley Wilson — que canta As Time Goes By no filme — faz sucesso com um clube de jazz na rive gauche de Paris, o Sam’s Café Américain.
São variantes de possíveis continuações de Casablanca que, felizmente nunca foram filmadas.
Existe ainda, só para um clube fechado de jornalistas cariocas, a bem humorada adulteração do final do filme feita por João Luiz de Albuquerque, com Rick e Ilsa juntos num beijo de happy end. Esta versão politicamente incorreta é precedida por um jornal do Canal 100 que mostra o Brasil campeão da Copa de 50 no Maracanã.
Não é de hoje que Hollywood tenta repetir o que deu certo — e nem sempre se dá bem. O romance O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, publicado em 1925, já no ano seguinte ganhava uma versão no cinema ainda mudo, da qual só restaram poucos minutos – críticos pedantes dizem que é a melhor de todas. Refilmado em p&b em 1949 (com Alan Ladd), Gatsby conquistaria as plateias na versão com Robert Redford e Mia Farrow, roteirizada por Coppola – uma visão anos 70 dos anos 20. E tem ainda a versão de Baz Luhrmann em 2013 com Leonardo DiCaprio. Para mim, que traduzi a versão recuperada de O Grande Gatsby – apesar de incluir música eletrônica, hip-hop e rock numa trilha anacrônica – é de todas a mais fiel ao texto de Fitzgerald. No drama marítimo O grande motim, a versão de 1935 (com Clark Gable e Charles Laughton) ganha longe das de 1962 (Marlon Brando e Trevor Howard) e 1984 (Mel Gibson e Anthony Hopkins). Há remakes que jamais deveriam ter sido feitos: o de O fio da navalha (1946, com Tyrone Power), refilmado em 1984 com Bill Murray; e A carga da brigada ligeira (1936, dirigido por Michael Curtiz, de Casablanca, com Erroll Flynn), refeito em 1968 com David Hemmings. O personagem mais vezes levado à tela é Sherlock Holmes, interpretado por vários atores desde a primeira versão, em 1922, com John Barrymore. O detetive Charlie Chan, que também estreou no cinema mudo, aparece em dezenas de filmes. Ironicamente, seus maiores intérpretes foram falsos chineses: o sueco Warner Oland e o americano (de origem escocesa) Sidney Toler. O exemplo mais bem sucedido de sequels foi a saga O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1972, 74, 90). Detalhe precioso: o bebê de Al Pacino batizado no final do Chefão 1 é a filha recém-nascida de Francis Coppolla, Sofia, que atua como ninfeta no Chefão 3, já com 18 anos, e se tornaria expressiva cineasta depois. O charme macabro de Norman Bates gerou as sequências Psicose II e Psicose III e a prequel Psicose IV – O início, todas estreladas por Anthony Perkins, que dirigiu Psicose III. Desperdício total foi Gus Van Sant copiar em cores, em 1998, quadro por quadro, o Psicose original de Hitchcock, de 1960. Já Alfred Hitchcock e a filmagem de Psicose, com Scarlett Johansson fazendo a bela do chuveiro e Anthony Hopkins (não Perkins!) como o Mestre do Suspense, mostra a grande cartada do velho Hitch ao bancar sozinho, com dinheiro do bolso, a filmagem de um dos maiores sucessos de bilheteria, rejeitado por todas as grandes produtoras. Hopkins, a propósito, brilhou nas sequels de O silêncio dos inocentes — Hannibal e O Dragão Vermelho — mas não aparece na prequel, Hannibal – A Origem do Mal.
Existe coisa pior no cinema do que remakes, sequels e prequels? Existe, sim. Até um musical inexpressivo fizeram de Casablanca em 2002. Mas vamos torcer para que a história de amor de Rick e Ilsa continue fechada eternamente entre as quatro paredes do encantado café marroquino.
A primeira Casablanca
a gente nunca esquece!
Quem viu Casablanca, certamente viu o filme várias vezes. E lembra até hoje quando o viu pela primeira vez. Minha primeira sessão de Casablanca teve a ver, de certo modo, com a guerra.
Eu fazia o serviço militar no CPOR de Curitiba no verão de 1957. Numa sexta-feira programou-se uma marcha noturna de 30 quilômetros com mochila equipada de 36 quilos no lombo.
Uma verdadeira tortura.
Valendo-me de uma unha encravada, provocada por aqueles elegantes sapatos pretos de bico fino, consegui dispensa médica.
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| Cine Luz, Curitiba |
Não devia ser a primeira vez que passava Casablanca em Curitiba; apenas 14 anos nos separavam do lançamento do filme – e da Segunda Guerra. O prazer estético de ver pela primeira vez Casablanca – a maior história de amor em tempo de guerra – foi intensificado mil vezes pelo senso do interdito e da transgressão de ter escapado ao castigo da marcha forçada.
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